Notas iniciais
Consegui escrever mais um capítulo pra vocês, me desculpem sempre pela demora ♥ eu deixo claro que NÃO vou desistir da história, mesmo que eu poste só 1 ou 2 capítulos por mês. Tradução de algumas coisas: "Chi cerca trova, bambina" = Quem procura acha, garotinha" No mais, espero que gostem da leitura :3 as coisas estão começando a ficar mais interessantes~

Na lanchonete do colégio, Alex estava encostada em uma das mesas, debruçada sobre uma bandeja vazia enquanto aguardava pelos colegas. Comer sozinha definitivamente não era uma das coisas que ela mais gostava de fazer, já que apreciava muito conversar durante as refeições com os amigos. Assim que viu Chris se aproximando, arrumou a postura rapidamente e escondeu a expressão aborrecida, colocando um sorriso no rosto.

— Ei, tá tudo bem? — Indagou preocupada, percebendo um certo desânimo por parte dele. — Cadê a Sarah?

— Alex? Sim, eu tô bem, só cheio de coisas pra fazer. — Disse forçando um sorriso, esfregando os cabelos para disfarçar o nervosismo. — A Sarah precisou sair do colégio por uma emergência, e eu tenho algumas coisas pra fazer. Te incomodaria muito se eu não ficasse pra comer com você?

— Claro que não, tá tranquilo, Chris. — Retrucou, lutando para não demonstrar o quão estava chateada. Ele apenas acenou com a cabeça e desculpou-se outra vez antes de afastar-se.

Nada contente, ela permitiu que os braços caíssem sobre a mesa, apoiando a bochecha acima de um deles enquanto batia os dedos na tábua impacientemente. Suas colegas de time não estavam disponíveis no momento, Pan estava afastada do colégio por tempo indeterminado, Kate e Isis estavam na aula e nem mesmo Sarah e Chris podiam fazer-lhe companhia. Era desanimador ficar tão solitária.

— Parece que alguém acordou de mal humor. — Uma voz familiar fez-se audível, obrigando-a a levantar o rosto na intenção de encará-lo corretamente. — Bom dia.

— Naoki? Você tava sumido, o que aconteceu? — Inquiriu surpresa.

— Eu sou o presidente do clube de debates. Você como capitã do time de basquete deveria saber que a época de competições começou. — Respondeu sentando-se ao lado dela. — Imagino que as coisas também estejam corridas pra você, não?

— É verdade que a época de competições tá chegando pra todo mundo, mas eu não tenho tanto trabalho assim.

— É sério? Os preparativos pro time de basquete são mais tranquilos?

— Não, é que eu jogo tudo nas costas do Chris. — Comentou sorridente, e ele pôde apenas arquear as sobrancelhas em piedade ao colega, não conseguindo compreender como ele a havia aguentado por tantos anos.

— Deixando isso de lado... — Pigarreou antes de prosseguir: — alguma novidade sobre a Pan?

— Não, nada ainda. — Suspirou desanimada, deixando cair os ombros. — A Sarah me falou algumas coisas, mas parece que ela não vai voltar por enquanto.

— Eu queria saber o que aconteceu pro pai dela ter ficado tão bravo assim. Não consigo acreditar que alguém proibiria a própria filha de ir ao colégio.

— Eu disse a mesma coisa. Já estou com saudades dela. — Suspirou novamente, cruzando os braços em decepção. Percebendo que estava tão chateada, Naoki retirou um iogurte de frutas de sua mochila, abrindo o lacre e molhando o dedo indicador no pote para passá-lo no nariz da colega no intuito de provocá-la. — O que você tá fazendo? Quer morrer? — Bufou, fazendo-o rir.

— Vem comigo. — Ofereceu levantando-se, estendendo um guardanapo em sua direção. — Vou te pagar alguma coisa pra comer na lanchonete do outro lado da rua. Essa do colégio não tem muitas opções.

— Sério? — Perguntou animada, aproximando-se dele enquanto caminhavam para dar-lhe um empurrão com o quadril. — Sem reclamar, você mereceu. Ah, e aliás, saiba que eu como pra caramba, principalmente agora que eu tô morrendo de fome, então azar o seu. — Completou sorridente, acelerando os passos com dificuldade devido ao tornozelo, antes de dar-lhe a oportunidade de se arrepender da oferta.

