Still Loving You More
20 Um Ato de Amor

Pouco a pouco, os olhos de Maria vão se abrindo e, ao ver que ela finalmente está acordada, os olhos de Arthur se enchem de lágrimas, as quais ele simplesmente não consegue conter, e, deixa que elas caiam livremente por sua face.
Pois são lágrimas de alívio.
Lágrimas de felicidade.
Pois, Maria finalmente abriu os olhos e, com isso, ele tem certeza absoluta de que ela irá se recuperar e, com isso, ele recuperou a sua felicidade, pois a sua felicidade é ela.
Maria Flor!
A mulher mais incrível que ele teve a chance de conhecer.
― Maria...! – ele exclama, com a sua voz totalmente embargada pela emoção.
Maria simplesmente não tem forças para dizer qualquer coisa, apenas olha intensamente para o homem a sua frente, que, estranhamente, não para de chorar. Com carinho, ela leva uma de suas mãos, completamente trêmulas, ao rosto de Arthur, secando uma de suas lágrimas.
Arthur se sente completamente enternecido pelo gesto da mulher, e, sorri para ela. Sorri como nunca antes havia sorrido em sua vida, pois, é um sorriso repleto de amor e de carinho. Um sorriso que vem do fundo de seu coração e de sua alma. O mais nobre dos sorrisos.
Apesar de estar completamente emocionado por este momento, Arthur sabe que tem de chamar os médicos a fim de que eles examinem Maria, e, sem perder tempo, ele toca uma campainha, chamando uma das enfermeiras que, não demora nada a aparecer. Ela está prestes a perguntar se aconteceu alguma coisa, quando vê os olhos de Maria Flor abertos, e ela não perde tempo em deixar a UTI, voltando alguns minutos depois acompanhada do médico que está à frente do caso de Maria.
O médico não perde tempo e começa a examinar a jovem, sob o olhar bem mais do que atento de Arthur que, precisa conter toda a sua ansiedade em saber se ela vai ficar bem ou não.
O médico continua a examinar Maria com atenção, fazendo perguntas a Maria que, ela responde com acenos de sim ou de não com a cabeça, e, ao final do exame, o médico diz:
― A senhorita Oliveira precisará ficar mais alguns dias na UTI e depois alguns dias na enfermaria, senhor Montenegro, mas, ela irá se recuperar. O pior já passou.
As palavras do médico causam um alívio muito grande em Arthur, e, ele sente como se um grande peso tivesse sido tirado de seu coração, pois, agora ele tem cem por cento de certeza de que Maria irá ficar bem.
O médico e a enfermeira deixam a UTI, e, as atenções de Arthur se voltam para Maria, que, continua a olhar para ele de forma completamente cansada. Sem pensar em mais nada, Arthur segura com carinho uma das delicadas mãos da jovem, para em seguida a sua voz se fazer ouvir:
― Não se preocupe, Maria, você vai ficar bem. Só terá de ficar aqui mais alguns dias até ficar cem por cento reestabelecida, mas, eu não irei sair do seu lado, tenha certeza disso.
Pouco a pouco, os olhos de Maria voltam a se fechar, mas, desta vez, Arthur não se sente mais agoniado e sim, aliviado, pois, ele tem certeza de que ela vai ficar bem. A partir de agora, ele sabe, tudo irá ficar bem.
A hora da visita termina, e, Arthur é obrigado a deixar a UTI, mas, desta vez, ele não sai com preocupação, muito pelo contrário, ele deixa a UTI com a certeza de que, a partir de agora, tudo irá ficar bem.
As horas se passam e, a noite chega. Arthur está na recepção do hospital, com Sadrak em seus braços apenas esperando a chegada de sua mãe junto com os pais de Maria. Sua mãe lhe mandara um WhatsApp há pouco tempo, dizendo que eles já estão a caminho do hospital e, desde então, a ansiedade toma conta de Arthur, pois, ele simplesmente não sabe como os pais de Maria irão reagir tanto ao conhecerem Sadrak como com Maria, e, esta última é a sua maior preocupação, pois, apesar de o médico ter garantido que ela está fora de perigo, a verdade é que ela ainda está fraca. Espera, sinceramente, que ver os pais faça bem a ela.
