Notas iniciais
Olá meus amorecos ♥ ♥ vim trazer mais um capítulo quentinho pra vocês~ espero que gostem :3 boa leiturinha!

Decepção. Essa era a única coisa que Pan conseguira sentir ao perceber que não era a pessoa por quem tanto ansiava encontrar. Na realidade, aquele nome não era nem mesmo familiar aos seus ouvidos. Uma leve pontada de desânimo atingiu seu peito, os ombros caíram, e um desinteresse tremendo em continuar a conversa tomou conta de seu interior, mas como não queria parecer grosseira, forçou um leve sorriso e voltou a fitá-lo tranquilamente, aguardando até que explicasse o motivo da aproximação repentina e cheia de uma intimidade que não deveria existir.

— Ruivinha, você já chegou! — A voz de Evan fez-se minimamente audível em meio à música alta e o som de burburinhos ao redor. Logo desviou o olhar para ele, prontificando-se a analisar sua fantasia. Um traje vermelho que fazia alusão à figura mais popular de um demônio; com seus chifres e rabo pontudo, além de um tridente chamativo de plástico.

À contragosto, Luca afastou-se alguns centímetros e pegou sua mão de forma galanteadora, depositando ali um simples beijo cortês para disfarçar o fato de que havia enfiado um pedaço de papel entre seus dedos.

— Parece que o diabo veio te buscar, mio angelo. — Murmurou enquanto a fitava enigmaticamente, sem desgrudar os lábios de sua pele. — Se bem que, conhecendo sua família, eu aposto que não vai demorar muito tempo até que você também esqueça a fantasia de anjo pra se tornar um demônio. — Concluiu com um sorrisinho vitorioso, sumindo no meio da multidão antes que pudesse ser interceptado pelo amigo da moça. Não queria levantar suspeitas, afinal.

— Quem era aquele esquisito? — O anfitrião questionou intrigado. — Ele tá dentro da minha casa e nem me cumprimentou.

Ela deu de ombros e colocou as mãos para trás no intuito de esconder o bilhete recebido. Não queria ninguém interferindo em sua vida, e principalmente, tinha medo de que a notícia pudesse chegar aos ouvidos de seu pai. Não precisava de uma dose extra de drama no seu dia-a-dia, e nem que outra pessoa fosse colocada na mira de sua família por uma simples conversa, ainda que suspeita.

— Não faço ideia. Ele só me perguntou aonde era o banheiro. — Inventou uma rápida mentira, desviando o olhar. Sabia que não era uma especialista nisso, mas tudo ficaria bem se evitasse contato visual. — Além disso — pigarreou, empenhando-se em mudar de assunto — a festa é sua, não era você quem deveria saber quem são os convidados?

— As minhas festas são muito populares na cidade, eu não tenho como controlar todo mundo que entra e sai daqui. — Demonstrou um enorme sorriso convencido, colocando o braço ao redor da cintura dela e puxando-a para si, no intuito de provocá-la. — Meus pais vivem reclamando que depois de toda festa alguma coisa valiosa some. Da última vez foi um prato raro da coleção da minha mãe.

— E eles não ficam bravos?

— Claro que ficam, mas eles vivem fora de casa e não conseguem fiscalizar quando eu vou dar uma festa ou não.

— Você é doido. — Riu, apoiando carinhosamente a cabeça em seu ombro. O gesto fez com que ele arqueasse as sobrancelhas em surpresa. Estava tão reclusa e distante ultimamente que qualquer tipo de aproximação repentina se tornava motivo para admiração. — Deixando isso de lado, você viu a Sarah? Eles me disseram pra vir aqui, mas não achei ninguém.

— Ah, verdade, a Isis reclamou do tanto de gente que ficava parando ela pra pedir fotos ou autógrafos, então mudaram o ponto de encontro pro quarto dos meus pais. Acho que eles querem jogar "eu nunca", você topa? — Perguntou. Ao vê-la prontamente assentir em resposta, estendeu a mão em sua direção e explicou: — é pra você não se perder, prometo que não tenho segundas intenções. — Sorriu.

