Notas iniciais
Olá, chuchus ♥ to com esse capítulo pronto faz um tempão já, mas eu sentia que tava faltando alguma coisa nele e fiquei postergando até decidir o que eu queria fazer. No fim, deixei ele do jeito que tava e só revisei duas vezes, então se passar algum errinho me avisem, por favoor dhuiashda ♥ Boa leiturinhaaa!

Pouco mais de uma hora foi o tempo necessário para que chegassem ao destino. Os sequestradores de Chris já estavam prestes a cruzar a fronteira da cidade, e qualquer segundo a mais de hesitação por parte de Sandro ou Diego em tomar as rédeas da situação poderia ter feito com que o jovem não visse o nascer do sol no dia seguinte.

Com esse pensamento em mente, Sarah foi rapidamente dominada pelo remorso. Uma parte de si sempre fora mais reclusa e distante justamente porque sabia que vínculos só aumentariam o número de alvos disponíveis para aqueles que quisessem atingir sua família, e agora, nada mais passava pela sua cabeça a não ser a culpa de ter se envolvido com o rapaz, colocando-o em perigo. Seu corpo já começava a suar frio com as memórias do dia em que seu irmão fora brutalmente assassinado à sua frente por míseros trocados, então o que não poderiam fazer com Chris se milhões estivessem em jogo? Conhecia muito bem as partes podres daquele mundo, e jamais se perdoaria caso algo acontecesse com ele por sua causa.

— Fiquem no carro, vocês duas. — Sandro ordenou com serenidade, empenhando-se em tentar amenizar as emoções de ambas. Tinha ciência de que, para civis, não era lá a coisa mais tranquila ou divertida de se vivenciar. — Eu volto em alguns minutos. — Prometeu diretamente à sua esposa, fechando a porta com alguma fúria após sinalizar com o olhar para que dois homens da família protegessem o veículo, sem dar brechas para que mais reféns fossem feitos.

Sarah entendia que era a melhor opção simplesmente obedecê-lo e não contestar, entretanto, algo em seu interior a fazia querer desesperadamente sair daquele carro e correr em direção ao fogo cruzado. A imagem de Chris ajoelhado com tanto medo, encolhido, com os olhos avermelhados segurando o choro e o pavor, tão estremecido com uma arma apontada à sua cabeça fazia o sangue dela ferver. Estava com muita raiva daqueles sujeitos, mas acima de tudo, com raiva de si mesma por tê-lo trazido ao seu mundo e o colocado em perigo.

— Eu nunca pensei que o conselheiro viria pessoalmente negociar com a gente. — O sujeito que continha a vítima nos braços iniciou conversa. — Não tem medo da polícia descobrir o seu rosto? — Aqui esboçou um sorrisinho cheio de escárnio, e então, depois de alguns segundos, deu de ombros. — Bom, se bem que no caso de vocês, duvido muito que já não tenham a polícia toda no bolso. — Completou.

— Por que eu teria medo de algo assim? Que eu saiba, os criminosos aqui são vocês. — Respondeu impassível. Diferente dos amadores à sua frente, Sandro fora muito bem treinado para lidar com esse tipo de situação. Sabia perfeitamente que não podia demonstrar qualquer empatia por Chris se quisesse realmente salvá-lo, então observou-o de cima a baixo e fixou o olhar no homem que o segurava. — Não sou eu que estou covardemente apontando uma arma para a cabeça de uma criança em plena luz do dia.

— Ah, mas todo mundo sabe que antes de chegar na sua posição você já apontou várias. — Seguiu sem retirar o sorrisinho do rosto. — Mas é claro que depois de virar um dos peixes grandes, você ficou covarde. É muito mais fácil só dar as ordens enquanto os soldados como nós sujam as mãos por vocês, não é? — Ralhou frustrado; era óbvio o quanto estava alterado devido às constantes engolidas secas e apressadas que dava em um curto intervalo de tempo, ainda que tentasse esconder.

— Realmente, mas vocês só sujam as mãos no nosso lugar porque pedem por isso. Nos procuram em busca de favores, cientes de que vão ser cobrados por isso mais tarde, aceitam as circunstâncias e depois reclamam. — A entonação de Sandro foi ríspida e direta, quase como uma declaração que o considerava inferior. Era muito orgulhoso para permitir que alguém falasse daquela maneira em sua presença, e gostava de atestar dominância. — Mas vamos deixar essa conversa inútil de lado. Eu vim para negociar, então, o que vocês querem? — Inquiriu desinteressado, levando um cigarro à boca com certo deboche.

