Notas iniciais
Oi meus amores. E cá estamos nós no capítulo seis! Estou muito feliz em estar compartilhando esta história aqui com vocês. Gostaria de agradecer imensamente a TommySan, Sally-Yagami, Ana Virgínia e Bruna Chan pelos comentários do capítulo anterior. Eu amei todos eles. E, se você leu, deixe um comentário! Vou amar saber o que estão achando da história. Boa leitura e enjoy❣

Maria Flor acorda após uma noite muito mal dormida, e, olha para o lado, onde percebe que seu filho ainda não acordou. Olhar o quarto em que está faz com que ela relembre da cruel realidade em que infelizmente está inserida, e, não pode fazer nada para se livrar de tudo isto.

Pelo menos, não se quiser perder o seu bem mais precioso, o seu filho tão amado, terá de se acostumar a esta vida e, principalmente, a presença de Arthur diariamente em sua vida. E, não somente dele, mas também daquela mulher que a humilhou na noite passada.

A verdade, é que não esqueceu as palavras que aquela mulher lhe disse na noite passada, e, sente que ela fará o impossível para tornar a sua vida um verdadeiro inferno, mas, não irá deixar!

Pode ser pobre, mas tem sua dignidade e não vai se deixar humilhar! E se precisar enfrentar o mundo inteiro para estar ao lado de seu filho, ela o fará sem nem ao menos pensar duas vezes! Pois, por amor a Sadrak, ela se transforma em uma leoa! E não se deixará ser humilhada!

Sabe que não pode perder tempo, pois tem um longo dia pela frente e, se levanta, a fim de se preparar para um novo dia. Caminha até a sacola onde estão suas coisas e coloca o mesmo vestido que usara no dia anterior, até porque, para ela, tudo isto é uma situação temporária e, tudo o que ela mais quer é voltar para casa com eu filho. E tudo o que precisa é entrar em acordo com Arthur para que isto possa acontecer.

Mas agora, tem que pensar no hoje e no agora e, terminar de se preparar para o longo dia que tem pela frente. Com muito cuidado para não acordar o filho, coloca vários travesseiros e almofadas ao redor do menino, a fim de que, caso ele acorde, não caia da cama, e deixa o quarto, indo ao banheiro para escovar os dentes, lavar o rosto e pentear os cabelos.

Ao final destas tarefas, volta ao quarto e, percebe que o seu filhinho já acordou, e, estende os bracinhos para ela, resmungando e querendo colo. Sem perder tempo, Maria Flor aproxima-se da cama e pega o filho nos braços, e, imediatamente, Sadrak procura pelo seio da mãe.

A jovem senta na cama e começa a amamentar, e, olhando para o rostinho de seu filho, que não tira os olhos dela, consegue esquecer-se de tudo, e pensar apenas em seu amado bebê.

Enquanto amamenta, escuta barulho de passos se aproximando e, a sua atenção se volta para a porta, que se abre e entra Arthur, já vestido com terno e gravata e, ao que tudo indica, pronto para mais um dia de trabalho.

― Ainda bem que já está acordada. – Arthur decide ir direto ao ponto – Pois temos visitas para o café da manhã e, como hoje tenho uma reunião importante no trabalho não quero me atrasar.

― Bom dia para você também, Arthur. – Maria Flor responde, sem tirar seus olhos do filho – E, sinto muito, mas não tenho tempo para as suas visitas. Hoje eu tenho trabalho.

― E desde quando você trabalha? – a voz de Arthur é carregada de escárnio.

― E como é que você acha que eu sustento a mim e a meu filho nesta cidade? – Maria Flor devolve a pergunta.

― Bom, se é por conta disso, você não precisa mais trabalhar. A partir de hoje eu darei ao meu filho tudo o que ele precisar, e que certamente você não pode dar.

― Por acaso você se acha meu dono? Para dizer o que eu posso ou o que eu não posso fazer?

― Não é questão de me achar ou não seu dono, menina! A questão é que se você trabalha para sustentar o me filho, não precisa mais!! Aliás, posso saber que espécie de trabalho você faz?

― Sou diarista! – dispara Maria Flor, seus olhos se encontrando com os de Arthur.

Por um momento, o homem pensa em disparar uma resposta a jovem à sua frente, mas, algo faz com que ele não o faça. Não sabe o que, mas enxerga nos olhos de Maria Flor algo que ele nunca viu nos olhos das mulheres com quem convive e, por isso mesmo, decide deixar para lá.

