Stirb Nicht Vor Mir
6 Parte 5: Batalha no Yomotsu
Notas iniciais
Aos pés da Colina do Yomotsu Hirasaka.
Faust esperaria qualquer coisa vindo de Keres, mas não aquilo. Ver sua irmã naquele lugar, trazida pelo poder da deusa da morte e à sua mercê, era algo que ele não imaginaria. A cena que se desenrolava diante de seus olhos, onde Keres segurava Margareth pelos cabelos, erguendo-a do chão fez com que toda a ira que se guardava em seu interior quisessem explodir e destruir a inimiga diante dele.
—Ora, ora. Parece tenso, Fedelho. –Keres sorri em deboche, erguendo Margareth. –Quer dizer que esse espírito significa muito para você, hein? É um idiota! Nunca te contaram que ter apego a alguém é um sinal de fraqueza para um guerreiro?
—F-Faust...
Lágrimas corriam pela face da menina, que parecia estar sentindo dor. Afinal aquele era o Mundo dos Mortos e para os espíritos estar ali era novamente estar à mercê de todas as aflições humanas do Mundo dos Vivos.
—Solte minha irmã... –Faust murmurou, cerrando o punho.
—O que disse, Fedelho? –Keres indagou, erguendo a sobrancelha.
—Eu mandei... SOLTÁ-LA!!!- o menino grita.
—Calado. –a foice de Keres encosta sua lâmina no rosto de Margareth e Faust hesita. –Certo que ela esteja morta, mas eu posso destruir sua alma de tal modo que ela jamais voltaria a reencarnar. Seria uma segunda morte. A mais cruel, diga-se de passagem.
O rapaz volta a hesitar, desta vez tentando controlar seu cosmo.
—Oh, não se sinta mal. –Keres sorri. –É apenas uma criança diante de alguém superior. Agora, ajoelhe-se.
O menino cerra o punho e a deusa gargalha, explodindo seu cosmo jogando o jovem cavaleiro de ouro metros para trás, fazendo-o cair ao chão, mas com um impulso ele dá um salto e volta a ficar em pé
—Eu disse... DE JOELHOS! –ela volta a ordenar, desta vez acertando-o com um golpe de sua foice. –Ou diga adeus a sua irmã.
Faust nada diz, mas ergue seu corpo numa muda decisão de não se ajoelhar diante do inimigo.
—Não tenha medo, Margs. -ele pediu e Margareth assente com um aceno de cabeça.
—Humanos e sua teimosia em desafiar os deuses... –Keres suspira, jogando Margareth aos seus pés e usa novamente sua foice contra o cavaleiro de Câncer, ele cai ao chão e tenta se levantar ao ver que Keres caminhava lentamente até ele.
—Pela glória de minha amada mitéra mávros, devo a todos do Santuário. -ela ergue a foice novamente para desferir seu golpe. — Com prazer começo com você, Fedelho mundano! Deveria ter se ajoelhado. Eu poderia ter sido benevolente, mas irei acabar com a sua existência e depois, será a vez daquele espírito que tanto ama.
Mas antes que consiga dar o golpe final, ela sente a presença de um cosmo muito forte e olha para trás, apenas para ver o momento em que Máscara da Morte aparece e usa a foice para bloquear seu soco carregado com sua cosmo energia, que a joga metros adiante.
—Ora, ora... os ratos finalmente decidiram voltar. –diz o homem com um sorriso de lado.
—M-Máscara da Morte? -Margareth sente alívio ao vê-lo ali.
—Velho?
—Olha o respeito, Pirralho. –Ele olha para o local onde Keres fora lançada. — Mitéra mávros... se eu me lembro é como os idiotas se referem aquela vadia louca. Ainda sinto as feridas que seus seguidores nos deixaram. –dizia coçando a cabeça e depois olha para Faust, que parecia surpreso com a sua presença ali. –Que foi, Pirralho? Tira essa expressão idiota do rosto e lute com aquela vadia ali direito!
—Eu...Margareth! ONDE ELA ESTÁ?
Máscara da Morte aponta para um local com o olhar, onde Margareth presencia a luta com apreensão.
—Lute com tudo, garoto! Eu protejo ela! Não posso salvar seu rabo sempre que...
