Stracci famiglia: Liberdade e corrupção
29 Manchas de sangue
Notas iniciais
O cheiro de couro do carro, naquele momento em específico, trazia uma sensação familiar à Hector, atraindo em suas memórias as lembranças de quando levava Pan ao colégio todas as manhãs. Seu sangue fervia; suas veias do pescoço já pulsavam devido à mistura de ansiedade, raiva e preocupação em seu interior, e embora seu coração pedisse desesperadamente para que pisasse fundo no acelerador, dessa vez ele não se permitiria cometer o erro de ser levado pelos sentimentos. Se por uma simples gafe idiota acabasse sendo detido pela polícia por excesso de velocidade, não sabia o que poderia fazer, portanto a melhor opção era a de aguentar as pontas e não se deixar agir baseado nas próprias emoções. Aquela vendetta já não tinha honra alguma, mas envolver policiais nos assuntos da máfia seria ultrapassar os limites, e ele não arriscaria colocar sua amada em perigo por causa de uma besteira dessas.
— Pronto? — Levou o celular à orelha após ouvi-lo tocar, aguardando por boas notícias.
— Você já está chegando, garoto? — A voz de Sandro soou cansada do outro lado da linha. — Nós já cercamos a casa, só estamos esperando por você.
— Primeiro o Don vai pessoalmente tentar resolver o problema, e agora o consigliere? Nossa famiglia realmente é diferenciada. — Ironizou, tentando apaziguar o clima tenso. Talvez fazer piadas também aliviasse seu próprio estresse.
— Alguém precisa estar lá para te segurar. Ninguém aqui quer outra chacina desnecessária, e a bambina não precisa te ver agindo como um animal.
— Se eu tivesse opção, eu realmente gostaria que ela não precisasse ver esse tipo de cena. — Murmurou, soltando um breve suspiro decepcionado antes de continuar: — Já estou a caminho, não vou demorar. — Acrescentou seco, desligando o telefone e jogando-o no banco do passageiro ao seu lado.
No esconderijo, Pan estava no banheiro após sair do banho que Vincenzo lhe havia prometido, esfregando os cabelos úmidos com uma toalha, já vestida com a troca de roupas que lhe fora fornecida. Não conseguia sentir-se realmente limpa, no entanto. O péssimo sentimento de estar sempre desconfortável com a própria higiene ali a incomodava de uma maneira inexplicável, principalmente com o excesso de aranhas nas paredes que lhe causavam arrepios. A falta de janelas ou de arejamento no ambiente também tornavam tudo mais desagradável. Era como se estivesse em um caixão, sufocando sem conseguir escapar e perdendo a força de vontade gradativamente, quase desistindo de lutar pela própria vida.
Respirou fundo e colocou os pés para fora após ouvi-lo bater algumas vezes na porta, atestando o fim de seu tempo sozinha ali. Achava estranho o modo com que ele respeitava seu espaço pessoal, de certa maneira, já que em todos os filmes que havia assistido sobre o assunto, os sequestradores nunca se incomodavam com a privacidade da vítima. Encarou-o com dúvidas, tentando desvendar os mistérios por trás daquele olhar tão sereno, vidrado em uma parede nada interessante de se observar. Por um lado ela não conseguia simpatizar com aquele homem de jeito nenhum, mas por outro pensava que tinha algo a mais em suas ações, além de apenas sua vontade de instaurar o caos.
— Você sabe qual o único sentimento do qual você nunca consegue se livrar, não importa quão desesperadamente você tente? — Ele quebrou o silêncio, fazendo-a sobressaltar com o susto de ter sido trazida de volta à realidade por aquela voz em tom melancólico e frio. Estava imersa nos próprios pensamentos, e em resposta, apenas acenou negativamente com a cabeça. — É o remorso. A culpa. Você consegue se livrar do amor com um novo, consegue se livrar do ódio com vingança, consegue se livrar das preocupações ao resolver o assunto que te aflige, consegue se livrar do medo com a esperança, mas a culpa... não. A culpa, o remorso, essa sensação desgraçada te corrói até os ossos, e te atormenta mesmo depois da morte. É uma coisa que te persegue até o além. — Completou, ainda sem desviar sua atenção daquela mesma parede dominada pelo mofo.