Arthur volta a sua atenção para a entrada do hospital, onde, ele vê sua mãe chegando acompanhada por um casal, que, ele sabe serem os pais de Maria. Assim que vê o filho, Andrea vai em direção a ele, acompanhada pelos pais da jovem e, assim que todos estão frente a frente, Andrea não perde tempo em dizer:
― Arthur, estes são José e Sandra, os pais de Maria. José, Sandra, este é Arthur, meu filho, e, este garotinho lindo nos braços dele é Heike Sadrak, o nosso netinho.
Ao ouvir as palavras de Andrea, Sandra se aproxima, e, olha para a criança nos braços de Arthur, que encara a mulher com desconfiança, afinal de contas, é a primeira vez que ele a vê.
― Será que eu posso pegar ele no colo? – pergunta Sandra, com insegurança em sua voz.
― É claro. – responde Arthur, de forma cordial, ao mesmo tempo em que passa o menino para o colo da avó materna.
Ao se ver no colo de uma desconhecida, Sadrak começa a chorar e a espernear, dando os bracinhos para o pai. Compreensiva, Sandra começa a acalentar o menino, murmurando para ele palavras de carinho, até que, pouco a pouco, ele começa a se acalmar nos braços da avó.
E, enquanto esta cena se desenrola, José apenas observa aquele menino, o arrependimento batendo por tudo o que ele fez ao se deixar levar pelo orgulho e colocar a sua filha para fora de casa. Se arrependimento matasse, certamente ele estaria morto neste momento.
― E Maria? – pergunta Sandra, sem esconder o tom de preocupação em sua voz.
― Fora de perigo. – responde Arthur, de forma prática – Só estou esperando a hora da visita pois, como ela ainda se encontra na UTI, não pode ter um acompanhante o tempo todo com ela.
Nem bem Arthur termina de falar e, chega uma enfermeira, anunciando que mais uma hora de visita chegou. Arthur diz que vai na frente, a fim de preparar Maria para o que está por vir e Sandra e José não fazem qualquer tipo de objeção com relação a isso.
Arthur então segue para a UTI, e, ali chegando, encontra Maria acordada, que sorri para ele ao vê-lo ali mais uma vez.
― Oi...! – ela diz, com a voz demasiado fraca.
― Oi. – responde Arthur, de forma carinhosa.
Ele então se aproxima dela, e, carinhosamente, beija a testa dela, para em seguida dizer:
― Como você está se sentindo?
― Ainda sinto muita dor...! – ela responde, ainda com a voz fraca.
― É normal, em vista a tudo o que você passou, mas, você vai se recuperar.
― Eu sei. – ela se força a sorrir – Obrigada por estar aqui comigo.
― Não há o que agradecer. Mas agora, eu tenho uma surpresa para você.
― Surpresa...? – Maria o encara de forma questionadora.
― Você vai ver. – Arthur sorri.
E, após dizer essas palavras, ele caminha até a porta da UTI, e, a abre, fazendo sinal para que Sandra e José entrem, e, tão logo eles o fazem, os olhos de maria se enchem de lágrimas, incapaz de acreditar no que está vendo.
Arthur, sabendo que este é um momento apenas dos três deixa o quarto. E, José e Sandra não perdem tempo em se aproximar do leito de Maria.
― Painho...! – a voz de Maria soa demasiado fraca – Mainha...!
― Filha! – fala Sandra, ao mesmo tempo em que começa a acariciar o rosto de sua filha – Como você está, querida?
― Como chegaram...? – Maria se vê perguntando.