Chris estava devastado. Cabisbaixo e imóvel, ele não ousava abrir a boca nem ao menos para suplicar ajuda. Parecia horrorizado, e de certo modo, isso tranquilizava o conselheiro, pois assim, sabia que o jovem não teria coragem para reagir ou fazer qualquer besteira que atrapalhasse seus planos. Bom, o fato de serem mais de vinte aliados contra apenas três mercenários dava-lhe alguma esperança, portanto não seria ele quem estragaria os planos da família de sua namorada ao agir de maneira estúpida. Havia assistido inúmeros filmes de ação, e sabia que, para não ser um estorvo, o melhor a se fazer era ficar quieto e esperar.

— Os Romano pediram metade dos territórios que vocês têm nessa cidade e em Nova Iorque. — Alegou com um resquício de insegurança, já certo de que o pedido era um absurdo. Empenhando-se em manter a compostura, pigarreou e acrescentou: — Eles também querem a cabeça do fantasma por ter matado o irmão mais novo do atual Don. — Essa parte ele exigiu com autoridade.

Sandro revirou os olhos, deu uma baforada em seu cigarro e se pôs a falar, após negar decepcionado com a cabeça:

— É engraçado que estejam fazendo uma exigência dessas. Eu perguntei o que vocês queriam por mera educação, mas honestamente, suas ameaças perderam o valor quando vocês falharam em sair da cidade. — Aqui ele gesticulou com as mãos para afastar a fumaça de seu rosto, logo depois chocando-as uma contra a outra para fazer um leve barulho de aplauso. — Eu os parabenizo por terem quase conseguido escapar, mas agora estão cercados e em menor número. O que te faz pensar que concordaríamos com essa estupidez? — Arqueou as sobrancelhas em reprovação, não fazendo questão alguma de esconder o quanto achava aquilo completamente ilógico. — No fim, os Romano não fizeram nem a lição de casa para descobrir que o fantasma não age mais sob o nome dos Stracci. Qualquer problema que tiverem com ele, sugiro que resolvam diretamente com ele. Bom, se conseguirem encontrá-lo. Para isso, lhes desejo muita sorte. — Terminou confiante, fitando-o sem desviar o foco ou demonstrar hesitação.

— Nós temos permissão pra matar o garoto se não concordarem com os termos.

— Então faça isso, puxe o gatilho, tanto faz. — Retrucou em tom frio. — O garoto não vale isso tudo. Nós nunca arriscaríamos perder tanto poder em troca de uma simples criança. Vocês pensam que somos anjos, por acaso? Que teríamos alguma empatia e aceitaríamos qualquer pedido só por que ele tem algum tipo de envolvimento emocional com uma das filhas do Don? Não sei se são burros ou só ingênuos, mas em todo caso foi um plano ridículo. — Terminou sem titubear.

Quando Sarah e Chris ouviram aquelas palavras, ficaram abismados. A garota logo se desesperou e saiu do carro, felizmente sendo detida por um dos indivíduos da família antes de aproximar-se mais. O refém, no entanto, direcionou um olhar agoniado à Sandro.

O que eles não sabiam, era que o conselheiro esperava por exatamente essas duas reações. Aquela aflição; aquele olhar implorando por piedade e toda aquela agitação romântica entre dois jovens aparentemente muito apaixonados. O sequestrador parecia ainda mais confuso, sem conseguir descobrir se era um blefe ou não, esforçando-se para manter a calma ao seguir ameaçando várias e várias vezes.

— Não, por favor, Sandro! — Sarah gritou apreensiva, lutando arduamente para desvencilhar-se de quem a segurava para correr até o lugar de negociação. — Eu imploro, não mata ele, por favor! — Insistiu.

Sandro encarou-a e colocou uma expressão de dó em sua face que logo desapareceu, forjando um suspiro muito convincente enquanto continuava a tragar seu cigarro como se estivesse sendo obrigado por sua protegida a fazer algo sobre aquilo.

— Tudo bem. Eu não costumo negociar com o seu tipo de gente, mas... — Jogou o tabaco ao chão e pisoteou-o antes de retomar o assunto: — vou fazer uma exceção por causa da nossa principessa. Não sou um monstro sem coração, e não quero ter que dormir com o peso na consciência de ter feito a mocinha chorar. — Voltou a encarar o mercenário, com a noção de que parecia interessado em sua oferta. Estava encurralado após perceber que suas intimações não surtiam efeito, afinal, portanto era bem provável que acabaria aceitando qualquer acordo que lhe garantisse sair dali com vida. Mas ele não seria tolo de propor qualquer coisa. Precisaria oferecer algo não tão surreal, mas que ao mesmo tempo fosse aparentemente irrecusável.

— Eu não vou aceitar nada além do que foi pedido. — Teimou, sem querer dar o braço a torcer. Era vergonhoso demonstrar que havia perdido o controle das circunstâncias. Matar o refém significava assinar o atestado de sua morte, e apesar de envolvido no mundo do crime, qual homem não temia a morte? Bom, em algum lugar do mundo alguém assim deve existir, entretanto, ele definitivamente temia, e muito.

