Notas iniciais
Olá, essa é minha primeira história colegial, porém estou fazendo com muito carinho, então espero que gostem ♥ Esse primeiro capítulo vai ser uma introdução de duas das cinco principais, e as outras vão aparecer eventualmente. Tudo vai ser explicado conforme os capítulos avançam, então caso fique confuso você vai entender tudo mais pra frente ♥ Obrigada por dar uma chance, espero que aproveite a leitura~

Escolhas estão sempre presentes na vida de cada indivíduo. Cada ato é uma decisão, e cada decisão possui uma consequência. Pan era uma garota comum, ou talvez nem tão comum, porém gostaria de ser. Ela tomou uma decisão que provavelmente geraria uma enorme consequência, mas estava pronta para aceitar qualquer coisa, desde que conseguisse sua tão desejada liberdade.

— Por quanto tempo pretende dormir, Pan? — Uma doce voz a chamava, enquanto o calor do sol que invadia as janelas batia em seu rosto.

Ainda dominada pela preguiça matinal, levantou-se esfregando os olhos, ao mesmo tempo que suas pupilas se acostumavam com a claridade.

— Sarah? Que horas são? — Reclamou, deitando-se novamente e cobrindo seu rosto com o travesseiro.

— Hora de levantar. — Retrucou, puxando o objeto e afastando-o da face de sua amiga adormecida, passando suavemente a mão em seus cabelos. — Hoje é um dia especial, esqueceu? — A questionou com doçura.

— Por falar nisso... — A garota levantou-se outra vez, agora aproximando-se de Sarah. — Você está cheirosa. Vai sair?

— Sim, e você vem comigo.

— Sabe que não posso sair de casa, por mais que eu queira.

— Agora você pode, Pan. Nós não estamos mais na Itália, e hoje é o primeiro dia que valida a promessa que fez com o seu pai. Não se lembra?

Por alguns segundos seus pensamentos estavam em branco, até que finalmente se recordasse do que havia feito. Sabia que se arrependeria, e seu pai não estava nada satisfeito, porém ela tampouco estava ao ficar por dez anos presa em sua casa. Apesar de amar sua família, já estava farta de não conseguir viver como uma adolescente normal, e ao invés disso, precisar sempre viver de acordo com as regras ditadas por seu pai.

— Sarah, eu agora estou livre, não é? Eu posso sair de casa, não é? — Bagunçou os lençóis, colocando-se de pé em sua cama enquanto encarava a amiga com um olhar esperançoso.

Ela não conseguia evitar de sorrir com a euforia de Pan. Era tão graciosa e infantil que era impossível não encantar-se com seus gestos exagerados, e lá estava ela mais uma vez, após dez anos convivendo juntas, permitindo-se afeiçoar-se um pouco mais por ela.

O som de algumas batidas na porta do quarto chamou-lhes a atenção, fazendo-as simplesmente cessarem todas as ações até que o silêncio dominasse aquele cômodo por completo. Uma fresta da porta se abriu, revelando Hector, o braço direito do pai de Pan, que ela também considerava como seu irmão mais velho. Um homem alto, com os olhos de uma cor acinzentada, contrastando com seus cabelos negros que deixava sempre jogados para trás em um penteado formal, embora charmoso. Ele possuía um ar de mistério, e apesar de emanar uma aura perigosa, Pan não conseguia enxergá-lo assim, principalmente por sempre ser tão doce em sua companhia.

— Eu vou acompanhar vocês duas hoje. Estão prontas? — Quebrou o silêncio com sua grave voz, encarando-as enquanto aguardava por uma resposta.

— É claro que tinha que ser você. — Pan desceu do colchão, finalmente pisando em chão firme e retirando-se de sua tão confortável cama. — O papai nunca me deixaria sair com alguém que ele não confiasse.

— Por falar nisso, espero que esteja ciente sobre o descontentamento de Hans. — Encostou-se no batente da porta, cruzando os braços.

— Eu não me importo. Eu também não estive muito feliz trancada em casa por dez anos, sabia? — Murmurou cabisbaixa, procurando algo em sua cômoda.