Ela logo entrelaçou os dedos nos dele e se permitiu ser guiada pelo rapaz, passando com dificuldade pela aglomeração. Quando chegaram em frente à porta do local, ele cessou os passos e hesitantemente encarou-a por alguns segundos, como se tivesse algo entalado na garganta.

— O que foi? — Indagou preocupada.

— Escuta, ruivinha... — soou inseguro, tentando reorganizar os pensamentos. A amiga deu um leve aperto em sua mão para dar-lhe coragem, e então, aliviado, seguiu: — Me desculpa por ter te forçado a vir como minha acompanhante, ou ter escolhido sua fantasia sem te perguntar antes. Eu sei que fui egoísta, mas sei lá, eu só não aguentava mais te ver mofando naquele quarto. Eu senti sua falta. Todo mundo sentiu, na verdade.

— Tá tudo bem, de verdade. — Balançou sutilmente a cabeça. — Sabia que eu te via indo lá em casa todos os dias pela janela?

— O quê? Espera, então você viu tudo? Tipo... tudo?

— Sim, inclusive a sua briga com o papai. — Admitiu, permitindo escapar um sorrisinho que logo deu espaço à um lugar entristecido. De alguma maneira, imaginava que todas as pessoas por quem tinha apreço não eram suficientes para seu genitor, e isso a incomodava. — Evan, eu... — titubeou, ajeitando a postura para fitá-lo nos olhos. Não tinha noção do quanto sua mania de ser tão direta e sincera o deixava desconfortável, em especial quando o observava assim. — Eu agradeço muito por você não ter desistido de mim. — Deu um leve passo para frente, diminuindo a distância para abraçá-lo. — Obrigada por não ter me deixado lá sozinha, e obrigada por não ter me deixado continuar sendo uma fraca. — Terminou.

O garoto ficara sem reação, sendo capaz de apenas retribuir o carinho um tanto sem jeito. Se o ambiente estivesse mais iluminado, decerto o veria corar. Foram necessários alguns segundos até que ele se recompusesse, após coçar os cabelos e pigarrear para mascarar sua vergonha.

— Pra isso que servem os amigos, né? — Confortou-a com duas batidinhas nas costas, se esforçando pra manter o máximo de distância emocional possível. Embora estivesse muito contente, não podia assustá-la ao permitir que seus sentimentos românticos se expressassem. Por agora, seria apenas um bom amigo, porque era disso que ela precisava, e nada mais.

Antes que pudessem seguir conversando, a porta do quarto abriu-se em um estrondo, revelando um Chris sem camisa, sorrindo radiantemente com as bochechas ruborescidas; estava definitivamente afetado pelo álcool.

— Meu Deus, que susto, Chris! — A menina colocou uma das mãos acima do peito esquerdo, tentando amenizar a adrenalina que consumira seu corpo após ter sido tão bruscamente surpreendida.

— Para de graça, seu animal! — A voz de Alex soou estridente e animada. No mesmo minuto, uma almofada voadora golpeou a nuca do colega apoiado no batente, deixando-o atordoado.

Todos riram em uníssono com o teatro em questão. Pan sentiu-se extremamente aliviada ao ver que Alex havia voltado a brincar com o amigo de infância sem que as coisas ficassem estranhas entre eles. Aproveitando o clima descontraído, apressou-se em correr até eles para um abraço em grupo, causando um enorme alvoroço ao se jogar acima de todos. Naoki em especial não parecia muito alegre com a posição em que fora colocado, já que o haviam amassado sem piedade alguma.

— Eu senti tantas saudades de todos vocês! — Exclamou sorridente.

— E a gente se matando de preocupação por você, mas parece que nem precisava. — Isis comentou, desvencilhando-se de toda a bagunça. — Bem-vinda de volta. — Acrescentou, lhe direcionando uma piscadela amistosa.

— A gente também sentiu. — Kate recebeu-a com alegria, voltando ao lado de Isis no círculo formado pelos colegas; os ombros roçando nos dela, enquanto trocavam alguns olhares de flerte.

