Storm Of Feelings
27 Capítulo 27 - Music!
Notas iniciais
POV Harry
Logo depois de sua apresentação, Melissa sentou-se ao lado de mim e de Amanda. Ao começar a apresentação de Clara e Zayn, ela começou a se encolher na cadeira e a ficar pálida.
— Tá tudo bem, Mel? –perguntei mas não fui respondido.
— Ei Mel! –assim como comigo, ela pareceu não ouvir Mands e as lágrimas começavam a escorrer por seu rosto pálido.
De repente ela levantou-se e saiu como um raio do auditório. Olhei para Mands e fomos atrás dela. Nós a vimos entrar no banheiro feminino e sem hesitar entrei também. Da porta vimos ela desmaiar como um sorvete derretendo. Corri até ela e apoiei sua cabeça em meu braço.
— Ai meu Deus, o que está acontecendo? –Mands disse chorosa.
— Não sei! –falei em desespero. –Chama alguém. Vai!
Sem saber muito o que fazer, ela saiu acelerada do banheiro. Comecei a dar leves batidinhas em seu rosto e chamar seu nome mas ela não acordou. Em poucos instantes ali estava Clara e Zayn na porta.
— Mel! –os dois falaram junto e vieram até nós.
Clara fez uma concha com as mãos e pegou água da pia, em seguida jogou na cara de Mel com força e repetiu a ação. Depois de fazer isso umas 5 vezes, lentamente os olhos dela se abriram. Ela rolou os olhos pelo banheiro e suspirou. Devagar e com minha ajuda ela se sentou e ficou com o troco apoiado em mim, parecia meio zonza. Logo Niall apareceu ofegante com os braços apoiados na caixa da porta.
— O que aconteceu? –ele perguntou.
— Por que você desmaiou? –perguntou Amanda.
Mel suspirou novamente e respondeu.
— Acho que... –interrompendo ela, logo apareceram Louis e Liam.
— O que foi? –Louis se ajoelhou diante dela. –Mel, o que aconteceu? –ele falou avaliando seu rosto. Liam veio e ajoelhou-se ao lado de Lou.
— Foi a pia... –ela estava totalmente zonza e todo mundo ficou a olhando com interrogações.
— Ela tá louca. –Zayn retrucou.
— Não quer que te levamos antes para a enfermaria? –perguntei.
— Não pai... –Ela mantinha os olhos entreabertos. O que estava acontecendo?
Ficamos ali um tempinho esperando ela reagir e quando estávamos quase a levando para a ala hospitalar, ela abre os olhos de repente e simplesmente “volta ao normal”.
— Que droga tá acontecendo com você, Parker? –disse Mands segurando os braços dela que analisava suas roupas molhadas.
Ela parecia estar ainda um pouco cansada. Ela começou a falar cantado e lento e todo mundo prestava atenção em suas palavras.
– É mesmo uma longa história.
— Conta. Agora. –replicou Amanda com a mão na cintura.
— Mesmo?
— Agora. –disse Niall com os braços cruzados e os olhos vermelhos.
— Tá. –ela bufou. -Sempre que alguém da família morre, é uma tradição colocar música durante o velório para servir como consolo. Quando minha mãe morreu, não foi diferente. –ela respirou fundo. –No dia que minha mãe morreu foi um dia muito traumático. Eu lembro que eu me vesti com uma legging preta, um sobretudo preto e uma boina branca. Eu fiquei esperando meu pai fazer uns telefonemas antes de irmos até o funeral. Quando chegamos lá já tinha bastante gente e não me lembro da música que tocava. Meu pai parou e abraçou a irmã da minha mãe enquanto eu saí correndo disparada até o caixão da minha mãe. –enquanto ela falava seus lábios tremiam e as lágrimas voltaram a ocupar sua bochecha. –Quando eu a vi morta, no exato momento começou a tocar a música que Zayn e Clara cantaram, Never Gonna Be Alone. Aquela música marcou tudo. Sempre que eu a ouço uma nostalgia incomparável toma conta de mim e todo aquele sentimento e aquelas imagens traumáticas, as piores da minha vida. Sobre os desmaios, começou quando eu tinha 14 anos, foi a única e ultima vez que acontecera isso. Eu estava assistindo com meu pai a uma peça de teatro e essa música tocou. Tudo voltou, como eu disse, os sentimentos e as imagens. Saí de lá correndo mas antes de chegar à porta, desmaiei. Não voltei tão fácil, tanto é que meu pai levou-me ao hospital.