Hector sorriu de canto, fechando os olhos, como se estivesse orgulhoso do que acabara de ouvir. Ao abri-los novamente, percebeu que Pan havia retirado o seu pijama e utilizava apenas sua lingerie, não conseguindo ficar indiferente embora sempre fosse instruído a não demonstrar tão abertamente o que sentia. Limpou a garganta e desviou rapidamente o olhar em direção aos seus pés, perguntando a si mesmo quão inconsequente aquela garota poderia ser.

— Pan, Hector ainda está aqui. — Sarah alertou, tentando fazê-la perceber a situação.

— Sim, nós acabamos de conversar, você não ouviu? — Retrucou sorrindo. — Você está realmente com a cabeça nas nuvens hoje, não é, Sarah? — Completou, afagando os cabelos da amiga com um sorriso.

Sarah e Hector encararam-se com um olhar desgostoso. Ambos se surpreendiam às vezes com a inocência excessiva de Pan, porém sabiam que não poderiam culpá-la por isso, visto que não teve a oportunidade de interagir com ninguém fora daquela casa ainda. Era como uma princesa presa em uma torre sonhando com um conto de fadas. Preocupavam-se em como ela reagiria à podridão existente no mundo lá fora, desejando à todo momento que isso não a quebrasse por completo, tornando-a uma pessoa completamente diferente.

Assim que Pan dirigiu-se até o banheiro, Hector aproveitou a deixa para descer, visando aguardá-las no andar de baixo da residência. Antes de adentrar o chuveiro, encarou-se no espelho por alguns segundos, permitindo-se mergulhar em seus pensamentos. Seus cabelos escarlate a faziam relembrar-se de quando conheceu Hector, e seus olhos esverdeados contrastavam bem com aquela cor que tanto adorava. A pele tão clara que antigamente lhe incomodava agora havia se tornado bela aos seus olhos, e apesar de não considerar-se narcisista, poderia passar o dia todo apenas apreciando sua própria aparência no espelho.

Fechou os olhos e sorriu consigo mesma antes de finalmente decidir entrar em seu banho, deixando que a água morna corresse por todo o seu corpo enquanto esfregava-se com sua esponja macia. Já seca e preparada para vestir-se, colocou o vestido curto florido que havia preparado anteriormente, junto à uma bota de cano baixo, prendendo os cabelos longos em um rabo de cavalo após desenhar os lábios com seu batom favorito.

— Vamos? — Indagou à Sarah, entregando-lhe uma das bolsas conjuntas que Hector havia providenciado na semana anterior.

— Vamos. — Retrucou sorridente, segurando a mão da amiga para acompanhá-la.

Desceram as escadas com rapidez, encontrando-se o homem que as aguardava.

— Hans e Alice saíram antes, mas vocês ainda têm tempo para o café. — Ele alertou, já ciente da reação que Pan teria, ainda que não pudesse evitar de avisá-la.

A reação era óbvia. Ela já sabia muito bem aonde seus pais provavelmente estariam, e isso não a agradava. Inevitavelmente seu coração enchia-se de preocupação, pois afinal, entre o trabalho de seus pais e a morte encontrava-se apenas uma linha muito fina, que poderia ser facilmente ultrapassada a qualquer momento.

— Já estou acostumada, e não estou com fome. — Murmurou desanimada.

— Nada vai acontecer, tudo bem? — Sarah apertou suavemente sua mão para confortá-la.

Surpresa, ela levantou o rosto, encarando a amiga com carinho. A sensação de não estar sozinha a acalmava, mesmo que pouco, e embora forçado, conseguiu soltar um fraco sorriso antes de adentrar o carro. Pensou consigo mesma que nem mesmo suas preocupações poderiam estragar aquele dia, pois afinal, era a primeira vez que conheceria um colégio sem que fosse através de imagens. Agora seria real, e ela estava extremamente ansiosa para conhecer o mundo lá fora.

Notas finais
Eu revisei poucas vezes, então se algum erro passou já me desculpem. Espero que tenham gostado do primeiro capítulo, o segundo será postado em breve ♥ Muito obrigada por ler!