— Tem certeza? Como você mesmo já disse, as pessoas que estão te pagando não estão nem aí para a sua segurança. Só querem alguém que suje a mão deles em troca de dinheiro. — Gesticulou de maneira convincente, fazendo-o ponderar. — A nossa famiglia é duas vezes maior, duas vezes mais poderosa, e ao menos cinco vezes mais rica. Nós podemos pagar o dobro e garantir sua proteção dos Romano sob o nosso nome. Obviamente isso também implica em uma fuga segura da cidade para vocês. — Concluiu sério, sem deixar escapar qualquer mísero detalhe que o fizesse parecer estar blefando.

— E por que eu confiaria em você? Não é como se os Stracci se importassem com a nossa segurança também. Vocês não são diferentes deles, e eu não sou idiota.

— É verdade que eu não me importo se você vai viver ou morrer, mas eu me importo com o bem-estar da filha do Don a quem eu sirvo, e se garantir a sua vida é o que eu preciso pra não ter que ver ela chorar, então que seja. — Cruzou os braços, balançando a cabeça sutilmente. — Se fosse algo muito complicado eu nem me daria ao trabalho, para ser honesto, mas isso é fácil. Para a nossa família, pelo menos.

O delinquente ficou em silêncio, pensativo por alguns segundos, colocando na balança todos os prós e contras de aceitar a proposta. Ceder acabaria colocando-o em problemas com os Romano, mas com a proteção dos Stracci, eles não ousariam caçá-lo. Não era como se fosse relevante a esse ponto, então não tinha nada a perder. Estava encurralado, portanto se existisse a mínima chance de sair dali vivo, deveria agarrá-la.

— Eu quero o dinheiro aqui em uma hora, ou o menino vai morrer. — Ameaçou novamente.

Sandro segurou o riso, achando ridículo o quanto aquele indivíduo se recusava a admitir derrota, entretanto, não podia se permitir esboçar sentimento algum se quisesse seguir adiante com todo o teatro que criara. Com um semblante muito profissional, assentiu e tomou o celular nas mãos após pedir permissão para pegá-lo, obviamente como uma cortesia, prontificando-se a contatar Hans no intuito de contar-lhe sobre o acordo e ganhar sua aprovação para fechá-lo. O Don não se incomodou e aceitou sem pestanejar, acreditando cegamente em sua decisão. Era seu conselheiro, afinal, e não teria esse título se não fosse um homem à quem confiaria sua vida, então se ele achava que essa era a melhor solução, tinha sua autorização para ir até o fim.

Depois de quarenta minutos, Alice apareceu pessoalmente para entregar-lhe a maleta com o dinheiro requisitado. Três milhões de dólares em notas falsas e perfeitamente forjadas, impossíveis de se identificar a olho nu, que ela posicionou em meio ao campo de fogo cruzado e aguardou até que os mercenários conferissem rapidamente a quantia.

— Vocês podem contar mais rápido, por favor? Eu sou uma mulher ocupada, sabe? — Ela pediu em uma entonação sarcástica, fitando-os com desdém. — Diferente de vocês, eu não tenho o dia todo.

Sandro encarou-a com raiva, desejando muito poder repreendê-la por provocá-los assim. Isso poderia colocar um fim à negociação, e tudo o que ele mais odiava era ter que lidar com esse tipo de descuido, já que toda a sujeira, no fim, ficava como sua responsabilidade para limpar.

Os sujeitos, no entanto, não pareceram se incomodar com isso. Era como se já esperassem um comportamento arrogante por parte daquela mulher, e por conseguinte, encararam-se entre si, abertamente assentindo com a cabeça uns para os outros como se confirmassem a veracidade das notas e do valor requerido. Definitivamente não havia sido tempo o suficiente para que contassem tudo, mas não queriam parecer tão afobados ao simplesmente saírem correndo dali sem nem ao menos se darem ao trabalho de averiguar; ou fingir que o fizeram.

Ainda com Chris em suas miras, os sequestradores saíram em direção ao carro em passos lentos, sem desviar o olhar dos inimigos, liberando o rapaz apenas no instante que atestaram a própria segurança dentro do veículo e deram a partida, empurrando-o do lado de dentro até que caísse pateticamente no asfalto, ainda com as mãos amarradas.

— Chris! — Sarah berrou aflita, e ao vê-la empenhando-se tão arduamente para correr até o namorado, Sandro logo deu o sinal para que o indivíduo que a segurava deixasse-a ir. Assim que solta, ela instantaneamente correu até o garoto, enlaçando seu corpo com muita força e carinho. — Me desculpa por isso, de verdade. Me desculpa, me desculpa. — Murmurou com dificuldade, afogando a face no tecido de sua camiseta para esconder o fato de que estava quase desabando em lágrimas outra vez.

