Stormsea - Livro 1 [INTERATIVA, Finalizada]
28 Páginas Íntimas de Georj Wood
Notas iniciais
Páginas Íntimas de Georj Wood
“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.” — Friedrich Nietzsche
Enquanto os cavalos os levavam para o alto das montanhas, numa passagem estreita e perigosa, onde as árvores pareciam flutuar, com seus galhos logo ao toque da mão, Syrena tentou encontrar algum vestígio do Sol, mas tudo o que via era um céu branco e inerte. Georj e sua mãe guiavam os cavalos na trilha. Não havia soldados para escoltá-los ou qualquer bandeira para identificá-los. Sabia-se que Skagos não comprazia nos costumes do Continente, mas Syrena nunca pensou que viajaria com sua futura família da mesma forma que camponeses viajam. Isso lhe deu um gostinho adorável de aventura e sentiu-se empolgada com as botas bem apertadas a seus tornozelos e a adaga que lhe deram quando saíram. Não haviam foras-da-lei naquele lugar, mas lobos e ursos espreitavam a ilha, assim como outros seres tão perversos quanto os próprios selvagens. Claro que Georj disse isso enquanto piscava, mas ela não pode deixar de sentir um leve temor.
Senhora Crowl estimou que a trilha terminaria em duas horas a cavalo, descansariam na casa de sua tia, Marlee Crowl, uma viúva que adorava a floresta e as montanhas. Diziam que era uma das melhores curandeiras de Skagos, e Syrena se interessou muito, nunca havia visto as plantas que cresciam por entre as rochas da montanha, pareciam mais coloridas e talvez mais cheirosas. Cada odor soava como um aviso ou um convite. Veneno e antídoto, lado a lado. Ela continuou a olhar todos os lados, abismada com a grandiosidade de Skagos. Por mais que estivesse vento apenas a região do extremo sul da ilha, parecia-se quase com todo o Norte junto. As montanhas não terminavam e eles passaram por diversas casas e povoados pequenos, aglomerados ou de viagem, migrando como nômades para outras regiões. Eles caminhavam na mata, na terra íngreme e escalando a rocha, tinham rostos castigados pelo trabalho, mas também olhos serenos, animados e gentis. Como se, por mais que tivessem de trabalhar, amassem viver para aquilo. Skagos inteira soava como uma melodia de força e prazer.
Como já estava acostumada, não notou a casa até que a visse, abrindo a porta. Era outra construção na montanha, entralhada na pedra, cavada com esmero. O chalé de pedra possuía uma porta de madeira clara, cheia de desenhos brancos de flocos de neve dançando. Marlee Crowl os encarava com um enigmático franzir de sobrancelhas, e beijou a mão da sobrinha, do sobrinho e de Syrena com um estalo seco. A velha possuía no mínimo cinquenta anos e caminhava curvada, com as penas fracas e apoiada em uma bengala. A frente de sua casa, uma pequena hora crescia, com as plantas que Syrena havia identificado como comestíveis e medicinais. Sentiu-se orgulhosa ao vê-las e constatar que havia acertado. No entanto, logo aos pés da entrada do chalé, encontrava-se um arbusto cheio de ramos de uma flor negra, de pólen arroxeado e folhas de um verde musgo escuro. Podia senti-la cheirando ali mesmo, amargamente. As náuseas lhe atacaram.
— Com licença, Marlee, precisamos passar algumas horas na sua casa – explicou Senhora Myla, adentrando o chalé. Acompanharam-na as crianças.
— Claro. Só lembram de mim quando estão de passagem. – a velha deu de ombros. – Sentem-se, vou fazer o chá. – ela prontamente se encaminhou a cozinha, o mais rápido que sua bengala permitia. – Você, menina... É nova? Tenho uma nova sobrinha?
— Ah, sim – concordou Myla – Mas ela não é minha filha. É prometida de Georj.
Marlee Crowl explodiu em gargalhada.
