Notas iniciais
Olá, tudo bem? Espero que sim ♥ estou postando aqui o capítulo 2, que será uma parte de como Sarah e Pan se conheceram. Eu não sabia como deveria fazer para diferenciar essa parte do texto, portanto coloquei as memórias em itálico! Espero que não fique confuso, obrigada por ler e tenha uma boa leitura ♥

Naquela manhã chuvosa em que o cheiro de terra molhada tomava conta do ambiente, Pan estava deitada observando as gotas de chuva percorrerem sua janela, tentando adivinhar qual seria a primeira a terminar o trajeto até ser interrompida por seus pais, que vieram dar-lhe a notícia de que em breve receberiam visita.

Estava desinteressada com a chegada dos convidados até perceber uma pequena silhueta escondida atrás das pernas do homem que conversava com seu pai. Sua pele levemente bronzeada ressaltava seus olhos castanhos e cabelos escuros envoltos em um coque, e embora jovem, sua postura era como a de um membro da família real. A coluna ereta perfeitamente e o olhar desconfiado traziam-lhe um charme sem igual que não tardou a chamar a atenção de Pan, ansiosa por finalmente conhecer alguém que tivesse sua idade.

Sua aproximação brusca e sem jeito não foi muito bem recebida por Sarah, que era fechada e jamais se permitiria aproximar-se de uma pessoa por simplesmente ser a filha dos amigos de seus pais, aliás... Principalmente por serem amigos de seus pais. Por serem pessoas como aquelas. Recordou-se de como a única pessoa que já amou fora assassinada bem à sua frente, lembrou-se do sorriso satisfeito de seu irmão por ter conseguido protegê-la daqueles homens, mesmo que isso custasse sua vida. Afastou-se da pequena garota e sentou-se no sofá branco de couro que tomava todo o espaço em frente à grande lareira, enquanto continuava remoendo aquelas memórias, entristecida e nada contente com o fato de estar naquele ambiente que tanto a trazia desconforto.

— Esse sofá é muito ruim para sentar. A única coisa boa nele é que é bonito. — Pan sentou-se ao lado de sua visitante, surpreendendo-a com um abraço que fora rapidamente esquivado.

— Pare de me seguir, por favor. Não quero ser sua amiga. — Retrucou, cruzando os braços e desviando o olhar.

Pan a observou cautelosamente, tentando compreender as verdadeiras intenções por trás daquele semblante tão carrancudo.

— Você é muito sem graça pra uma criança tão pequena. — Pan riu.— Mas eu nunca disse que queria ser sua amiga.

Aquelas palavras foram como um balde de água fria para Sarah. Sentiu as bochechas ruborescerem com a vergonha que passara ao assumir algo como aquilo e levantou-se rapidamente para tentar apaziguar o clima tenso. Pan segurou a pequena mão da garota, fazendo-a olhar diretamente em seus olhos.

— O que você quer?

— Eu menti. — Sorriu, puxando-a para um abraço. — Eu quero ser sua amiga sim.

Sarah hesitou por um momento, porém decidiu que a melhor opção realmente era a de afastar-se, e portanto o fez. Percebendo que sua aproximação estava sendo um incômodo para a garota, Pan não quis mais importuná-la, aproximando-se apenas na hora de despedir-se.

— Então vocês estão saindo do país, Félix? — Indagou o pai de Pan enquanto segurava sua mão. — Sua filha está bem com isso?

— São negócios, Hans. — Ele retrucou ríspido, sorrindo como se não se importasse com sua filha. — Negócios devem vir antes de qualquer coisa.

Em meio à conversa, dois homens camuflados por vestimentas completamente pretas e o rosto escondido por uma máscara passaram correndo como vultos, levando a pequena Sarah consigo em direção à um carro que os aguardava.

O pai de Pan rapidamente retirou seu revólver do paletó, porém percebeu que sua filha havia corrido inconsequentemente até os delinquentes que estavam armados com facões atrelados aos seus cintos. Um pouco perdida e desesperada, ela agarrou o vestido de Sarah com uma mão e um poste próximo com a outra, fechando os olhos para não ver o que poderia acontecer consigo. Trêmula e atordoada por ter agido sem pensar, ela sabia que nunca se perdoaria caso tivesse deixado sua primeira e única amiga ser levada por estranhos.