— Não é sua culpa, linda. — Ele retribuiu o gesto, envolvendo-a em seus braços para confortá-la. Querendo amenizar o clima pesado, obrigou-se a sorrir contra os cabelos dela e acrescentou: — Eu quase me mijei de tanto medo, sério. Eu tô tremendo até agora. Se eu não tivesse ido no banheiro logo de manhã, acho que estaria todo mijado. — Brincou, empenhando-se em fazer graça da situação.

— O quê? — Ela afastou-se para encará-lo com estranheza, franzindo o cenho. — Meu Deus, Chris, você é um idiota. Sabe o quanto eu estava preocupada? E você fica aí fazen... — Antes que pudesse prosseguir com sua fala, fora abruptamente interrompida por um beijo cheio de ternura contra seus lábios, levando-a a fechar os olhos e imergir na sensação agradável que era tê-lo acariciando sua língua com a dele.

No momento que recordou-se da presença de Sandro e Alice, ele recuou envergonhado, evitando ao máximo fazer contato visual com aqueles dois e focando toda sua atenção na garota à sua frente. Com o objetivo de disfarçar seu constrangimento, pigarreou e pôs-se a sussurrar com a voz trêmula:

— Eu espero muito que você não seja boba a ponto de me dizer que agora vai terminar comigo só pra não me colocar em perigo de novo. — Levantou o queixo dela com o indicador para fazer contato visual direto, arrumando algumas mechas de seus cabelos atrás das orelhas. Ao percebê-la desviando o olhar acanhada, percebeu que realmente tinha tais intenções, portanto suspirou chateado e acrescentou: — Não acredito que você pensou mesmo nesse tipo de clichê idiota, Sarah.

— E o que você quer que eu faça? Eu não sou forte como a Pan pra aguentar essas coisas sem quase ter um derrame, e também não quero você se envolvendo nesse tipo de coisa por minha causa. — Esfregou os braços com uma pitada de nervosismo, se contendo para não sucumbir aos péssimos sentimentos que a dominavam. — Se nós dois continuarmos juntos, as chances disso acontecer são bem grandes.

— Então deixa acontecer. O que nós dois temos é muito especial, e eu sinto alguma coisa muito forte por você, de verdade. — Emoldurou o rosto dela com as mãos, afagando ternamente uma de suas bochechas com o polegar. — Eu não estou pronto pra deixar isso acabar ainda. Agora, aqui, a única coisa que eu consigo imaginar é que ficar com você tem mesmo um milhão de problemas, e pode até ser que da próxima vez eu não tenha tanta sorte de sair vivo, mas a única coisa pior do que isso é ficar sem você.

— Chris... — Chamou-o com muita afeição, de forma manhosa, voltando a abraçá-lo para mostrar seu apreço. — Tem certeza? Eu posso vir com uma bagagem bem pesada.

— Às vezes é melhor dividir esse peso do que tentar carregar tudo sozinha. — Recuou um pouco, prontificando-se a entrelaçar os dedos nos dela e continuar com um sorrisinho maroto: — Eu só não garanto que da próxima vez as minhas calças vão sobreviver. Eu dei sorte hoje. — Riu com vontade, recebendo um tapa suave no ombro e uma revirada de olhos como resposta.

— Não acredito que você ainda consegue ficar brincando em uma situação dessas. — Reclamou.

— E eu deveria chorar? Vamos com calma, minha linda, eu já quase desmaiei quando ouvi o cara da sua família falando que podiam puxar o gatilho, deixa eu fingir que nada aconteceu um pouquinho. — Voltou a rir de uma forma descontraída, contagiando a namorada que logo começou a sorrir também, mesmo que à contragosto. — Quando eu te vi tão triste por minha causa, precisei me manter forte, sabia? Você não vai se livrar tão fácil assim de mim, mocinha, então nem começa a pensar em terminar comigo porque eu não vou deixar. Ninguém mandou me aceitar, pra início de conversa. — Completou, dando-lhe um breve selinho discreto.

Quebrando toda a magia do momento romântico, ambos sobressaltaram-se simultaneamente com o soar de um chamativo barulho de explosão não muito distante dali.

— O que foi isso? — Sarah inquiriu amedrontada, sentindo que havia sido envolvida novamente nos braços do rapaz em um gesto instintivo na intenção de protegê-la.

— Foi só um presente nosso para os homens que estavam aqui. — Alice interveio, estendendo as mãos para ajudar sua considerada filha a levantar. Chris logo seguiu e colocou-se ao lado dela. — Não precisa se preocupar. Só deixamos um lembrete pra ninguém esquecer que desafiar a nossa família é um erro. — Sorriu como sempre; aquele sorriso único e cínico que causava calafrios a qualquer um que olhasse em sua direção.

— Pare de provocar as crianças, Alice. — Sandro interrompeu com uma entonação sem paciência, atestando seu descontentamento com a fala da mulher. Sabia perfeitamente que não era o tipo de assunto que deveria ser falado na presença de alguém de fora, já que, afinal, tinham colocado explosivos dentro de um dos compartimentos secretos da maleta entregue aos mercenários, e sair falando sobre isso por aí não era lá a coisa mais cuidadosa a se fazer.