— Acho que eu posso conviver com isso. — Murmurou para si mesmo, observando as costas da amiga enquanto ela caminhava alegremente pelos corretores antes de ser advertida pelo inspetor por fazer muito barulho.

Longe dali, no hospital, Sarah havia convencido Evan a se acalmar e sentar-se com ela na escadaria. O clima não era dos melhores; um silêncio constrangedor pairava no ambiente, portanto ela decidiu iniciar conversa de modo que não o permitisse dominar o assunto:

— Eu estou tão surpresa quanto você. — Falou em tom baixo, abraçando os joelhos e apoiando o queixo acima deles. — Mas pelo que eu sei, os seus pais não trabalham com nada ilegal. Eles só são os médicos que cuidam da família na América sem a burocracia de ficar perguntando o motivo de terem sido esfaqueados, baleados, envenenados ou seja lá o que for. — Acrescentou, um pouco insegura em tocar naquele assunto. Não gostava de falar sobre negócios que não lhe diziam respeito, mas já era muito tarde para recuar. Aquele garoto definitivamente não a deixaria em paz até que saciasse toda a sua curiosidade.

— Então eles não são criminosos? — Indagou. Ela apenas negou com a cabeça antes de vê-lo suspirar e prosseguir: — Quando eu ouvi que eles estavam envolvidos com isso tudo eu fiquei puto. Sinceramente, eu não soube como reagir, e fiquei ainda mais irritado quando descobri que essa tal máfia era a família de vocês. Porra, não é pra pouco que a ruivinha queria tanto guardar segredo sobre isso.

— Era melhor pra vocês se não soubessem. — Argumentou, mordendo os lábios e desviando o olhar até os pés. — A gente nunca quis fazer nenhum mal pra vocês, de verdade.

— Eu sei. — Assentiu cansado. — Eu não estou tão de boa com isso, mas eu conheço vocês duas e sei que não seriam capazes de machucar nem um mosquito. Dou meu voto de confiança por saber que também não deve ter sido fácil pra vocês terem que esconder isso da gente. Esconder um segredo fodido desses não deve ajudar na insônia à noite. — Terminou, percebendo que ela havia esboçado um leve sorriso de canto, aliviada por não ter que ouvi-lo julgar sua decisão.

— Obrigada.

— Mas, na real, parece coisa de filme. Se eu contasse isso pra alguém, ninguém acreditaria. — Ele riu.

— Por favor, você não pode contar pra mais ninguém. — Pediu com convicção. — Isso pode me causar vários problemas, e também pode te colocar em perigo caso alguma coisa aconteça.

— Algo tipo isso que tá acontecendo agora? — Questionou frustrado, apertando as mãos na tentativa de conter sua raiva. — Que merda aconteceu com a ruivinha, Sarah? Ela sumiu por dias. Você pelo menos sabe se ela está bem?

Sarah desviou o olhar como se lhe dissesse que não tinha notícias. Estava tão devastada quanto ele, porém de mãos atadas. Não existia nada que ela pudesse fazer naquele tipo de situação, senão simplesmente sentar e esperar até que Hans resolvesse.

— O que esse moleque faz aqui, Santoro? — Hector acercou-se ao subir as escadarias em passos lentos. Seu semblante estava mais assustador do que nunca; deixando transparecer sua sede de sangue. Sarah até mesmo sentiu alguns calafrios ao vê-lo daquela maneira, tão diferente de sua expressão usual quando ao redor de Pan.

— Ele veio falar com os pais dele, e acabou descobrindo sobre... bom, sobre tudo. — Admitiu receosa. Estava com medo do que ele poderia fazer com o colega, mas ele não pareceu dar muita importância. — Você já sabia? Sobre os pais dele, eu digo.

— É óbvio que eu sabia. — Deu de ombros.

— E não me contou? — Evan ralhou, recebendo como resposta um olhar desdenhoso por parte daquele homem.

— Desde quando eu sou seu informante? Coloque-se no seu lugar antes que eu faça isso por você. — Retrucou seco, acendendo um cigarro entre os lábios, embora soubesse que era proibido fumar ali. Não é como se ele estivesse se importando com qualquer outra pessoa naquele instante.

