Notas iniciais
Desculpem meus amores ♥ esse capítulo era pra ter saído sábado, mas eu tava meio enrolada! Isso não muda nada, tá? O dessa semana ainda vai sair, de qualquer forma :3 Ficou maior do que os anteriores, mas espero que agrade mesmo assim! Tenham uma boa leitura~ ♥

Uma semana havia se passado, e era o dia do tão esperado show. Kate havia conseguido os ingressos com seu amigo, agradecida por toda a ajuda, principalmente por ter passado todos os dias na casa da amiga, segura e longe de Ethan, até mesmo mais confiante de que não seria mais importunada por ele. Pan, por outro lado, estava triste com sua partida, mas sabia que, como era o dia de seus pais voltarem para casa, ela não poderia continuar ali. Ela nem mesmo sabia se conseguiria ir ao show, sabendo que provavelmente seria barrada por seu pai, que não apreciaria a ideia de imaginá-la em um ambiente como aquele.

— O Hector não veio outra vez? — Pan questionou um de seus seguranças, adentrando o carro com uma expressão desanimada. Ele apenas acenou negativamente com a cabeça, fazendo-a suspirar.

Desde o incidente no chuveiro não trocavam mais do que duas palavras por dia. Hector parecia sempre ocupado com o trabalho, e apesar de sempre ter sido assim, ultimamente sua companhia havia se tornado uma rotina. Embora não estivesse de acordo a tê-lo ao seu lado no colégio, agora sentia falta daqueles breves momentos que passavam juntos. Era confortável tê-lo por perto, e diferente de como agia quando próximo de seu pai, estava sendo amável e gentil, permitindo-a conhecer um lado diferente dele.

— Não faça essa cara. — Sarah tentou confortá-la, segurando sua mão assim que desceram do carro. — Pensei que estivesse feliz com a recuperação de Hans.

— Eu estou, de verdade, mas é tudo tão complicado. — Reclamou, pensando em tudo que havia acontecido nos últimos dias.

— Bom dia, forasteiras com sotaque bonito. — Alex as recebeu, entrelaçando o braço ao redor do pescoço de Pan. — Já deu a sua ficha de inscrição pro Chris?

— Que ficha? — Indagou confusa, arqueando as sobrancelhas.

— Eu não te avisei que você passou no teste pro time? Ah, então, você passou, parabéns! — Respondeu sorridente, como se nada tivesse acontecido.

Sarah riu ao imaginar o quanto Alex e Pan eram parecidas em alguns quesitos, principalmente por ambas serem sempre tão desastradas e negligentes com assuntos sérios ou trabalhosos. Ver sua amiga tão feliz e liberta enquanto provocava Alex a deixava contente, e embora sentisse uma leve pontada de ciúmes, ela sabia que sua companhia, às vezes, não seria o suficiente para livrar Pan de todas as suas tormentas. Era muito mais fácil aturar o ciúme do que vê-la tão entristecida como há alguns minutos atrás.

— Bom dia, garotas. Vocês sabem como vamos fazer pra nos encontrarmos à noite? — Chris as interrompeu, aproveitando o clima agradável para questioná-las sobre o show.

— Bom dia, Chris. — Pan o cumprimentou.

— Vamos apenas marcar um horário e um local para nos encontrarmos. Não é muito complicado. — Sarah argumentou, pegando alguns livros em seu armário.

— Bom, quando combinarem alguma coisa me avisem, por favor. — Pediu. — Aliás, seu irmão não veio hoje, Pan?

— Ele não é... quero dizer, ele é... — Ela gaguejou, sentindo as bochechas ruborescerem ao recordar-se do contratempo da semana anterior. Tentando recompor-se e organizar os pensamentos, fingiu tossir e limpou a garganta para disfarçar. — Nós não somos irmãos de verdade, mas eu não consigo ver o Hector como um amigo comum ou algo assim.

Todos a encaravam atenciosamente, tentando ver o quanto ela conseguiria se enrolar com toda aquela explicação. Alex não conseguia deixar de encará-la maliciosamente enquanto a ouvia falar tão calorosamente sobre a sua relação com Hector. Ela nem ao menos compreendia qual era a relação que possuíam, mas estava certa de que não conseguiria vê-lo com os mesmos olhos após o ocorrido, diferente de quando não se importava em despir-se na sua frente. Parecia que algo havia mudado dentro de si, e de certa forma, as coisas estavam diferentes.

— Parece que uma de nós gosta dos caras mais velhos. — Alex a provocou, fazendo cócegas em sua barriga para incomodá-la. — Sua pervertida!

