Stracci famiglia: Liberdade e corrupção
4 Um pequeno desafio
Notas iniciais
O ambiente fora dominado uma vez mais por um silêncio constrangedor, sendo possível ouvir até mesmo o som de Sarah folheando os papéis que preenchia. Sentado entre Pan e Hector, Chris sentia-se desconfortável, como se estivesse em meio à um campo de guerra, sentindo a troca de faíscas entre ambos, enquanto Hector a encarava com um sorriso provocativo, achando graça do quanto a sua presença lhe incomodava.
— Você sabe o quão ocupado ele é. No fim das contas a presença dele é algo meramente superficial para que seu pai demonstre estar sempre de olho em você. — Sarah se pronunciou, fazendo desaparecer o sorrisinho debochado de Hector. — Aqui está. — Ela entrega as folhas de inscrição já completas para Chris, que a agradeceu com o olhar por permitir-lhe levantar-se daquele lugar. Após rapidamente folheá-las, guardou-as em pastas separadas e organizou os documentos em uma gaveta.
— Eu tinha tantos planos pra colocar em prática. Estou desapontada. — Pan resmungou, debruçando sobre a mesa.
Todos a encararam com uma expressão questionadora, porém os que a conheciam melhor não ousaram perguntá-la sobre isso. Sabiam que, vindo dela, não seria boa coisa.
— Seu irmão é tão ruim assim? — Chris riu.
Pan levantou-se rapidamente e apontou para Hector com uma expressão incomodada. — Ruim? Ele é um mafioso! — Exclamou.
Surpresos, Hector e Sarah correram até ela para proibi-la de continuar falando besteiras, colocando as mãos em seus lábios, um pouco preocupados com a gafe que a deixaram cometer.
— Um mafioso? — Chris continuou rindo. — A relação de vocês deve ser péssima.
— Ela odeia a minha presença com todas as forças. — Hector interrompeu.
Sarah assentiu, e após dar um leve beliscão no braço da amiga retirou a mão de seu rosto, permitindo-a voltar a respirar.
— Mudando de assunto, você tem certeza de que deveria continuar aqui? — Sarah indaga. – Não é ruim o presidente do grêmio estar matando aula?
— Normalmente não sou eu que cuido dessas coisas, mas eu poupei vocês de terem que lidar com o diretor. Considerem um pedido de desculpas por antes. — Ele retruca, com uma piscadela.
Sarah revirou os olhos. Ela não podia evitar de julgá-lo mesmo sem conhecê-lo bem, principalmente por ele representar todos os estereótipos de "mocinho popular do colégio", embora estivesse disposta a tentar, pois Pan parecia apreciar sua companhia.
— Acho melhor você voltar pra aula enquanto nós exploramos o lugar, Chris. — Pan interrompeu. — Se algo acontecer por estarmos matando aula eu não gostaria que você fosse pego também.
— Vocês vão matar aula no primeiro dia? — Questionou surpreso, arqueando as sobrancelhas.
— Não, ela não vai. — Hector revirou os olhos, segurando fortemente a mão de Pan para que não pudesse fugir.
— Me solta, Hector. — Reclamou, lutando para escapar.
— Não precisa ser assim, cara. — Chris se colocou entre os dois, afastando a mão de Hector. — Agora ainda é o horário do intervalo, deixa a sua irmã aproveitar um pouco a vida.
— Ela não é minha irmã. Não temos laços de sangue. — Explicou, um pouco irritado.
Ele nem ao menos sabia o motivo de sentir-se tão incomodado por ser considerado seu irmão mais velho. Pensava que, talvez, a ideia de associar uma garota tão pura à alguém como ele lhe trouxesse desconforto, mas no fundo, embora lhe custasse admitir, sabia que não era isso.
— Não tem problema, ele é sempre assim. — Pan dirigiu-se até a porta. — De qualquer forma, não vamos perder o dia todo aqui, não é? Ainda quero conhecer várias coisas, escolher um clube e conversar com mais pessoas.
— Você tem uma lista de afazeres bem grande. — Chris a seguiu.
Sarah e Hector encararam-se com uma expressão conformada, já cientes de que Pan tomaria as rédeas em algum momento, deixando-os para trás. Sua curiosidade e a vontade que tinha de conhecer o mundo sempre falariam mais alto. Lentamente, eles se juntaram à Chris e Pan, observando-os de longe enquanto essa última corria serelepe por todos os lados, incomodando as pessoas que passavam pelo corredor para tentar conhecê-las melhor. Alguns a ignoravam ou a encaravam com sarcasmo, porém um pequeno grupo permitiu sua aproximação.
— Você não quer entrar no clube de música? Se você não tiver um clube, o nosso está aceitando novos membros. — Um dos garotos ofereceu.
— Eu posso entrar em mais de um clube? Estou interessada em todos. — Respondeu sorridente.
Sarah aproximou-se e desculpou-se com as pessoas ao redor de Pan, arrastando-a para longe e tentando recordar-se do porquê a permitiu andar sozinha por aí. Em um simples trajeto por dois curtos corredores ela já havia prometido comparecer em mais de quatro festas e inscrever-se em mais de oito clubes, causando confusão entre alguns alunos que pensavam estarem "roubando" seus novos membros. Quando a poeira abaixou, Chris se propôs a continuar apresentando o colégio, levando-as até a biblioteca, salas de aula, mostrando-lhe seus armários, o teatro, e por fim, o ginásio, aonde as garotas do time de basquete se preparavam para iniciar o treino diário.
— Vocês duas por acaso não sabem jogar basquete, né? — Chris indagou esperançoso. — Uma das minhas amigas é capitã do time e algumas meninas se formaram, então estão precisando de novas jogadoras.
— Eu sei. — Pan respondeu alegremente, colocando um sorriso no rosto do colega. — Tive muito tempo livre para aprender todo tipo de coisa trancada em casa. — Completou de braços cruzados. Hector apenas suspirou, esperando que ela não falasse mais do que deveria.
— "Uma de minhas amigas", é? — Uma voz suave seguida de uma bola arremessada na cabeça de Chris chamou-lhes a atenção, retirando um sorriso de Sarah, que tentava escondê-lo com a mão fechada enquanto desviava o olhar.
— Alex... — Murmurou irritado, esfregando sua cabeça para amenizar a dor. — Bom, pessoal, essa é a Alex, a capitã do time feminino de quem eu tinha falado antes. — Apresentou-a com uma expressão cansada, devolvendo-lhe a bola logo após.
Alex era atlética, com as coxas firmes e a pele clara, utilizando o seu uniforme do time que lhe caía muito bem. Era do tipo de pessoa que, à primeira vista, aparenta ser arrogante e inalcançável. Sorridente enquanto provocava seu amigo ao encostar seu cotovelo em suas costelas de um modo bruto, ela encarou Pan de cima à baixo, um pouco desconfiada.
— Muito prazer, Alex. — Pan sorriu, estendendo a mão para que pudesse cumprimentá-la.
— Você disse que sabia jogar, não é? — Questionou, com um sorrisinho debochado estampado em seu rosto. — Que tal um pequeno teste, então?
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