Notas iniciais
Eu não sei oq aconteceu mas ultimamente me deu uns surtos de inspiração e eu espero que vocês não se incomodem com isso HFIUDSHFIUH ♥ Mais um capítulo fresquinho pra vocês meus chuchuzinhos :3 :3 Boa leiturinha, espero que gostem ♥

Era como se o universo tivesse parado de se mover por um instante. Seu coração falhou uma batida; as mãos ficaram brevemente trêmulas. Era a notícia que ela tanto aguardava há dias, e agora que finalmente a havia recebido não sabia como deveria reagir. Demoraram alguns segundos até que o choque de realidade a atingisse outra vez, após inúmeras tentativas de contato por parte de Hector, que seguia do outro lado da linha durante seu transe momentâneo, aguardando por uma resposta. Diferente das outras pessoas, Pan Stracci não sabia parar e pensar calmamente antes de agir, acabando por ter reações completamente exageradas e aleatórias para diversas situações. Bom, esse era um dos casos. Sem aviso prévio, ela desligou a chamada após balbuciar algo incompreensível e correu até Sarah, pegando sua mão para levá-la rapidamente consigo até homem que havia ligado há pouco.

— Pan? Meu Deus, o que foi? Por que a gente tá correndo assim? — Sarah indagou ofegante, quase tropeçando nos próprios pés ao mesmo tempo que era arrastada pela amiga. Algumas vezes não conseguia entendê-la.

— A gente precisa ir rápido! — Exclamou sem cessar os passos. — O papai acordou, Sarah! — Acrescentou sorridente; um sorriso aliviado por finalmente conseguir dizer tais palavras após aquele tempo que mais lhe pareceu uma eternidade. Era um alívio saber que não havia sido a causadora da morte de seu pai.

Ela pensou seriamente em dizer alguma coisa; talvez pedir-lhe que desacelerasse um pouco, mas era aparentemente inútil. Conhecia Pan muito bem, e estava ciente de que quando ela enfiava algo na cabeça, era impossível fazê-la parar, então restava-lhe apenas a opção de suspirar e aceitar tudo aquilo.

Quando finalmente chegaram em frente ao veículo após todo aquele alvoroço, elas apoiaram as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego perdido, ainda ofegantes e um pouco suadas. As antigas arquibancadas ficavam nos fundos do colégio, afinal, portanto precisaram percorrer a construção inteira até que chegassem ali. Foi a oportunidade perfeita para que seus colegas as alcançassem, curiosos para descobrirem o motivo daquela euforia súbita por parte das colegas. Não era normal que as pessoas saíssem correndo sem aviso daquela maneira, então toda a preocupação fora inevitável.

— Não temos tempo pra explicações. — Hector soou frio, fitando os jovens com certo desdém. Não tinha vontade alguma de ser obrigado a lidar com um bando de adolescentes atrás das filhas de seu chefe no hospital, especialmente se ele havia acabado de acordar. Aquele sujeito necessitava de paz e repouso, não de mais dor de cabeça para resolver. Já era complicado o suficiente manter Pan sob controle quando ficava ansiosa, e tudo o que Hans não precisava era de mais um incômodo durante sua recuperação. — Entrem no carro, ele quer te ver agora. — Disse com o olhar direcionado à moça de cabelos escarlate, ainda impassível e um pouco ríspido. Ela sentiu-se no dever de obedecê-lo sem contestar, ciente de que já o havia dado muito trabalho no dia anterior. Sua prioridade naquele instante era evitar conflitos com ele, portanto simplesmente lançou um olhar de desculpas aos amigos e fez como lhe fora requisitado, fechando a porta apressada.

— O papai quem pediu pra me ver? — Questionou em um timbre aflito e inseguro, estranhando a atitude do pai. Recordava-se perfeitamente de quando o havia visitado da última vez e fora prontamente expulsa por ele para que não se misturasse com seu trabalho, e agora era ele quem requeria sua presença? Não conseguia compreender as ações daquele homem.

— Sim. — Retrucou de maneira breve e áspera, como se não quisesse manter uma conversa. Sinceramente, ele não queria. Estava preparado para receber sua punição assim que colocasse os pés em frente ao seu Don, então não seria esperto de sua parte tentar aproximar-se da garota até que fosse dado o veredito, seja esse a sua morte ou não. Inevitavelmente ela acabaria magoada de alguma forma.

A garota compreendeu que ele aparentemente não queria manter um diálogo, optando por imergir nos próprios pensamentos e não importuná-lo mais.