— Nossa, meu Deus. –murmurou Niall. –Você nunca havia me contado.
— Mel, nos desculpe, a gente jamais podia imaginar! –desculpou-se Zayn.
— Tudo bem. –Mel murmurou.
— Mas... isso é comum ou o que? –perguntou Liam.
— Bem... não é comum, mas em pessoas que sofreram grandes traumas e perdas como eu, é um pouco até que comum dentro do grupo de coisas que acontece com pessoas assim. Como o médico havia me explicado, algumas pessoas desencadeiam e epilepsia, outras tem ataques de raiva e agressividade, outros ficam com depressão e eu desmaio quando ouço a música.
— E você vai precisar tomar alguma coisa ou já está melhor? –perguntou Louis segurando sua mão.
— Estou bem, sério. Obrigada. –ela sorriu sem forçar.
— Mas e quanto a você ficar zonza... o que isso tem a ver? –perguntei.
— Deve ser porque ela bateu a cabeça. –Liam falou enquanto tombava a cabeça na parede.
POV Louis
— Mel, acho que você precisa mesmo ir na enfermaria. –olhei para ela e pisquei.
— Ah nã... Hm, pode ser. –ela piscou de volta e deu um sorriso travesso. Mel foi sempre um pouco lerda para entender as coisas. Inocência? Não, é lerdice mesmo ainda mas ainda lenta por causa da queda.
Depois das despedidas habituais e “oh Mel, fique bem!” e os beijinhos melados na bochecha dela –que deveria ser minha–, fomos para nosso cantinho mas ficamos no corredor, resolvemos não pular a janela por pura preguiça. Ela ficou em silêncio até que de repente ela levantou o queixo e fez uma expressão indecifrável.
— Temos que ir. –ela disse e quando vi ela já tinha me puxado e eu estava em pé. Nem a interroguei e ela já havia me arrastado até o auditório. –Fique aqui. –ela apertou minha mão e saiu correndo até o canto do palco. Como sempre, é óbvio que eu não sabia o que ela estava fazendo, ela é imprevisível.
Vi ela trocando palavras com a professora Jennifer e em seguida olhar para mim com um sorriso misterioso. Uma sensação de déja vu me consumiu. Ela ficou um pouco agoniada e batendo o pé em ritmo no chão enquanto estralava os dedos. Seu olhar estava voltado ao palco até que quando a apresentação no palco terminou e ela subiu até lá. Ela mordeu os lábios e me olhou de relance e em seguida cochichou algo para a banda. Ela sorriu e pegou a guitarra de um dos caras. Tão bobo isto porém fiquei com ciúmes que logo se espremeu e sumiu quando ouvi sua voz.
Ela dedilhou a guitarra e cantou com muita coragem, sozinha. Ela estava linda, perfeita. Cantando Avril Lavigne é indiscutível que ela ficou deslumbrante naquele palco. Ela olhava para mim e cantava arqueando as sobrancelhas. Ela voltava os olhos para o público e em alguns momentos ela o selava, em especial nas notas mais difíceis de cantar. Comecei a entender melhor a música até que cair na real de que ela estava cantando para mim. Seus olhos de cor rara brilhavam e eu estava totalmente perplexo e maravilhado com tudo aquilo. Era isso para mim mesmo? Isso já aconteceu antes mas nada passou de um sonho distante nos meus arquivos mentais. A música terminou antes do que eu esperava e ela sorriu enquanto saía do palco aclamada por palmas, gritos e assovios.
Não podia ter sido um festival mais incrível.
POV Melissa
— Melissa, o que foi aquilo? –ela me encarou com os olhos arregalados.
— O que foi Amanda? –perguntei com tédio.
— A música que você cantou para o Lou! O que tá acontecendo?
— Do que você está falando? Não cantei para o Louis. –engoli a seco.
— Tá de brincadeira. –ela esbugalhou os olhos. –Eu vi você olhando para ele durante a música. Os olhos dele brilhavam e ele estava quase caindo. –ela ficou balançando as mãos em forma de pinça, não fazia a menor ideia do que isso significava.
— Não, eu não estava. –me levantei e saí andando em círculos.
— Estava. –ela foi atrás de mim. –Abre o jogo, você gosta do boo bear! –ela disse com voz melosa e um sorriso escancarado.
Eu não sabia se contava ou não, era um segredo entre nós e eu não podia quebra-lo. Ainda mais que Mands podia sem querer contar tudo para todo mundo e eu preferia não correr o risco.