— Você tá doida? É óbvio que não! — Pan contestou ofegante, tentando manter o fôlego enquanto ria graças ao gesto exagerado da colega. Suas tentativas de esquivar-se foram todas falhas, conseguindo apenas recuperar a forma quando Alex decidiu afastar-se e parar de importuná-la antes que pudesse matá-la de tanto rir. — Agora você vai ver! — Exclamou, encarando-a com uma expressão vingativa, tentando alcançá-la para que pudesse dar o troco.

— Trégua, por favor! Eu tô com o tornozelo torcido, não consigo correr. — Implorava, ao mesmo tempo que fugia de Pan, correndo em círculos ao redor de Chris, que já estava um pouco enjoado de tanto observá-las.

— Está animado aqui. — Kate se aproximou, rindo de toda aquela bagunça.

Sarah e Chris logo perceberam o quanto suas amigas estavam chamando atenção, e juntos, as separaram, tentando mantê-las quietas por um momento. Apesar de infantis, ela achava graça das atitudes de Pan, que traziam alegria àqueles ao seu redor. Era como uma criança no corpo de uma adolescente, porém era isso que a tornava tão especial.

— Obrigado pelos ingressos. — Chris a recebeu com um sorriso aliviado. — Ela não ia me deixar em paz pelo resto do ano se você não tivesse nos ajudado. — Ironizou, afagando os cabelos de Alex como se fosse seu bichinho de estimação.

— É o mínimo que eu posso fazer depois de toda a ajuda de vocês. — Kate olhou para Pan, demonstrando sua gratidão em cada palavra.

Ela contentou-se em receber um sorriso como resposta. Era perceptível o quão preocupada Pan estava, pois agora não ficariam mais juntas e Ethan poderia tentar abordá-la em sua casa outra vez. Elas sabiam que não poderiam viver grudadas para sempre, porém a situação seria menos complicada se tivessem conseguido resolvê-la antes da volta de seus pais, principalmente por saber que, caso as coisas ficassem perigosas e ela acabasse se machucando, Hans poderia agir e piorar as coisas, talvez até mesmo trancafiando-a novamente.

— Já ta na hora do treino, Pan. Vamos antes que a gente se atrase! — Alex a arrastou consigo, puxando-a pela mão.

— Mas ela ainda não preencheu o formulário. — Sarah recordou.

As duas apenas deram de ombros e seguiram rumo ao ginásio, demonstrando que não se importavam com as formalidades do colégio. Sem graça, Chris sorriu para Sarah, demonstrando-a que já estava acostumado por ser amigo de infância de Alex e sempre cuidar de tudo por ela. Dessa vez não seria diferente. Conformados, despediram-se e foram todos para suas respectivas salas. O tempo parecia não passar enquanto pensavam no show, ansiosos pela primeira vez que sairiam todos juntos. Era a oportunidade perfeita para que pudessem conhecer uns aos outros e aprofundar os laços que estavam criando.

No fim do horário, encontraram-se no portão do colégio visando combinar o local do encontro, para que ninguém ficasse sozinho, já que não era seguro andar por aí à noite, principalmente para as garotas. Com tudo organizado, foram para casa, no intuito de conseguirem se arrumar para o show.

— O que você vai fazer se o seu pai não te deixar ir? — Sarah indagou, aproximando-se de Pan e apoiando suas costas no banco de couro do carro.

— Eu não vou pedir pra ele.

Surpresa, Sarah observou-a atentamente, tentando entender o que se passava na cabeça da amiga. Ela nunca esperaria algo assim, principalmente por saber que Pan, apesar de tudo, amava e respeitava seus pais. Pensou que, talvez, estivesse cansada de tantas proibições, permitindo que sua vontade de viver como uma adolescente comum falasse mais alto.

Ao chegar, tentaram andar diretamente até o quarto, evitando ao máximo fazer contato visual com Hans, que estava sentado em sua poltrona marrom de veludo em meio à sala, limpando o cano de seu revólver favorito. Alice estava logo ao seu lado com um copo de uísque nas mãos.

— Não vão nem ao menos nos cumprimentar? — Sua voz grave ecoou pelo cômodo, fazendo-as cessar os movimentos, um pouco assustadas.

— Oi papai, oi mamãe. — Pan voltou alguns passos e aproximou-se de seus pais para cumprimentá-los, beijando-os nas bochechas. Sarah fez o mesmo e subiram rapidamente logo após, tentando não dar indícios do que planejavam.

— Chame o Hector pra mim. — Sinalizou para um de seus homens assim que as garotas se afastaram.

Animada, Pan escolheu cuidadosamente as roupas que usaria, optando por um vestido preto de couro que havia ganhado em seu aniversário anterior. A saia rodada da peça a agradava, sendo perfeita para aquela ocasião especial. Kate havia lhe avisado que o local era frio, portanto colocou um casaquinho curto e uma meia calça, deixando apenas a maquiagem para finalizar após calçar suas botas.