— Quem deixou vocês começarem o jogo sem o dono da casa? — Evan acomodou-se ao lado de sua acompanhante pela noite, vendo-a carinhosamente segurar as mãos de Sarah e apoiar a cabeça em seu ombro.

— Vai se foder, Evan. — Isis levantou o dedo do meio à ele em provocação, sendo prontamente respondida pelo mesmo gesto antes de sorrirem um para o outro.

— Enche o copo dos dois aí. Eles precisam sofrer igual todo mundo. — Alex ordenou à Chris, que logo buscou por mais dois copos de plástico e sentou-se para servi-los com vodca. — Coloca mais, tá com dó deles? — Ralhou, frustrada por ele tê-los enchido apenas até a metade do recipiente. Sem vontade de irritá-la, deu de ombros e obedeceu. — Melhor assim. Era a vez da Sarah, né?

— Minha vez? Tá bom, deixa eu ver... — pensou até que algo lhe viesse à imaginação, ajustando a postura ao ter uma ideia. — Já sei. — Esboçou um sorrisinho malicioso ao namorado e acrescentou: — eu nunca fiz parte de um clube de esportes no colégio.

— Que isso, minha linda? Eu já tô quase caindo de tanto beber. — Chris bufou ironicamente, descendo dois goles garganta abaixo. Pan, Evan e Alex fizeram o mesmo. — É a vez da Pan agora, né? — Fez uma careta e afastou o drinque de si. — Pelo amor, eu preciso me cuidar pro próximo jogo, não me faz beber mais esse troço horrível.

A próxima menina a lançar o desafio compartilhou um olhar cúmplice com a considerada irmã, ponderando se deveria torturá-lo um pouco mais ou ter piedade, porém ela gesticulou discretamente para pedir-lhe que não continuasse a fazê-lo sofrer, ainda que achasse graça.

— Eu nunca colei em uma prova. — Disse diretamente à Alex, que revirou os olhos e bebeu sem pestanejar. Kate timidamente bebericou de seu copo, surpreendendo a todos. — Sério? Você, Kate? — Soltou um rápido risinho abafado, sem conseguir acreditar.

— Em minha defesa foi só porque eu não suportava mais ver o Ethan no colégio todos os dias e só queria muito sair de férias. — Ela apertou as mãos uma contra a outra para esconder o nervosismo, e sua companheira instantaneamente colocou o braço ao redor de sua cintura para confortá-la. — Bom, vocês sabem o motivo, né...

A atmosfera tornou-se densa e o silêncio não tardou a tomar conta. Para não estragar a noite, Evan forçou uma risada maléfica exagerada e bateu seu tridente de plástico no chão, chamando a atenção de todos.

— Mortais fracos não servem nem pra lançar um desafio decente. No fim, o serviço sujo sempre fica para o diabo. — Falou em tom de zombaria, quebrando a tensão ao arrancar boas gargalhadas dos colegas.

— Você é ridículo. — Alex arremessou um travesseiro em seu torso, ao mesmo tempo que Chris chutou-lhe o calcanhar.

— Então é assim que vocês tratam o rei do inferno? Tranquilo, as almas de vocês me pertencem agora. — Curvou a boca em malícia, apontando com o indicador para cada um dos integrantes do círculo. — Todos vocês, sem exceção, eu vou fazer todos vocês saírem daqui bêbados, seus babacas. — Cruzou os braços, esfregando as mãos como se estivesse prestes a executar um plano maligno. — Eu nunca tive vontade de ficar com alguém dessa roda. — Terminou, com as sobrancelhas levemente arqueadas para demonstrar uma expressão triunfante.

Como esperado, quase todos levaram o copo aos lábios, entretanto, no instante que prontificou-se a dar uma leve checada na mocinha de cabelos escarlate ao seu lado, percebeu que fora a única a permanecer estática, sem tocar em sua bebida, deixando-o ligeiramente decepcionado. Tinha ciência de que o coração dela estava em outro lugar, e por mais que lhe custasse muito, respeitava sua decisão.

