Notas iniciais
Boa tarde meus amorecos ♥ ♥ tudo bem com vocês? ESPERO QUE SIIM aa ♥ ♥ Esse capítulo vai focar nos sentimentos e nas relações dos personagens que estão se desenvolvendo, então alguns momentos vão ser bem tristes, outros felizes, e o nosso grupinho como sempre cheio de treta né? Espero que gostem do capítulo ♥ ♥ beijiinhos~

Quando Hector colocou os pés para fora daquele quarto, Sarah o recebeu com um abraço caloroso e um olhar tristonho, já ciente de tudo o que ocorreria graças à Alice. Fora sua considerada irmã, ele era a única pessoa que a compreendia quando dizia se sentir sozinha nesse mundo, e apesar de não serem sempre tão próximos fisicamente, tinham um vínculo amistoso muito forte. Com certeza sentiriam falta um do outro e dos diálogos que vez ou outra compartilhavam em momentos de melancolia ou frustração.

Ele beijou-a em ambas as bochechas e deu-lhe um forte abraço caloroso antes de partir sem olhar para trás ou dar brechas para se arrepender, deixando ecoar o som da porta no instante em que definitivamente saíra daquela casa.

Preocupada com o estado mental da amiga, ela logo correu para confortá-la caso estivesse muito miserável, porém surpreendeu-se com o que vira ao adentrar o quarto. Ela parecia chateada, sim, como todas as vezes que brigava com alguém importante em sua vida, mas não estava desolada como todos pensavam que ficaria; não estava desabando em lágrimas. Era completamente estranho, pois afinal, Hector significava muito para ela, e perdê-lo deveria trazer-lhe uma dor imensurável, certo?

— Pan? — Chamou hesitantemente o seu nome, fazendo-a olhar em sua direção e forçar um sorriso. — Tudo bem? — Ousou perguntar, aproximando-se para segurar sua mão e, talvez, abraçá-la se fosse necessário.

— Sim, tudo bem. — Ela assentiu normalmente. Nenhuma mudança de expressão, nenhuma falha na voz, absolutamente nada. Era como se o ocorrido não tivesse existido. — O papai brigou com o Hec outra vez, mas eles logo vão se entender como sempre. — Continuou, causando uma leve franzida no cenho de Sarah com aquelas palavras. Ela finalmente percebeu o que havia acontecido. Era um estado de choque; Pan Stracci encontrava-se em um estado de negação, aonde recusava-se completamente a acreditar em qualquer coisa fora da realidade criada em sua cabeça. Para ela, as coisas voltariam ao normal em breve, e o fato de que isso não aconteceria e que agora precisaria viver sem a presença daquele sujeito em seu cotidiano parecia ser impossível de compreender. Ela agora vivia em um universo paralelo criado por sua mente como um mecanismo de defesa para toda a dor que viria a sentir caso o baque da realidade acabasse acertando-a. — E você? — Mudou rapidamente de assunto, pigarreando antes de continuar: — Eu fiquei sabendo que hoje é o encontro da Alex e do Chris... — Murmurou após titubear, fazendo com que o coração de Sarah falhasse uma batida com a pontada de ciúme que infelizmente tomara conta de seu interior. Pensava ser uma idiota egoísta por se permitir ser dominada assim pelas emoções, porém o que poderia fazer? Era impossível escolher por quem desenvolver sentimentos.

— Eu vou ficar bem. Foi uma decisão que eu tomei sozinha, então não posso me permitir ficar triste por isso. — Respondeu tentando manter a calma, embora soubesse que não era bem assim que as coisas funcionavam. Estava realmente aborrecida, mas continuar a pensar nesse assunto não ajudaria em nada. Em breve os amigos decerto apareceriam namorando ou em algum tipo de relacionamento, e sabia perfeitamente que deveria manter a compostura na presença deles para não ofendê-los. — Deixando isso de lado, você quer aproveitar que a Alice tem um tempo livre e sair para comprar algumas coisas pro gatinho? — Ofereceu, vendo a amiga concordar alegremente. Um passeio pelas lojas e um almoço gostoso pelo caminho não lhes faria nada mal; na verdade era exatamente o que precisavam para que pudessem arejar as ideias e esquecer todo aquele drama com os homens de suas vidas.

Longe dali, pouco depois do meio-dia, em uma sorveteria próxima ao colégio, Alex aguardava ansiosamente pela chegada de Chris, trajada de uma forma que não estava acostumada. O salto alto realçava suas coxas definidas, à mostra devido ao vestido curto que utilizava, e estava até mesmo maquiada com os cabelos dourados presos em um rabo-de-cavalo solto na lateral. Todos os rapazes que entravam e saíam do estabelecimento pareciam não conseguir ficar sem notá-la, sentada com apenas o cardápio em sua frente enquanto balançava as pernas para tentar conter todo o nervosismo e vez ou outra checando sua aparência na câmera frontal do celular; algo que ela normalmente não se importaria em fazer por ser muito confiante. Tudo bem que Chris já a conhecia há anos, porém não custava nada tentar surpreendê-lo em um primeiro encontro, certo?

— Ei, me desculpa a demora. — A voz dele fez-se audível um tanto ofegante, e em questão de segundos o coração dela parecia ter ido até a garganta e voltado com o susto que a atingira. Cumprimentando-a com um usual abraço rápido, sentou-se à sua frente sentindo-se culpado por ter concordado com tudo aquilo no instante que a viu tão arrumada e empenhada com a ocasião. Estava deslumbrante, e mesmo assim não lhe causava reação alguma que não fosse a mesma de todas as outras vezes que a havia visto. Considerava ser sua irmã mais nova, e chegava até mesmo a ser constrangedor levá-la para sair ciente de que nutria sentimentos românticos por ele.