Uma rajada de cosmo energia atinge Máscara da Morte jogando-o contra uma enorme rocha, despedaçando-a sobre o corpo dele. Margareth assiste toda a cena com pavor, jamais imaginava presenciar tanta violência.
—VERME! Não ousa se referir à minha senhora com essa boca imunda!? -Keres explode em fúria com seu cosmo.
Em meio às rochas, Máscara da Morte emerge com o corpo todo ferido, cheio de graves escoriações e o sangue manchava parte de sua face, mas ele não tirava a expressão sarcástica do rosto.
—Eu falo daquela vadia como quero. –cospe sangue. -Merda, uma armadura faz falta.
—Eu lembro de você... –Keres estreita o olhar. –Foi você quem feriu meu irmão anos atrás. Você e outro cavaleiro de ouro.
—Eu não lembro do nome de todos os idiotas que chutei.
—Anaplekte. –a menção do nome fez Máscara da Morte olhar para Keres com ódio. -Sim, ele me falou de você.
—Ah, lembrei do Bundão que apanhou feio do Afrodite antes que eu o chutasse para longe. –ele ri e percebe que Keres fica furiosa com suas palavras. –Magoei?
—Verme! Como ousa falar dessa maneira dos Filhos das Escuridão? –elevando seu cosmo furiosa.
—Acho que exagerei. –o italiano se prepara para outro ataque.
—Seu adversário sou eu. –Faust se posiciona entre ela e o seu mentor.
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No Santuário.
Mu, antigo cavaleiro de Áries, chega correndo até o Templo da deusa e para ofegante diante dela e do Grande Mestre Dohko.
—Aquele Cosmo que atacou a Casa de Câncer. É o que penso? — pergunta Dohko com preocupação.
—Sim. Não há dúvidas. O inimigo resolveu sair das sombras e atacar novamente.
—Depois de tantos anos? Tsc! Acho que demoraram até! -Dohko demonstrava estar incomodado.
—E Máscara da Morte? –Atena pergunta finalmente.
—Todos sentimos o cosmo dele elevar-se com muita intensidade e depois desapareceu. –Mu continuou a falar. –Mas ele não está mais no Santuário. Senti que ele usou o Sekishiki e tenha se transportado ao Yomotsu Hirasaka.
—O que será que está acontecendo lá?
—Algo que esteja envolvendo Faust de Câncer. –Atena responde, observando a enorme estátua que a representa. –Acredito que algo terrível esteja acontecendo por lá.
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De volta aos pés da Colina do Yomotsu Hirasaka.
Keres fita o garoto, notando que sua expressão e cosmo mudara, mas a deusa ignora esses detalhes. Não era digno a ela se importar com detalhes referentes aos humanos. Seu único interesse no momento era matar aqueles dois diante dela e retornar com sua vitória diante de seus irmãos e irmãs que se recuperavam de suas batalhas contra os cavaleiros de Atena anos atrás.
—Garoto. Não baixe mais a guarda para ela. Não são inimigos que podemos ignorar. –avisou o italiano, caindo de joelhos cedendo aos ferimentos que o ataque que recebera lhe havia causado.
—Então se afasta para não me atrapalhar.
Faust sentiu a seriedade nas palavras do seu mentor e tinha certeza de que ele não falaria daquele jeito e nem interferiria em sua luta por motivo fútil. Ele caminha na direção de Keres que agora parecia menos passional diante de seus inimigos.
—Em alguma coisa tem razão, Fedelho. –disse Keres. –Há gente demais aqui nos atrapalhando.
A deusa estende sua mão direita na direção de Margareth, e no instante seguinte a menina é erguida do chão. Ela grita de medo.
—Margareth!!!!
Faust e Máscara da Morte gritam o nome da menina ao mesmo tempo e ela então é lançada pela força de vontade da deusa na direção do alto da Colina, jogando-a bem na borda da Fenda da Entrada do Mundo dos Mortos.
Máscara da Morte corre usando toda a sua velocidade, todas as suas forças para alcança-la, e o faz ao se impulsionar com um salto esticando a mão para pegar a dela, estendida em um mudo pedido de socorro. Logo atrás dele, Faust realizava o mesmo e desesperado esforço.