— Você se sente culpado pelas coisas que fez? — Indagou esperançosa. — Vai me deixar sair daqui?
— São apenas os pensamentos de um homem à beira da morte. — Rumorejou, já ciente do que aconteceria em breve. Don Romano o havia delatado, e com o poder dos Stracci, a única coisa que lhe restara fora a chance de dispensar seus aliados para que não fossem arrastados juntos naquela tempestade sanguinária. Já havia aceitado seu destino.
— O que você disse? Eu não consegui ouvir, você falou muito baixo.
— Não foi nada. Eventualmente você vai conseguir sair daqui sem a minha permissão, bambina. — Disse em um tom mais alto, retirando um cigarro dos bolsos e acendendo-o entre os dentes, com um isqueiro.
— Ei, você não sabe que eu odeio o cheiro de cigarro? — Reclamou manhosa, tampando o nariz com as mãos para demonstrar seu nojo.
Ele encarou-a pelo canto dos olhos, soltando a fumaça em sua direção, obrigando-a a recuar alguns passos e tossir.
— E você não sabe que eu não me importo? — Sorriu de canto, aproximando-se dela outra vez e segurando-a pelos pulsos, arrastando a garota até aquele pequeno cômodo úmido em que ficara enfurnada por um bom tempo e trancafiando-a novamente.
Ela suspirou abatida, inconformada com as mudanças constantes de comportamento daquele sujeito. Não conseguia se livrar da sensação de que havia algo oculto entre as palavras que lhe dissera há pouco, em especial sobre a frase que não conseguiu ouvir. Outra coisa que também a intrigava era o fato de estarem sozinhos no local. Todos os dias, através da porta, ouvia inúmeras pessoas conversando, caminhando, podia perceber a presença delas ali, porém hoje nenhum som em específico lhe tomava a atenção. Estava tudo tão tranquilo; tão calmo e silencioso que até mesmo o mais sutil dos barulhos ecoava como se fosse um estrondo chamativo.
Ela não sabia, no entanto que Vincenzo se arrependia de tê-la arrastado para suas disputas pessoais com Hans, sem honra alguma. Cada dia que eram obrigados a conviver no mesmo ambiente tinha mais e mais dúvidas sobre suas escolhas, e apesar de já ter ido muito longe para voltar atrás, o arrependimento lhe atormentava durante o sono. A havia visto nascer, ouviu seu primeiro choro e criou-a por alguns anos como se fosse sua própria filha, antes de ser afastado da famiglia e acabar cego por sua sede de vingança. Embora o ódio por Hans apenas crescesse, seu plano para derrubá-lo o levou a acompanhar todo e cada passo da menina durante todos esses anos, fazendo-o até mesmo questionar se sua obsessão pela família Stracci era por causa do ocorrido com o Don ou se então já havia se esquecido do seu verdadeiro propósito. Alguns pensamentos egoístas lhe faziam pensar que suas ações tiveram algum valor, pois se não tivesse feito uma declaração de guerra contra o pai da moça, não chegaria a encontrar-se com ela outra vez.
Na escadaria do hospital, Sarah continuava aflita, balançando uma das pernas para livrar-se da ansiedade. Ainda que não simpatizasse com Evan, estava agradecida por sua presença, já que isso a prevenia de precisar ficar sozinha com Chris ou conversar com ele. Era um problema a menos para lidar com toda aquela tensão, enquanto aguardava por notícias de Pan ou Hector.
— Dá pra confiar mesmo naquele cara? Se ele for só um merda que faz pose eu mesmo vou lá e trago a ruivinha de volta. — O músico bufou, cruzando os braços. Sarah apenas revirou os olhos, achando-o ainda mais patético do que nunca.