— Fica tranquilo, eu acabei de chegar. — Mentiu, esboçando uma curva radiante nos lábios. Na verdade, ela tinha aparecido muito antes do horário combinado, entretanto não tinha vontade alguma de parecer desesperada ao admitir algo assim. — O que você quer pedir? — Arrastou o cardápio em direção à ele, deixando fugir a alegria estampada em sua face quando o percebeu tão vidrado no celular, ignorando-a totalmente. Após revirar os olhos, deu duas leve batidas na mesa para que o barulho o trouxesse de volta à realidade.

— Desculpa, a galera tá me enchendo por causa do jogo de amanhã. — Explicou, prontificando-se a guardar o aparelho e focar agora na garota à sua frente.

— Ah, verdade, vocês têm o primeiro jogo amanhã.

— Sim, e como eu sou o capitão você já sabe como é. — Ele riu, passando a mão entre os cabelos.

— Pois é, eu sei bem. — Retribuiu à risada, colocando-se no lugar dele. Ambos eram os capitães de seus respectivos times, então se existia algo que ela compreendia era toda aquela agitação da equipe antes de um jogo. — Acho que eu vou querer esse sundae de caramelo. — Mudou rapidamente o rumo da conversa, apressada para comer. Alex nunca fora o tipo de pessoa que fazia questão de esconder seu apetite, e isso fez com que ele voltasse a rir.

— Tá legal, eu vou lá pegar. — Levantou-se e foi em direção ao balcão, no intuito de fazer o pedido. Sua acompanhante apenas assentiu como resposta e quase devorou-o com os olhos no momento que voltou com a bandeja na mão.

— Isso daqui tá muito bom. — Exprimiu deleitada, com as bochechas cheias. Quando percebeu o que havia feito, forçou-se a engolir tudo de uma vez para não parecer mal educada e desviou o olhar, tentando agir como uma pessoa etiquetada em frente àquele rapaz.

— Vai com calma, Alex. — Esboçou um sorrisinho gracioso, aproximando-se dela para limpar os cantos de seus lábios cheios de sorvete. — Você já se sujou toda. — Passou suavemente o polegar sobre o rosto dela, diminuindo ainda mais a distância entre eles.

— Chris? — Rumorejou acanhada, estranhando o toque dele em sua face. Embora já estivesse acostumada com isso, agora sabia que ele tinha noção sobre seus sentimentos, então aquilo poderia dar brechas para outras interpretações.

— Ah, foi mal. — Recuou a mão e logo puxou um guardanapo para entregá-la. Normalmente aquele tipo de contato seria normal entre eles, já que estava sempre cuidando dela como sua irmãzinha, porém agora não conseguia ficar indiferente, e tudo era estranho; as interações não eram mais naturais e divertidas.

Um silêncio constrangedor pairou pelo ambiente, dando brecha apenas para conseguirem terminar de comer e sair dali, optando por uma caminhada ao longo da rua com o intuito de melhorar o clima pesado. Alex sempre dizia que caminhadas leves após as refeições lhe faziam bem, em especial se eram para queimar as possíveis gorduras trazidas ao seu corpo pelo açúcar, então Chris empenhava-se em agradá-la antes que fosse obrigado a magoá-la com a verdade que em algum momento surgiria. Não era justo continuar a negar sua forte atração por outra pessoa, e ela percebera a mudança em seu comportamento rapidamente. Achava muito estranho o fato de estarem apenas fazendo coisas de seu agrado ao invés de passatempos que ambos tinham em comum, principalmente porque Chris não era o maior fã de doces, portanto optar por uma sorveteria não encaixava com seu perfil. No fim, ela o conhecia melhor do que ele mesmo e estava ciente de que todas as vezes que tentava muito satisfazê-la alguma notícia desagradável estava por vir.

— Escuta, Chris... — Alex iniciou conversa, com a voz firme enquanto esfregava timidamente os polegares um no outro atrás das costas para amenizar seu nervosismo e manter a compostura. O colega cessou os passos e prontificou-se a fitá-la curiosamente. — Acho que a gente precisa conversar. — Ele agora permitiu que os ombros caíssem com o remorso, fazendo-a suspirar desanimada.

— Sim, eu também acho. — Concordou preocupado, buscando pelas palavras certas para iniciar aquele assunto. Não queria magoá-la mais do que o necessário; ainda se importava com ela, afinal.

— Eu acho que isso daqui não vai dar certo. — Sua voz falhou minimamente, de maneira imperceptível, com a garganta que começava a fechar graças ao choro que se formava ali. Seu coração estava em pedaços, porém sempre fora uma mulher muito orgulhosa e não se deixaria ser vista aos prantos por causa de um rapaz. Respirou fundo quando o ouviu chamar seu nome em tom baixo e fez questão de interrompê-lo antes que ele pudesse ser aquele que lhe daria um fora: — Nós dois combinamos mais como amigos. — Esboçou uma expressão indecifrável ao mesmo tempo que encarava alguma cena muito distante no horizonte atrás dele, tentando com todas as forças não ser obrigada a olhar para aquela cara arrependida que ele exibia. Sabia que, se cruzassem olhares, acabaria sucumbindo ao péssimo sentimento que lhe consumia de dentro para fora. Por um lado amaldiçoava a chegada de Sarah ao colégio e pensava ser uma completa idiota por isso, mas por outro estava aliviada por não ter que seguir com todo aquele teatro diário. Se ele não tivesse se interessado por outra pessoa, decerto nunca teria se declarado e continuaria a carregar aquele fardo até sabe-se lá quando, e isso definitivamente a tornaria ainda mais miserável ao longo dos anos.

