Notas iniciais
Olá meus amores ♥ destinos cruzados acaba de passar da metade, e eu vim trazer mais um capítulo fresquinho pra vocês! Muito obrigada por continuarem me acompanhando, de verdade, significa muito pra mim!! Espero que gostem, boa leiturinha ♥ ~

Vacilar era inadmissível. Demonstrar qualquer sinal de fraqueza ou chateação apenas o faria se sentir ainda mais miserável, e isso definitivamente era a última coisa da qual Hector precisava naquele instante. Percebendo o olhar de sua amada tão cheio de culpa e dúvidas após ter saído apressadamente daquela piscina, ele retirou o terno e envolveu-a com cuidado, sem permitir se aproximar mais do que deveria. Já estava mais do que na hora de aceitar a impossibilidade de ficarem juntos.

— Sua irresponsável. — Repreendeu-a em tom gélido. — Você mal voltou para casa depois de ter sido sequestrada uma vez e qual é a primeira coisa que você faz? Sai correndo sozinha por aí no meio de uma tempestade. — Acrescentou, fazendo questão de demonstrar sua frustração em cada palavra. Rapidamente puxou-a para perto de si, como se sinalizasse que iriam embora imediatamente.

— Foi minha culpa. — Evan interveio no intuito de ajudá-la. De alguma forma, sentia-se um idiota por tê-la feito correr desprotegida até ele, porém, por outro lado, não conseguia evitar ficar ao menos um pouco contente por saber que ela havia se arriscado apenas para vê-lo. — Não precisa ser tão duro com ela.

— É melhor você calar a boca e não se meter nos assuntos que não te dizem respeito, criança. — Hector retrucou com rispidez. Era inconcebível que um forasteiro se envolvesse e tentasse contestar sua autoridade, dada à ele por seu próprio chefe e pai da garota. Em sua concepção, deixar que ela continuasse a ser tão descuidada sem receber punições era como jogá-la diretamente aos lobos e observá-la ser devorada lentamente pela própria estupidez. — Eu não acredito que você se colocou em perigo por um moleque desses. — Colocou uma das mãos na testa e negou com a cabeça, decepcionado.

— E você não consegue acreditar por quê? — O rapaz diminuiu a distância entre eles, quase como se tivesse o intuito de provocar uma briga. — É tão frustrante assim que um cara mais novo tenha coragem de fazer em um mês algo que você não conseguiu fazer a vida toda? — Provocou, referindo-se ao beijo. O mais velho quase cedeu. Por um instante pensou seriamente em manchar as águas cristalinas daquela piscina com o vermelho do sangue daquele jovem, porém como poderia ser tão infantil à ponto de se deixar levar pelas emoções dessa forma? Não. Seu treinamento árduo e quase mortal não lhe permitiria isso. Ele não cederia por uma besteira dessas.

— Eu particularmente não me importo com as merdas que vocês adolescentes fazem, e sinceramente, eu acho bom que a garota tenha encontrado um passatempo interessante — Encarou-o de cima à baixo, indicando que ela o via apenas como um entretenimento; que não sentia nada por ele — mas à partir do momento que suas idiotices prejudicam o meu trabalho, isso passa a ser um problema que eu infelizmente sou obrigado a resolver. — Completou sem modificar o timbre nem mesmo por um mísero tom. Era impassível. Cada palavra era mentira, porém o que poderia fazer? Se deixar sucumbir aos sentimentos de modo miserável e admitir que vê-la ser tocado por outro fazia-lhe sentir a dor de ser atingido no peito por mil lâminas? Jamais. Fraquejar novamente seria a sua sentença de morte, e apoiar-se no alívio de poder finalmente desistir de tentar conquistá-la era o único resquício de esperança que ainda o mantinha mentalmente estável por enquanto.

— Me desculpa, Hector. — Ela rumorejou arrependida; a voz fraca e baixa como a de uma criança ciente de que havia errado e agora não sabia como consertar a besteira. Se antes a dor que o afligia era equivalente a mil lâminas, agora eram mil e uma. — Eu sei que te dou trabalho.

