Já escurecia, enquanto isso partia de volta para casa Alberto no automóvel da clínica, na metade do caminho recebeu uma ligação de um dos funcionários. Ele logo se apressou, ficou sabendo que houve algum acidente, e que estava pegando fogo no prédio comercial, estaria em pouco tempo, talvez chegasse antes mesmo dos bombeiros. Pulou logo para fora do carro, e foi correndo em direção ao acumulo de curiosos. Desesperado indagava sobre Biatriz, ninguém sabia responder.

Até que saiu correndo uma das funcionárias, gritando desesperada, que a Bia estava presa, precisava de ajuda. Sirenes dos bombeiros, mas Beto desesperado ia entrar, seus funcionários tentaram o impedir, contudo foi em vão. Ele percebeu que os animais foram soltos, ele foi direto aos fundos do local, mas até certo ponto, pois que as chamas estavam intensas, e muita fumaça. Gritava desesperado, mas não havia nenhuma resposta, resolveu molhar um pano, disposto atravessar, e ao passar pela as labaredas, algum objeto caiu e bateu em sua cabeça. Ele sente uma tontura, e encosta num canto, pois sentia sufocado...

“A tua imagem no espelho de água, é o meu canto mais bonito! Ela se espanta! Apressa-te! Eu te amo! Assim é meu último suspiro. — Não Bia, não me deixe, estou me sentido incompleto, o fogo me consome...”

— Aaaaah! — grita Alberto, quando percebe que está numa cama, um aparente leito de hospital. Transpirava como se tivesse saído de uma chuva, ainda ofegante, nem reparava muito ao seu redor, até quando começou a lhe recobrar a consciência, mas pouco se lembrava do que tinha acontecido: — Alguém aí?

Ele percebeu que estava sobre o soro, algumas partes enfaixadas, e com uma leve dor de cabeça, mas com uma sensação de que estava fora de si, ainda se indagava o que tinha acontecido. Querendo se levantar, a porta abre, era uma jovem enfermeira, que por um momento para, e observa ele:

— Senhor, está tudo bem?

— Eu acho que sim.

— Espera um momento, chamarei o Dr. Rodrigo.

— Tá, ok. — fez certa cara de que nada fazia sentido, e procurava os pertences dele, pensou no que teria acontecido com a Bia, não estava lembrando de quase nada, sua preocupação lhe trazia uma grande ansiedade.

Então vinte minutos depois aparece o médico, e acompanhado com uma velha conhecida sua, Lídia, que trabalha com exames biológicos, o qual já tinha ocorrido em lhe pedir ajudas em casos anteriores. Cumprimentaram-se formalmente, o médico tratou de fazer suas perguntas iniciais, ao mesmo tempo em que respondia, observava as expressões de Lídia, ora, com um pequeno sorriso, ora com uma pequena expressão de melancolia. Beto se sentia preso como queria tanto dizer algo naquele momento. “Tenho que perguntar para ela o que realmente aconteceu, lembro-me de que...”.

— Lídia, o que aconteceu com a Biatriz? — A reação dos outros dois foi de certo modo perplexos, pois se encontrara em coma, e nada saberia a respeito do que tinha acontecido. — Como ela está? — ele retornou.

— Sabe... — Lídia introduz, enraizou um olhar para o médico, e este que mexe com a cabeça com um sinal de afirmativo, ela continua: — Alberto, nem sei como dizer, ela está internada num estado bem grave, entre a vida e a morte, e não sabemos o destino por agora, mas antes precisamos saber mais detalhes, mas vamos pedir a deus que ela melhore.

— Com licença, voltarei mais tarde.

— Sim, doutor. — respondeu ela, e via a frustração no rosto do internado: — As causas do incêndio não foram constatadas ainda, virou o noticiário do dia seguinte. Os bombeiro encontraram você encostado num canto, e ainda bem que encontraram você rápido.

— Eu me lembro de algo ter caído na minha cabeça...

— Sim... Disseram que seus funcionários liberaram os animais antes de sua chegada, mas sua mulher ela foi para o depósito acho, e disseram que ela ficou presa por lá. Os bombeiros logo conseguiram o controle do fogo, foram resgatar ela, e a encontraram deitada segurando uma gatinha parda. Encaminharam ela para emergência, seu estado estava grave, foi intoxicada, asfixiada naquele momento, teve um ataque cardíaco...

— Preciso ver ela!

— Não, repouse mais um pouco, veremos ela logo. — e assim os dois mantiveram uma conversa breve.

Após o médico lhe ter feito uma nova visita, e foi até o setor da UTI, e viu sua doce sobre os aparelhos, colocou sua mão sobre o rosto, e estava se sentido muito mal ao deparar com o que via, ela se encontrava num estado profundo de coma.

— Bia, meu doce de mel...

No outro dia, final da tarde, Beto foi numa área aberta do hospital para tomar um ar, perto de receber alta, tentava recobrar sua memória, e se culpava por aquilo ter acontecido. E acabara de aparecer uma visita para ele, era Claudinha, a funcionária dele, e trouxe a gatinha que tinha sido salva pela Bia. Eles conversam como seria o desafio dali pra frente para a pet, entre outras coisas. Claudinha foi embora, e deixou a gatinha com Beto.

"Miau", brincava com a gatinha, e levanta ela, e percebe algo na barriga, era um desenho, ele se aproxima para observar melhor, a forma de um coração, e começa a sentir tonto, de repente começa a vir em sua mente muitas chamas te cercarem, desequilibra, e desmaia.

Enquanto isso numa sala reservada:

— Doutor até agora não consegui falar para ele que ela teve morte encefálica.

— Tudo bem, talvez agora não seja a hora. Ou melhor, quem sabe um milagre...