— Georj? – ela apontou a bengala para o estômago do menino e cutucou-o. – Ele é só um garoto. Não um homem. Prometidas para Georj? Não perca seu tempo, Mylane, espere mais alguns anos.
— O acordo já foi feito. Se Georj se achar incapaz, esperaremos. – concordou Myla, olhando carinhosamente para Syrena. – Mas não devemos condenar a garota por cumprir seus deveres com a família.
— Ah, sim. As garotas podem casar mais cedo. – Senhora Marlee observou Syrena por um curto tempo – Vi que gostou das minhas plantas. Algum interesse?
— Eu conheço algumas. E pude identificar as comestíveis.
— Qualquer bom olho consegue – concordou a velha, sorrindo – Gostei dela. Uma nova médica para a família, eu apoio. Você é o quê, garota?
— É uma Greyjoy, Marlee – respondeu Senhora Crowl, e os olhos da velha reviraram nas órbitas.
— Claro, a guerra. A guerra dos Stane, claro que sim. – então ela soltou um longo e tristonho suspiro, quase como se todos os seus anos se amontoassem e ela enfim sentisse fadiga de todos os comentários sarcásticos já soltados em vida. Marlee Crowl tinha o peso de cem anos sobre as juntas, por mais que a metade desse número lhe fosse real. – Duas crianças, e uma guerra da qual não fazem parte. Stane deve estar muito feliz com sua filha e a guerra que ela está armando. Ambições não combinam conosco, os Crowl. Não compreendo como pôde compactuar com isso. Ou melhor, como Jorg pôde.
— Recebemos ordens de nosso Senhor. – respondeu Myla de forma prática e extremamente ácida.
— Desde quando nós recebemos ordens? O Continente os tem absorvido. Logo estarão se prostrando diante de Stane e beijando seus dedos. Ou melhor, seus anéis. Será que a Corte já tem anéis?
— Imagino que ninguém na Corte saiba o quê é um anel, quanto menos o tenha. – Myla voltou-se para Syrena – Aguarda um pouco, logo ela irá fazer o chá.
Senhora Crowl fungou e se foi. Para a garota, a família de Georj era muito agitada. O modo como as mulheres se dirigiam uma a outra sugeria muita intimidade e também como se referiam ao Lorde de Skagos, sendo alguém mais familiar. Georj, sentado ao seu lado no banco de pedra do chalé de sua tia, mantinha um silêncio taciturno, fixando seus olhos no chão e roçando-lhe de leve os dedos. Notara já há algum tempo que ele mantinha sempre um contato físico com ela, fosse para se aquecer durante a madrugada ou apenas para ter certeza de que ainda existia ali. Não se importava, mesmo que isso fosse um pouco constrangedor. Myla Crowl ignorava as ousadias e flertes de seu filho, ou simplesmente não se importava com aquilo, com a dignidade de Syrena e mesmo a boa educação. Mas a Greyjoy não era injusta. Desde que seus pés pisaram Skagos, percebeu que teria de reaprender todos os seus valores e costumes. Vira Myla e Jorg, seu esposo, beijando-se ao menos cinco vezes, indiscretamente e em frente aos marinheiros. Também vira homens rindo e abraçando-se fraternalmente e moças apertando as bochechas uma da outra. O tom de intimidade em Skagos era muito agradável em meio a tanto frio, todos se mostravam muito amáveis e muito inocentes em cada toque. Georj colocou um dedo por debaixo de sua mão e segurou-a com o resto de sua palma, passando os dedos finos sobre sua pele fria.
— Marlee e sua mãe não se gostam? – perguntou a ele, apenas para fazê-lo falar. As duas Crowl desapareceram em uma porta que deveria ser a cozinha. Assim como a primeira casa dos Crowl-Wood não tinha servos, ali também não viu nenhum. Georj enfim notou-a.
— Ah, são grandes amigas desde que Marlee carregava minha mãe no colo. Elas apenas são duas personalidades ácidas. – e então sorriu, gentilmente. – As pessoas em Skagos possuem personalidades muito fortes. Você vai se acostumar, em geral nunca querem ofender alguém. Apenas são mais liberais.