—Sintam-se honrados em morrerem pelas mãos de uma deusa! –diz Keres lançando sua cosmo energia contra todos.
Seu golpe atinge a base onde estavam, ocorre uma grande explosão que destrói parte da Colina e jogando em seu interior centenas de almas que caminhavam na sua direção. Máscara da Morte segurando a mão de Margareth tem o mesmo destino, ambos caem na fenda, diante do olhar estarrecido de Faust.
—Irmão, fique feliz! O maldito que o humilhou teve a morte merecida. –Keres sorri e olha para Faust que estava de costas para ela, imóvel. –Agora, terminaremos esse embate, Fedelho. Sem mais distrações.
—Não a perdoarei...
—O que disse?
De repente, o cosmo de Faust se eleva de maneira assustadora abalando toda a área ao seu redor, explodindo rochas e criando uma poderosa pressão que Keres sente, colocando o braço diante do rosto numa tentativa de se proteger dela.
—Que? Que pressão... esse cosmo! Esse Fedelho tinha um cosmo tão poderoso assim escondido?
—EU NUNCA VOU PERDOÁ-LA!
O Cosmo do cavaleiro explode e joga a deusa para trás, que usa sua foice cravando-a no chão para se segurar.
“I-impossível! Nenhum humano tem tamanho poder!”
Antes que pensasse no que deveria fazer, Faust já se movia a uma grande velocidade e desfere um soco diretamente no rosto da deusa jogando-a contra o chão. Ainda com o punho fechado em sua face, ele pressiona sua cabeça contra o solo, abrindo uma fenda sob seus pés.
—VOCÊ A MATOU! -acusava com lágrimas de ira em seus olhos.
—Infame! –Keres pega no pulso de Faust, tentando afastá-lo. -Ela já estava morta!
A resposta do rapaz é uma série de golpes com os punhos, pressionando o corpo de Keres contra o chão, abrindo ainda mais a fenda. A armadura dela começa a apresentar rachaduras, não suportando a pressão dos socos e do cosmo do rapaz.
“-Vou morrer assim!”
A deusa sente medo pela primeira vez em séculos e explode seu cosmo afastando Faust, ela estende a mão chamando sua foice e a pega poucos instantes antes de bloquear outro ataque do garoto movido pela ira. A força daquele soco era tamanha que ao cabo da foice começa a rachar diante do olhar atônito da divindade.
—I-IMPOSSÍVEL! NENHUM HUMANO MUNDANO PODE SER TÃO FORTE ASSIM!
—MALDITA!
A pressão do soco consegue jogar Keres para trás, jogando-a contra um enorme rochedo, partindo-o ao meio. Faust olha para ela, ofegante. Não acreditando na própria força.
Durante anos usava seu cosmo de modo comedido, gastando grande parte da sua energia para manter o espírito de Margareth sempre perto dele, evitando que ela partisse para o outro mundo e nunca mais a visse novamente. Ele ainda não se sentia preparado para se despedir da única família que lhe restara.
Sem essa restrição, não imaginava que seria capaz de controlar com tanta maestria seu cosmo sem as amarras anteriores. A irmã que amava, o mestre que foi o pai que nunca tivera, estavam mortos.
E a culpada estava diante dele. E não merecia piedade.
Ele sempre pensou em como seria usar toda a extensão de seu poder, e agora teria essa oportunidade única. Bem aqui nesse local, onde inocentes não seriam implicados em sua fúria.
Faust se concentra, seu corpo é envolvido por uma luz dourada intensa e no mesmo instante as almas perdidas que vagavam sem rumo pelo mundo dos mortos começam a ir em sua direção, atraídos pelo brilho de seu cosmo como os navios eram atraídos pela luz de um farol em meio a uma tempestade.
“—O cosmo de Keres está aumentando!”
Keres usa a foice para se erguer, limpando com a costa da mão um filete de seu sangue que escorria pelo canto de sua boca. Nunca em eras havia sido ferida dessa maneira por um mortal, e isso era algo que ela não poderia permitir ou perdoar.
—Humano maldito! Como ousa ferir-me dessa maneira? Tal pecado não poderá ser perdoado! -O cosmo dela se eleva terrivelmente, e segura a foice disparando seu golpe. –DARK REAPER!!!
