Stormsea - Livro 1 [INTERATIVA, Finalizada]
11 A Monótona Vida de Rei Rhomeo I de Valois
Notas iniciais
A Monótona Vida de Rei Rhomeo I de Valois
“O que é uma família senão o mais admirável dos governos?” — Henri Lacordaire
O tesoureiro estava assentado na cadeira a sua direita na grande mesa de mogno onde todas as reuniões aconteciam desde os tempos do primeiro rei de Valois. A sua esquerda, estava o mestre de armas e seu confiável amigo, a quem daria a vida e a espada caso fosse preciso. Os dois homens visivelmente não apreciavam a companhia um do outro. Enquanto Theo pensava que o tesoureiro queria apenas surrupiar algumas moedas enquanto distraía o rei e adulterava somas aproveitando a pouca idade do rapaz, Doole torcia o nariz para todos os sussurros que o mestre de armas fazia no ouvido do jovem rei, apenas compreendendo que novamente aqueles dois estavam caçoando de sua avançada idade. Malditas gerações!
O rei, assentado da ponta da mesa, podia ver todos ali. Desde o cozinheiro chefe até a septã de Ophelya, todos os membros importantes que mantinham o bom funcionamento do castelo, presentes na reunião mensal sobre Jardim Suspenso. Naquele mês era esperado o tão sonhado casamento entre ele e sua noiva. O noivado fora firmado ainda no começo do ano, quando Lucien Arryn assumiu o lugar de seu pai como Lorde do Vale. O fato de nunca ter visto Syerra não o levou a crer que ela fosse um monstro, na verdade ao passar do tempo notou que ela era um encantador passarinho, ou uma brilhante estrela, embora não tão encantadora ou brilhante quanto Ophely, sua queria irmã gêmea, por quem sofreu tanto tempo sem ter notícias. Ainda tinha medo de perdê-la, acordava no meio da noite e caminhava até o quarto dela, abria a porta e a via dormindo na cama. Respirava aliviado e voltava para seu quarto.
Será que continuaria a temer tanto após o casamento? E o que Syerra diria sobre seu cuidado com Ophelya? Esperava não magoar a futura esposa, pois queria ter um casamento longo e feliz ao seu lado.
— Meu rei, a viagem será de quatro semanas, irá de Jardim Suspenso a Ilha das Flores, depois a Espinhalto e enfim para o continente, onde percorreremos Jardim de Baixo e a Marca. Todo o reino terá o privilégio de ver sua nova rainha. – Theo, o mestre de armas, disse, tirando-o de seus devaneios.
— Muito bem. Quatro semanas são suficientes. E quanto às despesas? – virou-se para o tesoureiro, que pigarreou antes de falar.
— Vossa Graça, meu rei – limpou a garganta novamente – Serão três mil florins para ir e três mil para retornar, com todos os soldados alimentados, as damas, cozinheiros, criados, cavaleiros e escudeiros...
— Nossas reservas condizem com o gasto? – Rhomeo chegou direito ao ponto, sem rodeios. Havia duas coisas que não gostava naquelas reuniões: os comentários óbvios de Theo e as introduções de Doole. Ambos os homens podiam ser mais diretos, para assim aquela reunião maçante e infrutífera reunião.
— O valor nem sequer faz falta à nossas reservas, meu rei. Agora, eu gostaria de tratar sobre outro assunto com o senhor, que não requer a atenção dos membros desta reunião. – ele disse, muito arrogante e direto. Rhomeo observou a expressão aliviada dos criados e sorriu, dispensando-os sem rodeios. Pediu apenas para que Theo continuasse na sala, pois ele era o seu segundo par de olhos e ouvidos para tudo, além de ser a sua segunda mente. – Ele, vossa graça?
— Ele fica. – disse o rei.
— Se é o que deseja. – Doole curvou-se. – Recentemente venho recebendo notícias dos banqueiros que armazenam nosso ouro, do outro lado do mar. Eles falam sobre um tempo muito difícil em sua terra, onde nenhuma colheita está sendo frutífera, e aconselha a investir em nossas parreiras para vender-lhes vinho.