— Alex... — Chris insistiu em chamá-la, forçando uma aproximação em passos lentos para tentar abraçá-la, entretanto ela rapidamente recuou e negou com a cabeça, forçando um sorriso impecável; tão impecável que nem mesmo seu melhor amigo de infância conseguiria dizer que era falso.

— Ouvi dizer que a Sarah gosta muito de rosas brancas, e as floriculturas vão fechar em breve. É melhor você correr. — Incentivou, na intenção de fazê-lo desaparecer de seu campo de visão antes que acabasse por desabar ali mesmo. Droga, era tão difícil manter aquela fachada alegre se ele não desistia de tentar se aproximar. — Não precisa me olhar com essa cara, Chris, eu sempre soube que era muito boa pra você. — Concluiu em tom irônico, apertando as mãos atrás do corpo com todas as forças sem que ele percebesse, na esperança de que a dor física compensasse o furacão de sentimentos formado dentro de si.

— Caramba, Alex, não me assusta assim porra. — Colocou a mão em seu peito, respirando aliviado como se houvesse retirado dali um peso imenso. — Eu realmente pensei que ia te chatear hoje. — Deu dois passos em direção à ela e emoldurou seu rosto com as mãos, fazendo-a arregalar minimamente os olhos em surpresa quando diminuiu ainda mais a distância entre eles. — Você é muito incrível pra ser real, e eu tenho certeza de que qualquer cara vai ser muito sortudo em te ter. — Completou, beijando-a carinhosamente na testa e afagando seus cabelos ao esboçar um sorriso de tirar o fôlego; tão sincero e irradiante que poderia facilmente derretê-la ali mesmo.

No segundo que o viu despedir-se e correr em direção à loja de flores mais próximas após inocentemente agradecê-la ao acreditar que nada estava errado, ela mordeu os lábios e desabou em lágrimas, sentando-se no ponto de ônibus em frente ao colégio com a cabeça baixa e as mãos no rosto para esconder seu delineado manchado até as bochechas.

Para piorar, sentia-se uma grande imbecil por ter pedido à amiga que desistisse dele e o fizesse sair em um encontro com ela, mesmo ciente da atração que tinham um pelo outro. Entendia que costumava ter um problema com egoísmo, mas chegar à um ponto em que acabaria magoando dois amigos importantes e até mesmo amaldiçoar mentalmente um deles estava além dos limites aceitáveis. Não tinha nem ao menos a mínima noção de como deveria encarar sua mãe após dizer aos sete ventos que sairia em um encontro com o garoto que ela conhecia perfeitamente por morar desde sempre ao lado de sua casa. Passar vergonha ao vê-la brigando com ele era a última coisa da qual seu emocional precisava agora, porém também estava fora de questão passar a noite em um ponto de ônibus afogando-se na própria miséria daquela forma patética.

— Alex? É você? — Uma voz familiar fez-se audível, obrigando-a a esconder-se ainda mais e olhar para o lado oposto, desesperadamente passando os pulsos nos olhos com o intuito de amenizar a aparência desleixada. — Ah, me desculpa se eu me enganei, pensei que fosse uma amiga minha.

— Não, sou eu mesma. — Afirmou em timbre trêmulo, agora esfregando o nariz na intenção de ficar mais apresentável. Respirou fundo e arrumou a postura, antes de virar-se um tanto acanhada e encará-lo diretamente. — O que você tá fazendo no colégio em um final de semana, Naoki? — Começou um assunto com rapidez, antes de abrir brechas para que pudesse ser questionada sobre seu estado.

— Eu vim trazer alguns documentos que faltavam da minha emancipação. — Sentou-se ao lado dela para confortá-la, um tanto sem jeito por não saber como deveria acercar-se. Pigarreou e seguiu falando: — Meus pais precisaram voltar pro Japão por um tempo, então eles me emanciparam com as leis daqui pra eu poder morar sozinho e continuar a estudar sem problemas. Eu podia ter ido com eles, mas eu... — aqui ele sentiu as bochechas esquentarem minimamente e então desviou o olhar, abaixando o tom de voz antes de acrescentar: — eu fiquei tão feliz em ter feito amigos que não me senti pronto pra me mudar outra vez.

— Meu deus, você é tão nerd que chega a ser um clichê ambulante. — Uma risadinha abafada escapou de seus lábios, e ele ficou ainda mais embaraçado, tentando disfarçar o desconforto ao coçar os cabelos.

— Pode deixar a zoação de lado, Alex. Você e o Ethan já fizeram questão de transformar a minha vida colegial em um inferno no segundo ano. — Deu de ombros, deixando escapar um suspiro decepcionado ao recordar-se do passado. — Eu prefiro falar sobre o motivo de você estar assim. O que aconteceu?

— Você tá morando sozinho agora? — Perguntou esperançosa, ignorando completamente a questão levantada pelo amigo, que assentiu e não se importou muito; já estava acostumado com a personalidade dela à essa altura.

— É normal pros meus pais me deixarem sozinho. Eles sempre me criaram pra ser responsável e me cuidar sem ajuda, então eu nunca me importei.

— Eu posso passar a noite na sua casa, então? — Pediu, quase como se fosse uma súplica. Não tinha vontade alguma de encarar sua mãe ou lidar com toda a felicidade do vizinho assim que o visse iniciar um relacionamento com Sarah. Seria uma hipócrita se dissesse estar contente por eles, portanto era muito mais fácil refugiar-se na casa do amigo e evitar esse tipo de situação constrangedora por enquanto.

