Notas iniciais
Olá ♥ eu to tentando fazer o meu máximo pra conseguir atualizar pelo menos de 2 em 2 semanas, no mínimo. Se eu conseguir voltar ao ritmo de 1 capítulo por semana, melhor ainda, mas por enquanto, me desculpem, tá? ♥ To voltando aos pouquinhos, e espero não decepcionar vocês :3 Boa leiturinha~

Vincenzo deu alguns passos para frente na intenção de aproximar-se da garota, estendendo sua mão até que lhe tocasse o queixo, apertando suas bochechas para obrigá-la a fitá-lo corretamente. Seu gesto não era tão bruto quanto o de seus companheiros, mas ainda assim parecia querer demonstrar algum tipo de dominância. Era um modo de intimidá-la e deixar claro que estava no comando ali. Bom, ela havia entendido perfeitamente o recado. Sentir a respiração daquele homem tão próxima de sua face lhe dava calafrios; estava apavorada e as pernas já começavam a perder forças.

— Você não é tão burra assim. Eu sei que você sabe muito bem que não era a filha dos Santoro quem eu planejava sequestrar naquela época. — Ele respondeu com rispidez, não permitindo que ela desviasse o olhar. Apreciava ver o pavor estampado ali. — Eu só não esperava que os meus homens fossem confundir a criança. — Acrescentou, deixando-a ir após esboçar um sorrisinho triunfante que fizera questão de forçá-la a ver.

— Então você já planejava fazer tudo isso naquela época. — Rumorejou mordendo os lábios, lutando para manter a compostura. Todo o seu corpo tremia amedrontado, mas de certa forma a adrenalina e o ódio a mantinham em pé.

— Sim, e a incompetência dos meus homens só serviu pra complicar as coisas. Você não saía de casa, então eu precisei esperar alguns anos até planejar tudo outra vez. — Disse ao mesmo tempo que se acomodava em uma cadeira, buscando seu cantil no bolso da calça. — Mas na realidade, se colocarmos na balança, isso foi ainda mais efetivo. Agora o seu pai perdeu a confiança de quase todas as grandes famílias da região, até mesmo algumas da Itália, e eu consegui te sequestrar mesmo assim. Esconder a única herdeira dos Stracci por tantos anos foi um erro e tanto. — Acrescentou, quase como se estivesse se vangloriando de seus feitos.

Pan não conseguia retrucá-lo. Lhe faltava firmeza para isso. Suas emoções estavam embaralhadas; a garganta já começava a se fechar cada vez mais, enquanto lutava para conter as lágrimas entaladas. Ela não queria chorar. Ao menos não na frente daquele homem. Desabar ali mesmo significaria que ele havia ganhado, então como poderia demonstrar o quão estava abalada e fazê-lo ter ainda mais prazer por saber que seu plano havia dado certo? Sua família se despedaçava aos poucos, sofrendo por sua culpa, e a pior sensação do universo era sentir-se impotente enquanto encarcerada naquele cômodo abafado e longe de qualquer civilização.

Vincenzo, no entanto, parecia atordoado. Ele percebia o quanto os acontecimentos recentes afetavam negativamente a garota à sua frente, e mesmo que à contragosto, aquilo lhe trazia uma certa tristeza interior. A havia visto nascer, cuidou dela como sua própria filha e ainda por cima segurou-a em seus braços desde seus primeiros suspiros de vida. Alguns sentimentos eram muito fortes para que fossem apagados apenas por sua sede de vingança. Caso contrário, ela provavelmente já estaria morta por tê-lo desafiado tantas vezes.

— Chefe? — A voz de Giovanni fez-se audível do outro lado da porta, interrompendo aquele silêncio constrangedor que pairava no ambiente. Essa fora a deixa para que ele pudesse se levantar e dirigir-se até aquele homem, no intuito de deixá-la sozinha outra vez. — Nós conseguimos contato com Don Romano. Ele quer se encontrar com você amanhã de manhã.