— Nós, vendendo vinho? Prefiro continuar vendendo lã.
— Eles possuem ovelhas. Mas não possuem comida. Lã é algo fútil perto do alimento, meu rei, pense nisso, poderíamos explorar isto. Seríamos os primeiros de Westeros a comercializar nossas colheitas.
— E quanto ao alimento do povo? Temos o suficiente para nós e para eles? – Rhomeo coçou a barba, que estava crescendo rebelde e cheia de infortúnios. O tesoureiro abriu um sorriso pequeno.
— Eu fiz os cálculos e estudei um pouco sobre o assunto. Os mosteiros costumam plantar para si e para vender nas feiras. E eu descobri que tudo é bem simples, na verdade. Só precisamos convocar os lordes e senhores para organizar as terras e começar o cultivo intenso. Faremos ciclos na terra, dessa forma ela não perderá a utilidade rapidamente e sempre teremos algo a vender. Temos terras ótimas para as uvas e o café.
— Café... teríamos de trazer as sementes importadas.
— No começo. Depois teríamos nossa próxima renda. Imagine, se reformarmos toda a agricultura dos Jardins, teríamos o suficiente para nós, para os camponeses, para as prostitutas, os bastardos e todo o continente. – os olhos de Doole brilhavam.
— E como você espera que façamos uma reforma? As terras pertencem aos lordes e aos senhores, eles as comandam há centenas de anos. O que vão achar de usarmos suas colheitas para vender? – perguntou Theo, sempre muito crítico em tudo o que o velho tinha a oferecer.
— O rei faz aquilo o que desejar, ele é quem deu as terras a esses lordes e pode muito bem mudar os impostos. Aposto que todos prefeririam pagar-lhe em sacos de trigo a moedas de ouro. – Doole rebateu.
Rhomeo mediu a ideia e identificou ali uma ótima chance de expandir ainda mais o seu comércio com todo o mundo e arrecadar mais riquezas para seus cofres. Ele não entendia muito bem por quê acumular ouro parecia algo tão benéfico, mas era tudo o que Doole queria que ele fizesse, e quanto mais dava ouvidos à experiência do tesoureiro, mais percebia o quanto tudo dava certo. Ele custeou toda a viageme e estadia de Syerra e seus irmãos ao seu castelo, e isso não foi nada. Ele conseguiu duplicar os empregos no castelo, mantendo-os facilmente. Deu banquetes e organizou festivais, construiu catedrais, bibliotecas públicas e teatros, financiou trupes de músicos, artistas de circo e atores, investiu em poetas e até mesmo contratou um escriba para fazer nota de todos os seus feitos de rei. E tudo aquilo não era nada para seus cofres, de acordo com Doole. Theo, por outro lado, detestava tudo aquilo, dizia que estava deixando o povo gordo demais e preguiçoso demais.
— E meu projeto? – disse, de repente, interrompendo uma discussão pequena entre o tesoureiro e o mestre de armas, que havia se iniciado enquanto pensava.
— A escola? – Doole piscou, um pouco confuso. – Bem... é algo muito recente, vossa graça...
— Temos recursos para custear o projeto?
— Sempre temos. – Doole sorriu – Nossos investimentos estão dando muito certo, em todas as áreas, vosso pai não faria melhor.
Rhomeo gostou do elogio. Ser melhor que seu pai era algo agradável para os ouvidos.
— Por que bastardos pulguentos precisam de escolas? – Theodore bufou, cruzando os braços – Eu não entendo. Letras são para os meistres e os príncipes.
— E os tesoureiros – Doole piscou, com seu sorriso faceiro, o que não agradou a Theo. Porém o homem apenas trincou os dentes.
— O que eles vão fazer lá além de perder tempo? Será um gasto desnecessário.