Sarah também permaneceu em silêncio em meio à todo aquele clima pesado no ambiente. Era notável o quanto os dois se estranhavam naquele momento, e as circunstâncias não eram das melhores. Um aguardava pelo possível fim de sua vida, e a outra estava prestes a ver o pai que acabara de acordar de um coma após vários dias. Não haviam brechas para o início de uma conversa, e o melhor jeito de evitar dizer alguma besteira que os acabasse chateando era simplesmente não dizer nada.

Assim que chegaram ao local, foram prontamente recebidos por Diego, que os aguardava na porta do elevador principal do prédio. Ninguém mais entrava ou saía por aquele elevador senão as pessoas autorizadas pela famiglia. As escadas também estavam sendo observadas por alguns homens; era uma maneira de evitar conflitos enquanto o Don estivesse em repouso.

— Pronta pra conhecer alguns amigos do seu papai, gatinha? — Diego indagou diretamente à Pan, utilizando o mesmo tom galanteador de sempre ao dirigir-se à qualquer pessoa do sexo oposto. Hector não pode evitar fitá-lo com desgosto, fazendo-o recuar como um cachorrinho com o rabo entre as pernas. Já deveria saber as consequências de tentar um romance com a filha do chefe, em especial na frente de seu braço direito.

— Eu pensei que o papai não me quisesse perto de nenhum amigo dele. — Suspirou cansada, ainda sentindo o coração acelerado e ansioso.

— E ele não quer mesmo, mas como um Don, é impossível que ele acorde depois de tanto tempo internado e não tenha pelo menos uns mil imbecis tentando puxar o saco dele. — Comentou em tom de zombaria, ciente de que a maioria das pessoas presentes no quarto daquele indivíduo apenas haviam comparecido com o intuito de bajulá-lo para que pudessem receber favores dele no futuro. Era assim que as coisas funcionavam, afinal. Ficar no lado ruim de alguém como Hans Stracci não era nada prudente, e não visitá-lo em um momento como aquele era demonstrar desrespeito do mais alto nível. Ninguém que o conhecia e precisava dele seria burro a ponto de negligenciar uma chance de agradá-lo assim.

Ela mordeu os lábios um pouco nervosa e desviou o olhar até os pés, prontificando-se a sair do elevador logo que as portas se abriram, esfregando os braços ao colocar-se em frente ao quarto de seu pai. Fitou Hector por alguns segundos e o percebeu encarando-a com certa ternura, imediatamente disfarçando no momento que seus olhares se cruzaram, pigarreando e afastando-se alguns passos para não acabar fazendo alguma besteira. Não era possível que até mesmo em uma situação como essas a única coisa que lhe vinha à cabeça era sua vontade de envolvê-la em seus braços para confortá-la. Vê-la tão vulnerável e entristecida sempre o fazia perder parte de sua sanidade.

Sarah empenhou-se em animá-la um pouco, acercando-se dela para apertar sua mão com carinho, demonstrando que estaria ali por ela caso algo acontecesse. Pan forçou um sorriso fraco de canto e assentiu suavemente com a cabeça antes de girar a maçaneta com cautela, diferente de todas as vezes que entrava nos lugares causando um alvoroço. Após os acontecimentos com Vincenzo não tinha vontade alguma de aprofundar-se no mundo de seu pai, mas se era assim que ele desejava, obedeceria sem contestar; ao menos dessa vez.

— Papai? — Chamou em tom baixo ao adentrar o cômodo. Era exatamente como Diego havia falado. Várias pessoas estavam aglomeradas ao redor da cama em que Hans descansava; alguns beijando-lhe as mãos e bochechas para demonstrar respeito, outros enchendo-o de presentes e cestas de frutas como se comemorassem sua recuperação, mas obviamente todos estavam ali por um único motivo: demonstrar que estavam do lado daquele homem e da famiglia Stracci.

— Bambina! — Ele dirigiu-se à ela em alto e bom som, deixando claro para todos ali que aquela era sua filha; sua protegida. Obviamente ela estranhou sua atitude, franzindo o cenho de imediato. Aquela mesma pessoa a havia encarcerado em uma casa por dez anos apenas para que não se misturasse com os perigos de seu trabalho e agora estava deliberadamente apresentando-a como sua filha em público, em frente à todas aquelas pessoas perigosas? Era como se ele quisesse propositalmente que todos soubessem sobre aquele fato, mas ela não conseguia entender o motivo. — Vem aqui. — Gesticulou com as mãos para que ela se aproximasse.