— O quê? Nós dois sozinhos? — Arqueou as sobrancelhas em surpresa. Alex era, para ele, como um livro escrito em uma língua forasteira; indecifrável e surpreendente. Que diabos estava ela querendo agora ao pedir para dormir em sua casa? Conhecendo-a bem, definitivamente não existiam segundas intenções ali, porém ainda assim era algo nada cotidiano.

— Por favor. — Apelou novamente, levando o olhar até os pés. — Eu não sei se quero voltar pra casa hoje.

Analisá-la era complicado. Alex não era o tipo de pessoa com quem Naoki costumava se misturar, e até mesmo chegaram a ter algumas complicações no passado por conta de brincadeiras nada agradáveis por parte da moça e seus amigos considerados populares, embora ela não se recordasse do quanto o havia traumatizado ao colocar um saco de formigas em seu armário. Ainda assim, agora estavam mais próximos do que nunca, e vê-la tão vulnerável e perdida na própria bagunça interior o atingia também. Querendo ou não se importava muito com ela.

— Bom, eu acho que você pode usar o quarto de hóspedes. — Cedeu, demonstrando um semblante cansado. Não conseguia resistir à um pedido de uma amiga, principalmente se aparentava estar tão miserável. Pensava que decerto até mesmo lhe fizesse bem ter um pouco de companhia depois de tanto tempo sozinho, e Alex era divertida e fácil de se conviver quando não zombava sua personalidade ou aparência. — Mas e a sua mãe? Tudo bem por ela deixar você dormir sozinha na casa de um cara qualquer?

— Eu posso mandar uma mensagem pra Pan e pedir pra ela cobrir por mim. — Argumentou desinteressada. — Minha mãe confia no pai dela de um jeito muito esquisito, então vai ficar tudo bem. — Completou, e ele fora obrigado a concordar mesmo que à contragosto. Seu senso de responsabilidade era atacado quando pensava em mentir para a mãe de uma colega, entretanto parecia ser por uma boa causa, então apenas tentaria ajudá-la a passar por aquela fase difícil em silêncio, ignorando o fato de ser tão irresponsável e sem incomodá-la com coisas que não lhe diziam respeito.

Não tão distante dali, Chris havia acabado de chegar em frente à residência dos Stracci, levando consigo apenas um pequeno buquê com três rosas brancas e um coração ansioso. Estava muito nervoso com o fato de que talvez pudesse acabar decepcionando a garota por quem se interessava, pois afinal, sabia que ela poderia facilmente comprar toda a loja de flores pela qual ele passara e nem ao menos lhe doeria o bolso, e ao contrário disso, seu dinheiro não o permitira comprar mais do que míseras três rosas. Era um pouco intimidador, porém assim que a viu chegar sorridente ao lado de Pan e Alice carregando várias sacolas de compras nas mãos, todas as duas dúvidas se esvaíram e deram espaço para um nó na garganta e um aperto no peito que traziam-lhe um frio interior. Quando seus olhares se cruzaram, ele nada mais foi capaz de fazer a não ser curvar a boca em um sorrisinho sem graça e tímido, coçando desajeitadamente a nuca para ocultar o quão estava acanhado.

— Chris? — A voz dela soou surpresa; talvez até mesmo envergonhada com o fato de vê-lo tão galanteadoramente em sua porta enquanto acompanhada por Alice. Instantaneamente fitou aquela mulher como se pedisse desculpas, demonstrando não saber o motivo daquela visita tão repentina. Ela, no entanto, parecia não se importar, e até mesmo achava graça da situação, orgulhosa por ver suas duas garotinhas crescendo.

— Oi. — Rumorejou tímido, acercando-se dela em passos hesitantes. Como não quis parecer grosseiro, também cumprimentou as outras duas moças antes que entrassem e os deixassem à sós, embora Pan houvesse sido arrastada pela mãe, por ser muito curiosa e não conseguir compreender o clima. — Um passarinho azul me disse que você gostava de rosas brancas. Me desculpa, eu não consegui comprar muitas. — Disse inseguro, colocando-se cabisbaixo ao entregar-lhe as flores.

— Como você sabia que três era o meu número da sorte? Elas são perfeitas, obrigada. — Sarah agradeceu com um sorriso sincero, livrando-o de todas as suas incertezas e dando-lhe confiança o suficiente para que puxasse sua mão e a acariciasse com o polegar. Embora quisesse muito permitir sua aproximação, ela recuou e aguardou por uma explicação que a ajudasse a assimilar aquela circunstância. Ele deveria estar em um encontro com sua amiga, e não parado na frente de sua casa. — Eu não acho isso certo, a Alex é minha amiga e eu já disse que não posso fazer isso com ela. — Argumentou em tom baixo, sem encará-lo para não acabar perdendo o pulso firme e consentir.

— É engraçado você dizer isso porque ela acabou de me dar um fora. — Retrucou, achando graça da situação. A garota não pôde evitar a surpresa, em especial após os pedidos incansáveis da colega para que desistisse de seus sentimentos por ele. — Escuta, Sarah... — Insistiu em pegar novamente sua mão, agora entrelaçando os dedos nos dela — eu gosto muito de você, de verdade. Desde o primeiro dia que eu te vi toda envergonhada por ter sentado com a Pan na mesa que era pra ser minha e do Evan eu já tinha gostado de você. Eu não quero te pressionar, eu juro, mas eu realmente queria saber se isso é algo da minha cabeça ou se você também tem algum tipo de interesse em mim.