— Nunca se sabe – Rhomeo deu de ombros – Doole era filho de um ferreiro, antes de se tornar tesoureiro. Minha mãe lhe permitiu aprender as letras e os números, e sua inteligência o levou a ser tesoureiro do rei por mais de quarenta anos seguidos. – ele olhou firmemente para o mestre de armas. – Não podemos duvidar do potencial de pessoas aparentemente simples. E pessoas inteligentes geram um reino inteligente. Se todos os meus súditos compreenderem melhor suas vidas, creio que serão mais felizes.
— É realmente muito sábio – Doole murmurou.
— Eles não precisam de felicidade, eles precisam de trabalhar. Essa é a felicidade deles, é o seu papel no reino.
Rhomeo respirou fundo, e o mestre notou que estava irritando o rei, calou-se imediatamente e o silêncio reinou até que Doole tomasse a iniciativa de dizer tudo o que Rhomeo queria ouvir:
— Escolas com mensalidades baixas para o estudo das letras e dos números. Isso custará duzentos florins, cada escola.
— Serão vinte. Em cada maior cidade dos meus condados. – Rhomeo estimou.
— Então... – Doole fechou os olhos, somando. – As despesas serão pequenas. Os impostos manterão as estruturas e as mensalidades manterão os professores.
— Ótimo. – o rei se levantou. – Agora deixem-me, preciso lidar com os assuntos de meu casamento.
Ambos os homens se curvaram e saíram da sala de reuniões com o orgulho sobre suas cabeças. Rhomeo sentou-se novamente. Era muito difícil permanecer o dia inteiro dentro daquele lugar. As janelas eram grandes e permitiam a entrada dos raios solares, que iluminavam a tudo com uma claridade confortável. As cortinas pesadas bloqueavam o sol da tarde de verão ou o frio das noites de inverno, havia uma lareira disposta e sempre limpa, para quando o soberano quisesse se sentar em frente ao fogo. As paredes eram de um branco suave, como as pérolas, com arabescos nas portas e nas janelas, quadros de artistas talentosos remontavam toda a árvore genealógica dos Valois. Rhomeo havia estrategicamente removido o quadro de seu pai para colocá-lo na biblioteca. O antigo rei adorava seus livros, e Rhomeo raramente ia a biblioteca.
Enquanto discutia os preparativos da festa e as cores de seu enxoval, Rhomeo sabia que o assunto inevitável viria a tona em algum momento. As cartas que sua irmã trocava com Elric Arryn não passaram despercebidas por Theo e o mestre de armas rapidamente as trazia até o rei, para que fossem lidas por sua real magnanimidade. Rhomeo não gostava de abrir as correspondências de sua irmã, mas também não confiava em sua fidelidade. Desde o seu desaparecimento, não confiava em ninguém que quisesse manter contato com Ophelya.
Os interesses do Arryn em sua irmã eram importantes, principalmente porque Rhomeo não pretendia casá-la em breve, muito menos com um Arryn. Seu casamento já bastava para aquela aliança. Lucien adentrou sua sala de reuniões com um gibão azul celeste e um de seus soldados, provavelmente algum mestre importante das tropas. Rhomeo preferiu permanecer sozinho, pois aqueles assuntos não requeriam a presença de mais ninguém. Logo, o Lorde de Arryn dispensou o seu criado.
— Sente-se, por favor. – o rei indicou a cadeira ao seu lado direito. Assim o homem se sentou. – Já deves saber a que venho chamando-o. – Rhomeo uniu as mãos sobre a mesa. – Me preocupo com o relacionamento de Elric e minha irmã. Até onde vejo, são bons amigos, mas não quero que acabem com corações partidos. Principalmente para seu irmão.
— Sugere que ele esteja com as ideias erradas? – Lucien indagou, aconchegando-se na cadeira de veludo. – Confesso que ele é um pouco teimoso. Mas não creio que se ache digno de uma princesa. Posso garantir que Elric apenas quer ter certeza de que Syerra estará em boas mãos.