— Tudo bem, já estou indo. — Retrucou, retirando as chaves do bolso interno de seu paletó e girando-a na fechadura. No instante que tocou a maçaneta, desviou o olhar até a menina acuada em seu colchão que recusava-se a encará-lo, sentindo certo arrependimento. Não considerava que ela deveria estar metida em tudo aquilo, já que seus problemas eram diretamente com o pai da moça, mas ainda assim, era muito tarde para voltar atrás, e muito tarde para se lamentar por suas escolhas. — Eu sei que não sou um homem bom, mas também sou um homem de honra, então me deixe te dizer uma coisa. — Murmurou, pigarreando antes de prosseguir: — eu realmente não tinha a intenção de matar o seu pai essa noite. Eu queria causar uma queda no poder dos Stracci, mas matá-lo não estava nos planos. Não ainda, pelo menos. E, bom, eu odeio quando desobedecem minhas ordens, então pode ter certeza de que o responsável por isso não vai sair ileso, seja pelas minhas mãos ou pelas mãos da sua família. — Acrescentou, retirando-se e trancando a porta atrás de si ao perceber que não receberia reação alguma vinda daquela menina.

Ela estava confusa. Por um lado aquelas palavras lhe pareciam sinceras e cheias de remorso, mas por outro, não sabia se deveria confiar no causador de toda a sua miséria recente. Apesar de tudo, estava muito cansada para continuar pensando naquilo. Já era tarde, e parte de seu corpo já parecia querer pedir por descanso, portanto ela apenas deitou-se com receio naquele frio e desconfortável colchão.

Pela manhã, Hector já havia definido todo o seu cronograma assim que saíra do hospital. Na porta da casa dos Stracci, vestia seu sobretudo e colocava as luvas depois de ter escolhido as armas que levaria consigo, com o rumo já decidido. Era uma universidade de medicina próxima, aonde ele se encontraria com Paolo Romano, o terceiro filho de Don Romano e também o único que não era envolvido nos negócios. O garoto nem ao menos sabia o que estava acontecendo, mas seu destino já havia sido traçado no instante que seu pai ousou começar uma guerra contra a família Stracci. Ele era puro, não estava envolvido com o submundo e era um bom menino de reputação decente. Era exatamente por esse motivo que doeria tanto ao seu pai perdê-lo. A jurada vendetta havia se iniciado, e só encontraria um fim quando um dos lados acabasse completamente aniquilado.

— Tem certeza de que quer fazer isso? Eu sei que é você quem está no comando dessa situação toda enquanto o chefe está nessas condições, mas ele é só um menino. — Sandro alegou, preocupado com a frieza do colega de trabalho. Conhecia seu lado assassino e sanguinário, mas após os acontecimentos mais recentes sentia que ele estava perdendo a sanidade.

— A Pan também, e mesmo assim eles envolveram ela nessa vendetta. — Retrucou entre dentes, não fazendo questão alguma de esconder todo o rancor dentro de si.

— Como o consigliere dessa família, a minha função é a de de ajudar a tomar a melhor decisão. Nós não somos animais como eles, garoto. — Argumentou, encostando uma das mãos no ombro do amigo. Envolver civis naquela guerra não o agradava muito.

— Tem razão, eles que são os animais. — Disse em tom neutro e insensível, ao mesmo tempo que recarregava seu revólver de médio alcance antes de colocá-lo no bolso interno do terno. Sandro quase se permitiu respirar aliviado antes de ouvi-lo continuar sua frase: — Já eu sou o próprio demônio. — Acrescentou, desvencilhando-se do toque amistoso de seu conselheiro e enfiando um cigarro entre os lábios antes de sair apressadamente da casa.

Uma viagem de 20 minutos de carro foi o suficiente para que chegasse ao local, estacionando estrategicamente na esquina pela qual a vítima transitava todos os dias. Havia passado a noite inteira no hospital ao lado de seu Don desacordado estudando todo o trajeto diário do sujeito em questão, portanto estava perfeitamente ciente de quanto tempo ficaria ali. Faltavam quatro minutos até o final das aulas, e ele costumava sair exatamente naquele horário, algum tempo antes para que conseguisse evitar a aglomeração dos outros estudantes na entrada. Quando viu uma silhueta aproximar-se do veículo, observou a fotografia que tinha em mãos e constatou que eram a mesma pessoa, abrindo bruscamente a sua porta após apagar o tabaco e pegar sua arma para apontar-lhe à cabeça.