— Eu não sei. — Exprimiu incerta, pensando no quão Alex deveria estar chateada com o ocorrido.

— Não precisa me responder agora. — Soou reconfortante, sem vontade alguma de pressioná-la. — Amanhã vai ter o primeiro jogo do time, e como eu sei que nós vamos ganhar, eu queria muito comemorar a vitória com a minha namorada.

— Namorada? — Repetiu impressionada, percebendo um calor percorrer a região de seu estômago. Aquelas palavras realmente haviam mexido com seu interior.

— Eu quero que você seja a minha namorada, Sarah. — Reafirmou, fitando-a diretamente nos olhos para demonstrar sua convicção. Deu um leve aperto em seus dedos e acrescentou: — E se você quiser isso também, é só aparecer no jogo amanhã. Se você não aparecer eu prometo parar de te incomodar, mas...

— Mas?

— Mas se você aparecer, então eu vou ser o cara mais feliz do mundo. — Concluiu sereno, empenhando-se em respeitar o espaço pessoal dela. Estava ciente de que não era educado continuar a insistir depois de tantas respostas negativas, portanto não a importunaria mais caso sua última tentativa falhasse. — Pensa nisso, tá? — Beijou-lhe suavemente a mão, antes de despedir-se e deixá-la com o dilema para resolver.

Sarah cheirou apaixonadamente as rosas que recebera ao vê-lo sumir no horizonte, mordendo os lábios e balançando o corpo de um lado para o outro na intenção de conter toda a euforia dentro de si. Obviamente que experienciou uma péssima onda de remorso por ter ficado tão contente ao saber que Alex o havia recusado, mas o que poderia fazer se era humana e incapaz de controlar as próprias emoções? Chris era, para ela, muito interessante, e ainda que não o conhecesse há tanto tempo, fora o suficiente para que conseguisse cativá-la à ponto de fazê-la sinceramente considerar aceitar a oferta, apesar de tudo.

No instante que colocou os pés para dentro, logo percebeu o olhar curioso da considerada irmã e não tardou a contá-la tudo o que havia acontecido após colocar as flores em um vaso com água e posicioná-lo acima da mesinha de centro da sala principal, aonde sentaram-se para continuar a jogar conversa fora durante toda a noite.

Na casa de Naoki, ele já estava deitado e preparado para dormir assim que terminasse de ler parte da matéria quando Alex simplesmente aparecera em seu quarto balbuciando sobre o quanto estava entediada. Ela já havia devorado uma pizza inteira para afogar as mágoas e continuava a insistir que tudo estava bem e que nada havia acontecido. Bom, na realidade Naoki estava perfeitamente à par da situação, já que, afinal, foi graças à Chris que ele encontrou-se com a garota em frente ao colégio. O presidente do grêmio conhecia muito bem a amiga de infância e sabia que era muito orgulhosa para chorar em sua frente, portanto nada melhor do que contatar a pessoa com quem ela mais mantinha contato ultimamente e pedir-lhe que fosse confortá-la em seu lugar, certo?

— Você já estudou o dia todo, nerd. Não tem nada mais útil pra fazer? — Alex reclamou, jogando o corpo ao lado dele no colchão e roubando parte do travesseiro. Suas faces estavam tão próximas que ele até mesmo obrigou-se a recuar um pouco para o lado, desconfortável por estarem sozinhos e ainda por cima deitados juntos na mesma cama.

— Mais útil do que estudar? Não, eu acho que não. — Respondeu, ajeitando a postura enquanto seguia folheando seu livro. — Além disso, as provas estão chegando. Você deveria estudar também se não quiser perder a sua bolsa de esportes.

— Estudar é um saco. — Bufou puxando o caderno das mãos dele, que apenas arqueou as sobrancelhas em reprova à sua ação. — Vamos fazer alguma coisa mais divertida. O que você costuma fazer no seu tempo livre? — Propôs curiosa, não deixando-lhe outra opção senão a de suspirar e aceitar a situação em que colocou a si mesmo quando aceitou a estadia daquela menina em sua residência.

— Assistir algum anime, série, ou então jogar alguma coisa. — Comentou desanimado, já ciente de que isso provavelmente também se tornaria motivo de chacota.

— Vamos fazer isso, então. Assistir esse negócio de anime ou sei lá. — Ofereceu com ímpeto, surpreendendo-o ao demonstrar interesse nas coisas que ele gostava ao invés de simplesmente debochar como sempre fazia. Tinha certeza absoluta que ela reprovaria seus hobbies, porém hoje parecia estar mais compreensiva e disposta a conhecê-lo melhor, então como poderia recusar? Sempre quisera ter alguém para conversar sobre os episódios lançados semanalmente e criar teorias em conjunto, logo não custava nada tentar.

— Tem certeza? — Quis assegurar-se de que não a entediaria. — Sei que não é bem a sua praia.

— Tudo que é — aqui ela encenou aspas com os dedos — "a minha praia" faz eu lembrar dele, então... — a tensão tomou conta de seus ombros ao perceber a besteira que havia dito, obrigando-a a fingir uma breve tosse e pigarrear para disfarçar a gafe cometida. — Digo, eu só quero testar algo diferente hoje, beleza?