Um dos bandidos puxou uma faca de seu bolso, tentando tirar a vida da garota que os limitava em sua fuga, embora sem sucesso. As mãos de Pan já estavam inchadas e cansadas pois estava colocando toda sua força para que Sarah não fosse levada, portanto em algum momento elas se soltariam, e por algum acaso do destino, aquele foi o momento, evitando que ela perdesse a vida, ganhando apenas um corte profundo na pele de suas costas. Aquela brecha que Pan havia criado ao parar brevemente a fuga dos sequestradores foi o suficiente para que Hans chegasse com alguns ajudantes e concluísse o resgate, atirando friamente na cabeça do homem que ousara machucar sua filha. O outro, com dificuldade, após receber um disparo em seu abdômen, conseguiu escapar. A máscara que estava em seu rosto havia caído em meio à toda aquela confusão, e Pan conseguira vê-lo por alguns segundos.

— E-eu estou com medo. – A voz de Sarah estava fraca, assim como todo o seu corpo. Lágrimas escorriam por seu rosto à medida que ela suspirava assustada.

Pan segurou sua mão e sorriu antes de desmaiar nos braços de seu pai. Sarah não conseguia evitar de assemelhá-la a seu falecido irmão. Talvez fosse algum tipo de destino cruel brincando com suas emoções, porém era inevitável sentir-se atraída por aquela outra criança.

Os pais de Sarah decidiram que não adiariam a viagem por uma "besteira dessas", então Hans tomou para si a responsabilidade de cuidar da garota, como se fosse sua própria filha. A pequena estava muito preocupada com Pan, fazendo birra para que pudesse ficar ao seu lado. Embora não estivesse segura e se sentisse abandonada pela própria família, Sarah era atraída por Pan como se fossem imãs opostos, destinados a se encontrarem em algum momento.

Este foi o primeiro contato entre Pan e Sarah marcando o inicio de uma amizade pura e inquebrável, e também o dia em que Hans decidiu manter a própria filha encarcerada em sua casa, pelo medo intenso que teve de perdê-la. Percebeu os perigos que a rondavam por culpa de seu trabalho, e não estava disposto a apostar contra o destino.

Dez anos depois, Pan finalmente conseguira convencê-lo a deixá-la ter uma vida normal, em outro país. Enquanto Hector dirigia, ela observava alegremente a paisagem pela janela, sentindo seu coração pulsar de excitação.

— Vai ser complicado estacionar aqui. Ele suspirou desanimado.

— Não precisa estacionar, pode deixar a gente ali na frente. Pan afirmou, apontando para a entrada do colégio.

— Você não pensou mesmo que o seu pai te deixaria andar sozinha por aí, né? Retrucou intrigado, arqueando as sobrancelhas.

— Como assim? Espera, me fala que não é verdade, por favor. — Suplicava. Sarah conseguia apenas rir de sua expressão desesperada enquanto encarava a entrada do colégio, cercada por homens que trabalhavam para seu pai. Os outros alunos os observavam com estranheza.

— São só cinco homens, e eu sou um deles. Não é tão ruim, é? – Hector sorriu de canto, apreciando o descontentamento de Pan, que não parecia nada feliz ao ter quatro homens enormes, armados e vestidos de terno aguardando-a em frente ao colégio.

— Não se preocupe, Pan, ninguém vai saber que eles estão aqui por você. — Sarah murmurou, tentando melhorar a situação.

Em um impulso, ela rapidamente destrancou a porta do carro, arrastando Sarah consigo para que pudessem se misturar em meio à multidão de adolescentes que se aglomeravam na entrada.

— O papai vai ter que fazer melhor do que isso se quiser que eu desista. — Sussurrou, retirando um sorriso satisfeito dos lábios de Sarah.

Lutando para que continuassem camufladas, permaneceram em meio à multidão até conseguirem adentrar o local, o que não demorou muito para acontecer. Pan encantava-se com o excesso de pessoas diferentes, os novos cheiros, novas texturas, e estava ansiosa para saber quais aventuras vivenciaria agora que estava recomeçando sua nova vida.

— Está pronta? — Sarah indagou com um sorriso, segurando fortemente a mão da amiga que assentiu com convicção.

— Mais do que pronta. — Murmurou, apreciando todo o ambiente ao seu redor, tentando conter a animação que crescia dentro de si.

Notas finais
Espero que tenha conseguido agradar vocês com esse novo capítulo ♥ o próximo sairá nessa próxima semana! Obrigada por ler~