― Eu a levo até seu trabalho, contanto que tome o café da manhã com minha visita.

― Contanto que sua visita não seja aquela mulher de ontem à noite.

― Dany é minha noiva e, como você é a mãe de meu filho, eu espero, sinceramente, que vocês duas possam conviver em harmonia. Mas, não se preocupe, não é a Dany que vem tomar o café da manhã conosco.

― Não?! E será que eu posso saber quem é que vem?

― Minha mãe. – Arthur dá de ombros – Não contei a ela sobre meu filho, e, obviamente, ela vai ficar surpresa ao ver o menino. Espero, Maria, que você tenha o mínimo de educação e trate a minha mãe com o respeito que ela merece, e não da forma como você tratou a Dany na noite anterior.

― Se tratei sua noiva mal ontem à noite, foi porque ela me tratou mal primeiro!

― Não me importa o motivo e, quero deixar bem claro, que você terá problemas se tratar mal minha mãe.

Nem bem Arthur termina de falar e, escuta o barulho da campainha.

― Deve ser a minha mãe. – Arthur volta a falar – Vou atender e, logo estarei aqui com ela, para que possa conhecer o meu filho.

Após dizer estas palavras, Arthur não espera por uma resposta de Maria Flor e, vira as costas, deixando o quarto e indo até a sala de visitas, onde encontra-se a porta de entrada da ala social.

E, assim que ele abre porta, sorri ao ver uma mulher de meia idade. Com seus sessenta anos, Andrea Montenegro é uma mulher bela e bem conservada. Cabelos lisos e castanhos, na altura dos ombros, em um corte elegante para a sua idade. Os olhos azuis, idênticos as do Arthur, e, um misto de curiosidade em seu olhar. Usa uma bata de seda azul, bastante elegante e, calça social preta, bem como sapatos de salto, do mesmo tom de azul de sua camisa.

Sem que Arthur diga nada, ela adentra o apartamento e beija o rosto de seu filho de forma calorosa, para então a sua voz se fazer ouvir:

― Muito bem, Arthur! Sua ligação ontem me deixou bastante curiosa. Será que eu posso saber o que foi que você aprontou desta vez?

Ates que Arthur possa responder a mãe, a atenção de Andrea se volta para o corredor, onde ela vê uma jovem com um bebê nos braços. Inevitavelmente, seus olhos pousam no bebê, que, ante a presença da estranha, abraça a jovem como se buscasse proteção, e, no mesmo instante, Andrea entende que a jovem é a mãe do menino.

― Mãe, quero te apresentar Maria Flor, e Heike Sadrak, meu filho. – Arthur dispara, vendo que os olhos da mãe não desgrudam do menino – Maria Flor, esta é Andrea, minha mãe.

Maia Flor permanece estática, com medo da mulher e sem saber direito o que pensar de toda esta situação. E ali, parada, sem saber exatamente como deve reagir, a jovem vê a mulher mais velha se aproximar com um sorriso em seu rosto.

― Mas que menininho mais lindo! – fala Andrea, acariciando os cabelos do bebê – Como disse que ele se chama mesmo?

― Heike Sadrak. – responde Maria Flor, ainda sem saber o que pensar da mulher à sua frente

― Bem, certamente é um nome bem diferente. – Andrea continua a sorrir – Eu sempre sonhei com um neto! Mas o tapado do meu filho sempre pareceu avesso a crianças. E de repente me aparece um já grandinho? Onde você estava durante toda a sua gestação e nos primeiros meses de vida do bebê?

― Eu estava trabalhando! – Maria Flor responde sem pestanejar – Já que seu filho teve a decência de me abandonar grávida!

― Arthur, você não fez isso! – Andrea olha com repreensão para seu filho – Como você foi capaz de fazer uma coisa dessas?

― E como é que eu iria imaginar que ela ficaria grávida? – rebate Arthur.

― E por que só agora você veio procurar meu filho, Maria? – pergunta Andrea, ignorando por completo seu filho.

― Eu não o procurei! – fala Maria Flor – Nós acabamos nos esbarrando ontem e desde então ele insiste que eu fique aqui com meu filho.

― Claro, agora que descobri que tenho um filho, não o deixarei viver em meio a sua pobreza, Maria Flor!

Maria Flor está prestes a dar a resposta que Arthur merece, mas, em respeito à senhora mãe dele, decide ficar calada. Até porque, até agora ela não disse nada para ofendê-la, como Arthur e a noiva. Ao invés disso, ela aproxima-se de Andrea, de forma que ela consiga ver o rostinho de Sadrak, que tenta escondê-lo em seu seio.

