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8 Ida as Compras
Notas iniciais

Na manhã seguinte, Arthur decide levantar um pouco mais cedo do que o habitual, a fim de ele mesmo adiantar o café da manhã, para que ele e Maria possam sair as compras. E, como já conhece um pouco Maria Flor, sabe que ela vai pensar somente em dar o café da manhã ao filho, esquecendo-se de si mesma, e, sinceramente, não quer que ela saia sem tomar o café da manhã.
Sem perder tempo, ele se levanta e segue diretamente para o banheiro de sua suíte, onde não perde tempo e tira suas roupas, abrindo o chuveiro em seguida e entrando nele em seguida.
Não demora muito no banho, e, após desligar o chuveiro, se enrola em uma toalha e segue para o closet, onde escolhe uma calça social preta e uma camisa social azul royal. Após colocar as roupas, calça uma meia preta e um sapato social também preto, de couro italiano, e deixa o closet, seguindo para o quarto, onde segue até uma penteadeira, para escovar rapidamente os cabelos e então deixar o quarto, seguindo diretamente para o quarto de hóspedes, que está com a porta aberta.
Ali chegando, vê que Maria Flor já está acordada, e, trocando as fraldas do filho.
― Posso fazer alguma coisa para ajudar? – Arthur não perde tempo em perguntar.
Ante a pergunta de Arthur, Maria volta a sua atenção para ele, para então dizer:
― Você se incomodaria se eu desse um banho no Sadrak antes de irmos? Não irá te atrapalhar em nada.
― De forma alguma. – responde Arthur – Cancelei todos os meus compromissos para a esta manhã, o que significa que não tenho pressa nenhuma. Eu vou até a minha suíte encher a banheira para que você possa dar banho no Sadrak.
E, após dizer estas palavras, Arthur se retira, a fim de encher a banheira para que Maria possa dar banho no filho. Não demora muito e, Maria chega com Sadrak, ele a deixa a vontade para dar banho no menino e segue para a cozinha, onde coloca água e pó de café na cafeteira e em seguida coloca a mesa para o café da manhã.
Maria chega alguns minutos depois, e, se senta à mesa, Arthur a serve com café enquanto a observa amamentar o filho e, enquanto ela amamenta, Arthur apenas observa, em silêncio.
Maria acha estranho o silêncio do homem, pois, pelo pouco que o conhece, sabe que não é de seu feitio ficar tanto tempo em silêncio.
― Está tudo bem, Arthur? – ela se vê perguntado.
― Sim. – ele responde de forma prática – Por que a pergunta?
― Apenas estou achando um pouco estranho este seu silêncio.
― Apenas tome o seu café da manhã, está bem? Teremos um dia cheio com as compras. Aliás, espero que você tenha em mente tudo o que precisaremos comprar. Algumas coisas eu sei, como berço, carrinho, bebê conforto e uma banheira, mas outras, bem, como você sabe, não sou o homem mais informado sobre as necessidades de um bebê.
― E como sei. – fala Maria, dando de ombros em seguida.
Arthur não gosta nem um pouco do tom de voz de Maria ao lhe dirigir estas palavras, aliás, está tentando ser gentil com ela, porém, há momentos em que ela simplesmente lhe tira do sério, e, isso, de certa forma, o deixa meio irritado, pois, ela é a primeira mulher que consegue fazer isso com ele.
Está acostumado a mulheres que passam o tempo todo lhe bajulando e querendo a sua companhia, e, obviamente, ele gosta disso, afinal de contas, não é nenhum santo. Mas, com Maria, as coisas nunca foram assim.
Não, Maria sempre foi diferente, e, ele percebeu isso desde a primeira vez que colocou os olhos nela, naquela pequena cidade nordestina.
Desde o começo, ela não se jogou em seus braços, como acontece com todas as mulheres que o conhecem, muito pelo contrário, ela parecia não ser afetada por ela, tanto que, teve de embebedá-la para conseguir o que queria e, no final das contas, havia valido a pena, pois, consegue se lembrar muito bem daquela noite, e, mesmo que ela tenha gerado um filho, e, um filho nunca fez parte de seus planos, não consegue se arrepender do que fez.
E, pensar naquela noite faz com que o seu olhar se volte para Maria, para aqueles cabelos tão vermelhos que parecem chamas, uma cascata de cachos que parecem fogo, chamas vivas se erguendo em uma fogueira, tão cheios de vida e totalmente naturais.