— E você é meu marido pra me dar ordens, por acaso? — Ela arqueou as sobrancelhas para esboçar uma aura desafiadora, fitando-o com frieza. — Que eu saiba, o Don é ele, não você, mas de qualquer forma, eu só estava dando boas vindas à famiglia para o menino. — Direcionou uma piscadela ao namorado de Sarah, ocasionando-lhe arrepios gélidos por todo o interior. Aparentemente, nem mesmo uma arma apontada à sua cabeça o amedrontava tanto quanto os pais de sua parceira.

— Vamos pra casa, ragazzi. Minha esposa está no carro e eu já fiz ela esperar muito tempo. — O conselheiro determinou, um tanto afobado. Tudo o que ele não precisava agora era causar ainda mais sofrimento à Antonella, em especial após os acontecimentos mais recentes e todo o drama que ela precisaria suportar com o funeral mais tarde.

Os dois jovens instantaneamente assentiram e acomodaram-se no automóvel o mais rápido possível, aliviados por finalmente se livrarem daquele pesadelo ruim. Durante o trajeto, Chris vez ou outra tinha alguns espasmos de susto causados pelo choque de ter vivenciado aquela experiência traumática. Agora que toda a adrenalina em seu corpo havia se esvaído, tornara-se complicado manter a mesma calma de antes. Percebendo isso, Sarah abraçou-o até que chegassem ao destino, vendo-o gradativamente cessar a tremedeira.

Antonella permaneceu calada. Não gostava de se intrometer nos assuntos do marido, e em especial, não apreciava nem um pouco presenciar os trabalhos aonde ele sujava as próprias mãos. Uma coisa era aceitar sua função como conselheiro, mas outra muito diferente era ter que assisti-lo negociando com criminosos e explodindo-os segundos depois. Ultimamente as coisas já não estavam sendo fáceis para ela, e ocasiões assim não ajudavam em nada o seu bem-estar. Diferente de Alice, ela não conseguia encaixar-se naquele mundo.

Na sala de estar dos Stracci, Hans estava sentado em sua poltrona usual, na companhia da mãe de Chris para tentar acalmá-la sobre o sumiço do filho. Quando os viram entrar na casa, ela correu para abraçá-lo com força, agradecendo aos deuses por terem-no trazido de volta.

— Eu fiquei tão preocupada com você, meu querido. — Sussurrou contra o pescoço dele, vendo-o retribuir o gesto com certa ansiedade. Há alguns segundos, ele temia não vê-la nunca mais, então tê-la ali, agora, o fazia repensar sobre o quanto valorizava sua presença. — Você não pode mais sumir assim sem me avisar, entendeu? Se não fosse pelo Hans me explicando tudo eu já teria parado no hospital. — Ralhou, utilizando de uma entonação especial ao citar o nome do Don e afastando-se do garoto para ousadamente apoiar uma das mãos no ombro dele para forçar alguma intimidade. Alice empenhou-se em esconder o sorrisinho irônico que lutava para tomar conta de seus lábios ao presenciá-la tão abertamente flertando com seu cônjuge.

— Espera, ele explicou tudo? Tipo... tudo? — Perguntou aflito, direcionando o olhar até o pai de sua namorada após ver sua progenitora assentir. Não sabia como ela poderia reagir ao descobrir sobre tudo, e principalmente, não estava seguro de que ela aceitaria seu relacionamento com Sarah depois disso. — Mãe, isso não é culpa da Sarah, de verdade, fui eu quem... — Começou a tagarelar, entretanto, fora prontamente interrompido por um pigarreio exagerado por parte do anfitrião, que teve o intuito de parar sua fala.

— É claro que não é culpa dela, como eu pensaria isso? Eu fico muito feliz de ter criado bem o meu menino. — Respondeu aliviada, acariciando os cabelos do primogênito. Chris simplesmente franzira o cenho em confusão. — Mas da próxima vez que precisar matar aula pra levar sua namorada no médico, me avisa por favor. Eu fiquei muito preocupada, filho. — Complementou atenciosa, fazendo-o perceber que ela não sabia a verdade.

— Agradeço por ter ajudado minha filha, garoto. — O Don alegou com frieza, embora cortês. O jovem podia jurar que aqueles olhos minimamente avermelhados conseguiam enxergar até mesmo seus ossos. — Saber que pelo menos uma delas têm um gosto menos duvidoso para escolher um parceiro já me deixa mais tranquilo. — Terminou, estendendo uma das mãos para cumprimentá-lo e sendo imediatamente retribuído.