— Quem é v-você? — Gaguejou apavorado, já perdendo a cor avermelhada de seu rosto e dando lugar à um pálido mórbido.

— Entre no carro. Se você gritar eu atiro e juro que te corto em pelo menos uns mil pedaços antes de te enfiar em uma maleta e enviar pro seu pai. — Rumorejou sem pestanejar. Naquelas condições isso já não era mais uma ameaça, e sim um aviso. O garoto parecia hesitante em obedecê-lo, e como não tinha tempo ou paciência, tomou a liberdade de nocauteá-lo com um belo soco. O fato de ser um menino franzino e nada atlético era de grande ajuda, pois agora precisaria arrastá-lo até o porta-malas e trancafiá-lo.

Após assegurar-se de que ninguém o havia visto e de que não seria seguido, Hector colocou a chave na ignição e deu vida ao carro outra vez, dirigindo-se até o depósito, aonde encontrou-se com Alice que o aguardava ansiosamente, esboçando um sorriso quase sádico.

— Você trouxe? — Ela perguntou animada, referindo-se ao menino.

— Está no porta-malas. — Respondeu, apontando com a mão em direção ao automóvel. — Eu queria fazer isso pessoalmente, mas não posso desobedecer as ordens da esposa do Don, posso? — Inquiriu frustrado, cruzando os braços.

— Se você fizer não vai ter graça. Você sabe muito bem que não tem paciência pra tortura e que acabaria enfiando uma lâmina no pescoço da criança depois de ouvir o primeiro grito. — Comentou alegre, observando os homens da família trazerem sua presa até o interior do estabelecimento, amarrando-o em uma cadeira. — Você nocauteou o menino com um soco? — Indagou irritada. Não gostava de ter suas presas já danificadas antes mesmo de tocá-las.

— Ele não quis cooperar. — Deu de ombros, fazendo-a revirar os olhos.

— E então? O que você precisa que eu faça?

— Machuque ele um pouco, mas não deixe o rosto desfigurado. Nós precisamos tirar uma foto de presente para o pai dele. Ah, e arranque um ou dois dedos pra colocarmos na encomenda também. Ele vai adorar. — Pediu com um sorriso malicioso, já deleitando-se ao imaginar a expressão que aquele homem faria ao receber o presente.

— Tudo bem, chefe. — Ironizou, referindo-se ao tom que ele utilizava para falar. Parecia estar dando ordens.

— Você sabe que eu não quis dizer dessa maneira, Alice. — Suspirou cansado. — Nós estamos em pé de igualdade aqui.

— Será? — Perguntou retoricamente, enquanto vestia suas luvas. — Ultimamente você se parece tanto com o antigo Hans que eu nem sei se ainda te conheço. — Acrescentou, fitando-o como se tentasse ver através daquele semblante frio. Não tinha nada ali. Aquele homem parecia estar morto por dentro, e a única coisa que deixava transparecer era a sua sede de sangue insaciável. — Na verdade, quando você faz essa cara parece até mesmo o pai dele. — Sussurrou angustiada, recordando-se do sujeito em questão. As memórias causavam-lhe até mesmo alguns calafrios, já que, afinal, o antigo Don Stracci era a pessoa mais cruel e impiedosa que havia tido o desprazer de conhecer.

— Eu não cheguei nesse nível ainda.

— "Ainda"?

— Sim, ainda. — Comentou seco, pensando que, caso aquilo não funcionasse e Pan precisasse ficar em perigo por mais tempo, talvez pudesse realmente perder a cabeça. Apesar de todo seu ódio, ainda permanecia controlado, mas a possibilidade disso durar era mínima se as coisas não se resolvessem em breve. — Eu vou voltar para o hospital. Me ligue se precisar de alguma coisa. — Terminou, saindo em direção ao veículo sem nem ao menos aguardar por uma resposta, imerso em seus pensamentos.