— Ah, eu percebi. – ela concordou, olhando sua mão sob a dele. O garoto enrubesceu e soltou-a imediatamente.
— Perdão.
— Oh, não estava reclamando. – ela murmurou, decepcionada consigo mesma.
Georj mordia os lábios, ainda envergonhado. Talvez ele tivesse tocado-a toda a viagem sem perceber, ou só estivesse tomando consciência do impacto de seus atos sobre ela agora. Ele tocaria todas as moças com quem passava o tempo? Ou talvez fosse algo muito comum entre os skagosi? Sentiu uma leve pontada de desapontamento, gostaria que fosse a única a receber tal atenção, afinal toda mulher adora ser especial, e ainda mais especial para quem está prometida.
— É verdade – ela repetiu, quase implorando. – Não é ruim. Apenas não estou habituada. Não recebi um abraço sequer de minha família quando parti para cá, e a última vez que alguém me dedicou algum afeto, foi logo após a morte de minha mãe, antes que meu pai me mandasse para a casa de meus avós. – Para demonstrar que realmente não se importava, Syrena jogou sua mão sobre a de Georj e ele abriu um sorriso divertido.
— Você é muito boba, Sy. – poderia ter entendido como uma ofensa, se fosse em qualquer outro lugar de Westeros. Mas Syrena soltou uma risada.
Já vimos que Syrena tinha muitas dúvidas sobre a nova cultura que estava desvendando e que a assustava errar ou julgar algo errado. Vejamos então o que o jovem Georj tinha em mente, enquanto sorria e sentia os dedos trêmulos dela sobre os seus. Há quase dois dias ele vinha tentando se acostumar com a ideia de que aquela garota seria sua esposa e passaria o resto da vida ao seu lado. Não havia retornos, ela já estava ali, impossível voltar atrás. Syrena era tímida, ou então estava hesitante para conhecê-lo, deixava-lhe que iniciasse todos os diálogos e demonstrava-se muito reservada. Ele sabia que ela não entenderia tudo imediatamente e que a ideia de um casamento arranjado nas Ilhas de Ferro era muito mais comum do que em Skagos. Ele jamais pensara que seria obrigado a isso, sempre que se lembrava de que um dia casaria, soava mais como algo distante e maduro, não como um acordo de guerra.
Ele queria acreditar que conseguiria se tornar amigo de Syrena e que se apaixonariam. Quando lhe pegava a mão, era algo tão tosco que ele não podia deixar de se sentir congelado por dentro. Era... como algo automático e distante. Forçando a intimidade entre eles, parecia que ele queria adiantar algo que só seria conquistado pelo tempo. E Syrena não percebia nenhuma de suas inseguranças e medos. Ela aceitava tão fácil a ideia de nunca amá-lo? Como copulariam? Não queria nem mesmo imaginar algo do tipo. “Obrigação não deveria ser uma palavra no meu vocabulário, muito menos na minha vida”. Seria isso que o estava impedindo de criar vínculos mais fortes com Syrena? A ideia de que estava sendo obrigado a isso, mesmo que ela fosse uma garota bonita, esperta e amável. Nunca se saia bem quando se sentia pressionado.
Por sorte, Tia Marlee retornou da cozinha com duas xícaras de chá e mamãe com o bule e mais duas xícaras. Eles tomaram a bebida quente e conversaram sobre o clima e a viagem para a casa nas colinas. Ele preferia a casa do porto, onde a maré sempre rugia, os quartos eram sempre escuros e podia sair para navegar com o pai. Mas a mãe detestava a umidade e preferia passar o tempo com o resto de sua família. O castelo Crowl era um dos poucos castelos ou chalés não construídos na pedra da grande montanha das ilhas de Skagos, ele fora erguido sobre um pequeno vale, acima das pedras, onde uma relva curta e desbotada crescia. Ali, o castelo ocupava quase todo o vale e possuía três andares, um subsolo e um acima do nível do solo.