Maria é a primeira mulher que ele conhece a não ter vergonha dos cachos, os exibe como se fosse um troféu, e, realmente o é, pois eles chamam a sua atenção e, é uma das coisas que mais gosta nela, esses cabelos os quais ele adoraria ter a oportunidade de tocar novamente, o que, infelizmente, é impossível, pois sabe que Maria Flor jamais permitirá que ele se aproxime dela novamente para fins meramente sexuais.
Por sua vez, Maria não deixa de notar o olhar de Arthur sobre si, e, não gosta nem um pouco da forma como ele a está olhando, pois, isso a faz se lembrar da forma como ele a enganou em Riachão do Dantas, apenas para leva-la para a cama, e, após isso, a sua vida simplesmente desabou sob seus pés, todos os seus sonhos e planos para o futuro minados e, se viu sozinha e grávida, passando por dificuldades que só ela sabe.
E, se Arthur acha que vai enganá-la novamente, ele está redondamente enganado.
Por mais que ele seja um homem atraente, e, isso ela não pode negar, jamais cairá na lábia dele novamente!
Não depois de tudo o que ele a fez sofrer!
E, se ela está ali agora, tentando ter uma convivência pacífica com ele, é apenas porque está sendo obrigada a isso, pois, o seu verdadeiro desejo é sumir dali, sumir do mundo e ir para um lugar bem longe, onde Arthur jamais pudesse colocar os olhos nela ou em Sadrak novamente.
Terminam o café da manhã em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos e, tão logo Arthur se levanta, Maria faz o mesmo, ela está prestes a começar a tirar as coisas da mesa, quando Arthur a impede, dizendo:
― Não é necessário fazer isso, Maria. Minha empregada logo estará chegando.
Ante as palavras de Arthur, Maria Flor apenas dá de ombros e, ao lado do homem, deixam a cobertura, seguindo diretamente para o elevador social, que demora alguns minutos para chegar até a cobertura.
Já no elevador, seguem diretamente para a garagem, e, ali chegando, Arthur a guia até a vaga de seu carro, onde destrava o alarme e abre a porta do passageiro para que ela possa adentrar o veículo, o que ela faz imediatamente. Arthur então segue para o lado do motorista, onde abre a porta, adentra o carro e fecha a porta em seguida. Coloca a chave na ignição e liga o carro, e, enquanto o motor esquenta, coloca o cinto de segurança, observando Maria Flor fazer o mesmo.
Arthur então pisa na embreagem e no freio, engata a primeira marcha e solta o freio de mão ao mesmo tempo em que vai soltando a embreagem e o freio devagar, o carro começando a entrar em movimento e, tão logo ele começa a se mover, engata a segunda marcha ao mesmo tempo em que abre os portões do prédio, deixando a garagem e, entrando na rua.
Como está com uma criança sem o bebê conforto, opta por não dirigir muito rápido, mas, como ainda é de manhã e eles não estão no horário de pico, não demoram muito para chegar ao Shopping Leblon, onde, Arthur escolhe uma das vagas do estacionamento livres para parar o seu carro, saindo do veículo em seguida e dando a volta para abrir a porta do passageiro para Maria, que está com o filho no colo.
Os dois caminham em silêncio para o interior do shopping, onde, caminham despreocupados pelos corredores, com Sadrak olhando animado para as lojas e o movimento de pessoas, o que não passa despercebido por Arthur.
― Parece que ele está gostando.
― Ele está curioso. – Maria Flor responde – Tudo isso é uma novidade para ele.
― Eu imagino. Mas então, por onde você quer começar?
― O que? – Maria não entende a pergunta dele.
― As compras, menina! – responde Arthur, com cara de que isso é meio óbvio – Afinal, foi isso o que viemos fazer aqui, não?
― Sim. – Maria responde, sentindo-se meio boba por ter feito uma pergunta tão boba.
― E então, por onde começamos?
― Isso depende. – maria se queda pensativa – Por onde você quer começar?
― Se eu estou lhe perguntando, é porque eu não faço ideia. – Arthur começa a se sentir impaciente, pois, parece que ele tem de explicar as coisas para ela como se ela fosse uma garotinha de cinco anos de idade – Francamente, Maria! Se eu soubesse por onde começar não a teria trazido aqui. Sei que precisamos do básico, como berço, bebê conforto, carrinho... Mas de resto, eu sinceramente não faço ideia.
― Certo. – fala Maria, tentando conter o tom de irritação em sua voz – Então vamos começar pelo berço, bebê conforto e carrinho.