— Isso não é hora pra brincadeira, cara. — Chris acertou-lhe o ombro com as costas de sua mão, sinalizando para que calasse a boca e deixasse de ser inconveniente.
— Não é brincadeira, eu me preocupo com ela de verdade.
— Como se você fosse fazer alguma coisa contra esse tipo de gente. Você é meu melhor amigo, mas às vezes fala umas coisas muito idiotas. — Disse em um timbre desapontado.
— E, aliás, se está tão preocupado assim com ela, devia parar de ficar brincando com os sentimentos dela quando se encontrarem. — Sarah ralhou, deixando transparecer seu incômodo quanto à aproximação dele com sua amiga.
— É sério que você realmente quer falar sobre "brincar com sentimentos" enquanto você faz a mesma coisa com o meu amigo aqui? — Retrucou irritado, encostando o braço ao redor do colega antes de continuar sua frase: — Não sei o que rolou entre vocês, mas esse clima estranho sugere muita coisa.
— Ela não tá brincando comigo, Evan. Eu tomei um fora em alto e bom som. — Respondeu frustrado; quase envergonhado pela atitude do amigo, querendo desculpar-se com ela por tê-lo trazido de volta àquele lugar. Sabia perfeitamente que não era hora de agir como uma criança mimada. Ela já tinha muitas coisas na cabeça para ter que se incomodar com esse tipo de coisa tão fútil.
— Por mais que eu odeie concordar com ele, ele tem razão. — Ela interrompeu, um pouco nervosa. — Nós dois realmente precisamos conversar sobre isso, colocar todas as cartas na mesa, mas eu não acho que esse seja o melhor momento pra isso. Me desculpa, Chris.
— Tá tudo bem, de verdade, linda. — Confessou, sentando-se ao lado dela, na tentativa de consolá-la. — Eu não sou o tipo de cara imbecil que vai ficar te enchendo o saco só por ter tomado um fora. Você não tem obrigação nenhuma de me explicar o que te fez me dizer "não", e eu vou te respeitar mesmo assim.
— E depois eu é quem sou o tal casanova? — Evan provocou, cruzando os braços e acomodando-se entre eles para separá-los. — E eu não curto ficar de vela, já vou avisando. — Terminou, recebendo um empurrão em seu abdômen vindo de Chris. Sarah pôde apenas esboçar um sorriso fraco, agradecendo por não ter que lidar com toda aquela situação sozinha.
Na lanchonete em frente ao colégio, Naoki e Alex estavam sentados à uma das mesas, enquanto ele a observava deliciar-se com seu enorme prato cheio de alimentos calóricos, já sentindo as dores em seu bolso imaginando o preço da conta que precisaria pagar depois.
— Caramba, quando você me disse que eu ia acabar arrependido por te trazer aqui não pensei que ia falir. — Provocou com um sorrisinho irônico, encarando aquela porção de comida que era, pelo menos, duas vezes maior do que a sua.
— Eu te avisei, então agora você não pode voltar atrás! — Replicou, com dificuldade devido às bochechas lotadas.
— Come primeiro e conversa depois. — Ele riu, entregando um guardanapo para ela, que sinalizou com a cabeça como se o pedisse para limpá-la, já que estava com as mãos sujas. Um pouco envergonhado ele o fez, passando suavemente o pedaço de papel em seu rosto.
— Aliás, Naoki. — Ela iniciou conversa outra vez, captando sua atenção. — No dia da festa, quando jogamos verdade ou desafio, você respondeu "sim" naquela pergunta ridícula do Chris.
— Que pergunta ridícula?
— Ah, você sabe. Aquele negócio do "você queria sair com alguém que está aqui nessa sala" ou algo assim. Enfim, eu fiquei curiosa, você não tem muito contato com ninguém ainda, né?
— Ah, essa pergunta ridícula. Não era ninguém, deixa pra lá. — Engoliu seco, tentando desviar o assunto.
— Nós somos amigos, não somos? Você pode me falar, e quem sabe eu até não te ajudo com ela.