— Ok, vou falar. –engoli a seco. –Ele me desafiou a tocar e cantar sozinha na frente de todo mundo. Agora ele me deve 30 libras. –respirei fundo e exigi do meu cérebro o mínimo de autocontrole para não rir.
— Hm... ok. –ela pareceu não acreditar, o que no lugar dela era o que eu também faria.
POV Clara
Depois do festival eu e minha mãe resolvemos sair para comprar sapatos. Ficamos rodando duas horas por Londres e acabamos com um par de coturnos da promoção na Selfridges e um cinto que estava lá na promoção também.
Cheguei em casa cansada e fui direto para o quarto. Abri a porta e me deparei com uma cena que me deixou paralisada. Eu não conseguia ousar nem respirar e me mover. Vi Zayn ali deitado em minha cama abraçado ao Bear. Silenciosamente depositei ao canto minhas sacolas, mesmo sabendo que Zayn não tinha sono tão leve. Tirei meu casaco pesado e deitei suavemente ao seu lado, encostando-me nele. Estava frio e então eu puxei a coberta na ponta da cama. Ele sorriu e jogou o Bear para longe e me abraçou forte.
2 meses depois...
POV Mands
Eu já não tinha mais o que chorar, minha reserva de água já havia se esgotado. O que eu faria agora? Eu não aguentava mais guardar isso para mim, mais cedo ou mais tarde todo mundo iria descobrir. A preocupação, raiva, angústia e tudo que há de ruim habitava em mim. Eu já tentei falar tantas vezes mas nunca conseguira. Não é algo fácil, tenho medo da reação das pessoas, tenho medo de ser recusada, excluída, sofrer preconceito... mas eu tinha que contar para alguém antes que a bomba explodisse. Sem pensar mais, peguei um táxi e fui para a casa da Melissa. A porta se abriu e Mel apareceu.
— Oi Mands... espera, você estava chorando? Quando vai me contar o que está acontecendo? –entrei na casa enxugando as lágrimas que eu nem havia notado.
— Agora. –suspirei.
— Ah. –ela me abraçou e me levou ao quarto dela sem falar nada. Ela trancou a porta e sentou ao meu lado na cama. –Conta.
— É complicado. –respirei fundo e engoli a seco. -Há um tempo atrás eu notei que algo estava diferente com meu corpo. Eu não conseguia suportar o cheiro de café, meus seios incharam, minha menstruação atrasou. Eu desconfiei e fiz um teste de gravidez. –suspirei e fechei os olhos. –Estou grávida. –Quando me dei conta já havia falado tudo de repente, de uma vez só.
— C-como assim? –ela me encarou perplexa. Ela passou o polegar sobre minha bochecha, notei que eu estava chorando novamente, ou ainda.
— É isso mesmo, Mel. Eu sou uma burra. Não sabia o que fazer, eu estava sem reação. TEM UMA CRIANÇA DENTRO DE MIM! –falei alto.
Ela levantou-se e andou apressada em círculos com as mãos nas têmporas parecendo perturbada. É claro que ela não iria agir normalmente, na Inglaterra isso não é normal, diferente do Brasil que coisas do tipo acontecem o tempo todo. A cultura é diferente, as pessoas são diferentes, os costumes são diferentes e aqui isso não acontecia.
— E o pai? É quem? –ela disse depois de finalmente acalmar-se parcialmente e voltar a sentar ao meu lado.
— O Harry. –sua boca abriu em um O.
— Tem certeza? –confesso que me senti ofendida com a pergunta.
— Sim. –respirei fundo. -O que eu faço agora? –segurei suas mãos.
— Seus pais já sabem?
— Não! –falei apressada. –Eles me matariam!
— Mands, você tem que falar. Vai ser pior se do nada você aparecer com um barrigão! Aí sim eles te matam. Fala agora ou vai ser pior.
— Eu não vou conseguir. –falei desabando em seu colo.
— Você é forte, Amanda. Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Eu vou estar aqui. –ela falava enquanto acariciava minha cabeça.
Fiquei em silêncio ali. Como isso foi acontecer comigo? Isso é normal acontecer com vizinhos, ex-colegas de escola, filhos de amigos dos pais... mas comigo? Não é como você comprar uma roupa cara e descobrir que está rasgada e não poder trocar, É UM BEBÊ! Alguém que vou ter que ficar noites em claro, não vou poder mais sair e me divertir, vou ter que cuidar PARA SEMPRE.
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