Os visitantes abriram caminho para que a moça pudesse passar, e naquele mesmo instante ela percebeu a enorme mancha em vermelho vivo estampada na fronte da camisa de seu genitor, que a desabotoava despreocupadamente; sem emoção alguma enquanto comia seu generoso prato de massa ao sugo. Quando retirou-a por completo, seu conselheiro passou-lhe uma vestimenta de tecido mais escuro, e sua esposa recolheu as roupas que havia removido — inclusive a calça e os sapatos que tirara previamente — antes de sair apressada do quarto. "Livre-se disso", ela ouviu seu pai sussurrar à Alice ao entregar-lhe aquelas vestes. Muitas perguntas surgiram à sua cabeça naquele momento. O que estava acontecendo ali? Por que tanta pressa ao trocar as roupas? Essas questões atormentavam-lhe a mente à medida que avizinhava-se em passos lentos e hesitantes. Sentia-se extremamente observada.

— Por que você se trocou, papai? — Arriscou perguntar, conseguindo ouvir algumas risadinhas abafadas e maliciosas em meio àquela multidão. Ao olhar para o lado, percebeu que dois homens de sua família esfregavam com força o chão na frente da cama de seu pai; quase como se quisessem muito se livrar de algo que estava ali.

— Não é nada. — Retrucou em um timbre frio, com sua usual voz rouca e imponente. — Eu derrubei um prato inteiro de pasta e agora meus homens estão me ajudando com a sujeira. — Era mentira. Cada palavra que saía de seus lábios era uma grande e absurda mentira que encobria o assassinato ocorrido ali há alguns minutos. Ninguém ousou dizer a verdade; ninguém ousou contestar ou desmentir Don Stracci, porém se a garota fosse um pouco menos descuidada e ingênua, desconfiaria das manchas de sangue incrustadas nas paredes e do revólver jogado na mesinha que se encontrava ao lado da cama de seu pai. Ele era poderoso o suficiente para que nem uma alma sequer tivesse coragem de abrir a boca sobre o que havia realmente acontecido, e influente o suficiente para permitir-se ser descuidado e retirar uma vida em meio à um hospital cheio, sem punição alguma. Ali tinham apenas pessoas que já o conheciam, e ele sabia que nenhum sujeito presente teria colhões para traí-lo. Mesmo que arriscassem, ele tinha a polícia da região em seu bolso, portanto de alguma forma conseguiria sair impune. Normalmente nem se incomodaria em esconder seus feitos, mas havia chamado por sua filha, e ela era a única pessoa do mundo para quem ele não gostaria de mostrar seu pior lado.

Pan abraçou-o com carinho, tentando convencer-se de que, independente de seu trabalho, ele nunca mentiria. Ao menos não para ela. Já havia fechado os olhos para esse tipo de coisa por tantos anos, então o que custaria fazê-lo uma vez mais?

— Como você se sente? — Inquiriu em tom manhoso e preocupado. As sequelas deixadas após tanto tempo internado eram perceptíveis. Os lábios mais pálidos do que o normal, sem cor alguma; as bochechas magras como as de alguém que não ingeria nada sólido há dias; tudo isso apenas contribuía para a angústia instaurada em seu peito, e seu maior desejo naquele momento era voltar para casa na companhia de sua família. De preferência sem mais problemas.

— Mais forte do que nunca. — Esboçou um sorriso tímido, na tentativa de acalmá-la. — Uma cicatriz a mais para a minha coleção não faz muita diferença. — Murmurou em tom de zombaria, obrigando-a a relaxar os ombros tensos após soltar uma risadinha abafada.

— Você fazendo esse tipo de piada, papai? Acho que alguém acordou de bom humor.

Hans afagou os cabelos de sua queridinha para tranquilizá-la e se pôs a falar:

— Eu agradeço a presença de todos vocês, mas eu gostaria de passar um tempo com a minha família agora. Sintam-se sempre bem-vindos em minha casa para um chá ou um uísque de boa qualidade, meu escritório sempre estará de portas abertas para todos vocês, mas eu não considero uma cama de hospital o melhor lugar para discutir negócios. — Exprimiu sereno, fazendo com que os visitantes começassem a se dissipar, em respeito àquela figura tão suntuosa. Todos estavam ansiosos pela oportunidade de conhecer melhor sua primogênita, mas se ele não os queria mais ali, então ninguém seria ingênuo o suficiente para insistir e acabar ficando em sua mira. Ainda que o rosto da garota fosse agora conhecido pelo submundo, ele não sentia-se confortável em deixá-la por tanto tempo em meio àquelas pessoas.

— Me desculpa por sair assim, querida. — Alice sorriu ao colocar os pés para dentro do cômodo outra vez, trazendo Hector consigo. Ao acercar-se dela, depositou um leve beijo em sua testa e ajeitou alguns fios de seu cabelo atrás das orelhas. — Precisei resolver alguns assuntos urgentes.