— Pera aí, pera aí, para tudo! — Isis levantou a voz, já afetada pelo álcool. — O Naoki bebeu!

E foi aí que o grupo inteiro caiu em si e direcionou olhares admirados ao rapaz, que não ficou muito confortável em tornar-se o centro das atenções, e menos ainda com o questionário ou as provocações intermináveis que fizera questão de ignorar.

— Minha vez, né? — Empenhou-se em mudar de assunto, desviando o foco de si mesmo. Alguns reviraram os olhos e permitiram sua fuga por agora, mas sabia que seria incomodado por isso mais tarde. — Vamos ver... — olhou ao redor, buscando por algo que o ajudasse a se vingar pelo alvoroço — eu nunca beijei alguém. — Comentou despreocupado, deleitando-se por ter noção de que seria o único a não tomar nada.

— Sério que você nunca beijou ninguém? Tipo, ninguém mesmo? — Isis questionou intrigada, recebendo um aceno afirmativo como resposta. Ela chegou até mesmo a estranhar a atitude de Evan, que ficara em silêncio sem se importar com aquele fato. Antigamente seria típico dele zombar sobre essas coisas, então parecia ter amadurecido um mínimo, afinal. — Bom, já que você e o dono da casa quiseram ferrar todo mundo, vamos seguir na mesma linha, né? Eu nunca... continuei virgem até hoje. — Sorriu ladina.

Pan e Naoki beberam.

— Sarah, você precisa beber também, não adianta fugir. — Kate brincou, empurrando a garrafa de vodca até ela.

— Não, eu... — Desviou o olhar até os pés, timidamente respirando fundo para acrescentar: — eu não me encaixo nisso.

— Espera, você e o Chris já... — Parou no meio da pergunta, fitando-a curiosamente. Se eles haviam dormido juntos, obviamente seria o assunto do momento e gostariam de saber.

O presidente do grêmio sinalizou negativamente com a cabeça sem que a namorada pudesse ver, requisitando sigilosamente que encerassem o assunto. Estavam sendo intrometidos com coisas que não lhes dizia respeito, e principalmente, deixando-a chateada. Seguir insistindo nisso estava fora de cogitação.

A melodia do celular de Evan ecoou pelo recinto, e antes que o clima piorasse naquela quietude constrangedora, ele afastou-se para atendê-lo, ficando longe por mais de cinco minutos até voltar ao círculo esboçando um semblante exausto.

— O que aconteceu? — Seu melhor amigo inquiriu preocupado.

— Minha mãe acabou de me ligar falando que a minha prima ainda não chegou no hospital pro plantão de enfermagem. Ela estava de saída bem na hora que a ruivinha chegou, e isso já faz muito tempo, então eu tenho medo de ter acontecido alguma coisa no caminho. Ultimamente... — hesitou, desviando o olhar até a primogênita dos Stracci — bom, ultimamente várias coisas esquisitas andam acontecendo com o nosso grupo.

— Não precisa me olhar assim. Ela deve estar com o Diego. — Respondeu com indiferença. — Quando a gente chegou ele foi conversar com uma mulher vestida de enfermeira que me parecia familiar, aí eu lembrei que ela já cuidou do papai uma vez. Acho que é a sua prima. — Acrescentou, vendo-o suavizar as linhas de expressão antes marcadas pelo estresse.

O anfitrião revirou os olhos e voltou a falar:

— Até a minha prima? Esse cara não tem limites, não? — Ralhou, retirando-se apressadamente do quarto no intuito de procurá-la. Estava muito cansado para submeter-se a ouvir sermões de seus pais por ser supostamente uma péssima influência para a moça, em especial após descobrir que ela, aparentemente, havia caído nos encantos de um criminoso.

Pan e Sarah sentiram-se responsáveis pela bagunça, portanto o acompanharam na intenção de ajudá-lo a buscar pela parente desaparecida. Chris também obrigou-se a fazer o mesmo, temendo pela briga que pudesse vir a acontecer. Na pior das hipóteses, ao menos poderia separá-los.