— Eu acho improvável que alguém que não consegue nem manter a comida na boca consiga ajudar alguém como eu a sair com uma garota. — Falou na intenção de irritá-la, e ela logo bufou ao vê-lo fornecer-lhe outro guardanapo. — Nenhuma menina sairia comigo, principalmente ela que é tão bonita. Além disso, não é como se eu fosse apaixonado ou algo do tipo, eu só me sinto atraído pelo jeito dela.
— Então tem uma pessoa! — Exclamou como se tivesse acabado de fazer a maior descoberta do mundo. Ele pôde apenas suspirar e dar de ombros, ciente de que ela não ouviu absolutamente nada do que acabara de dizer. — É a Sarah, não é? Você disse que ela é bonita, e vocês dois gostam de estudar, então deve ser ela.
— A Sarah? — Ele riu, negando com a cabeça. — Não, pode esquecer. Ela é realmente muito linda, mas eu não consigo me ver saindo com ela.
— Ué, por quê? — Perguntou arqueando as sobrancelhas, enfiando outra garfada de comida na boca.
— Por que ela é muito fechada, e eu gosto de ter uma amiga responsável pra variar. — Explicou normalmente, ajeitando a postura e fitando-a com curiosidade. — Aliás, qual o seu interesse em saber disso?
— Primeiro de tudo que eu sou muito responsável, viu? Então você tem duas amigas responsáveis! — Reclamou. Ele não conseguiu evitar rir outra vez, recordando-se de que há pouco menos de uma hora ela havia dito que jogava todas as obrigações nas costas de Chris. — E segundo — ela continuou — eu só estou curiosa mesmo. Todo mundo sabe que eu curto o Chris, mas eu nunca cheguei a perguntar essas coisas pra vocês.
— É melhor não perguntar mesmo. Você é a única que consegue ficar falando tão abertamente sobre o que sente por aí. Bom, você e a Pan, né. Ela deve ser assim também, eu acho.
— O que você quer dizer com isso?
— Nada não, deixa pra lá. — Sorriu malicioso.
— Ei, não vou deixar não! Reciprocidade, Naoki! — Protestou.
— Termina de comer, vai. — Ele solicitou, ainda sem conseguir parar de rir de todo aquele drama.
Em frente à casa em que se encontrava Vincenzo, Hector havia acabado de chegar ao local, fechando a porta de seu carro com toda a raiva que dominava seu ser. Conhecia melhor do que ninguém o seu dever de manter a calma e não cometer erros guiados pelas próprias emoções, porém seu interior queimava de ansiedade. Era inevitável. Sua amada estava a apenas uma parede de distância, e não tinha noção alguma de seu estado físico ou mental depois de todo o ocorrido. Apenas imaginar que ela poderia estar sofrendo sozinha nas mãos daqueles desgraçados era o suficiente para fazê-lo perder a sanidade.
— E então? Vocês têm a planta da casa? — Indagou à Sandro, que acenou afirmativamente com a cabeça, entregando-lhe o papel em questão. Ele avaliou cautelosamente cada cômodo da construção, pensando em uma estratégia de resgate que não fosse tão arriscada. — Qual o número exato de homens lá dentro? Algum palpite?
— Não parecem ser muitos, mas eu trouxe armamento pesado por precaução. — Respondeu, apontando com o queixo para que um dos homens lhe trouxesse o equipamento.
— Fuzis? Aonde você pegou isso? Que eu saiba vocês não usam isso há tempos. — Disse surpreso, pegando uma das armas nas mãos para recarregar a munição e prepará-la para uso.
— Revólveres de médio alcance são melhores e menos chamativos, mas é uma ocasião especial. Precisei pedir um favor para alguns contatos no exército. Esses filhos da puta vão virar peneiras por terem mexido com a nossa bambina.
— E eu pensei que você tivesse amolecido depois do casamento. — Hector provocou, embora sem esboçar expressão alguma.