Os dois seguem para uma loja de artigos para bebês e, assim que adentram a loja, Maria fica boba com o luxo do local, pois, é a primeira vez que ela entra em uma loja de pessoas ricas, em um shopping da zona sul do Rio.
O local é decorado com requinte, as alas da loja separadas entre meninos e meninas, sendo as de meninos decoradas de tons de azul bebê e branco, e, as das meninas, de rosa bebê e branco.
A jovem fica simplesmente de boca aberta com tudo o que vê ali, acessórios, roupas... Tudo o que uma criança precisa e muito, muito mais. Coisas que ela sabe que, nem trabalhando a vida inteira iria conseguir dar a seu filho, mas que, ela sabe, Arthur dará a ele como se custassem migalhas, o que, para ele, custa mesmo.
Ela sente Arthur a cutucando, para que ela o siga e, assim ela o faz, os dois vão para a sessão de meninos, onde, Arthur começa a olhar os berços e, faz sinal para que ela também veja, e, dê a sua opinião.
― Pode escolher o berço. – Arthur fala para ela.
― O que?! – Maria se vê surpresa com as palavras de Arthur.
― Falei que você pode escolher o berço. – novamente, Arthur fala como se estivesse explicando para uma criança de cinco anos de idade – Veja o que mais gosta, o que será mais confortável para Sadrak. Enquanto faz isso, vou conversar com uma vendedora sobre o bebê conforto, pois duvido que você tenha alguma noção sobre este acessório em particular.
E, após dizer estas palavras, ele imediatamente se retira, e, vai procurar uma vendedora, a fim de fazer o que se propôs.
Maria Flor então começa a dar uma olhada nos berços, para ela, não faz muita diferença o modelo, pois, ela tem certeza de que todos são ótimos, visto o padrão da loja em que se encontram. Para ela, tudo ainda parece meio que um sonho, pois, nunca em sua vida de imaginou sendo cliente de um lugar como esse.
Olha para o filho, que, em seu colo, parece bem animado e, por ele, decide deixar um pouco todos os seus receios de lado e mergulhar de vez na situação, afinal, é por amor a ela que está se sujeitando a tudo isso.
Não demora muito, e, Arthur surge bem diante de seus olhos, com um sorriso de empolgação que ela nunca antes havia visto. Um sorriso que, chama a sua atenção, pois ela sente que vem de dentro de seu coração, que não é apenas uma fachada, como ela sente que é tudo ao redor dele.
― Venha, Maria! – Arthur fala, animado – Veja se você vai gostar desse.
E, sem esperar pela resposta dela, ele pela a mão dela que está livre, levando-a para a sessão onde está o bebê conforto que escolheu.
Maria Flor se espanta com toda a empolgação de Arthur, pois, ela jamais imaginara que ele fosse se empolgar assim por fazer compras para o filho. Escolhem o bebê conforto, o berço, o carrinho, além de protetores de berço e mais algumas coisas como mamadeiras, trocador, coisas de primeira necessidade de uma criança, os quais Arthur não fazia ideia de que uma criança precisa, e, ver o espanto dele quanto as necessidades de um bebê, vai fazendo com que Maria Flor se solte, deixando a postura defensiva de lado e começando a rir com as perguntas e comentários que Arthur simplesmente não consegue deixar de fazer.
Seu sorriso é espontâneo, mostrando que ela realmente está se divertindo com isso, como ela nunca imaginou que poderia se divertir, e, além disso, Arthur está mostrando para ela um lado de sua personalidade que ela não conhece, e, este lado da personalidade dele é muito mais agradável do que o outro, o chantagista e enganador.
Será este o homem que está por trás de toda a sua arrogância?
Se for este o homem que ele é de verdade, talvez ele não seja um mal pai para Sadrak, no fim das contas.
Após Arthur pagar a conta da primeira loja e dar instruções sobre o horário da entrega, os dois seguem para a próxima, onde, o mesmo acontece, os dois passando a escolher roupas e brinquedos e, novamente, os dois riem, conversam e se entendem, como nunca antes havia acontecido.
Arthur se espanta com Maria Flor, pois, é a primeira vez que ela interage com ele desta forma, sendo ela mesma e sem estar tanto na defensiva, e, ele está gostando de vê-la assim, sorrindo e mostrando que está feliz.