Concidentemente, não demorou muito até que os encontrassem, já que a mulher em pauta estava saindo ofegante de seu quarto, com as vestes completamente bagunçadas, os sapatos na mão e os cabelos emaranhados pelo suor. Diego apareceu logo após, segurando seu terno enquanto terminava de abotoar a camisa amarrotada com a mão livre; estava certamente cansado devido à respiração descompassada.

— Eu não acredito nisso, Diego. — Sarah o repreendeu, fazendo-o sobressaltar com o susto. Assim que fizeram contato visual direto, ele curvou marotamente os lábios como se estivesse orgulhoso de sua proeza, arrancando-lhe um suspiro decepcionado. Era como se o rapaz não conseguisse manter as calças no corpo nem ao menos por cinco minutos.

— Tenha uma boa noite de trabalho, bella ragazza. — Despediu-se da moça ao beijar-lhe pouco abaixo da orelha esquerda; muito próximo ao seu pescoço. Ela riu graciosa e gesticulou mostrando que esperaria uma ligação, acelerando o passo rumo à porta para não ser confrontada por seu primo, aparentemente mal-humorado. Depois de vê-la sumir na multidão, direcionou sua atenção aos jovens e acrescentou em um tom galanteador: — E aí gatinhas? — passando, aqui, para uma entonação mais neutra e fria: — Rapazes.

— Você tá namorando a minha prima, cara? — Evan o confrontou.

— Quê? É óbvio que não. — Riu suavemente, acenando negativamente com a cabeça. — Eu não tenho tempo nem vontade de me relacionar a sério com alguém.

— Então foi só sexo casual e você vai deixar ela pensando que vai receber uma ligação sua no dia seguinte? — Cruzou os braços irritado, encarando-o com o sobrolho franzido.

— Não adianta vir bancar o protetor pra cima de mim, porque você vive dizendo que odeia a sua prima. — Retrucou, ainda sem perder a curva irônica nos lábios. — Os seus pais me conhecem e sabem que eu não presto, então toda vez que ela decidir fazer birra pra eles querendo te ferrar, é só me usar pra fazer chantagem. — Deu-lhe uma leve apertadinha cúmplice no ombro e seguiu: — E se me perguntarem, eu confirmo a história.

— Quer saber? — O dono da residência avizinhou-se, retribuindo o gesto. — Eu até que gosto de você. — Eles se cumprimentaram como se fossem amigos há séculos, arrancando gargalhadas de Chris e Pan, embora Sarah conseguisse apenas achá-los ridículos. — Já que o jogo acabou e todo mundo foi lá pra pista de dança, você quer ir também, ruivinha? — Ofereceu, pegando com carinho a mão da amiga. Ela concordou, imaginando que pudesse ser divertido.

— Eu vou com eles, pombinhos. Divirtam-se. — Diego direcionou uma piscadela ladina ao casal deixado para trás, antes de descer rumo à mesa de bebidas.

— Foi com ele, né? — Chris comentou sem jeito, apontando com o queixo em direção ao guarda-costas delas pela noite. A namorada sentiu o coração falhar uma batida e se pôs a fitar o chão, assentindo timidamente. — Eu já imaginava. Ele dá em cima de todas as mulheres que aparecem na frente dele, mas o jeito que ele olha pra você é... não sei, é diferente. Você acha que ele ainda tem sentimentos por você?

— Quê? — Ela riu, gesticulando exageradamente de forma negativa com as mãos, achando a pergunta um tanto absurda. — Óbvio que não, ele é praticamente uma pedra de gelo. Não ouviu ele dizendo que não faz o tipo de cara que namora? O Diego é incapaz de sentir qualquer coisa romântica, e além disso... — titubeou, precisando de uma pausa para continuar — nós nunca tivemos um relacionamento, foi só uma besteira que eu fiz quando era mais nova. Todo adolescente faz alguma idiotice na vida, né? Bom, eu já esgotei a minha dose.