— Sim, você me dá muito trabalho. O que você quer que eu diga, Pan? — Inquiriu sem levantar o tom, mantendo a calma que tanto lutava para demonstrar. Fitou-a como se conseguisse ver até mesmo seus ossos, deixando-a minimamente assustada. Nunca o havia visto tão indiferente à suas atitudes. — Quer que eu diga que está tudo bem, que o mundo é cor-de-rosa e que nada vai acontecer com você? Merda nenhuma, e você sabe por quê? — respirou fundo e cruzou os braços antes de seguir: — Por que eu acabei de te buscar no esconderijo de um psicopata, e mesmo assim você continua sendo uma criança imprudente, sem consciência de que as coisas que você faz podem prejudicar todas as pessoas ao seu redor.

— Espera aí, cara, também não é assim. Eu já disse que boa parte da culpa foi minha. — Evan tocou o braço daquele homem na tentativa de defendê-la e apaziguar a situação.

— E eu já te disse pra calar a boca antes que eu corte a sua língua fora. — Recou bruscamente o braço, quase como se tivesse nojo de ser tocado por ele. — E sinceramente, se não fosse pela filha do meu chefe eu já tinha feito isso há muito tempo. — Alertou entre dentes, segurando-se para não retirar sua faca favorita do bolso e picotá-lo em vários pedaços antes de jogá-lo na água. — Você vem comigo, e dessa vez sem gracinhas. — Segurou a mão da menina com alguma força; sem toda aquela delicadeza de sempre, embora sem machucá-la, abrindo o guarda-chuvas que havia trazido consigo e levando-a até o carro, sem permitir que se despedisse do amigo. Já estava enlouquecendo com todo aquele drama adolescente.

Ela não ousou abrir os lábios para dizer uma única palavra durante o trajeto, contentando-se em observá-lo pelo retrovisor interno enquanto ficava imersa nos próprios pensamentos. De alguma maneira, em seu interior, sabia perfeitamente que não deveria ter saído sozinha por aí, porém a imagem de seu amigo aguardando-a tão pacientemente em meio àquela tempestade fez com que todos os seus neurônios parassem de funcionar e dessem espaço à adrenalina que percorrera seu corpo, preocupada com o fato de tê-lo feito esperá-la por muito tempo.

Hector, por outro lado, estava completamente frustrado consigo mesmo. Como poderia deixar que uma adolescente tomasse conta de seu corpo e alma daquela forma? Já tinha perdido as contas de quantas mulheres haviam passado por seus lençóis, porém mesmo assim, nenhuma delas jamais conseguira tapar o buraco que ele tão desesperadamente tentava encobrir; o buraco que aquela menina tão irresponsável havia deixado desde a primeira vez que se encontraram. Era como se, à força, ela o estivesse atormentando apenas para provar que, não importa o que ele faça ou com quem ele faça, nunca será o suficiente para esquecê-la e seguir com sua vida.

— Pan! — Sarah recebeu-a calorosamente assim que colocara os pés para fora do carro, em frente à sua casa. Ela permitiu-se ser envolta no abraço da amiga, consciente do quanto precisava desesperadamente de consolo. — Você tá encharcada, o que aconteceu? — Afastou-a para observá-la corretamente, arqueando as sobrancelhas em surpresa.

— Eu tomei um pouquinho de chuva. — Esboçou um sorriso sem graça, com os olhos vidrados em Hector enquanto subia as escadas em direção à seu quarto, tão friamente ignorando-a com todas as forças. Ela suspirou e também decidiu caminhar até seus aposentos, decidindo não importuná-lo mais. — Eu senti tanto a sua falta.

— Eu também. A casa fica tão vazia sem você. — Respondeu melancólica, sendo invadida pelas lembranças do dia em que quase perdera sua melhor amiga. Seu coração chegava a apertar dolorosamente.

Elas aproveitaram a deixa para tomarem um banho juntas, como nos velhos tempos. Pan, em especial, precisava imergir o corpo em água quente se não quisesse pegar um resfriado, portanto era a melhor opção para que pudessem jogar conversa fora e matar a saudade uma da outra. Conseguiam matar dois coelhos com uma cajadada só.

Depois de vestida e já preparada para dormir, ela decidiu descer até a cozinha na intenção de beber alguma coisa. Seu corpo fora tomado por uma onda gélida no instante que colocou os olhos em Hector, buscando pelas chaves de seu carro na sala principal. Não sabia como iniciar uma conversa, e na realidade, não sabia nem ao menos se tinha o direito de iniciar uma conversa. Seu peito parecia querer explodir com todas as emoções acumuladas ali, querendo sair em forma de choro; grito; talvez até mesmo um sorriso desesperado ou então um abraço aflito. Ela não sabia como deveria se portar diante dele após sua briga à tarde.