No colégio, Sarah estava assistindo à sua última aula do dia, apesar de não ter conseguido se concentrar em nenhuma delas. A noite não foi tão fácil, e ela acabou quase adormecendo durante as explicações. Quando seus olhos estavam quase fechados, fora surpreendida pelo grunhido de seu estômago faminto, já que não havia nem ao menos tomado café da manhã após receber a ligação de Hector contando-lhe sobre o ocorrido com Hans. Aquilo a havia feito perder a vontade de fazer qualquer outra coisa que não fosse contar os minutos para visitá-lo após as aulas. O som que atestava sua fome fora tão alto que até mesmo alguns colegas de classe ouviram, e fizeram questão de provocá-la por aquilo. Um pouco envergonhada, ela utilizou a deixa para pedir licença ao professor, alegando que não se sentia bem e que iria até a enfermaria. Por ser uma aluna exemplar, ele a liberou rapidamente, e então ela se dirigiu até os armários para guardar seus livros antes de sair pelos corredores em busca de um lugar tranquilo para descansar.

— Ei, Sarah! — A voz de Alex fez-se audível, chamando-lhe a atenção e obrigando-a a cessar os passos para encará-la corretamente. — E aí, tudo bem?

— Sim, estou bem. — Mentiu forçando um sorriso de canto. — E você? Veio do treino?

— Pois é, o campeonato já tá bem perto, então a gente tá se esforçando bastante. — Respondeu alegremente. — Escuta, você acha que a Pan vai conseguir jogar no dia do primeiro jogo? — Indagou esperançosa, fazendo com que o coração da amiga falhasse uma batida. Lembrar-se mais uma vez sobre o sequestro daquela garota lhe trazia uma melancolia inexplicável.

— Não sei dizer, mas eu espero muito que sim. — Murmurou desanimada, esfregando os braços como se uma onda fria a tivesse atingido.

— Eu também espero. — Concordou. — Aliás, deixando isso de lado, você ficou sabendo que o idiota do Ethan tem um irmão gêmeo? Eu estava conversando com a Isis e a Kate, e isso acabou virando o assunto da roda. Já imaginou? Ethan em dobro, que horror.

— O quê? E ele estuda aqui?

— Acho que não. Aparentemente o pai deles nunca quis ter filhos e odeia os dois, então o irmão dele não faz questão nenhuma de vir nas aulas e vive bêbado por aí. — Respondeu, encostando nos armários para ficar confortável antes de continuar: — ela disse até que o Ethan se considera filho único por não se dar muito bem com o irmão que vive usando o nome dele pra fazer merda.

— O Ethan sozinho já faz besteira o suficiente. — Sarah comentou de maneira desdenhosa, ciente de que ele havia feito alguma coisa para sua considerada irmã. — Ele é bem hipócrita em odiar o irmão por fazer as mesmas coisas que ele.

— Né? Eu falei a mesma coisa! — Alex exclamou, surpresa em como a colega havia dito as exatas mesmas palavras. — Eu queria um dia conhecer os pais desses dois pra ver de onde vem tanto pouco miolo na cabeça deles. — Bufou.

— Fazendo barulho no corredor enquanto as outras salas estão em horário de aula, senhorita Parker? — Chris aproximou-se delas, entrelaçando um dos braços ao redor do pescoço de sua amiga de infância e afagando-lhe os cabelos com a outra mão para provocá-la. — Como presidente do grêmio, eu vou ter que te punir. — Ironizou, com uma piscadela.

— Sai fora, Chris, seu imbecil. — Reclamou, tentando desvencilhar-se.

— Aliás, Sarah, você tá no meio da aula? — Inquiriu um pouco sem graça, afastando-se da amiga e fitando-a com certa ansiedade. Ela logo negou com a cabeça. — Será que você tem um tempinho, então? Digo, pra conversar comigo.

— É sobre a Pan? — Mordeu os lábios desanimada. Não queria ter que explicar mais coisas sobre o paradeiro dela. Era doloroso.

— Bom, sim, um pouco. — Gaguejou nervoso, desviando o olhar como se escondesse algo. — Eu só preciso de algumas informações. É... alguns papéis da ficha de inscrição de vocês duas estavam incompletos e o diretor me pediu pra arrumar. — Completou acanhado.

— O quê? Você é um inútil mesmo, né, Chris? Me pergunto como te deixaram ser o presidente do grêmio. — Alex empurrou-o com o ombro, na intenção de irritá-lo ao lançar-lhe um sorrisinho cheio de escárnio. — Podem ir. Eu vou comer alguma coisa e depois encontro vocês. — Concluiu, despedindo-se brevemente de ambos antes de retirar-se em direção ao refeitório.