— Engraçado você pagar de fodão enquanto a ruivinha está perdida por aí, provavelmente sofrendo na mão de algum filho da puta sem você fazer porra nenhuma. — Provocou-o em um tom de deboche, tentando segurá-lo pelo colarinho. Talvez o erro mais idiota de toda a sua vida. No segundo que levantou as mãos para tocá-lo, Hector já o havia prensado contra a parede, forçando o antebraço contra sua garganta para deixá-lo sem fôlego e alcançando a lâmina mais próxima de suas mãos, posicionando-a ao lado da bochecha de sua presa. — Que porra você tá fazendo? M-me solta. — Gaguejou estremecido, percebendo que aquele homem não pretendia deixá-lo ir tão facilmente. O sorriso sádico curvado em seus lábios entregava toda a sua satisfação ao vê-lo tão assustado.

— Vamos deixar uma coisa bem clara aqui. — Sussurrou entre dentes. O rosto do garoto já estava avermelhado devido à falta de fôlego. — Você não é um de nós, e eu não estou de bom-humor, então se você abrir a sua boca pra falar mais alguma idiotice, juro que corto a sua língua fora, e não vai ter amizade dos seus pais com meu Don que te salve. Capisci? — Soltou a fumaça de seu cigarro diretamente no rosto do garoto, atestando sua dominância ali. Em dias comuns ele simplesmente o ignoraria por saber que é apenas um adolescente mimado e intrometido, porém as palavras dele o fizeram recordar-se sobre o ocorrido com sua protegida, e era impossível conter sua raiva ao imaginar as coisas que ela poderia estar passando durante seu cárcere. Saber que alguém havia ousado retirar-lhe a liberdade outra vez o enlouquecia mais do que ele deixava transparecer.

— Hector! — Sarah puxou-o de perto do colega, na intenção de não ser obrigada a presenciá-lo matando aquele menino asfixiado. Assim que solto, Evan tossiu várias e várias vezes, lutando para voltar a respirar corretamente.

— Eu concordei em deixar vocês aqui, mas se continuarem com tanto barulho vou ter que pedir para saírem. — Uma médica muito elegante os interrompeu, fitando-os com certa frieza. — Hector, já deixei bem claro que é proibido fumar aqui. O seu Don está em repouso nesse mesmo corredor, tenha um pouco de respeito. — Repreendeu.

— Mãe? — Evan surpreendeu-se ao vê-la aparecendo tão repentinamente.

— É claro que você estaria por trás desse barulho todo. Não sei nem por que eu ainda me surpreendo. — Ela revirou os olhos, fazendo com que o filho se enfurecesse.

— Você é envolvida com criminosos e ainda quer dar sermão em alguém? Sua hipócrita, não comece a agir como se fosse a pessoa mais perfeita do universo. — Reclamou irritado, pegando sua jaqueta de couro do chão e retirando-se do local ao descer rapidamente as escadarias em passos pesados. Descobrir sobre aquele fato talvez o tivesse afetado mais do que ele imaginava. Seus pais sempre lhe cobravam a perfeição, dizendo-lhe que deveria ser um médico impecável e abandonar os sonhos patéticos de ser um músico para que não se tornasse a vergonha da família. Achava muito irônico que eles consideravam vergonhoso ter uma banda, mas ao mesmo tempo pensavam ser completamente normal envolver-se com a máfia siciliana. A partir daquele instante ele ignoraria todas as coisas impostas por seus pais e viveria a própria vida da maneira que quisesse, sem importar-se mais em ser o filho perfeito que eles tanto desejavam. Afinal, que direito tinham eles de cobrar qualquer coisa de alguém se escondiam tantos esqueletos no armário?

No cômodo úmido e afastado da cidade em que estava enfurnada, Pan seguia remoendo seus próprios pensamentos, torturando a si mesma mentalmente por ser incapaz de mudar a situação em que se encontrava. Tinha ciência de que as pessoas que amava estavam sofrendo por sua culpa, e a dor corroía seu corpo de dentro para fora, deixando-a emocionalmente desgastada. Com dificuldade, após ouvir seu estômago grunhir, levantou-se e começou a questionar-se sobre há quanto tempo já estava ali. Três dias? Uma semana? Ou até mesmo mais do que isso? Nem ao menos sabia, pois de certa forma já havia perdido a noção do mundo lá fora. O som da porta ao abrir-se fez com que ela recuasse amedrontada, acomodando-se novamente acima dos colchões e encolhendo o corpo em um gesto defensivo, abraçando os joelhos.