Rhomeo piscou, atônito. Como assim “em boas mãos”?, os Valois não tinham boas mãos? Fingiu-se despreocupado, enquanto pedia uma bebida ao criado parado na porta que levava aos corredores ocultos da cozinha. Lucien concordou em beber também. Ambos então travaram as últimas discussões sobre o dote e sobre os acordos de comércio que se firmariam entre o Vale de Arryn e o Reino de Valois. O vale em si não era muito interessante, Rhomeo não tinha pretensão de futuramente herdar nenhuma parte dele, assim como não estava apaixonado por sua esposa (ele nem mesmo a vira por mais de cinco minutos em todas as semanas!). Mas o comércio era importante, tanto para os investimentos de Essos quanto para as exportações do reino. O Vale tinha itens que apenas ele produzia e Lucien adorava construir cidades comerciais.
Nada mais vantajoso do que unir as potências em uma.
— Não sei se devo, ou se ainda é muito cedo para considerá-lo parte da família – Lucien disse, virando seu copo goela abaixo. – Pretendo me casar em breve. Sou Lorde há um ano e ainda não me casei, isso é algo que precisa ser resolvido.
— É perdoável, o Vale enfrentava dificuldades demais para que o Lorde pensasse em casamento, assim como eu quando fui coroado e procurei por Ophelya em todos os cantos. – Rhomeo tranquilizou-o. – Possui alguma boa moça em mente?
Lucien abriu um sorriso que significava “de homem para homem”, mas antes que anunciasse sua sortuda, a porta se abriu, trazendo a figura de um pajem, que caminhava rapidamente. O garoto se ajoelhou ao lado da cadeira de Rhomeo e, muito afoito, entregou uma carta com as mãos trêmulas.
— Perdão, vossa graça, perdão – implorou, assim que a carta foi tirada de suas mãos, abaixando-se até o chão e beijando-o, como se pedisse misericórdia. Lucien observava a tudo em silêncio, julgado o rei como mais um desses nobres certinhos e cheios de pompa, a quem ele acha tolos e fúteis. O menino não se moveu.
— O que é isto, Francis? – o rei olhou o envelope, em perfeito estado. – Quem enviou isto?
— Um curvo, meu rei, chegou agora mesmo das Terras da Tempestade. São notícias do Lorde Baratheon. – Francis ergueu a cabeça, os olhos lacrimejando. – Dizem que está morto!
Rhomeo colocou a carta na mesa, incomodado.
— Se levante, rapaz, ninguém aqui irá te matar. Estamos falando de mulheres. Gostaria de se juntar a nós?
— Não senhor, tenho tarefas a cumprir. – ele murmurou, com uma reverência.
— Então vá logo.
E assim ele se foi. Lucien olhou a carta de soslaio, esperando que Rhomeo fosse abri-la, porém o rei apenas abriu um sorriso e se aconchegou em sua cadeira, descontraído.
— Irei morrer de curiosidade se não me contar quem é sua noiva. – ele pediu, e Lucien compreendeu que aquilo não era da sua conta.
º º º
Finalmente o período entre a última reunião e a ceia, quando nada mais havia a ser feito, ou se havia era deixado para amanhã. O Sol sumindo no horizonte, atrás dos montes, e o céu manchado de laranja e azul. Era um perfeito quadro para um artista, Rhomeo preferiria ter qualquer imagem do céu na sua sala em comparação com os quadros dos antigos reis de Valois. Respirou fundo, abaixando os olhos para a carta em suas mãos. A que trazia notícias de Laysa Baratheon, sua grande amiga de infância, com quem passou tantos dias agradáveis no Sentinela, com Ophelya e Giselle, e Otto e o pequeno Yann. Agora eram todos crescidos e não se viam há tempos, mas ela nunca deixava de lhe mandar uma carta, dizendo como estavam as coisas. Laysa, uma moça bela e de temperamento forte, escondia-se facilmente sob uma máscara de educação e recato, a qual enganaria a qualquer um que não prestasse bem atenção. Otto, desde onde se sabia, era loucamente apaixonado por ela, e quando criança dizia que se casariam um dia e que quebraria o braço de Rhomeo caso tentasse roubá-la dele. Ameaçar um príncipe pode ser perigoso, mas por sorte ele o fazia com seu melhor amigo do mundo.