— Pode perguntar. — A voz dele ecoou cansada pelo cômodo silencioso, fazendo-a sobressaltar com o susto. Molhara até mesmo a mão com um pouco de suco, já que o copo estava cheio. — Eu sei que você quer me perguntar alguma coisa. — Completou, ainda sem olhar para a moça.

— Eu só... — apertou um pouco as mãos contra o vidro que segurava, na tentativa de conter o nervosismo — queria saber se você vai sair. — Acrescentou hesitante.

O mafioso encarou-a pelo canto dos olhos, empenhando-se em manter o mínimo de contato visual possível. Não sabia se aguentaria ver sua expressão chateada outra vez. Após vestir seu casaco, enfiou as chaves no bolso e abriu a porta, liberando a entrada da ventania que se manifestava do lado de fora.

— Preciso resolver algumas coisas do trabalho. — Mentiu de um jeito apático. Sabia que provavelmente acabaria se afogando em uísque e tabaco, e consequentemente dormiria com Pietra, a mulher à quem sempre concedia uma visita todas as vezes que precisava refugiar-se de seus sentimentos pela filha de seu Don.

— E nós vamos ficar sozinhas? — Perguntou agoniada, experienciando um arrepio por todo o seu corpo ao lembrar-se do acontecimento com Vincenzo. Ele instantaneamente percebeu seu medo.

— Eu não consigo te entender, sinceramente. — Suspirou fatigado, ainda com o olhar fixo no asfalto da rua afora. — Se tem tanto medo de ficar sozinha, por que saiu correndo daquele jeito?

— Eu já pedi desculpas. — Murmurou entristecida; pondo-se cabisbaixa. — Quando imaginei que talvez um amigo meu pudesse estar na chuva por minha causa, o meu corpo se mexeu sozinho. Eu não pensei direito. — Esclareceu.

— Esse é o problema, Pan. Você nunca pensa. Não pensa nas pessoas que vão sofrer caso alguma coisa aconteça com você. — Hesitou, quase deixando-se levar pela enorme vontade de fechar aquela maldita porta e voltar ali para abraçá-la; talvez dizer tudo o que vinha guardando há tanto tempo. Para se conter, cerrou o punho e respirou fundo, evitando encará-la. — O Diego vai cuidar de vocês duas enquanto eu estiver fora. — Terminou apressado, fechando a porta atrás de si ao sair. Se ficasse ali mais um único segundo sequer, possivelmente acabaria fazendo alguma besteira.

— Então o Diego vai ficar com a gente? — A voz de Sarah fez-se audível, enquanto descia as escadas com os pés descalços. — Desculpa por ouvir a conversa, você estava demorando então eu quis ver se alguma coisa tinha acontecido.

— Não tem problema. — Ela acenou com a cabeça, sinalizando que não se importava. Logo esboçou um sorriso de canto bem fraco; ainda um pouco entristecida pelas brigas que tivera com Hector, tanto agora quanto mais cedo. — O Hector disse que sim, o sobrinho do tio Sandro vai ficar com a gente. Você já conhece ele, né?

— Sim, nós já nos conhecemos faz um tempo. — Assentiu com certo desconforto. Talvez a relação entre eles não fosse tão boa assim? Ou então, será que tinha algo a mais entre eles? — Ele é... bom, ele é bem diferente do Hector, isso com certeza. — Completou.

— Boa noite, mocinhas. Eu vou cuidar de vocês hoje. — Uma voz masculina ecoou pelo recinto, surpreendendo-as. Ele prontamente pendurou seu sobretudo no mancebo da entrada e trancou a fechadura para que ninguém mais pudesse entrar na residência; ao menos ninguém que não fosse permitido por seu chefe. — Meu tio ficou ocupado com o depósito, então as funções mais básicas sobraram pra mim. — Brincou, colocando algumas sacolas acima da mesa de jantar.