— Tipo se livrar das roupas do papai? — Fitou-a com indiferença, empenhando-se em permanecer impassível. Se todos os outros três ali conseguiam fazer isso perfeitamente, então não deveria ser tão difícil, certo? Errado. Assim que sua mãe devolveu-lhe aquele olhar cínico e frio, ela encarou os próprios pés e se deu por vencida, suspirando decepcionada. — Tá bom, eu não vou ficar perguntando sobre as coisas que vocês fazem, eu já sei que não é da minha conta. Vocês deixaram isso bem claro a minha vida inteira. — Bufou fazendo biquinho. Seu guarda-costas não pôde evitar a curva tímida e graciosa que tomara conta de seus lábios ao vê-la tão manhosa. O contraste entre sua personalidade e a de seus pais chegava a ser cômico.

— Boa menina. — Alice retrucou debochada, obrigando-a a revirar os olhos.

— E a Sarah, mamãe? Eu sei que ela quis me dar um tempo sozinha com o papai antes de entrar, mas ela não quis vir com vocês?

— Ah, ela ficou lá com aqueles dois meninos que te visitaram em casa aquele dia. Eles estão conversando do lado de fora.

— O Chris e o Evan vieram aqui? Mas por quê?

— Eu não sei. — Ela deu de ombros.

Hector revirou os olhos, irritado com o fato daqueles dois jovens os terem seguido mesmo depois de ter deixado bem claro que não os queria ali. Valerie provavelmente teria informado seu filho sobre o pai da colega e agora eles pensavam que tinham o direito de se intrometer nos assuntos da família. Estava sem paciência para drama adolescente naquele momento, e preparado para afastá-los caso decidissem importunar seu chefe, não se importando mais com os meios que usaria para isso.

— Que cara é essa, garoto? — O mandante dirigiu-se à ele, causando um certo desconforto em seu interior. Ele instantaneamente franziu o sobrolho com estranheza. Como era possível que estivesse conversando com ele como se nada tivesse acontecido? Sem ameaças ou punições? Da última vez que haviam conversado antes de acabar inconsciente e ensanguentado em seus braços, ele definitivamente queria arrancar-lhe a cabeça e pendurar em um mastro para servir de exemplo à todos que tocassem sua filha, então que diabos havia acontecido ali? Algo não parecia certo. — Foi muito difícil manter as coisas em ordem enquanto eu mofava nesse quarto de merda? — Seguiu em tom neutro, deixando-o ainda mais confuso.

— Por favor, homem, se a Valerie ouve uma coisa dessas vai se sentir ofendida. É o hospital dela. — Alice ralhou, chamando a atenção de seu cônjuge.

— Mas é verdade. Você sabe que eu odeio hospitais. — Comentou desdenhoso.

— Então trate de arrumar outro emprego ou ser menos descuidado com a própria vida. — Argumentou irritada.

Pan não pôde evitar o arrepio incômodo e o aperto em seu peito que vieram com aquela conversa. Tudo aquilo trazia-lhe um pesar tremendo. Cada vez mais começava a se dar conta sobre o quão perigoso era o mundo de sua família, e de alguma forma isso a apavorava. Ter que viver todos os dias sabendo que em um piscar de olhos alguma pessoa amada pode desaparecer facilmente era aterrorizante, em especial após todos os acontecimentos recentes em que até mesmo ela acabara envolvida. Será que seus amigos do colégio acabariam sendo envolvidos também? Será que era melhor afastar-se de todos para que não corressem perigo apenas por estarem associados à sua família? Eram tantas coisas passando por sua mente que ela sentia-se sobrecarregada.

— É verdade, papai. — Segurou a mão dele carinhosamente, apoiando a cabeça em seu ombro. Ele prontamente arregalou um pouco os olhos, mas logo suavizou o semblante outra vez. — Você não pode ficar se machucando. Se continuar assim, o hospital vai virar nossa segunda casa.

— E o pior é que ele nem consegue se lembrar de como acabou enfurnado nesse quarto, pelo amor de Deus. — A mãe reclamou, soltando um breve suspiro exausto ao colocar os olhos na figura fragilizada de seu marido.

— Como assim? — Hector interrompeu admirado, franzindo o cenho novamente. Como seria possível que aquele homem não se recordasse do dia em que fora baleado? Não, isso não podia estar acontecendo, certo? — Por que ele não consegue se lembrar? — Insistiu.

— Ele teve amnésia seletiva por estresse pós-traumático. — Alice soou displicente, fazendo-o arregalar os olhos em um instante. Até mesmo seus lábios se entreabriram um mínimo, tamanha a surpresa que o atingira. — A Valerie disse que as memórias não vão demorar muito para voltar se seguirmos o tratamento à risca, mas por enquanto, ele não se lembra de quase nada sobre a reunião entre as famílias.

Notas finais
Parece que ele não lembra do que o Hector fez :P será que ele vai conseguir se safar? HFDSHF pelo menos agora ele tem um tempo extra pra decidir o que vai fazer~