― Isso não importa, maria Flor. – é a vez de José falar – Eu só quero que você me perdoe, minha filha! – o homem não consegue segurar as lágrimas de emoção – Me perdoe por ter sido um velho burro e preconceituoso por ter lhe colocado para fora de casa! Se soubesse o quanto eu me arrependo, Maria.
― Eu te perdoo, painho...! Estou feliz pelo senhor e por mainha estarem aqui...!
Com cuidado, José e Sandra se aproximam da filha, e, a abraçam com todo o cuidado por conta da aparelhagem da UTI, como se nada mais importasse.
É um momento sublime entre pais e filha. Um momento de perdão. Um momento de reconciliação.
*****
Na manhã seguinte, Arthur está na Uti com Maria.
― Obrigada. – diz Maria, ao mesmo tempo em que sorri para ele.
― Pelo que exatamente você está me agradecendo? – questiona Arthur, confuso.
― Por tudo o que tem feito por mim. Estou sendo tratada em um hospital que, nem trabalhando por toda a minha vida eu teria condições de pagar. Além disso, você trouxe meus pais aqui, Arthur. Você fez tudo isso por mim, e, eu sinceramente, não tenho palavras para agradecer a você.
― Não há o que agradecer, maria. – Arthur fala com sinceridade – Eu fiz tudo isso por amor a você, porque eu te amo, só que eu era idiota demais para admitir isso.
― O que você disse...? – pergunta Maria, sem conseguir acreditar no que acabara de ouvir.
― Eu disse que eu te amo, Maria. Te amo como eu nunca imaginei ser capaz de amar uma mulher. Te amo com uma intensidade que chega a doer.
Ao ouvir a sincera declaração de Arthur, Maria sente seus olhos se encherem de lágrimas, as quais ela simplesmente não consegue segurar.
― Eu também te amo, Arthur. – ela diz, com um sorriso em seus lábios – Pouco a pouco, você foi conquistando o meu coração e, quando me dei conta, já não podia mais viver sem você. Eu te amo, e, sei que jamais irei ser capaz de amar alguém assim, da forma como eu amo você.
Ao ouvir as palavras de Maria, Arthur a abraça, para então aproximar os lábios dos dela, e, beijá-la com todo o amor que existe em seu coração.
Ele a beija com amor.
Um amor que ele sabe que, jamais será capaz de sentir por outra mulher.
*****
Dois anos depois...
Em uma maternidade em Aracaju, Arthur está ao lado de Maria, que, está em trabalho de parto ativo, pronta para dar à luz a mais um bebê, desta vez, uma menina.
Ela grita de dor ao sentir mais uma contração, e, Arthur está ao lado dela, segurando-lhe uma das mãos.
― Ela já está vindo, senhora Montenegro. – anuncia o médico – A bebê já está coroando.
Maria grita mais uma vez de dor, ao mesmo tempo em que faz força para expulsar o bebê, e, um choro de criança anuncia uma nova vida que acaba de vir ao mundo.
O médico corta o cordão umbilical da menina, e, a entrega para a mãe, que, a segura, completamente emocionada em seus braços.
― Cecília...! – fala Maria, com a voz completamente embargada de emoção – Olha, Arthur, temos uma linda menina.
Arthur então tira a filha dos braços da mãe, para segurá-la pela primeira vez e, não consegue esconder um sorriso de pura felicidade que toma seus lábios.
Dois anos atrás, assim que Maria saíra do hospital, ele a pedira em casamento, pedido esse que ela aceitou. Ele então ligou para o seu gerente de um de seus resorts em Aracaju, pedindo para que lhe encontrasse um bom corretor de imóveis.
Ele acabou comprando uma linda cobertura em Aracaju e, tão logo se casou com Maria, os dois se mudaram para lá. E, desde então, sua vida é só felicidade ao lado desta mulher tão incrível e de Sadrak.
E agora, essa felicidade se completa ainda mais, pois, Maria acaba de lhe dar mais uma filha, Cecília, que veio ao mundo para completar, mais ainda, a felicidade dos dois.
Fim!
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