— Tudo bem. — Concordou acanhado, não querendo deixá-la chateada ao tocar em um assunto delicado que ela realmente parecia não querer trazer à tona. Rapidamente levantou-se para pegar seu notebook e colocar a bateria antes de entregá-lo para a amiga enquanto terminava de organizar as coisas. — Aliás, você já tomou banho mas não trocou de roupa, né? Esse vestido não é desconfortável? — Mudou de assunto, preocupado com seu bem-estar. Não queria que ela acabasse tendo uma noite desagradável por causa de suas vestimentas.

— É um pouco. Você vai me emprestar alguma coisa sua?

— Se você quiser eu posso emprestar, mas eu pensei em pegar algum pijama da minha mãe. Acho que ficaria melhor pra você, e a calça não ficaria tão folgada.

— Sério? Então eu aceito, porque não aguento mais ficar sem abrir as pernas por causa dessa merda de vestido. — Queixou-se, retirando algumas boas risadas do anfitrião que pôde apenas achar graça do fato de ela ter passado toda a tarde pensando em uma besteira como essa ao invés de pedir logo algo mais cômodo para vestir. Não tardou muito até que ele voltasse com uma bermuda e uma camiseta de sua mãe, jogando-os no rosto da amiga com o intuito de irritá-la. — Ei, seu babaca. — Rosnou, prontificando-se a pegar o travesseiro e arremessá-lo em suas costas, fazendo-o rir ainda mais.

— Vai se trocar logo. — Disse ao mesmo tempo que acomodava-se abaixo dos cobertores, agora com o computador portátil apoiado na barriga para buscar por algo que pudessem assistir.

Alex revirou os olhos e saiu em direção ao banheiro, voltando já vestida depois de alguns minutos e deitando-se ao seu lado, puxando parte das cobertas para si e causando-lhe uma sensação estranha. Ela era muito descontraída e liberal, o completo oposto dele que era rígido e nunca nem ao menos havia se deitado ao lado de uma garota daquela forma, em especial se estivessem sozinhos em casa. Até pouco tempo atrás estava fora de cogitação que situações como essa acontecessem, porém quanto mais se aproximava dela, mais os seus conceitos mudavam, e ele não estava seguro sobre isso.

— Posso deitar no seu peito? — A garota pediu, sem malícia alguma em sua entonação enquanto o fitava com indiferença.

— O quê? — Ele surpreendeu-se, permitindo até mesmo que o queixo caísse um pouco e as sobrancelhas se arqueassem involuntariamente.

— O travesseiro é muito pequeno pra nós dois, e eu sou meio espaçosa. — Explicou.

Naoki ficou sem reação por alguns segundos, encarando-a como se houvesse perdido todos os sentidos; atordoado. Quando a ouviu chamar novamente o seu nome em tom baixo para retirá-lo de seus devaneios, ele voltou a si e percebeu que ainda não respondera sua questão, pigarreando para disfarçar a timidez e abrindo acanhadamente o braço para que ela pudesse se aproximar. Assim que encostou a cabeça em seu torso, Alex sorriu aliviada e se acomodou de modo que ficasse confortável, aguardando até que o colega terminasse os preparativos para assistirem à algo juntos.

— Naoki? — A voz dela soou manhosa, fazendo-o desviar o olhar em sua direção. Ela, no entanto, não teve coragem de encará-lo corretamente, e apenas continuou em timbre baixo, ainda vidrada na tela do computador: — Obrigada por tudo o que você fez por mim hoje. Eu sei que no passado eu te zoei, e o pior é que eu nem lembrava da sua cara mesmo tendo transformado a sua vida colegial em um inferno. No início, quando você estava com a Pan lá no corredor, não sei, eu senti algo familiar vindo de você mas não consegui lembrar, e quando te ouvi citar o segundo ano lá no ponto de ônibus eu lembrei e me sinto horrível. Eu não merecia a sua ajuda, e mesmo assim... obrigada.

— Você é minha amiga agora, Alex, e amigos se ajudam em momentos assim. — Rumorejou próximo aos cabelos dela, ousando acariciá-los levemente antes de iniciar o vídeo. — Nós somos adolescentes e provavelmente vamos fazer muita besteira ainda, mas um erro não quer dizer nada. Para de se diminuir por isso, você não é tão ruim quanto pensa. — Acrescentou, sentindo-a apertar um pouco mais a cabeça contra seu tórax, como se o estivesse agradecendo novamente sem que precisasse falar mais.

Não demorou muito até que ambos caíssem no sono, tão aconchegados abaixo dos cobertores em um quarto escuro assistindo à alguma coisa. Era a melhor maneira de dormir, principalmente porque já estavam exaustos devido à toda agitação daquele dia que mais pareceu interminável.

Pouco mais de duas da manhã, Naoki acordou e percebeu que Alex ainda continuava em seus braços, iluminada apenas pela fraca luz do notebook em seu colo ao babar acima de sua camiseta. Apenas sorriu ao descobrir que a esportista considerada perfeitinha pelos outros rapazes do colégio roncava baixo ao adormecer, e isso só fez com que ele começasse a achá-la um pouco mais atraente; decerto estivesse começando a gostar dela mais do que deveria, e esperava muito que isso não se tornasse um problema a ponto de acabar com a amizade tão bonita que cultivaram ultimamente.

Sem querer acordá-la e expulsá-la dali como normalmente faria, meramente voltou a fechar os olhos, abrindo-os outra vez apenas quando sentiu o rosto esquentar com o sol atingindo-o diretamente através da janela pela manhã. Ficou extremamente aliviado ao perceber que nada havia mudado, e que a colega não se incomodava com o fato de terem dormido juntos assim que sentou-se ao lado dela na mesa da cozinha para o café da manhã.