— Eu quem agradeço a gentileza, senhor. Sempre que precisar de alguma coisa, eu estou à disposição. — Retrucou com uma formalidade excessiva, profundamente intimidado por aquela figura. Não bastava ser o pai de sua namorada, ainda por cima era um criminoso influente e perigoso que poderia acabar com sua vida em instantes. Tornava-se impossível não ficar desconfortável ao estar tão próximo dele.

— Tem certeza? — Hans arqueou as sobrancelhas com malícia. — Me dizer que vai estar sempre à minha disposição é uma coisa perigosa, criança. — Ironizou, obrigando-o a engolir seco e forçar um sorriso antes de desviar o olhar até sua parceira como se lhe pedisse ajuda.

— É... então, a gente vai pra aula agora, né Chris? — Puxou-o para o seu lado, desejando encerrar o assunto ali.

— Não dá tempo nem de chegar para a última aula, querida. É melhor vocês só ficarem em casa hoje. — A mãe de Chris replicou. Sarah observou o horário na tela de seu celular e deixou os ombros caírem, decepcionada com sua tentativa falha de escapar daquela sala dominada por um clima constrangedor. — Eu vou ligar para o diretor e avisar sobre o motivo da falta de vocês dois.

— Isso não é necessário, senhora. — Hans interrompeu. — Eu já cuidei disso. Não precisa se preocupar.

— Mesmo? Muito obrigada, Hans. — Ela aproximou-se dele com alegria, apertando-lhe as mãos de modo que demorasse muito mais do que o necessário para soltá-lo, sem esconder suas segundas intenções.

Alice revirou os olhos discretamente, embora tenha sido notada pelo marido, que suspirou cansado com a situação. Sabia que a mulher era uma viúva, mas ainda assim, não conseguia acreditar que estava agindo assim com o pai da namorada do próprio filho.

— Sim, sem problemas. — Ele limpou a garganta, recuando para demonstrar seu desconforto com o excesso de proximidade. — Alice, peça para algum dos homens levá-los para casa em segurança. — Gesticulou com as mãos, voltando a sentar-se.

Quando Chris acercou-se de Sarah para uma despedida, ela segurou-lhe o ombro e sussurrou:

— O que você vai falar pra Alex? Foi ela quem me contou sobre o seu sumiço, ela me viu, então não dá pra falar que você me levou no médico igual a gente falou pra sua mãe. — Deslizou o toque até seu pulso, esboçando uma expressão aflita.

— Eu vou inventar alguma coisa e depois crio um grupo pra mandar a mesma história pra todo mundo. — Ele deu-lhe um singelo beijo na testa para assegurá-la de que tudo ficaria bem, prometendo que a contataria assim que chegasse em casa antes de sair e juntar-se à sua mãe do lado de fora.

Ao testemunhar sua partida, Sarah pediu licença aos adultos e dirigiu-se em silêncio até o seu quarto, jogando-se na cama para digerir o dia exaustivo. Não eram nem cinco horas da tarde e seu corpo já implorava por um descanso.

— Sandro, sente-se comigo um minuto. — O Don soou autoritário, permitindo que sua voz rouca ecoasse pelo recinto. O conselheiro concordou à contragosto, lançando um olhar de desculpas para sua esposa, já que não poderia acompanhá-la até sua casa. — Alice, leve a Antonella até o outro lado da rua, por favor. — Pediu sereno, evidenciando que precisariam de privacidade enquanto levava à boca um copo de uísque que enchera até a metade anteriormente.

No instante que o fechar da porta atestou estarem sozinhos, Sandro serviu uma dose para si mesmo e iniciou conversa:

— A negociação ocorreu bem. — Ingeriu um gole afobado, ciente de que estava cansado e a ardência do álcool descendo por sua garganta o ajudaria a passar por mais algumas horas de trabalho. — Os Romano guardam rancor contra o fantasma por ter matado o Paolo.

— Eu já esperava por isso. — Deu de ombros. — O garoto agiu certo. Eu tomaria a mesma decisão se estivesse acordado. Foram eles que abaixaram o nível quando envolveram minha bambina nisso, e eu não sou um santo pra perdoar algo assim. — Ajeitou a postura na poltrona, colocando uma das pernas acima da outra em formato de quatro. — De qualquer forma, eu já tenho os nomes de quem precisa morrer pra colocar um fim nessa maldita vendetta.

— Os irmãos Romano, o atual Don Genovenne e o herdeiro dele?

— Tem outro. — Hans apoiou o cotovelo no braço do assento, usando o punho fechado para segurar a cabeça. — Luca Caccini.

— Caccini? — Sandro franziu o sobrolho, encontrando certa familiaridade com aquele nome. Não, na realidade, ele o conhecia muito bem. — O filho do Vincenzo? Pensei que fosse inofensivo, porque ele é só um menino.

— Ele é um menino, mas isso não o impede de ser vingativo. — Pegou mais um drinque, bebericando-o para acrescentar: — Na idade dele nós dois já tínhamos feito coisas muito piores. Querer vingança pela morte do pai não seria estranho.