— Se tem alguém que amoleceu por causa de alguma madame foi você, meu amigo. — Alegou em tom de preocupação, franzindo o cenho e tocando-lhe um dos ombros como se fosse confortá-lo. — É uma pena, já que eu realmente gostava de trabalhar com você.
— Péssima hora para sentimentalismo, consigliere. Vamos resolver isso, e a conversa fica pra depois. — Argumentou ríspido, sinalizando com a cabeça que estava na hora de invadir o esconderijo.
Alguns dos homens entraram na frente, dando-lhe cobertura como os soldados que eram pagos para ser. Hector seguiu em passos cautelosos, abrindo a porta de um dos cômodos com a ponta da arma enfiada antes mesmo de sua cabeça. Estranhava o silêncio absoluto daquele espaço, chegando a pensar que havia caído em algum tipo de armadilha. Indicou a direção que seus aliados deveriam tomar, dando ordens em sussurros e olhares que falavam por si, caminhando sozinho pelo corredor principal enquanto observava o lugar até seus mínimos detalhes; inclusive o forte e incômodo odor de mofo impregnado nas paredes úmidas e imundas. Não era surpresa deparar-se com vários insetos e mosquitos que faziam dali sua própria casa. Era improvável para qualquer ser humano passar mais do que algumas horas ali sem acabar com sérios problemas de saúde, e o que mais lhe enfurecia era saber que Pan havia passado um bom tempo enfurnada naquele lugar, à contragosto e sob ameaças. Imaginar o quão maltratada ela estava sendo enquanto mantida em cárcere fazia seu sangue ferver.
Ao final daquela passagem deparou-se com uma porta entreaberta que chamou-lhe a atenção. Com alguma raiva chutou-a para abri-la por completo, apontando sua mira diretamente ao canto do quarto, aonde encontrou Vincenzo segurando sua amada nos braços, com os lábios vendados e as mãos amarradas ao mesmo tempo que tinha um revólver apontado à sua cabeça.
— Vamos com calma, garoto. — Ele alertou em sua língua nativa, acariciando a bochecha esquerda da moça com seu polegar para provocá-lo. Aparentemente estava funcionando, pois o percebeu rapidamente franzir o cenho furioso ao vê-la tão assustada, com algumas lágrimas já formadas no canto de seus olhos. — Nenhum de nós gostaria de ver essa senhorita tão bonita perdendo alguns miolos, não é mesmo? — Sorriu debochado.
— Você é doente. Não tem honra nenhuma. — Falou entre dentes, em tom enojado, sem abaixar a guarda.
— E não somos iguais, amico mio? Eu não tenho dúvidas de que você já deve ter matado tantas pessoas quanto eu, ou então até mais. A única diferença é que os Stracci são covardes que fazem as coisas por trás dos panos e fingem uma imagem de bons moços, vestidos com seu ternos caríssimos e os cabelos cheios de gel, enquanto eu não tenho medo de mostrar como é a verdadeira máfia ao mundo. — Ralhou, empurrando a menina até que caísse no chão à sua frente, abrindo espaço para que pudesse confrontar Hector diretamente, sem precisar utilizar de uma refém para isso.
No instante que Hector o viu jogá-la tão descuidadamente, cruzou olhares com sua amada, permitindo-se perder o foco por algum tempo. Algo dentro dela havia mudado, e inconscientemente ela fechou os olhos, compreendendo o que aconteceria a seguir. O pavor gravado em seu corpo pelo trauma deixado da última vez que se recusara a obedecer os pedidos daquele homem que sempre lhe protegia talvez a tivesse feito cerrá-los instantaneamente, amedrontada com as lembranças de seu sequestro. Duas pessoas amadas já haviam sido machucadas por sua causa, e ela não repetiria o mesmo erro outra vez.
Em questão de segundos, após privar-se de precisar testemunhar uma cena horrenda, o som de um único disparo foi ouvido naquele cômodo. As gotas de sangue respingadas em sua pele a fizeram ter certeza de que algum dos dois estava morto bem ali à sua frente. Ela definitivamente não tinha mais coragem de abrir os olhos; não naquele momento, ao menos.
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