Notas iniciais
Obrigada por sempre continuarem aqui comigo ♥. Esse capítulo mostra um pouquinho mais da relação entre Pan e a sua família, espero que gostem ♥ Algumas palavrinhas que vocês podem encontrar no texto e se confundirem> — Dom: Chefe da máfia. — bambina: pequena garota/ criança/ garotinha Acho que é só isso mesmo ♥ boa leitura!

Pan assustou-se ao receber tão subitamente aquela notícia, encostando-se no batente da porta por um instante para tentar recuperar o fôlego. Com a profissão que tinha, uma internação seria no mínimo algo grave ou preocupante, e ela sabia agora o porquê de ter passado a manhã com uma sensação esquisita todas as vezes que pensava em sua família.

— Vem, eu te acompanho até o carro. Quanto mais cedo chegarmos lá, mais rápido tiramos a dúvida e nos livramos das preocupações. — Sarah tomou as rédeas da situação ao perceber o breve estado de choque da amiga. Segurando suavemente sua mão levou-a até o carro, aonde Matteo — um dos homens de seu pai, e também seu segurança — as aguardava.

— Ele tá consciente pelo menos? — Pan o questionou assim que adentrou o veículo, recebendo uma resposta afirmativa que a fez suspirar aliviada.

Durante o trajeto, Sarah questionou-se inúmeras vezes se deveria tentar aproximar-se da amiga, porém ao perceber o quão aflita sentia-se, decidiu deixá-la em paz, não invadindo seu espaço pessoal. A aura inalcançável que existia ao seu redor enquanto encarava a janela do carro roendo as unhas deixava tudo bem claro. De certa forma achava graça do quão bem podia lê-la.

No momento que avistou o hospital, Pan abriu a porta do veículo ainda em movimento, não esperando nem ao menos que fosse estacionado, correndo até o balcão de informações da recepção.

— Eu preciso de um quarto! — Exclamou de modo tão eufórico que todos do local foram capazes de ouvi-la.

— Qual o estado do paciente? Foi algum acidente? — A enfermeira lhe questionava enquanto digitava rapidamente em seu computador.

— Eu não sei. — Retrucou, afagando os cabelos.

— Como não sabe? Mantenha a calma, respire fundo e me diga o máximo de informações possíveis. Até o menor detalhe pode salvar uma vida nessas situações, você está indo bem.

Sarah aproximou-se de Pan, dando-lhe um leve tapinha nas costas por sua imprudência.

— Me desculpe, o que ela provavelmente quis dizer é que precisamos saber o número de um quarto para uma visita. — Corrigiu, fazendo a mulher encarar sua amiga de cima à baixo com desdém. Aquela euforia toda a havia feito pensar que um quarto seria necessário para abrigar urgentemente um futuro paciente.

— O nome do paciente?

— Hans Stracci. — Sarah respondeu.

— Preciso de um documento com foto de cada uma de vocês. — Ela retrucou, estendendo a mão para coletar o que havia requisitado.

— Eu não tenho um documento comigo, senhora, eu só quero ver o meu pai! — Pan exclamou, já impaciente.

— É um protocolo que devo seguir. Sem o documento vocês não passam, sinto muito. — Sinalizou com a mão para que as garotas saíssem dali, permitindo que a fila andasse.

Pan afastou-se cabisbaixa em direção à porta de saída. Assim que pegou a distância necessária, correu em direção ao balcão e saltou-o, passando por cima da enfermeira que a havia atendido anteriormente. Sarah ficou para trás e embora não conseguisse evitar de sorrir, sabia que Pan estaria em apuros caso fosse pega.

— Hector! — Gritava enquanto corria pelos corredores, perturbando a paz de outros pacientes. Alguns médicos lhe advertiram e outros até mesmo tentaram expulsá-la, porém ela não tinha ciência do quanto suas ações impulsivas incomodavam aqueles ao seu redor.

Prestes à virar o corredor, sentiu seu pulso ser puxado ao mesmo tempo que seus lábios foram cobertos com um lenço de seda. O breve susto que tomou logo se dissipou ao sentir o aroma presente no tecido, que já era muito conhecido e apreciado por ela. Encostou sua cabeça suavemente no braço que a segurava, virando-se para um abraço caloroso.

— Você não pode perturbar os outros assim. Hans não é o único internado aqui, então tenha um mínimo de empatia.

— Foi o único jeito de te encontrar. A moça do balcão de informações não quis me falar em que quarto o papai estava. — Respondeu, com a voz serena, apertando ainda mais o abraço. — Ele está bem, Hec?