— Realmente, não dá para descartar a possibilidade. Nós também conhecemos alguém da mesma idade que é bem perigoso. — Comentou, referindo-se à Hector. O Don acenou em concordância.

— Agora que isso já está resolvido, eu preciso de um último favor. — Hans finalizou o assunto, dando brecha para o início de outro: — Compre a casa em frente à do jovem que acabou de sair daqui e coloque o Matteo morando lá. Ele é vizinho da criança com a lanchonete, então vamos matar dois coelhos de uma vez.

— E os outros? A bambina tem mais alguns conhecidos que podem virar alvos daqui em diante.

— Quando foi que nós deixamos de ser homens de negócios e nos tornamos babás, Sandro? — Suspirou exausto, negando com a cabeça. O outro esboçou uma leve risadinha por vê-lo tão incomodado em precisar cuidar de adolescentes. — Por enquanto eu já mandei algumas pessoas para a casa da Valérie, e uma das possíveis vítimas está agora morando com você. Faltam dois, não é?

— A última menina é uma figura pública, até aonde eu sei. — Buscou por seu celular no bolso, procurando pelo nome de Isis na aba de pesquisas no intuito de ter a certeza absoluta. — Eu posso entrar em contato com o agente dela e fornecer os nossos serviços como guarda-costas. Agora, sobre o último...

— Ele está sozinho, não é? Os pais voltaram temporariamente para o Japão e deixaram ele aqui para terminar os estudos. — Hans articulou, massageando as têmporas. — Entre em contato com os nossos aliados naquele país, e se precisar, ofereça hospedagem gratuita em algum hotel dos Santoro por lá. Diga para guardarem o hotel com homens de confiança. Todo cuidado é pouco, porque, aparentemente, nossos inimigos não têm limites ou honra.

— E a criança?

— Descubra aonde ele mora e faça a mesma coisa do outro. Compre a casa em frente e coloque a Pietra morando por lá. — Respirou fundo, já aliviado por estar chegando ao final da conversa. — É melhor que seja uma mulher. Eu não quero que eles percebam que estão sendo vigiados, e seria muita coincidência que dois homens nossos se mudassem para perto deles em tão pouco tempo. A Pietra é mais sorrateira, não vai levantar tantas suspeitas.

— Tudo bem, vou começar os preparativos. — O conselheiro falou calmo, levantando-se após receber a bênção de seu chefe. — Com licença, meu Don. — Terminou, saindo da casa em passos apressados. Era muito trabalho para fazer em pouco tempo, portanto precisaria correr se quisesse ter ao menos duas horas de sono essa noite.

Sozinho naquela tranquila sala de estar, Hans ponderou subir até o quarto de Pan com intenções de iniciar uma conversa, mas sabia que ela guardava mágoas sobre suas ações mais recentes. Ao ver sua esposa abrindo a porta, esses pensamentos instantaneamente sumiram e ele desistiu da ideia. Não seria prudente obrigá-la a recebê-lo, e isso poderia chateá-la ainda mais. Como um Don, podia suportar muitas coisas pelo bem maior da família, entretanto, ser odiado por sua queridinha era uma das poucas coisas que aflorava o seu lado paterno a ponto de derrubá-lo completamente.

— Já vai sair? — A esposa o questionou ao observá-lo se levantar em direção à porta.

— Preciso organizar algumas coisas para a viagem de hoje até Nova Iorque. — Respondeu sem empolgação. — Infelizmente eu preciso me encontrar com ele. — Aqui seu tom ficou ainda mais arrastado. Não escondia o fato de odiar precisar lidar com o sujeito em questão.

— Você é o único Don que se incomoda tanto em precisar se reunir com os próprios capos. — Comentou com escárnio, analisando o suspiro lasso de seu cônjuge. — Se não tem paciência pra lidar com eles, então nem deveria ter entregado o título pra início de conversa. — O repreendeu, avizinhando-se dele para arrumar a gola de sua camisa. — Quem vai com você?

— Eu vou levar dois guarda-costas de confiança. — Murmurou, levantando o pescoço para que ela pudesse arrumar corretamente o tecido sem estorvos no caminho. — Quero que você e o Sandro fiquem aqui para cuidar das coisas.

— Não sei se gosto de te ver indo tão vulnerável assim. Levar só dois homens como acompanhantes no meio de uma vendetta é descuidado, até mesmo pra você.

— Eles são competentes e muito habilidosos, Alice. — Disse inexpressivamente, passando a mão pela gravata na intenção de assegurar-se sobre seu alinhamento. — O que foi? Existe algum resquício de sentimentalismo dentro de você que te deixa preocupada comigo, afinal? — Questionou ironicamente, e ela apenas sorriu, estendendo as mãos para arrumar a gravata que ele desarrumara sem querer.