Faust não se afasta quando o golpe da deusa vem em sua direção, ele coloca ambas as mãos diante de seu corpo e segura o terrível cosmo de Keres. A pressão do golpe da deusa o obriga a se afastar alguns passos, mas em seguida ele pressiona, soltando um grito antes de usar o próprio cosmo para dissipar o ataque inimigo. Keres fita o garoto com perplexidade.
—Impossível!
—Pare de subestimar os humanos! -O cosmo de Faust volta a brilhar e os espíritos o envolvem na forma de fogo fátuo, ele os reúne em grande número na palma de sua mão.
—Como ousa?
Era a primeira vez que Faust usava seu poder desde que o aprendeu, sem as restrições que se auto impunha ao seu cosmo, sem o receio de envolver inocentes no resultado final de seu impacto. Um poder que seu mestre o proibiu de usar, apenas fazendo-o em último caso. As chamas azuis foram lançadas contra Keres, envolvendo seu corpo. Eram milhares e se grudavam ao corpo e as chamas se intensificavam.
—Está queimando?!
—Uma pessoa normal teria seu corpo e alma destruídos pelas chamas. A ela seria negado a chance de se reencarnar. Uma segunda morte. A mais cruel, diga-se de passagem. -ele estreita o olhar. –Vamos ver o que fará com uma deusa? VERSUCH INFERNAL!
Uma enorme explosão envolve Keres, destruído a tudo com chamas azuis e abalando para sempre a base da Colina do Yomotsu, deixando uma enorme cratera chamuscada no lugar onde a deusa da Morte Violenta, ironicamente, pode ter tido um fim semelhante ao que infligia aos humanos por eras.
Faust observa o local, caindo de joelhos ao chão tanto pelo esforço de ter desprendido tanta energia quanto os ferimentos que os ataques consecutivos de Keres infligiu ao seu corpo jovem.
Ele fitava em silêncio a cratera, e fecha os olhos cansado e sentindo uma súbita vontade de chorar. Então abre os olhos ao sentir o cosmo de Keres ainda que fraco, vindo da cratera.
O jovem cavaleiro ergue o corpo e observa entre a fumaça um vulto cambaleante surgir. Era Keres imensamente ferida, tentando conter com a mão esquerda o sangue que vertia em abundancia do local onde o braço direito fora arrancado pela violência da explosão do golpe recebido. A face e todo o lado direito de seu corpo estava desfigurado, queimado, mas era possível perceber o ódio emanando dela.
—M-maldito...
—Keres, contenha-se!
Uma voz masculina e poderosa a detém. Ambos olham na direção dela e um homem de cabelos ruivos, envolto por uma capa, observava de longe os acontecimentos. Ele desapareceu do campo de visão de Faust e aparece no instante seguinte diante da moribunda Keres.
—Ker... –ela murmura.
—Você foi derrotada, irmã. Seja uma boa perdedora e se retire. –ele olha para Faust que se mantinha em uma postura defensiva. –Atena está escolhendo bem seus novos cavaleiros. Até breve, guerreiro.
O homem chamado Ker segura no ombro de Keres e ambos desaparecem diante do olhar de Câncer. O rapaz não sabe se fica aliviado daquela luta ter finalmente terminado ou receoso em saber que há mais inimigos iguais a ela a solta.
—E agora? ... –foi quando percebeu que agora estava terrivelmente sozinho.
—Heeeeeeyyyyyyy!!!! PIRRALHOOOOOO!
O chamado longínquo o assustou. Perplexo ele reconhece aquela voz irritante que gritava por ele do alto da Colina. Imediatamente, ainda não acreditando em seus próprios ouvidos, ele corre para o alto desta, quase escorregando algumas vezes impulsionado pela ansiedade. Ao chegar em seu destino olha para dentro da cratera e sorri sem acreditar em seus olhos.
Agarrado com uma das mãos a uma rocha dentro da cratera estava Máscara da Morte, agarrando o corpo pequeno de Margareth com o outro braço firmemente ao seu próprio corpo.
—QUER NOS TIRAR DAQUI?!
Finalmente, após ajudar Máscara da Morte e Margareth a subirem, ele sente que pode respirar aliviado. Margareth o abraça pelo pescoço fortemente, chorando.