Ao chegar no colégio, Alex fez o máximo que pôde para manter a compostura e um sorriso no rosto quando encontrou-se com Pan e Sarah, não deixando transparecer o quanto a presença dessa última lhe frustrava mesmo que sem querer. Sentia-se uma grande imbecil por isso, mas ser incapaz de controlar as emoções sempre fora um grande defeito seu. Os outros colegas logo chegaram para acompanhá-los também, e por sorte Chris nunca apareceu, senão acabaria chateada outra vez. Um alívio tomou conta de seu interior ao ouvir o soar do sinal de início das aulas, e felizmente dividiria essa matéria com Naoki, a única pessoa com quem conversava sem desconforto algum naquele instante.

— Você sabe que vai precisar conversar com eles em algum momento, não sabe? — Inquiriu preocupado, percebendo-a tão chateada.

A capitã do time de basquete apenas observou-o com os olhos levemente arregalados e as sobrancelhas arqueadas em admiração, intrigada em como ele tão facilmente conseguiu decifrar o que sentia mesmo que os outros não tivessem percebido sequer uma mínima mudança em seu semblante exterior. Ele provavelmente fora o único.

— Como você descobriu? — A voz dela soou desanimada, ao mesmo tempo que ela suspirava cansada após apoiar a cabeça em sua mesa.

— Não sei, sinceramente, mas eu consigo perceber quando você não tá bem. — Retrucou, vendo-a dar de ombros. — Alex, a Sarah é legal e nunca sairia com o cara que você gosta sem a sua permissão. Eu sei que é difícil gostar de alguém que não se interessa pela gente, mas o fato dele ter começado a nutrir sentimentos por ela não é culpa dela.

— Eu sei. Eu já sei disso, idiota. — Rosnou cabisbaixa, afogando o rosto entre os braços apoiados na carteira. — É por isso que eu tenho tanta raiva dela. — Aqui ela levantou a cabeça, porém sem conseguir encará-lo corretamente. — Eu fico brava só de imaginar eles dois juntos, mas ela desistiu dele por mim sem nem pensar duas vezes, e ainda por cima aceitou o meu pedido tosco de mandar ele sair em um encontro comigo. Me irrita ela ser tão perfeitinha, e me irrita mais ainda ela ser tão gentil comigo enquanto eu só consigo pensar coisas horríveis sobre ela. — Desabafou, já sentindo os olhos marejados. — Eu não tenho motivo nenhum pra odiar a Sarah, mas mesmo assim eu tenho raiva dela, e me sinto péssima por isso, mas o que eu posso fazer? Me fala, o que eu posso fazer? Eu não consigo fazer nada, eu não consigo controlar isso, eu só... — mordeu os lábios tentando conter as lágrimas. Aquele não era um choro de tristeza, mas sim de frustração; a frustração de uma pessoa que batalhava contra seus próprios demônios internos e pensamento autodestrutivos, empenhando-se em ser melhor do que suas emoções a faziam ser quando a controlavam.

— Tem uma coisa que você pode fazer. — Naoki murmurou, deslizando o celular da colega até que o parasse à sua frente, entregando-lhe um lenço. — Ainda dá tempo de deixar os dois felizes. — Completou, colocando uma das mãos acima da dela para dar-lhe coragem. Ela assou o nariz e limpou os olhos na própria camiseta, assentindo com insegurança e pegando o aparelho nas mãos.

O jogo do time de futebol do colégio infelizmente havia começado pouco antes do início das aulas e já estava no segundo tempo. O horário marcado para aquela primeira partida em específico não fora nada conveniente para as garotas que estavam na sala, e embora Pan e Isis tivessem tentado convencer Sarah a não comparecer àquela classe para correr até o rapaz que a esperava, ela recusou, ainda hesitante por causa de Alex.

Ao ouvir seu celular vibrar na bolsa, ela o ignorou completamente para que não fosse repreendida pelo professor, continuando a anotar as coisas escritas no quadro. Sua irmã de consideração, no entanto, não se importava com uma detenção ou outra, em especial quando já estava tão entediada com a aula, portanto apenas alcançou o aparelho e tomou a liberdade de ler a mensagem.

— Sarah. — Sussurrou discretamente, colocando o celular abaixo da mesa e cutucando-a com o cotovelo para chamar-lhe a atenção. — Olha aqui. — Pediu ainda em timbre baixo, fazendo com que ela finalmente decidisse fitar a tela.

Involuntariamente seus olhos esgazearam-se ao ler a mensagem estampada ali logo abaixo do nome de Alex:

"Me desculpa por ter sido egoísta antes, mas eu desisti dele e quero que vocês dois sejam felizes juntos."

Fora inevitável sentir um leve aperto no coração e uma onda de adrenalina intensa ao ver o horário e perceber que faltavam apenas vinte minutos até o final da partida. Todas as suas dúvidas haviam sido dispersadas naquele instante, mas será que Chris ainda seguia interessado em um relacionamento com ela? A insegurança de finalmente começar a gostar de alguém e pensar em ser rejeitada atrapalhava um pouco sua decisão, porém ainda assim, parte dela sentia que precisava tentar, então recolheu rapidamente todos os seus pertences e informou ao professor que iria até a enfermaria por não estar bem, embora envergonhada por mentir tão descaradamente.

— Professor, a Kate e a Pan comeram bacon estragado no café da manhã e não estão passando bem também. — Isis as puxou pelo braço e arrastou-as até o corredor antes que pudesse ser detida, alcançando a colega que saíra primeiro. — Sarah, espera ai! — Soltou as outras duas e agarrou-a pelo pulso, esboçando um sorrisinho malicioso ao murmurar: — Se você vai namorar o capitão do time de futebol não pode chegar lá de cara lavada.