— Você está perfeita. Seria realmente uma pena ficar em casa e desperdiçar esse visual. — Sarah aproximou-se com passos curtos, mantendo a postura acima do salto alto que utilizava.

— Como você consegue ficar cada dia mais bonita? — Pan apreciava a amiga enquanto terminava de prender o cabelo em um rabo-de-cavalo lateral.

— Você não acha que cropped e saia longa sejam muito exagerados pra um show? — Questionou tímida.

— Não. O importante é você se sentir bem, e além disso, você pode vestir um saco de batatas e vai continuar linda.

Sarah não conseguiu evitar o sorriso com aquela resposta tão típica da amiga. Apesar de tudo, ela realmente sentia-se bem ao utilizar aquele conjunto, e por ser a primeira vez que sairia com seus novos amigos, pensou que seria o momento perfeito para estreá-lo.

— Me ajuda com a maquiagem? — Perguntou, recebendo uma resposta afirmativa da amiga, que também lhe pediu o mesmo favor.

Já prontas, abriram uma pequena fresta na porta do quarto, tentando ter uma melhor visualização do movimento da casa. A sala já estava vazia e com as luzes apagadas, sem sinal algum de outras pessoas. Saíram apressadas, caminhando sorrateiramente enquanto desciam aquelas escadas que pareciam não ter fim. Pan percebeu que a luz do escritório de seu pai estava acesa, porém não quis averiguar e apenas apressou-se para sair dali o mais rápido possível, tentando não ser pega em sua fuga. Juntas, dividiram uma longa risada ao afastarem-se da casa, contentes por terem conseguido sair sem problemas após inventarem desculpas absurdas para os homens que guardavam a entrada da residência, fazendo-os acreditar que Hans havia permitido sua saída desacompanhada. Estava tarde, e eles não ousariam incomodá-lo com isso.

Enquanto conversavam sobre o trabalho no escritório, Hector e Hans conseguiram ouvir a porta se abrir do lado de fora, já cientes das travessuras de Pan. Irritado e até mesmo um pouco decepcionado, ele suspirou, não conseguindo acreditar no quão inconsequente era sua filha.

— Eu não consigo acreditar que meus homens foram enganados por uma adolescente. — Bufou, com uma expressão nada amigável. Serviu a si mesmo mais um copo do uísque que estava tomando e levantou-se, entregando um revólver para Hector. — Apenas siga-a e traga ela para casa em segurança.

— Estou de saída, então. — Retrucou, guardando-a no bolso interior de seu terno.

— Não vai conseguir entrar sem isso. — Hans deslizou o ingresso do evento pela mesa. — Não sem chamar muita atenção, pelo menos. — Completou, sinalizando com a mão para que Hector se apressasse.

Ele apenas assentiu e retirou-se rapidamente, visando conseguir alcançá-las. Não era nada complicado seguir duas garotas indefesas caminhando sozinhas à noite, principalmente para aqueles já acostumados com as tarefas do submundo. Ao encontrá-las, irritou-se com a falta de cuidado que tinham, vendo-as caminhar lentamente enquanto aproveitavam a brisa noturna sem preocupações.

— Ela é tão irresponsável. — Resmungou preocupado.

Conseguiu manter o passo e segui-las até a entrada do evento, que já estava lotado, inclusive de pessoas bêbadas e nada comportadas. Assim que dois homens aproximaram-se de Pan, ele preparou-se para sacar sua arma, porém mesmo sem querer, ela apenas desviou do perigo enquanto arrastava Sarah em meio à multidão. Por um momento Hector abaixou sua guarda, perdendo-as de vista em meio àquela aglomeração de pessoas, e mantendo a calma, seguiu até a entrada do evento para tentar encontrá-las novamente.

Levada pela maré de pessoas ao seu redor, Pan acabou separando-se de Sarah, o que lhe assustava um pouco. Embora toda aquela euforia à sua volta lhe parecesse excitante, ela não sentia-se segura o suficiente para andar sozinha. Com dificuldade conseguiu fugir de toda a loucura e encostou-se em uma parede próxima para procurar seu celular. Uma multidão de garotas que pareciam perseguir um homem encapuzado lhe fizeram perder a concentração, fazendo-a divagar em seus pensamentos por um momento. Ao voltar sua atenção para sua bolsa novamente, foi interrompida ao sentir uma mão sobrepor seus lábios, puxando-a para um beco deserto e encurralando-a na parede. Ao sentir o medo dominar todo o seu corpo, fechou os olhos e virou o rosto, arrependida por ter mentido ao seu pai e fugido de casa, ciente de que, agora, não teria ninguém para ajudá-la.

Notas finais
Espero que tenham gostado~ ♥ obrigadinha por ler!