Seus pensamentos sobre o lar foram desviados com a retomada a viagem. Sobressaltou-se ao notar que já montava o cavalo e que o chalé de Tia Marlee desaparecia por entre rochas e árvores. Seu cavalo estava mais atrás na fila, com Syrena logo a frente e a mãe, guiando-os. Sentia a adaga pressionando sua cintura enquanto o cavalo balançava-o para frente e para trás. Era quase impossível precisar usar a adaga, não fosse contra animais selvagens, mas eles mantinham distância das trilhas. Isso não significava que viajariam sem proteção, e lá estava ele, montando guarda. Observar árvores a procura de sinais de perseguição ou inimigos pode dar muita dor de cabeça após um tempo, e Georj simplesmente não conseguia ficar muito tempo em uma atividade só. Decidiu, enfim, olhar para frente. O cavalo de Syrena levava-a com um trote agitado, como se quisesse correr, mas soubesse que havia outro cavalo a frente. A menina tinha tornozelos brancos e panturrilhas rosadas, pôde notar. E também, suas botas não eram altas o suficiente para Skagos. Ela estaria congelada em algumas horas. Seu vestido azul escuro apenas intensificava a ideia de que iria se congelar. Os cabelos estavam inertes ao lado das orelhas e flocos de neve se misturavam às madeixas. De perfil, seu nariz era tão bonitinho que o fez rir.
— Veja, ali é o vale. – apontou Myla, mostrando o local para Syrena. A Greyjoy observou árvores e pedras, mas nada de um vale. Até que ele surgisse após uma elevação. Não deveria ser maior que o pátio inferior de Pyke, mas a casa realmente fora construída sob o Sol e visivelmente não em uma pedra. Tinha apenas uma porta grande de madeira comum e arabescos a incrustá-la. Syrena gostava especialmente da arte detalhada nas construções. As janelas possuíam persianas de madeira e as paredes eram de pedra, normalmente. Quando se aproximaram do vale, notou um estábulo pequeno, para no máximo cinco cavalos, e outra acomodação para o que parecia uma taverna, estalagem ou casa de criados. Senhora Crowl desmontou e guiou seu cavalo para o estábulo. Georj fez o mesmo, antes de ajudá-la a desmontar e ir levar os animais ao descanso.
Syrena respirou fundo o ar frio dali. Era mais seco, com certeza, e mais frio. Quanto mais subia a montanha, mais percebia que a neve se ia tornando mais maciça e o vento mais cortante. Disseram-lhe que o castelo de Lorde Stane ficava no topo da montanha, mas seria impossível. Olhando para cima, ela só conseguia ver nuvens. A neve começou a cair ainda antes de entrarem e intensificou-se enquanto acendiam a lareira. Os criados, três, logo despertaram e lhes serviram o desjejum, uma toalha quente para Senhora Crowl e o quarto de Syrena, para que a menina descansasse. Georj fora quem requisitou o quarto, com o argumento de que ela não estava acostumada com viagens daquelas. Bobagem. Sua vida inteira fora uma viagem sem fim.
Novamente viu-se num quarto, mas neste havia luz do Sol entrando pelas janelas e uma cama grande e confortável, com cobertores de peles e lã. O baú ao pé da cama estava cheio de vestidos e trocar de roupas de baixo, que ela aproveitou para mudar, afinal a que usava nas Ilhas de Ferro não era apropriada para o frio de Skagos. A criada se ofereceu para arrumar um banho, mas Syrena declinou, desejando apenas deitar-se na cama e fechar os olhos. Sentia como se o calor estivesse entrando por entre seus ossos, ressuscitando-a. Ouviu o bater da porta.
— Entre.
Georj sorria, segurando um buque de... ramos para chá. Ela identificou as plantas que vira no vale perto do estábulo e recebeu o presente com gentileza, cheirando-o. Realmente eram ramos para chá. Mas o garoto parecia achá-los perfeitos para um cortejo. Ele parou ao lado da cama e continuou sorrindo.