— Como assim? — Encarou-a com um semblante confuso, sem entender sobre o que ela estava falando.

— A gente não tem muito tempo, vem logo. — Kate riu, levando-a até o vestiário na companhia das amigas.

No campo de futebol, Chris estava sentado no banco ouvindo as instruções de seu treinador durante o intervalo, bebendo água disperso nos próprios pensamentos enquanto observava a arquibancada desejando desesperadamente enxergar o rosto de uma única pessoa ali. Já estava no último quarto da partida e começava a perder as esperanças, percebendo que o tempo de descanso chegava ao fim. No instante que colocou o capacete ele suspirou desanimado e sentiu o coração apertar entristecido, voltando para o gramado em passos pesados já ciente de que ela não apareceria.

— O que foi, Chris? Ela não vai vir? — Um de seus companheiros questionou curioso, aproximando-se dele.

— Eu acho que já esperava isso. — Deu de ombros, prontificando-se a alongar a coluna antes de voltar ao campo. — Depois de ter tomado pelo menos uns três foras eu deveria ter aprendido a lição.

— Tem certeza? Porque, pelo que eu estou vendo ali, parece que alguém vai ganhar duas vezes hoje, capitão. — Comentou em tom malicioso, dando-lhe um leve tapinha nas nádegas e apontando para a arquibancada com o queixo, fazendo-o conduzir sua atenção à torcida outra vez para entender sobre o que ele estava falando.

Procurou por todo o horizonte até que em algum momento seu olhar se cruzou com o de Sarah, obrigando-o a abrir um sorriso deslumbrante ao perceber o quanto ela havia se esforçado para ser facilmente encontrada. Estava trajada como uma líder de torcida, e até mesmo maquiada com dois riscos das cores do colégio em cada bochecha, extremamente acanhada e aparentemente desconfortável enquanto esboçava um sorrisinho tímido e desviava o olhar para o chão toda vez que o via dar um passo a mais em sua direção ao mesmo tempo que pedia licença para todos à sua frente no intuito de alcançá-la.

— Se você queria me matar do coração era só me avisar. — Murmurou em tom provocativo, referindo-se ao fato de tê-la esperado até o último segundo.

— Eu juro que ia aparecer antes, mas as meninas me disseram que era tradição se vestir assim quando um dos jogadores é o seu namorado, então eu... — Sua voz estava hesitante, e era perceptível que estava quase perdendo as forças nas pernas com toda a vergonha que lhe dominava de dentro para fora. — Eu devo estar ridícula, meu deus, não sei por que concordei em me vestir assim. — Concluiu, encolhendo os ombros.

— Eu vou te contar um segredo, Sarah. — Ele acercou-se ainda mais, entrelaçando os dedos de uma mão nos dela e utilizando a outra para colocar carinhosamente uma das mechas de seu cabelo atrás da orelha, logo depois deslizando-a até seu queixo para que a obrigasse a fitá-lo diretamente nos olhos. — Não tem uma palavra no dicionário que seja capaz de definir o quanto você tá linda agora. — Sussurrou ao pé de sua orelha, afastando-se ao esboçar um sorrisinho ladino por vê-la tão envergonhada. — Aliás, você disse "namorado"? — Perguntou esperançoso, sentindo-se ser contagiado por uma felicidade irradiante.

— Eu me precipitei? Você desistiu? — Tagarelou insegura.

Antes que pudesse continuar a dizer mais qualquer coisa, Chris levantou-a em seus braços sem importar-se com o fato de que estavam completamente cercados por outras pessoas.

— Se eu desistisse de você eu ia ser o cara mais burro do mundo. — Rumorejou, instantaneamente selando os lábios nos dela ainda sem permiti-la descer. Era realmente leve, e seus braços muito bem definidos, portanto segurá-la não era um problema.

As bochechas de Sarah ruboresceram no instante que a torcida vibrara ao vê-la colocar os braços ao redor do pescoço dele, e apesar de estar encharcado de suor, ela não se incomodava de maneira alguma. Ter o privilégio de poder se relacionar com aquele rapaz sem acabar magoando uma de suas melhores amigas era libertador, e ainda mais se ele era tão empenhado em demonstrar para todos o quanto tinha orgulho de ser seu namorado.

O chamado do treinador o obrigou a colocá-la de volta no chão, apesar de não estar com vontade alguma de voltar ao jogo especialmente naquele instante. Queria continuar a apreciá-la e tocá-la agora que tinha o passe livre para isso, portanto observou-a com ternura; como um cachorro abandonado que despedia-se de seu dono.

— Vai lá acabar com eles, Chris. — Empurrou-o levemente, no entanto ao perceber que não conseguira mexê-lo do lugar, colocou-se na ponta dos pés e cochichou próxima ao ouvido dele: — Eu prometo que vou ser toda sua depois disso.

O capitão do time apenas riu outra vez e beijou-a carinhosamente na testa para começar a descer em direção ao campo. Quando olhou para trás uma última vez e a viu mordiscando os lábios para esconder o sorrisinho bobo, deu-lhe uma piscadela no intuito de provocá-la, sentindo-se o indivíduo mais sortudo de todo o universo antes de voltar ao jogo.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAA ♥ ♥ Finalmente a Alex percebeu que tava sendo bobona, mas eu entendo ela. É difícil mesmo se sentir assim, e mesmo que ela não queira, é muito complicado controlar as emoções :( Espero que tenham gostado, beijinhoooooos ♥ ♥