— Eu vim trazer sua comida e algumas coisas de higiene. — Vincenzo adentrou o quarto, posicionando uma bandeja e outras coisas mais ao lado da moça, antes de sentar-se à frente dela. — Vou te levar até o chuveiro quando terminar de comer, então nem pense em tentar escapar se tiver valor à sua vida. — Acrescentou seco. Seu temperamento parecia estar pior do que antes.

Mesmo que tentasse esconder ao cobrir com o terno, sua camisa branca possuía uma mancha vermelha bem marcada, próxima ao seu peito. Até mesmo o tecido preto continha alguns pontos mais escuros, como se algum líquido tivesse respingado ali. Quando percebeu o olhar fixo da menina em suas vestes, logo levantou-se para cobri-las ainda mais, fechando os botões do terno.

Chi cerca trova, bambina. — Ele soou ríspido, entretanto esboçou um sorriso ladino antes de continuar: — Você sabe o que significa?

— Sei. "Quem procura acha, pirralha". — Pan murmurou chateada. — O papai costumava me dizer isso sempre que eu ficava fazendo muitas perguntas pra ele.

— Exatamente, então não fique tentando descobrir coisas que não está pronta para saber ainda. — Alertou, acomodando-se na cadeira uma vez mais.

— Eu não tenho nada pra fazer mesmo. — Resmungou, colocando uma grande garfada de comida e enchendo as bochechas.

— Se você comer tudo, o tio Vincenzo te leva pra passear. — Provocou com um riso irônico estampado em sua face, ciente de que ela se incomodaria com aquela maneira de falar.

— Você não é meu tio! — Negou com todas as forças, lançando-lhe um olhar de desprezo. Ele precisou segurar a risada que lutava para sair, vendo-a tão alterada com uma simples provocação.

— Era assim que você costumava me chamar quando eu cuidava de você. O Sandro também tinha o mesmo apelido. — Comentou nostálgico.

— Você conhece ele? — Perguntou admirada. Não imaginava que fossem próximos.

— É claro que sim. Ele é um dos membros mais antigos da sua família, mas apesar de termos a mesma idade ele começou nessa vida muito mais cedo do que eu. — Ajeitou a postura e continuou a contar: — Ele trabalhou para o seu avô ainda jovem. Inclusive, foi ele quem me deu esse presente no dia que eu te sequestrei. — Apontou para o local que havia sido baleado em seu abdômen, sorrindo como se estivesse orgulhoso.

— Ele fez isso?

— Fez, e se eu não tivesse acompanhado por muitos homens, provavelmente teria feito muito mais. O Sandro é um homem assustador.

— Mentira, ele não é assustador. Aliás, você conheceu o vovô? — Inquiriu curiosa, buscando saber como era o homem que havia criado seu pai.

— Não, eu nunca cheguei a me encontrar pessoalmente com ele, mas pelos rumores eu deveria agradecer por isso. — Respondeu cruzando os braços. — Soube que foi um homem muito influente e temido. Ainda mais do que o seu pai hoje em dia.

— O papai? Temido? Mas ele é tão fofo. — Ela sorriu de canto, lembrando-se do dia em que havia dançado com Hans em meio à sala, na companhia de suas amigas. Aquecia-lhe o coração ao recordar-se dos bons momentos com ele.

Vincenzo franziu o cenho, preocupado com o senso de "fofura" daquela garota. Sentia que ela provavelmente tinha alguns problemas e que deveria buscar um psicólogo. Por um instante até pensou em dizer-lhe algo, porém logo desistiu e deu de ombros, sem paciência para contestar.

— Termine logo de comer. Eu tenho coisas pra fazer, então vamos logo com isso. — Falou impaciente.

De volta ao hospital, Chris havia acabado de chegar, e apesar de frustrado, Evan acompanhou-o após encontrarem-se na entrada do lugar. O colega não queria que as coisas ficassem tão estranhas entre ele e Sarah, portanto insistiu com todas as forças até que ele desse o braço a torcer e voltasse após a cena que tinha causado antes de sair. O plano foi uma falha total, no entanto, já que Hector estava incomodado com a presença de ambos e Sarah tentava ignorá-los o máximo possível, sem vontade alguma de encará-los após os acontecimentos anteriores. Sua dose de drama diária já encontrava-se excedida.

— Então... — Chris puxou assunto, empenhando-se em quebrar aquele silêncio constrangedor. — alguma novidade sobre o pai dela? — Perguntou inocentemente.

Sarah nem ao menos olhou em sua direção para respondê-lo, portanto ele tomou a liberdade de fitar Hector por alguns segundos.