Passam a manhã inteira assim, nas compras, algo totalmente novo para Maria, pois, é a primeira vez na vida que faz compras em um shopping e, ter esta experiência faz com que ela se sinta feliz como há muito tempo não se sentia, pois, no momento, nenhuma preocupação a assola, tudo o que importa é o agora.
Os dois passam em frente a uma loja, onde, no mostruário da porta, pelúcias de Patati e Patatá chamam a atenção de Sadrak, que, imediatamente começa a se agitar e levar as mãozinhas em direção a loja.
― Qual é o problema com ele? – Arthur não consegue deixar de perguntar.
Maria apenas olha em direção a loja de brinquedos, fazendo com que a atenção de atenção de Arthur também se volte para ela, e, ele imediatamente entende o que Maria quer dizer.
― Os palhaços irritantes. – Arthur não consegue deixar de dizer.
― Sim. E, se quer mesmo conhecer seu filho, acho bom que se acostume com os gostos dele e, ele ama os palhaços.
― Como é que dizem mesmo? – Arthur pisca para ela – Se não pode vencê-los, junte-se a eles.
E, após dizer estas palavras, os dois seguem para a loja de brinquedos onde, para a surpresa de Maria, Arthur não compra apenas as pelúcias da vitrine, como também vários brinquedos dos palhaços, tudo o que a loja tem a oferecer dos dois. Além de muitos outros brinquedos. Tudo o que Arthur vê que chama a atenção do filho, ele compra, para surpresa de Maria Flor.
Eles saem da loja de brinquedos totalmente carregados e, seguem diretamente para a praça de alimentação, onde Arthur escolhe uma mesa, coloca as compras no chão e espera Maria Flor se sentar, para então se dirigir a ela, dizendo:
― Vai querer comer o que?
― Eu não sei. – Maria responde com sinceridade – Qualquer coisa que você pedir para mim está bom.
― Então eu vou pedir um lanche do McDonald’s para nós.
Maria faz um aceno afirmativo com a cabeça e, ante a resposta dela, Arthur segue para a filha, a fim de fazer o seu pedido. Vários minutos se passam até que o homem volte com o lanche dos dois, e, eles comem conversando amenidades, com Maria dando uma ou outra batata frita para o filho.
E, pela primeira vez na vida, os dois conversam como duas pessoas civilizadas, e não soltando farpas um para o outro. E, Arthur se surpreende com o quanto ele está achando agradável conversar com ela.
Ele faz todo o tipo de perguntas sobre o filho, as quais ela responde prontamente, tirando todas as dúvidas dele acerca da criação do menino e, por mais que ele, no começo, não quisesse admitir, começa a perceber que ela é uma boa mãe, que é capaz de tudo pelo menino que tem nos braços.
E, enquanto ela fala, ele percebe-se muito interessado em tudo o que ela diz. Percebe que quer saber tudo em se tratando da vida do filho, assim como também percebe que, ele quer fazer parte da vida do filho.
Quer encontrar uma forma de compensar os oito meses que esteve longe da vida do filho e, não importa como, ele vai encontrar uma forma de compensar este tempo. Quer que, a partir de agora, este pequeno saiba que tem um pai e, com isso, fará com que Maria saiba que ele pode ser tão bom pai quanto ela parece ser uma mãe.
Maria se surpreende com o fato de Arthur estar tão interessado sobre o filho, e, se pergunta se isso é apenas fogo de palha ou se ele realmente quer ser um pai para Sadrak. Mas, no momento, ela não tem essa resposta e, sabe que somente o tempo é que lhe dará essa resposta.
Os dois continuam a comer e a conversar, tão concentrados um no outro que, parecem não perceber nada ao redor deles, e, por isso mesmo, não percebem uma elegante mulher passando por eles os encarando com ódio por trás das lentes de seus óculos escuros.
Um ódio tão grande que simplesmente não é capaz de conter.
Quer imediatamente fazer um escândalo, mas, sabe que isso não irá ser bom, pois conhece Arthur para saber que ele não gosta deste tipo de coisa.
Ao invés disso, Danielly segue seu caminho, sabendo que a morta de fome é muito mais esperta do que ela inicialmente havia julgado.
Arthur e Maria continuam imersos em seu mundo, sem nem imaginarem que Danielly os viu.
― Maria. – Arthur fala ao acaso.
― O que? – ela o encara com um olhar interrogativo.
― Acaso tem algum compromisso para este final de semana?
― Não. Por que?
― Terei de ir a Angra dos Reis para um compromisso com uns investidores. Gostaria de ir comigo?
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