— Ele teve sorte dessa vez. Os médicos da famiglia estavam próximos. — Ele afagou os cabelos dela com carinho, porém tentando tocá-la o mínimo possível. — Você deveria entrar. — Afastou-a com cuidado, limpando a garganta e alinhando seu terno.

— Pai! — Abriu euforicamente a porta, causando um estrondo em todo o andar. Hector a seguiu, arrependido por tê-la deixado entrar.

Bambina?! — Hans surpreendeu-se ao vê-la, embora fosse incapaz de levantar para recebê-la como gostaria.

— É para isso que você nos deixa tomando o café da manhã sozinhas? — Reclamou com a voz fraca e olhos marejados, observando a mancha de sangue nas ataduras posicionadas no abdômen de seu pai.

— É um fardo que devo suportar como um Dom. — Retrucou em tom grave, embora cansado, com a mesma expressão fria de sempre.

Olhar para seu pai naquele estado era doloroso e preocupante. Sua pele albina e olhos avermelhados se destacavam ao contrastar com o sangue, causando uma sensação de desconforto cada vez que tentava encará-lo por mais do que alguns segundos. Lentamente, ela colocou as mãos frias em suas bochechas, obrigando-o a fitar o fundo de seus olhos.

— Já que é pra você trabalhar com isso, pelo menos deveria me prometer que vai voltar seguro pra casa todas as vezes, papai.

Hans retirou a pequena mão de seu rosto, segurando-a fortemente, um pouco desconsertado, sem reação.

— É uma promessa, bambina. — Confirmou.

— Não prometa algo que não pode cumprir, Hans. — Uma queixa enfurecida ecoa pelo cômodo, quebrando o momento terno entre pai e filha.

— Mamãe. — Pan aproximou-se para abraçá-la. — O que aconteceu?

— Ele foi descuidado, minha querida. Me deixe ao menos poupá-la dos detalhes. — Argumentou, beijando carinhosamente os cabelos da filha.

— Ah! A Sarah ficou lá em baixo! — Recordou-se. — Eu vou buscar ela rapidinho e já volto.

— É melhor você ir para casa, bambina. — Hans ordenou.

— Mas eu quero ficar com você, papai. — Suplicou.

— Já te disse que não gosto de misturar você com o meu trabalho. O Hector vai te acompanhar.

— Mas vocês estão comigo, não vai acontecer nada.

— Hector, por favor. — Deu o veredito final, sem nem ao menos olhá-la novamente, para que não fosse levado por suas emoções.

— Vamos. — Hector segurou-a pelo pulso, levando-a dali mesmo que à contragosto. — Não me olhe assim, você sabe que eu só sigo ordens. Não importa o quanto eu goste de você, as ordens de Hans são absolutas. — Explicou, referindo-se à expressão emburrada de Pan.

— Ele é um cabeça dura! Como pode um pai não permitir que a filha fique ao seu lado enquanto está no hospital? E você é outro idiota, concordando com essas besteiras e me arrastando para fora assim. — Esbravejou incansavelmente.

— Você pode reclamar o quanto quiser, mas não vai mudar nada.

— É claro que posso, você nem se importa com o que eu faço, só obedece tudo o que o papai fala. — Bufou, fazendo um biquinho exagerado com os lábios para demonstrar seu descontentamento.

Hector pensou em parar por um instante e argumentar contra ela, porém decidiu manter a calma e não piorar as coisas. Ela nunca entenderia o porquê de sua família querer tão desesperadamente que ela volte para casa. Para ele, talvez, a melhor opção para conservar uma distância segura entre eles era a de fazê-la imaginar que realmente não se importava, portanto não se deu ao trabalho de corrigi-la.

— Como ele está? — Sarah os recebeu com um sorriso cansado.

— Fisicamente ele vai melhorar, mas o ego... — Pan ironizou, ainda irritada por ter sido expulsa.

Hector não conseguiu segurar o riso abafado que tomou conta de seus lábios ao ouvi-la caçoar de seu pai. Tentando manter a compostura, colocou seu punho em frente à boca e limpou a garganta.

— Devemos ir? — Perguntou tentando disfarçar o fato de ter achado graça de algo que zombasse de seu chefe.

À contragosto Pan assentiu, revirando os olhos para provocá-lo devido à discussão de anteriormente. Dividida entre a ansiedade para voltar ao colégio e a preocupação com seu pai, encostou a cabeça no ombro de Sarah durante todo o trajeto, imaginando qual seria a próxima notícia ou acontecimento a surpreendê-la no dia de amanhã.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ obrigada por lerem! Até a próxima semana~ ♥