— Eu só estou cumprindo o meu papel como membra da famiglia. — Aproximou o rosto do dele, apoiando brevemente o queixo em seu ombro ao ficar na ponta dos pés. — É meu dever garantir a segurança do Don a quem sirvo. — Sussurrou em seu ouvido, retirando-lhe uma risada abafada.

— Sim, eu imagino. Você sempre foi muito competente. — Recuou o corpo, colocando-se de frente para ela. Em um movimento demorado e hesitante, beijou-a suavemente na bochecha para sussurrar: — não me espere para o jantar hoje, madame Stracci. — E então ele se retirou, arrancando-lhe um breve grunhido insatisfeito.

Algumas horas mais tarde, Evan voltara a visitar a casa de Pan da mesma forma que havia feito durante todos os outros dias da semana, deixando-lhe presentes para tentar fazê-la sair de seu quarto. Já estavam próximos do Halloween, e como todos os anos, ele planejaria uma festa em sua casa. Era provavelmente a festa mais aguardada por todos do colégio, em especial porque Chris e ele eram muito populares e queridos por todos.

Ao notar que Sandro e Hans não estavam nas redondezas, decidiu arriscar a sorte e apertar a campainha. Uma. Duas. Três. Quatro vezes. Depois de aguardar por muito tempo, desistiu e somente colocou o buquê ao lado do portão, igual ao que havia feito durante os últimos quinze dias. Porém, no segundo que virou-se para ir embora, fora repentinamente surpreendido pelo som de metal rangendo, sinalizando que o portão se abrira.

— Você de novo? — A voz de Alice fez-se audível, dando-lhe uma sensação de alívio. Os outros já o odiavam a ponto de tentar matá-lo, mas ela ainda não tinha demonstrado sinais dessa vontade ainda.

Evan engoliu seco e ajeitou a jaqueta de couro, alinhando os fios de cabelo bagunçados ao virar-se e encará-la corretamente, estendendo a mão para cumprimentá-la e iniciar conversa:

— Boa tarde, senhora. — Pigarreou, empenhando-se em manter a compostura. Ela poderia não ser abertamente irritada como seu marido, contudo era tão intimidadora quanto. — Eu sou o Evan. Nós já nos encontramos antes.

— Eu sei muito bem quem você é. — Retribuiu ao gesto com a mesma expressão de sempre. Ao contrário dos outros, não se importava com a presença dele. — O meu marido não está hoje, e o conselheiro também não vai aparecer. Eu preciso de um pouco de paz essa semana, então se eu te deixar entrar pra falar com ela, você para de ficar tocando a minha campainha todos os dias?

Os olhos dele cintilaram em questão de átimos, e um sorriso aberto dominou seus lábios.

— Sim, eu prometo. — Assentiu esperançoso, adentrando a casa na companhia dela até que chegassem em frente ao quarto de sua filha. — Ruivinha? — Chamou afável, batendo na porta algumas vezes. Sem resposta, no entanto.

— Eu vou te fazer um favor, mas só porque eu não odeio imbecis como você. — Alice colocou um dos dedos indicadores em sua boca, assinalando que suas próximas ações deveriam permanecer em segredo, e retirou um grampo dos cabelos, desfazendo o coque alinhado. Em menos de trinta segundos, utilizou-o para destrancar a fechadura e piscou marotamente em direção ao garoto antes de afastar-se alguns passos. — Boa sorte. — Murmurou, descendo até a sala principal para dar-lhes privacidade.

Evan demorou para tomar coragem, contudo engoliu seco e girou a maçaneta, colocando os pés para dentro do cômodo antes de fechar a porta atrás de si. Era uma visão bela aos seus olhos, porém tão trágica que seu coração parecia estar prestes a partir ao meio. Pan estava desolada, acomodada em sua cama vestindo apenas uma camisola com uma estampa infantil de coelhos enquanto acariciava seu gatinho com um olhar vidrado no horizonte das paredes. Ficar presa naquele local estava certamente arruinando sua saúde mental. Não lhe faria nada bem seguir imersa nos próprios pensamentos destrutivos, e ele sabia muito bem disso.

Em passos lentos, ele avizinhou-se dela, quase como se a visse como um animal indefeso que fugiria rapidamente caso se sentisse ameaçada por movimentos bruscos vindos de sua parte.

— Ruivinha, a gente precisa conversar. — Alegou em tom baixo, fazendo-a sobressaltar com o susto. Estava tão distraída com a própria miséria que nem ao menos havia percebido sua presença ali.

— Evan? — Ela soou surpresa, levantando-se bruscamente enquanto o fitava com medo e angústia. — O que você tá fazendo aqui?

Notas finais
Eita, finalmente alguém sem ser o Diego conseguiu entrar no quarto da Pan. Não sei se ela vai gostar muito de a Alice ter invadido a privacidade dela desse jeito, masssss né KKKKKKK Alice sendo Alice. Espero que tenham gostado, chuchus, beijiinhos ♥ ~