Diego era diferente dos outros homens da família. Ele não emanava aquela aura ameaçadora e inaproximável, muito pelo contrário, tinha um semblante alegre e descontraído, bem amistoso e acolhedor. Também era muito bonito e jovem, seguramente não era muito mais velho do que as duas moças ali presentes. Seus cabelos eram de um tom louro escuro, além de serem um tanto ondulados, assim como os de seu tio. A pele era pálida, e as sobrancelhas grossas. Os olhos castanhos eram ladinos e penetrantes; ele definitivamente exalava uma atmosfera charmosa de casanova, com suas roupas elegantes, embora não tão formais. Aparentemente tinha preferência pelas jaquetas de couro ao invés de ternos caríssimos.

— Você tem quase a nossa idade mesmo. — Pan admirou-se. Há anos tinha vontade de conhecê-lo, mas por algum motivo, nunca teve a oportunidade, diferente da amiga que já o conhecia e inclusive era, de certa forma, próxima dele. — Não parece ser malvado igual todo mundo que trabalha pro papai.

— Eu não tenho motivo pra ser malvado com duas moças tão bonitas. — Comentou galanteador, demonstrando uma curva marota nos lábios. Sarah teve uma atitude defensiva e colocou-se à frente da considerada irmã, quase como se lhe dissesse para não se aproximar muito. Ele deu de ombros um tanto desapontado e seguiu: — Bom, de qualquer forma, eu fui informado de que as gatinhas ainda não comeram, então eu trouxe comida. É do restaurante preferido do chefe. Se precisarem de qualquer coisa, eu vou estar no quarto de hóspedes, pra deixar vocês duas à vontade pela casa. — Terminou, direcionando-lhes uma piscadela insinuativa antes de afastar-se.

Elas agradeceram e sentaram-se à mesa, famintas e ansiosas. Pan, em especial, sentia-se tão exausta pelos acontecimentos anteriores que podia jurar que comeria até mesmo um cavalo inteiro. Vez ou outra Sarah a olhava de modo questionador, indecisa se deveria ou não perguntar-lhe sobre a discussão que tivera com Hector anteriormente.

— Pan? — Chamou seu nome em tom baixo e inseguro, fazendo-a olhar em sua direção. — Aconteceu alguma coisa hoje? Eu ouvi o Hector dizer que você tinha saído sozinha por aí.

Ela encolheu os ombros entristecida e respirou fundo antes de contar-lhe tudo sobre aquela tarde, desde a visita ao seu pai até o momento do beijo com Evan, não deixando escapar nenhum detalhe. Sarah ouviu-a atentamente, criando alguns pensamentos odiosos em relação àquele garoto, em especial por já tê-lo avisado que não brincasse com o coração daquela menina. Ela não era como as tietes que dariam tudo para conseguir passar a noite em seus lençóis, porém ele agia como se a tivesse sob seu controle. Isso fazia seu sangue ferver.

— Ele está certo em ficar bravo com você — murmurou acanhada, estendendo sua mão em direção à dela e tocando-a com carinho — eu não sei se aguentaria te perder outra vez. Foi o pior tipo de sofrimento pra mim. — Argumentou com doçura, esboçando um sorriso cansado. — E já que estamos sendo sinceras aqui, eu preciso te contar sobre uma coisa que aconteceu enquanto você esteve fora...

— O que aconteceu? — Arqueou as sobrancelhas em curiosidade, dando-lhe sua completa atenção.

— Eu meio que... — hesitou, mordiscando os lábios e desviando o olhar até o chão — beijei o Chris. — Aqui seu tom ficara mais baixo, torcendo para que ela não a tivesse ouvido.

— O quê? — Exaltou-se, com os olhos arregalados. — Você e o Chris? É sério? — Gargalhava alegremente, já se esquecendo de todos os seus problemas.

— Foi ótimo. — Admitiu, suspirando apaixonada ao lembrar-se do momento mágico que dividiram juntos. — Ele é ótimo. — Acrescentou em um sussurro, lutando para esconder a curva satisfeita que tanto queria aparecer em seus lábios. Seus olhos brilhavam de uma maneira única, que a amiga nunca havia visto.

— Mas?

— Mas... eu não posso magoar a Alex, e não quero me magoar também. — Apoiou a bochecha no punho para demonstrar seu desânimo, permitindo que um suspiro se esvaísse de seus lábios.

— Eu nunca nem imaginaria. Vocês mal se falam.

— Começou na première da Isis, quando todos se separaram. Ele foi a primeira pessoa que eu encontrei, e nós passamos um tempo juntos, foi tão natural, mas eu não sei se posso confiar nele.