— Como assim? — Arqueou as sobrancelhas confuso, propondo-se a entrelaçar os dedos nos dela, carinhosamente apertando sua palma no intuito de demonstrar-lhe que não a julgaria e que estava ali apenas para escutá-la se quisesse compartilhar sua história.

— Já fazem alguns anos, mas aconteceu no natal. Meus pais biológicos ligaram pra família da Pan desejando felicitações e já indo direto para os negócios, e depois de duas horas de conversa, a Alice me ofereceu o telefone e eu aceitei. Honestamente, nem sei por que eu aceitei. A primeira coisa que a minha mãe fez foi me chamar de folgada por estar me aproveitando dos parceiros de negócios deles, e a segunda foi me chamar de ingrata depois de eu reclamar que ela nem me perguntou como eu estava ou me desejou feliz natal. — Afundou-se contra o corpo dele, aconchegando-se em um abraço necessário. — Eles acham errado eu querer cobrar afeição sendo que eles me dão dinheiro o suficiente pra viver sem trabalhar pelo resto da vida.

— Não é errado, você tem todo o direito do mundo de cobrar isso deles. — Beijou o topo de sua cabeça para confortá-la. — Eles são uns idiotas por não valorizarem essa mulher maravilhosa.

— Eu não guardo mais rancor, porque agora tenho uma família muito amorosa. Seria egoísmo meu reclamar. — Perdeu-se nos próprios pensamentos, voltando de seus devaneios após limpar a garganta. — E resumindo a história, aquela ligação me fez perder toda a vontade de comemorar o natal, então eu desliguei e saí correndo de casa pra chorar em um parque que eu sempre ia quando ficava chateada e não queria que a Pan se preocupasse. O Diego me encontrou e eu tive a brilhante ideia de dormir com ele só pra tentar irritar os meus pais. — Suspirou chateada, apertando ainda mais o abraço. — Eu só queria que eles demonstrassem alguma coisa por mim, mesmo que só fosse pra me dar bronca. Você tá decepcionado comigo?

— Sarah, minha linda, eu não tenho motivo nenhum pra ficar decepcionado com você. — Passou os dedos entre os cabelos dela até que chegassem à sua bochecha, emoldurando seu rosto carinhosamente. — Eu também não sou virgem, e o que você fez antes de começar a namorar comigo não é da minha conta. Eu nunca te julgaria por uma coisa dessas.

Ela sorriu satisfeita e puxou-o pela gola da fantasia para beijá-lo com vontade, roçando as unhas em seu abdômen na intenção de provocá-lo. Depois de se afastar, apressou-se para encontrar os outros no andar de baixo, sem dar-lhe brechas de abrir o bico sobre o ocorrido. Ele demorou um instante para assimilar aquela ação tão súbita e nada desagradável de sua parceira, alegremente seguindo-a depois de finalmente acalmar os ânimos e voltar à realidade.

Pouco mais de duas horas da manhã, Diego recebeu uma ligação nada agradável de seu padrinho, ordenando-o que levasse urgentemente as suas filhas de volta. Tudo o que ele queria era continuar festejando até o nascer no sol e acordar na cama com alguma outra desconhecida, contudo não tinha outra opção senão obedecê-lo se quisesse viver até os trinta anos. Seus ombros caíram em decepção e prontamente arrastou as meninas até o carro, sendo obrigado também a aturar Evan e Chris que insistiram em acompanhá-las até a porta, não confiando nele para levar duas bêbadas em segurança.

Em frente à sua casa, Pan deparou-se com a figura de um Hans nada contente, aguardando-as com um charuto entre os dedos e as costas apoiadas no portão. Seu olhar cruzou-se com o dele assim que colocara os pés para fora do veículo de mãos dadas com Evan, sendo inevitável notar as veias marcadas na testa de seu pai com a raiva de presenciar a cena.