― Sadrak. – Maria Flor fala com carinho para o seu bebê – Esta é sua vovó, meu amor, por que você não olha pra ela?

Arthur se espanta com o tom carinhoso com o qual Maria Flor se dirige a seu filho, e, não apenas porque ele nunca vira algo assim, como também porque ela não fizera nada parecido para tentar aproximá-lo do menino. Muito pelo contrário, o que ela fez foi fazer questão de deixar bem claro que ele não entende nada de crianças. Não que isto seja uma mentira. Mas... Seria melhor que ela não tivesse feito isto.

Olha de forma questionadora para Maria Flor, mas, ela nem ao menos lhe dá atenção, voltando-se totalmente para o menino e para sua mãe que, parece simplesmente encantada pelo neto, e, com isso, parecendo esquecer-se totalmente de sua presença ali, o que faz com que ele se sinta completamente ignorado e, não gosta nem um pouco disso.

Mas, ao mesmo tempo em que não gosta da forma como Maria Flor está agindo, não consegue tirar os olhos dela e da mãe, que faz de tudo para chamar a atenção do menino, as duas mulheres parecendo ignorar por completo a sua presença ali, o que faz com que ele não goste nem um pouco da situação, e, principalmente da forma como Maria Flor sorri para a sua mãe, o que o faz se lembrar de como ela sorria para ele, quando se conheceram no Nordeste. Aquela Maria Flor era bem diferente desta de agora, e, só por curiosidade, gostaria de saber o que aconteceu com ela, para acarretar toda esta mudança, quais dificuldades ela passou para que se tornasse tão rancorosa, principalmente quando ela se dirige a ele.

― Ele sorriu para a vovó! – a voz mais que animada de Andrea tira Arthur de seus pensamentos.

― Engraçado que até agora ele não sorriu pra mim. – comenta Arthur, de cara fechada.

― E por acaso isso não seria porque você não faz ideia de como se aproximar de um bebê? – dispara Maria Flor, de forma irônica.

― Eu sei como se aproximar de um bebê! – Arthur não tarda a responder – Só que, eu ainda não me conectei a esta criança.

― “Esta criança” é seu filho, Arthur, e eu já disse mais de mil vezes que o nome dele é Heike Sadrak! – Maria Flor então volta a sua atenção para Andrea – Dona Andrea, eu peço que me desculpe, mas, não poderei ficar mais tempo, caso contrário irei me atrasar para o meu trabalho.

― Não vai ficar para o café da manhã? – pergunta Andrea.

― Lamento, dona Andrea, mas, eu não posso, ou vou acabar me atrasando.

― Mas e o Sadrak? – continua a mulher mais velha – Penso que você não tenha uma babá.

― Eu costumo leva-lo comigo para o trabalho, dona Andrea. – Maria Flor responde prontamente – Minha patroa permite.

― Primeiramente, deixe este “dona Andrea”, não sou tão velha, e, pode ser só Andrea mesmo, até prefiro assim. Em segundo lugar, por favor, tome café da manhã comigo e com o asno do meu filho, após o café da manhã eu a levo para o trabalho.

― Não quero incomodar... – a voz de Maria Flor soa incerta.

― Querida, não será incômodo nenhum. E, além do mais, terei um tempinho a mais para ficar com o meu recém-descoberto netinho.

Após dizer estas palavras, Andrea sorri e, Maria Flor sente-se incapaz de negar o pedido desta senhora que, ao contrário do filho, só a tem tratado com gentileza. Por isso mesmo, ao invés de responder, ela apenas faz um sinal afirmativo com a cabeça e, os três seguem para a sala de jantar, onde a empregada de Arthur já colocou a mesa para o café da manhã.

Tomam os seus lugares e, o café da manhã segue com Andrea fazendo todo o tipo de perguntas a Maria Flor sobre Sadrak, as quais a jovem responde prontamente. E, ver as duas mulheres conversando tão animadamente e, mais ainda, o menino começando a se soltar com a vó, faz com que Arthur sinta-se estranho, pois, além de ter sido “esquecido” pelas duas mulheres, que conversam como se ele nem mesmo estivesse ali, ainda tem o fato de que seu filho interage mais com a vó do que com ele, que é o pai.