—Eu...eu tive tanto medo! Me desculpe... por minha causa ela te machucou!
—Margs... eu... não tem que se desculpar. -tocando no braço dela. -Está tudo bem.
—Faz tempo que não venho nesse buraco sujo. –Máscara da Morte olhava para ambos e depois desviou o olhar para a paisagem. –Não é um lugar apropriado para sua irmã. Vamos voltar logo.
—Máscara da Morte. –ela o chama e o ex-cavaleiro fita a garota que já estava ajoelhada ao seu lado, bem próxima. –Danke... por ter ajudado meu irmão e a mim.
—Na verdade eu não vim ajudar o Pirralho. –coçando a cabeça, com o rosto levemente corado. –Vim te salvar.
Margareth sorri, deixando-o mais vermelho ainda.
—Ao menos ouvi sua voz.
—Ham-ham. –Faust pigarreia, olhando para ambos com uma expressão ciumenta. –Vamos embora daqui?
—Santuário? –ele pergunta, dando a mão para Margareth se levantar.
—Não. Preciso resolver outra coisa antes.
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De volta aos arredores de Veneza.
Usando seus poderes Faust retornava ao local onde havia deixado Joan. Ela não havia sido levada ao Yomotsu pelo poder de Keres. Certamente a deusa não a considerava importante para se preocupar. Observou ao redor e não a viu, voltou sua atenção ao local onde estavam as armaduras dos cavaleiros mortos, e viu algo brilhando próximo a elas. Abaixou, pegando o objeto.
—Você voltou! –era a voz de Joan e Faust se virou. Ela parecia feliz e aliviada. –Pensei que... pensei que não voltaria mais.
—As pessoas me subestimam demais.
—Eu sei. –ela sorri. –Acabou?
—Sim. Ao menos para você. –ele a fita com tristeza, mostrando a ela o que encontrou. Uma gargantilha com um Pégasus prateado. –Você pode partir agora, Joan.
Ela o olha um pouco assustada, mas depois baixa o olhar entristecida.
—Só percebeu quando a Keres apareceu? –ele pergunta e ela concorda com um aceno de cabeça.
—Quando ela o levou, eu lembrei de tudo. -dizia torcendo as mãos nervosa. — Foi o que aconteceu comigo. Ela matou meus amigos... me matou... Acho que sentia vergonha de ter caído tão facilmente.
—Muitos demoram a perceber que estão mortos, Joan. Ainda mais quando morrem de modo violento. Como vocês e seus amigos.
Então as imagens das pessoas passando por ela, sem olhá-la, ignorando quando falava com elas. No trem, as pessoas achavam que Faust conversava e gritava sozinho. Ela não sabia que até aquele momento, apenas o rapaz diante dela, e seu mentor, podiam vê-la ou ouvi-la.
—Eu... achava que o senhor Seiya estivesse me ignorando por ter falhado em minha primeira missão. –ela estava com lágrimas nos olhos. –Que boba que eu fui. Eu devia saber que uma pessoa gentil como ele, jamais faria isso comigo.
—Ele estava triste com o que houve com você.
—Poderia me fazer um favor? –Faust sorri fazendo um gesto afirmativo com a cabeça- O pingente foi um presente de boa sorte que ele me deu no dia que ganhei minha armadura. Poderia devolver a ele e dizer que... dizer que agradeço imensamente por ele ter dado a uma menina órfã os melhores anos de sua vida. Por ele ter cuidado de mim? E devolver o pingente a ele?
—Tudo bem. Amigos fazem favores à outros amigos.
—Sou sua amiga, Faust?
—A primeira que eu realmente tive.
Como se ouvir aquelas palavras houvessem quebrado as amarras que ainda a prendia na Terra, Joan sorri e se vê envolvida por um brilho meio pálido.
—Estou com medo, Faust.
—Não tenha medo. Você vai ficar ao lado de seus amigos, de todos os cavaleiros que já morreram por Atena.
—Eu sei. –ela sorri. –Entre as estrelas. Até um dia, Faust.
Em seguida, Joan partiu dessa vida. Seu cosmo se juntava às estrelas, pelo menos era o que o jovem cavaleiro queria acreditar ao fitar o pequeno Pégasus de prata em sua mão.
Continua...
A seguir: Epílogo.
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