Bambina... — A voz rouca e imponente daquele homem tinha uma pontada de decepção ao vê-la tão empenhada em ignorá-lo. Também não era como se estivesse pulando de alegria com o fato de que, quando a pessoa mais querida em sua vida finalmente decide colocar os pés para fora do quarto outra vez depois de tanto tempo, ela apareça em sua frente fedendo à álcool e de mãos dadas com um garoto; em especial aquele garoto.

— Boa noite, senhor. — O acompanhante de sua filha adotiva estendeu a mão em um gesto formal para cumprimentá-lo, embora estivesse muito nervoso em sua presença.

O Don deu uma longa baforada em seu tabaco e deixou a fumaça sumir na penumbra da noite antes de retribuir o gesto. Quando voltou a encarar o jovem que havia tentado matar há poucos dias, arqueou as sobrancelhas desconfiado, buscando por um motivo plausível que fizesse sua primogênita envolver-se apenas com sujeitos problemáticos que ele veemente desaprovava.

— A questão da bebida eu vou ignorar até amanhã, mas... — jogou o charuto no asfalto, pisoteando-o e ajeitando o paletó para não perder a compostura. Se pudesse, já teria sacado seu revólver novamente para expulsá-lo, mas de alguma forma, pensava que o rapaz tinha alguns colhões de aparecer ali depois de seu último encontro. — Eu já não te disse para não voltar na minha casa, garoto?

— Eu não vou deixar você expulsar os meus amigos assim, papai. — Pan bufou, encarando-o de maneira desafiadora. Era provavelmente a primeira vez que o contestara tão seriamente.

— Você tem companhias melhores. — Moveu os olhos até Chris, analisando-o de cima à baixo. — Esse daqui, por exemplo, é aceitável, mas esse daí... — agora voltou até Evan — é desrespeitoso, arrogante e imaturo. Eu não quero que você tenha esse tipo de amigos.

— Então se eu parar de ser amiga dele tudo bem, né? Tá bom. — Deu de ombros, curvando a boca ladinamente.

— "Tá bom"? É só isso? — O colega em questão repetiu chateado, sentindo que, para ela, sua amizade não valia absolutamente nada.

— É, só isso. O papai disse que não quer que eu seja sua amiga, então eu não vou ser. — Reafirmou sua decisão, sorrindo como uma criança em um dia festivo. — A gente se vê amanhã?

— Espera, o quê? Você não quer ser minha amiga, mas quer me ver amanhã? — Indagou confuso, franzindo o cenho. Todos os outros ao redor também pareciam não ter compreendido nada.

— Sim, amanhã você vai me buscar pro nosso encontro, né? — A garota perguntou em um timbre inocente e desinteressado, aproximando-se ainda mais dele. — Quer dizer, o papai disse que nós não podemos ser amigos, mas eu não ouvi ele falar nada sobre eu ser sua namorada. — Acrescentou com um sorrisinho desafiador, apoiando a cabeça no braço dele para demonstrar estar flertando. Ele instantaneamente arregalou os olhos e quase engasgou com o ar, completamente surpreso com aquela frase tão repentina e perigosa.

Hans estreitou um pouco os olhos e cerrou os dentes, aparentemente muito irritado, embora fosse complicado desvendar suas verdadeiras emoções por trás do semblante gélido.

Pan nunca fora a maior fã de brigas, entretanto, permitir que seu pai continuasse controlando cada passo seu e lhe retirasse outro amigo importante estava fora de cogitação. Se o único jeito de fazê-lo entender que não era mais aquela garotinha frágil e que não poderia mais seguir interferindo em suas escolhas pessoais era entrar em uma guerra, então ela definitivamente faria o possível para sair vitoriosa dela.

Notas finais
Eita que agora o Hans não tá feliz não. Será que o Evan morre? HIFUDSHFDSOFH, tudo bem que ele ofereceu deles começarem um relacionamento falso pra irritar o Hans, MAS ELA PODIA TER AVISADO NÉ KKKKKKKK PELO MENOS ELE SE PREPARAVA PRA ESSA SITUAÇÃO SCRR.