— Vamos, então? — Ele ofereceu, acompanhando-a à sala do grêmio. Assim que adentraram o cômodo, trancou a porta e puxou duas cadeiras até que ficassem próximas, sinalizando com o queixo para que ela se sentasse e fazendo o mesmo.

— Você não tinha que pegar alguns papéis? — Questionou desconfiada, vendo-o abancado à sua frente.

— Não, é... — Gaguejou novamente, coçando os cabelos na tentativa de se livrar de toda aquela ansiedade. — desculpa, eu menti.

— Como assim?

— Olha, eu não sei como falar isso, então por favor, não pensa que a gente desconfia de vocês nem nada do tipo, tá legal? É só que... tudo o que aconteceu no dia daquela première foi muito estranho, então...

— Eu sei, foi estranho pra todo mundo, Chris. — Disse de maneira arisca, encarando os próprios pés. — Era só isso que você queria falar? — Rapidamente levantou-se para tentar escapar daquele assunto desconfortável e perigoso, porém foi rapidamente impedida pelo colega que segurou-lhe pelo pulso.

— Por favor, eu só quero conversar. — Insistiu, e apesar de hesitante, ela sentou-se outra vez. — Eu só estou tentando encontrar um jeito de não ser tão direto.

— Pode falar.

— Olha, eu só queria dizer que a gente não fez isso porque não confiamos em vocês, mas sim pra tentar entender tudo, tá legal? Por favor, não fica brava.

— Chris, fala logo.

— A Pan sumiu depois daquele dia, aí o Evan ficou muito preocupado, e ele me contou sobre o dia que ela foi na casa dele e depois chegaram uns caras armados lá. — Falou de maneira insegura, não querendo ofendê-la. — E, bom... a gente pesquisou sobre a família de vocês na internet, e depois de muito tempo de pesquisa nós achamos algumas páginas italianas de reportagem que diziam que a família de vocês era da... — engoliu seco, antes de completar sua frase: — da máfia.

— O quê? É claro que não. — Trovejou trêmula, levantando-se uma vez mais, com os olhos arregalados. Seu corpo havia se arrepiado por completo, e ela simplesmente não sabia como reagir. Compreendia perfeitamente que na Itália os negócios da família eram conhecidos, e que muitas vezes saiam algumas reportagens para difamá-los, porém não esperava que os colegas fossem encontrá-las, principalmente por estar ciente de que Hans havia ameaçado alguns repórteres para que se livrassem delas. Ainda assim, aparentemente era impossível apagar todo e qualquer vestígio da internet.

— Sarah, tá tudo bem, é sério. — Chris tentou acalmá-la, vendo-a desabar em lágrimas. Talvez o acúmulo de coisas estressantes acontecendo em sequência a tivessem feito sucumbir. Ela esperava que um dia a verdade fosse vir à tona, porém não gostaria que fosse dessa maneira. — Olha, você não precisa me dizer nada, tá legal? De verdade. Por favor, não chora. — Sussurrou, puxando-a para si e envolvendo-a em um abraço caloroso.

— Me desculpa. — Rumorejou, deixando os dedos entrarem nas dobras de tecido da jaqueta do amigo, enquanto se permitia apertar-lhe as costas ao buscar por algum conforto. Ele compreendeu que aquela era a maneira que a amiga havia encontrado para dizer-lhe que não poderia contar nada, portanto não adiantaria insistir.

— Não fica triste, por favor. — Apertou-a com ainda mais força, querendo desesperadamente consolá-la. — E mesmo se isso for verdade, cá entre nós, eu sempre achei vocês duas bem fodonas. — Arriscou uma brincadeira, ouvindo-a soltar uma risada abafada com o rosto ainda colado em seu abdômen.

— Você é muito bobo, Chris. — Afastou-se para encará-lo corretamente, ainda sem soltar-se do abraço. — Mas também é bom demais pra ser real. — Acrescentou, mordiscando os lábios um pouco envergonhada.

