Stories of Black Cat

1 Sapatilhas de Ballet


Notas iniciais
Não leia essa história se não gostar de histórias fantasmagóricas.

Alguns lugares contam histórias, esse anfiteatro é um deles. Se ficar em silêncio consegue ouvir os fantasmas se alimentando das memórias das risadas e dos aplausos.. Os cartazes guardados ainda contam belas histórias dos artistas, o brilho dos holofotes ainda está gravado no chão do palco empoeirado.

Meu nome é Isabelle Dixon e eu adoro essas histórias fantasmagóricas ou sobrenaturais. Esse anfiteatro é uma das minhas paixões.

Há algum tempo os objetos dos artistas estavam sendo vendidos antes da reforma que nunca existiria. Um dos objetos vendidos foi o figurino de Eva Scott. Eva foi uma dançarina de Ballet na década de 40, famosa pelas suas sapatilhas vermelhas.

\"\"

Ela morreu de asfixia ou envenenamento logo após sua grande estréia como bailarina principal.

Os objetos foram arrematados por Emma Carter, uma brilhante professora de Ballet, os objetos foram arrematados 45 anos depois da morte de Eva em 1947.

Na noite em que foram arrematados, Emma foi para seu estúdio dançar a noite toda acompanhada de uma bela taça de vinho. Começou à dançar às 21:00 quando a sua secretária Jennifer já havia ido embora. Estava chovendo e os trovões iluminavam cada vez mais o estúdio e Emma dançava no ritmo das gotas de chuva.

Às 22:40 Emma ouviu seu telefone tocar pela primeira vez naquela noite. Por poucos minutos ele estava mudo, e ela apenas ouvia seu eco na linha e pensou ser a interferência da chuva. Apenas oito minutos depois o telefone volta a tocar.

-Alô ? Estúdio de Ballet Carter, Emma Carter falando.

-.....

-Alô ? tem alguém na linha ?

-Eu quero as minhas sapatilhas de volta. Eu quero o que você tirou de mim.

-Sapatilhas ficam no achados e perdidos, volte amanhã para pegá-las. Abriremos às 9:00

-Eu quero as minhas sapatilhas de volta. Eu quero o que você tirou de mim.

Emma desligou achando que era alguma brincadeira. Mas a mesma voz que sussurrava no telefone passou a ligar cada vez mais.

-Alô ? pare com essa brincadeirinha ou eu vou chamar a polícia !

-Eu quero as minhas sapatilhas de volta. Eu quero o que você tirou de mim.

- Já chega ! quem está falando ? eu vou chamar a polícia !

-Se não me devolver minhas sapatilhas, vou pegá-las a força.

A ligação caiu, e Emma estava achando que eram apenas efeitos da bebida. Nada poderia acontecer, mas ela começou a se preocupar cada vez mais. Achando que poderia ser um amigo brincando ou apenas crianças passando trotes.

Então Emma voltou a dançar com a música para se acalmar. Mas a dúvida dançava em sua cabeça.

Ela voltara a ouvir a mesma frase.

"Eu quero as minhas sapatilhas de volta. Eu quero o que você tirou de mim."

Achava que estava ficando louca. Mas ela começou a realmente ouvi-la se repetir incessantemente como se estivesse se aproximando. Emma tomou alguns remédios para dor de cabeça e tomara água para cortar o efeito do álcool. Mas não era. A frase realmente estava se aproximando como se fosse engoli-la viva.

Estava tremendo de nervos. Quando decidiu desligar o rádio que estava tocando a música perto do espelho pra poder comunicar à polícia, olhou seu reflexo.

Uma mulher ruiva, pálida com olhos esbugalhados cheios de olheiras e lábios roxos, repetiu a frase. Sussurrando como no telefone.

- Eu quero as minhas sapatilhas de volta. Eu quero o que você tirou de mim.

Olhou diretamente para Emma e imediatamente suas roupas e sapatilhas começaram a ficar mais apertadas. A mulher olhava Emma como se fosse possuí-la. O vestido que estava usando era semelhante ao da mulher, as sapatilhas também.

As sapatilhas de Emma estavam tão apertadas que imaginou que seus dedos estavam sendo esmagados e sua roupa como se não as servisse mais. Tentou desfazer os nós da sapatilha com esforço, mas os nós se refaziam e a roupa ficava mais apertada. Emma olhou para a mulher suplicando para que parasse.

-É tarde demais. Eu te dei o seu tempo. Você recusou o meu pedido como eu recusei o meu. Sofra com a mesma consequência.

Emma olhou e suas sapatilhas estavam com pequenas manchas de sangue, seus olhos estavam lacrimejando, seus dedos estavam ficando roxos e sua boca estava seca. O ar entrava com muita dificuldade em seus pulmões e Eva continuara observando lentamente.

As costelas de Emma finalmente estouraram, como se houvesse uma grande pressão de água sob Emma, como se ela fosse submergida tão fundo no oceano que a pressão explodisse ela por dentro; e foi o que aconteceu.

Na manhã seguinte, quando Jennifer entrou no estúdio, encontrou Emma, mas nem a expressão dela era de horror. Como se absolutamente nada tivesse acontecido com Emma. Como se seus últimos terríveis momentos fossem apenas um pesadelo de morte, que nem deixara lembranças.

Emma foi encontrada morta, com o corpo gélido sem batimentos cardíacos. A causa da morte dada foi um acidente vascular cerebral.

Quem me contou essa história ? Eva Scott.



Notas finais
Não só as paredes contam história. Fantasmas também.