— Ah – suspirou, tocando as têmporas. Desde quando haviam se tornado inimigos? Desde quando Jardim de Cima e Jardim de Baixo brigavam por poder? As tardes correndo atrás de pombos ou cavalgando a toda a velocidade em cima de cães pulguentos... Nada disso parecia importar agora que eram grandes. Quando Otto se tornasse Lorde de Tyrell, Rhomeo sentia que ele finalmente ergueria as trombetas de guerra e cortaria de si qualquer lembrança da infância feliz. Ele sempre fora um garoto de temperamento tão forte quanto Laysa. Era estranho imaginá-los juntos agora. Seus filhos teriam grandes problemas pela frente.
A porta se abriu lentamente, e Rhomeo demorou até notar. As únicas fontes de luz agora eram as velas acesas pelos criados e Ophelya caminhava com seu vestido verde escuro, as mangas longas e o cabelo preso em vários feixes dourados. A irmã raramente o visitava, ela também raramente saia do quarto, mesmo se fosse para o desjejum. Mas recentemente vinha participando de todas as reuniões entre os convidados. Ophely gostava de Syerra, ambas caminhavam nos jardins e costuravam juntas, além de dividirem o amor pela música.
Era ótimo saber isso. Embora Rhomeo suspeitasse que parte da melhora de Ophelya fosse a presença de Elric.
— O que você disse a Elric? – perguntou a moça, direto ao assunto que lhe frustrava os pensamentos. O rei se voltou para ela com surpresa. – Por que mandou-o se afastar?
— Eu não mandei. – Rhomeo sentiu-se ofendido pela acusação, mas então se lembrou do que dissera a Lucien mais cedo, em manter o irmão na linha, e acabou sentindo-se culpado pelo que estava acontecendo. Ophelya cruzou os braços sobre os seios. – É verdade, eu juro. Sei que ele é seu amigo.
— Então foi aquele idiota do irmão dele. Elric me disse que adora transformar a vida de todos em um inferno. Vou me manter longe dele! É uma pena que Elric não possa ficar conosco, como Syerra ficará. Tenho pena dele pois voltará para o Ninho da Águia. – ela murmurou, sentando-se a cadeira a frente. Rhomeo também se sentou. – Temos algo a discutir. – Ophelya disse, assumindo uma postura séria, com a coluna ereta e os ombros alinhados. Raramente ele a via assim.
— Pois me diga o que a incomoda.
— Há alguns meses, no dia em que seus soldados me encontraram e me resgataram de meu cativeiro, você matou o meu esposo. De quem sou viúva agora. – ela declarou com toda a simplicidade do mundo.
Rhomeo sentiu o sangue subir-lhe a cabeça, mas era impossível se irritar com Ophelya, então apenas desfaleceu.
— Esposo? Você foi obrigada a se casar? Alguém a.... desonrou? – sua voz continha medo.
— Não. – ela abaixou os olhos. – Eu me casei por livre e espontânea vontade. Com o meu sequestrador. – voltou a olhar para o irmão, que estava pálido e mudo. – Nos casamos naquele mesmo dia, quando nos encontraram no caís, íamos para as Ilhas de Ferro, onde a família dele mora. Eu ia fugir.
— Por que faria alguma coisa dessas?
— Você o matou – ela ignorou a pergunta de Rhomeo, levantando-se com toda a dignidade de uma viúva real. – E eu o odeio. Nunca vou perdoá-lo.
Quando virou as costas, Rhomeo sentiu-se desolado. Torcia para que a qualquer momento ela retornasse a sala para lhe dizer que aquilo era uma piada. Mas isso não aconteceu por toda a noite, nem mesmo no jantar Ophelya se dignou a olhar diretamente para o irmão. Enquanto estava na cama, tentando dormir, Rhomeo se lembrou de sua mãe, como ela morreu ainda muito cedo não podia dizer que Ophey se parecia com ela, mas com certeza aquele ímpeto de se apaixonar não viera do pai. Como irmão, Rhomeo sentia o peso do que fizera inconscientemente. Como rei, Rhomeo se perguntava quem aceitaria se casar com uma princesa não virgem.
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