— Eu só disse a verdade. Já imagino vocês duas trocando tiros igual nos filmes, contra aqueles caras vestidos de preto tipo o Hector. — Disse em tom de zombaria, fazendo-a rir outra vez. Achava graça da visão distorcida que o amigo tinha sobre tudo isso.

— Obrigada por me fazer rir até mesmo em um momento assim. — Comentou, revirando os olhos para provocá-lo, arrancando-lhe também algumas gargalhadas.

— Sou eu quem agradeço, mocinha. Você fica muito linda quando sorri. — Sussurrou, aproximando ainda mais o seu rosto do dela, vendo-a fechar os olhos.

Em um instante, seus lábios se tocaram e selaram um beijo caloroso, que se intensificou rapidamente. Chris acariciava suavemente a língua de Sarah com a sua, posicionando carinhosamente uma das mãos em sua bochecha para alisá-la com o polegar enquanto mantinha a outra em sua cintura. Ela apoiou os pulsos em seu peito, tornando possível sentir as batidas de seu coração acelerado. Conseguia ouvi-lo até mesmo de longe, e o som chegava a ser romântico, de certa forma. Quando o rosto de Alex surgiu em sua mente, ela afastou-se apressada, recebendo um olhar confuso em resposta.

— Desculpa, Chris, nós não podemos. De verdade. — Explicou afobada, já dominada pelo remorso. Não conseguia acreditar que havia se permitido beijar o garoto por quem uma de suas amigas nutria sentimentos. Instantaneamente destrancou a porta e correu em direção ao seu armário, sem olhar para trás. Ofegante, olhou para o seu relógio e agradeceu pelo fim das aulas no dia de hoje, aligeirando-se para sair dali.

Quando colocou os pés para fora do colégio depois de recolher alguns de seus pertences no armário, adentrou o carro na companhia de seus seguranças e permitiu-se ficar imersa em sua imaginação até que chegasse ao destino. Chris havia lhe desconcentrado à ponto de fazê-la esquecer de todos os seus outros problemas por um momento, e isso lhe causava uma enorme sensação de culpa. Isso e também o fato de ter traído uma amiga. No instante que averiguou já terem chegado ao local, balançou a cabeça na tentativa de se livrar daqueles pensamentos e acomodou-se no elevador, saindo apenas ao chegar em frente ao quarto de Hans, aonde encontrou um rosto familiar conversando com vários homens da famiglia, inclusive os médicos que sempre ficavam responsáveis pelo tratamento de todos quando vinham à América. Ela já os havia conhecido na Itália, portanto sabia muito bem quem eram.

— Evan? — Sarah chamou surpresa, acercando-se em passos rápidos. — O que faz aqui? — Inquiriu curiosa, vendo-o tão casualmente dialogar com pessoas da famiglia.

— Meus pais me ligaram pedindo algumas coisas de casa pra passarem a noite aqui, e eu acabei de descobrir que o pai da ruivinha está internado. — Retrucou em um tom que deixava transparecer certo incômodo. — Nós temos muito sobre o que conversar, sabia, Sarah? — Disse entre dentes, franzindo o cenho.

— Espera, seus pais? — Indagou pasma, olhando outra vez para o casal de médicos associados à família e logo então desviando o olhar até o amigo novamente. — Eles são seus pais?

— Sim, são. E sabe o que é ainda mais curioso? — Deu dois passos para frente, encurralando-a entre seu corpo e a parede, fitando-a fervorosamente. — O fato de eles estarem associados à uma tal de família Stracci e desse ser o nome de vocês. Ah, e olha outra coincidência, o pai de vocês está aqui pra se recuperar depois de ter tomado a porra de um tiro. — Acrescentou ríspido, aguardando por algum tipo de esclarecimento.

— Evan, eu posso explicar, por favor. — Suplicou com os ombros encolhidos, acuada e com o coração acelerado.

— Ah, você vai explicar, sim, porque eu e o Chris andamos pesquisando algumas coisas e agora tudo faz sentido. — Exprimiu irritado, ainda sem afastar-se. — Quando vocês pretendiam contar que fazem parte da máfia?

Notas finais
:o Os meninos descobriram, o Ethan tem um irmão gêmeo e agora o Evan é associado à família da Pan? Que doideira né NJFDBSFHJB. Espero que tenham gostado da leitura, beiijinhooss~ ♥