— São muito cheirosos.
— Minha tia disse que seriam perfeitos para uma viagem na neve. – ele apontou – Vão ajudá-la a respirar melhor e a não pegar um resfriado. Não imediatamente. – e então piscou, divertido. Era ótimo ver que o frio não atrapalhava o humor de Georj, era a única coisa que a mantinha distante de sentir saudades de Pyke. Afinal, pedras, árvores e neve. Embora gostasse da aventura e soubesse ser para a vida toda, ainda era mais confortável lembrar dos navios, os peixes e os homens de ferro.
— Sua tia, Senhora Marlee, precisamos conversar muito qualquer dia, podemos convidá-la para nos visitar? – sugeriu, e então notou que estava sendo mal-educada, sugerindo convidar alguém para sua “casa” sem antes ter a casa.
— Que bom que gostou tanto de Tia Marlee. Ela é uma velha boa. Claro que podemos convidá-la. – ele murmurou, sentando-se ao seu lado, aproveitando o momento. – Pode convidar quem quiser. Afinal, é sua casa agora.
Ela notou como seus olhos estavam fitos em sua boca e não se surpreendeu quando ele se aproximou e beijou-a com suavidade, apenas tocando de leve nos lábios da garota. Syrena fechou as pálpebras, aceitando um segundo beijo, um pouco mais demorado e com mais proximidade. Georj sabia que uma moça do Continente poderia se ofender com o que fizesse de “vulgar” demais, então forçou-se a manter os braços ao lado do corpo, apenas beijando e olhando para seu rosto. Ela parecia tão conformada que doeu-lhe.
— Não gosta de mim? – perguntou. Syrena abriu os olhos com uma grande ruga no meio da testa, sua sobrancelha erguia-se e ela balbuciou um:
— O quê?
— Se é ruim para você, não o faço. – Georj continuou a entender que ela estava se fazendo de inocente e gentil, ocultando o próprio desprezo. Não. Ela não desprezaria alguém. Nem repudiaria. Apenas... não gostaria.
— Por que pensaria isso?
Foi a vez dele ficar estupefato. Mas, por sorte, Georj podia não ser muito inteligente, mas era esperto, o que poderia equivaler ao mesmo. Sentiu-se tolo. E novamente quis morrer por dentro, mas não podia simplesmente estragar tudo resmungando consigo mesmo. Levou as mãos ao rosto dela e trouxe-a para si, beijando fortemente seus lábios, com tanta força que sentia seus dentes por detrás deles. Aprofundou os dedos por entre a raiz das madeixas castanhas e com a outra mão, deslizou-se por seu braço coberto com a manga do vestido. Syrena retribuía aos beijos de forma passiva, calma e silenciosa. Mas conforme ele conquistava liberdade, sua boca ia-se amolecendo e ele sentia que ela estava tomando a iniciativa de alguns beijos. Ofegava quando percebeu que contornava sua coxa com a mão livre e com a outra deslizava o corpete do vestido por sobre o ombro, beijando-lhe a pele nua e branca. Syrena soltou a respiração com um chiado.
O rosto do menino tingiu-se de vermelho sangue.
— Perdão! – gritou, levantando-se imediatamente e correndo para a porta do quarto. Fechou-a logo atrás de si e desapareceu por horas. Syrena deitou-se na cama e começou a rir.
Queria casar-se logo, para então não ouvir tantas desculpas e formalidades. Um pouco do sentimento libertário dos skagosi a invadia. Por que tantos códigos de conduta, quando eles não mudavam em nada a sua relação com o seu próprio noivo? Imaginava que muitos conflitos poderiam ser evitados se as pessoas simplesmente fizessem aquilo que desejam. Concluiu que, se em Skagos o ar possuía o frio de todo o mundo, os corações das pessoas no Continente possuíam toda a frieza da sociedade.
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