E, se dar conta de que, de repente, quer que o filho comece a interagir com ele, comece a reconhece-lo como pai, da mesma forma que ele reconhece Maria Flor como mãe, é algo que faz com que Arthur se espante consigo mesmo, pois não imaginava uma coisa dessas.

Desde o dia anterior, quando, do nada, se descobriu pai, só o que conseguiu pensar foi em tirar o filho da pobreza, para dar a ele tudo o que o dinheiro pode comprar. E, até agora, achava que tudo o que importava era isso, até porque, estivera naquele lugar horrendo que Maria Flor insiste em chamar de casa, e, decididamente, aquele lugar, aquela favela, não é o lugar para se criar um bebê, ainda mais sendo seu filho.

Nunca se imaginou sendo pai, mas, agora descobriu que é, e, ao contrário de Maria Flor, não teve nove meses para se acostumar a ideia. Muito pelo contrário, descobriu um filho com quase um ano, com um nome horroroso e, com uma mãe que ele não consegue trocar meia dúzia de palavras sem começar a brigar.

Aliás, até onde se lembra, Maria Flor é a única mulher a não resistir a seu charme e, seu dinheiro. E não se arrepende do truque que usou para leva-la para a cama e satisfazer seus desenhos, pois ela, além de possuir uma beleza selvagem, é dona de personalidade forte, como nunca antes havia conhecido em uma mulher.

É obvio que, quando se conheceram, ele não imaginava que ela fosse assim, dona de tanta personalidade. Encarara a jovem como apenas mais uma conquista de suas viagens, e agora, tem um vínculo com ela. Vínculo este que ele espera se ver livre muito em breve, assim que conseguir tirar a guarda do menino dela.

Pensar em seus planos faz com que volte a sua mente para as duas mulheres a mesa, e, decide interromper a conversa das duas, pois, há providências a serem tomadas e, quanto mais rápido ele resolver todas estas pendências, melhor será.

― Maria Flor. – Arthur interrompe a conversa animada das duas mulheres – Tenho que falar com você sobre o pedido do exame de DNA.

Ao ouvir as palavras de Arthur, a fúria toma conta de Maria Flor, pois, no momento em que ele menciona fazer um teste de DNA, está duvidando de sua honestidade, e, isto ela não irá permitir, de jeito nenhum!

― Como você ousa duvidar da minha honestidade?! – vocifera a jovem – Eu não sou uma mentirosa! Sei muito bem quem é o pai do meu filho e você também sabe, visto que me chantageou para vir a sua casa!

― Não estou lhe chamando de mentirosa. – fala Arthur, começando a perder a paciência – Mas acontece que, para que eu possa entrar na justiça com um pedido de reconhecimento de paternidade, preciso do resultado do teste de DNA.

― Vocês, dois, parem de brigar! – fala Andrea, em um tom de voz que, deixa claro que ela não admitirá qualquer tipo de discussão – Estão parecendo dois namorados brigando e isto vai assustar o meu adorável netinho! Arthur, dê um tempo a Maria Flor para que ela se acostume com a ideia de que a partir de agora você fará parte da vida de Sadrak e, tente fazer isso sem impor a sua vontade, e sim conversando, pois é assim que dois adultos resolvem os seus problemas. E Maria, meu filho pode ser um cavalo quando se trata de lidar com outras pessoas, e isso ele puxou do pai, não de mim, mas, garanto a você que as intenções dele são as melhores possíveis e, por isso mesmo, eu só peço que nos deixe fazer parte da vida de Sadrak.

Ao ouvir as palavras de Andrea, Maria Flor encara a mulher, por quem desenvolveu uma empatia à primeira vista, e não apenas pelo fato de ela não ter lhe insultado, mas, principalmente, por ver que ela está verdadeiramente animada com o neto e que irá amar o seu menino, muito diferente do pai dele, que só é capaz de pensar naquilo que o dinheiro pode comprar.

― Eu jamais tiraria seu direito de fazer parte da vida de Sadrak, Andrea. – Maria Flor se força a sorrir – Pode ter certeza disso. Agora, acho que eu realmente preciso ir, caso contrário, irei chegar atrasada ao meu trabalho, e, não quero que isso aconteça.

― Eu levo você, como havia dito que faria. – Andrea volta a falar – E quanto a você, Arthur, acho bom me esperar aqui, cancele seus compromissos da manhã, se for preciso, pois nós dois temos muito o que conversar e, decididamente, eu não quero fazer isso em um lugar tão impessoal com o seu escritório.

Notas finais
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