— O Chris é um ótimo amigo, não consigo ver ele te fazendo mal. — Apertou a mão da colega para confortá-la, recebendo como resposta um fraco sorriso forçado. — Eu sei como é difícil pra você se abrir com as pessoas, então ele deve ser bem especial. Eu quero que você seja feliz.

— Eu te amo, Pan. — Abraçou-a com carinho, contente por tê-la ao seu lado em momentos como aquele.

— Eu também te amo. — Apertou-a ainda mais, colocando-se a sussurrar: — E acho que você deveria falar com ele amanhã.

A amiga, apesar de incerta, assentiu. Sabia que as coisas não poderiam continuar assim entre eles, e acima de tudo, ela havia prometido que conversariam assim que a poeira abaixasse, portanto não seria ela quem quebraria aquela promessa. Pela manhã, ela partiu em busca do capitão do time de futebol do colégio, na intenção de finalmente resolver aquele assunto incompleto entre eles. Assim que o encontrou sozinho na sala do grêmio, organizando alguns papéis após uma reunião do conselho estudantil, respirou fundo e deu duas leves batidas na porta para anunciar sua chegada.

— Sarah? — Ele admirou-se ao vê-la encostada no batente. Não demorou muito para que largasse tudo o que estava fazendo para aproximar-se, permitindo-a tomar conta de toda a sua concentração. — Tem alguma coisa que eu possa fazer por você? — Questionou esperançoso. Seus olhos cintilavam.

— Eu acho que nós precisamos conversar. — Murmurou, desviando o olhar até o chão.

— Sim, eu concordo. — Puxou-a suavemente pela mão até o interior do cômodo e trancou a porta para que pudessem ter algum tipo de privacidade. Logo arrastou duas cadeiras até que ficassem bem próximas e sentou-se ao lado dela, fitando-a com ternura antes de iniciar conversa: — Escuta, eu quero muito que você saiba que eu realmente não queria te forçar a nada, e que tá tudo bem você não sentir a mesma coisa por mim, de verdade.

— Não é isso. — Acenou negativamente com a cabeça e mãos, respirando fundo para seguir: — Não é que eu não sinta nada por você, é só que...

— Você não confia em mim. — Ele deixou cair os ombros, decepcionado.

— É um dos motivos, sim. — Ela admitiu receosa. — Eu nunca... gostei de ninguém dessa forma.

— Espera, "um dos motivos"? Tem mais? — Perguntou chateado. Não conseguia acreditar que ela tinha inúmeros motivos para rejeitá-lo. — Eu sou tão ruim assim?

— Não, não! O outro motivo não é você.

— Como assim? — Franziu o cenho, confuso com aquela afirmação. Como poderia existir um motivo para que ela o rejeitasse sem que aquilo o envolvesse? Não fazia sentido algum.

— É que eu nunca poderia roubar a felicidade de uma amiga assim. — Explicou, voltando a encarar os próprios pés para disfarçar seu nervosismo. Não sabia se era a coisa certa a se fazer, mas precisava ser sincera com ele, e não podia continuar arrastando essa situação toda.

— Roubar a felicidade de uma amiga? — Ponderou por alguns segundos, tentando compreender o verdadeiro significado daquela frase, até que seus olhos se arregalassem em surpresa, deixando seus lábios semiabertos por um instante. — Espera, a Pan...

— Não, Chris, é claro que não é a Pan. — Interrompeu-o antes que pudesse falar alguma besteira, apoiando uma das mãos no antebraço do rapaz para fazê-lo se acalmar e escutá-la. — É a Alex. A Alex gosta de você, e eu não posso fazer isso com ela.

O presidente do grêmio entrou em um breve estado de choque, sentindo o coração falhar uma batida e as mãos começarem a suar frio. Repetiu várias e várias vezes a frase que havia acabado de ouvir em sua cabeça, pedindo à todos os céus para que aquilo fosse uma brincadeira de péssimo gosto, ou então um pesadelo do qual ele pudesse acordar.

— O quê? — Ele cuspiu as palavras em espanto, apoiando as costas na cadeira para não acabar desabando. — A Alex?

Notas finais
Espero que tenham gostado aaa ♥ Beijinhos ~ Obs: O próximo capítulo já está prontinho também, então eu vou ver se posto em breve :3