— A condição dele é estável, mas como perdeu muito sangue e ele já não é mais tão jovem, o corpo vai demorar pra voltar ao normal. — Retrucou à contragosto, amaldiçoando Sarah em pensamento por tê-lo obrigado a interagir com aqueles adolescentes.

— Então ele vai ficar, tipo, em coma?

— Eu sou médico, por acaso? — Revidou ríspido, fazendo questão de demonstrar que aquela conversa se encerraria ali.

Evan abriu a boca para iniciar uma briga, porém antes que pudesse falar qualquer coisa, o colega tapou-lhe os lábios para que não fizesse besteira. Depois de descobrir sobre a verdadeira identidade de Hector, não queria tentar a sorte e acabar irritando-o mais do que deveria. Dado por vencido, Evan sentou-se ao lado de Sarah, encarando-a com curiosidade ao perceber que algo estava acontecendo entre ela e seu melhor amigo, embora ainda não tivesse certeza do quê.

O celular de Hector vibrou no bolso de sua calça social, chamando a atenção de todos ali presentes. Ele prontamente puxou o aparelho e observou a tela antes de afastar-se um pouco dos jovens.

— Vem comigo, Santoro. — Ordenou seco, antes de sair caminhando até o final do corredor. Ela pôde apenas agradecê-lo mentalmente por ter compreendido a situação ali e não a abandonado sozinha com os garotos. — Pronto, Alice? — Atendeu à ligação um pouco abalado. Era como se estivesse ansioso por algo específico.

Nós temos a localização do esconderijo do Vincenzo. — A esposa do Don soou convicta, fazendo com que seu coração falhasse uma batida. — Você acertou em cheio. Não demorou muito para o Don Romano abrir o bico depois de receber a nossa encomenda. — Admitiu presunçosa, permitindo que uma risadinha sádica escapasse de seus lábios.

— Ele sempre foi muito guiado pelas emoções. Isso não foi uma surpresa. — Disse desinteressado. — Você tem certeza de que conseguiram encontrar a localização certa? Nós não vamos ter outra chance.

Nossos homens já cercaram o lugar, só estão esperando você chegar. Já confirmaram que minha filha está lá. — Respondeu aflita, quase fazendo-o acreditar que existia algum resquício de empatia em seu interior. Bom, talvez ela realmente sentisse alguma coisa por Pan. Era sua filha, afinal. — Aliás, quando o Don Romano me contatou, ele estava em uma reunião com o Vincenzo, então provavelmente já deve estar morto depois de ter traído aquele homem. O que eu faço com o filho dele? Devolvo assim, todo remendado e ensanguentado? — Indagou em tom indiferente. Olhar para aquela criança à beira da morte, desmaiada de dor ao ter vários de seus dedos arrancados e a pele queimada não lhe trazia remorso algum. Muito pelo contrário, decerto trazia-lhe prazer. O considerava um pecador pelo simples fato de ter cruzado seu caminho.

— Faça o que quiser com ele, eu não me importo. — Retrucou frio, dando de ombros e desligando instantaneamente a ligação, correndo até a escadaria para dirigir-se até a saída do estabelecimento.

— Hector, o que aconteceu? — Sarah questionou preocupada, tentando acompanhar seus passos grandes e rápidos. Os colegas, também intrigados, vinham logo atrás. — Para de correr um pouco e me explica!

— Eu não tenho tempo, Santoro. Se o Don acordar, diga que Don Romano foi morto por Vincenzo e que nós conseguimos rastrear a Pan. Eu estou indo pra lá agora.

— O quê? Você achou ela? — Arregalou os olhos, ofegante e com o coração acelerado.

Ele fitou-a por um instante como se lhe pedisse para que não o importunasse mais e o deixasse ir. Seu olhar demonstrava um desespero e uma fúria que ela nunca havia presenciado antes; quase como se fosse um leão faminto há dias que finalmente encontrara uma presa digna. Como não queria despertar ainda mais seu lado desumano ao atrapalhá-lo, apenas sussurrou: "traga ela de volta em segurança, por favor", antes de vê-lo partir. Ele jurou para si mesmo que o faria, mesmo que isso custasse sua própria vida e a de qualquer outro que ousasse colocar as mãos em sua amada novamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ Obrigada por não desistirem de mim e de destinos cruzados, vocês são incríveis ♥