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13 A Proteção de Arthur

Arthur sente a fúria tomar conta de si no momento em que vê aquele homem beijar a sua Maria Flor de forma tão ousada como ele está fazendo!
Como ele se atreve?
Como ele ousa beijar Maria dessa forma? Como se ela fosse uma qualquer?!
Vê que Maria Flor se debate nos braços desse sujeito maldito, querendo se libertar do abraço dele, e, percebe que este homem a aperta ainda mais contra si. E, é neste exato momento em que ele simplesmente perde o controle de suas emoções e parte para cima do sujeito, libertando Maria Flor dos braços opressores dele ao mesmo tempo em que dá um forte soco na face do homem, fazendo com que ele cambaleie e caia para trás.
O homem então encara Arthur com um ódio profundo, que é devolvido por ele. O que Arthur mais deseja neste momento é partir para cima deste homem e dar uma surra nele, a fim de que ele nunca mais ouse se aproximar de Maria Flor, mas, ele olha para sua Maria e vê que ela está muito trêmula e com o rosto totalmente branco ante o choque e o susto que ela acaba de passar e, sem pensar duas vezes, ele vai até ela e a abraça de forma totalmente protetora.
― Calma, Maria. – ele diz, de forma totalmente carinhosa – Já passou! Você está segura agora. Eu não vou deixar este animal chegar perto de você novamente!
Ainda com o corpo totalmente trêmulo e com os olhos repletos de lágrimas devido ao susto que acaba de passar, Maria Flor se deixa acolher pelos braços protetores de Arthur, sentindo-se segura ali, pois, ele a defendeu desse homem horrível que a agarrou simplesmente do nada.
Sebastian se levanta e, vendo que a atenção de Arthur está com sua atenção totalmente na Florzinha Marcinha, aproveita e vai embora dali sem ser percebido, pois, agora que já sentiu o gosto dos lábios da garota nos seus e matou a sua curiosidade, é hora de trabalhar a sério e começar a planejar a morte da garota, tal como ele fora pago para fazer.
Arthur continua abraçando Maria Flor de forma totalmente protetora, querendo, mais do que qualquer coisa, que ela se acalme e pare de tremer. Começa a acariciar os cabelos dela em um gesto de carinho e, se surpreende, pois, não se lembrava que aquela cascata de cabelos ruivos tivesse uma textura tão gostosa.
Os cabelos de Maria são muito macios e, de repente, sente a necessidade de enterrar dedos nos cabelos dela, percebendo, que eles são muito mais bonitos do que ele imaginava. Aliás, sempre achou Maria uma mulher bonita, mas, só agora, convivendo com ela, é que vem percebendo que ela, com toda a sua simplicidade, é muito mais bonita do que as mulheres que ele está acostumado a conviver, e, se dar conta desta verdade faz com que ele comece a se sentir um pouco estranho.
Mas, ele sabe que este não é o momento para ter este tipo de pensamento e, por isso mesmo, trata de tirá-los de sua mente e focar no que realmente importa, Maria Flor e o susto que ela acaba de tomar.
― Calma, Maria. – ele fala mais uma vez, na esperança de abrandar a moça – Eu estou aqui com você, e, garanto-lhe que aquele sujeito não vai chegar perto de você!
E, ao ouvir as palavras de Arthur, a forma carinhosa e protetora como ele fala com ela, além de se sentir protegida nos braços dele, Maria, pouco a pouco começa a se acalmar e, seu corpo vai parando de tremer, fato este que não passa despercebido por Arthur.
― Obrigada...! – é tudo o que Maria consegue dizer – Arthur, eu juro para você que não sei quem era aquele maluco e porque ele me agarrou daquela forma...!
― Você não precisa jurar nada, Maria. Eu acredito em você. Eu vi a forma como aquele animal a agarrou. Mas, eu prometo que algo assim nunca mais irá acontecer com você. Eu irei te proteger sempre, Maria. Eu prometo!
As palavras de Arthur, tão confiantes, tão altivas, fazem com que Maria comece a se sentir melhor, pois, ela vê sinceridade em cada palavra que ele proferiu, que elas não foram ditas da boca para fora e sim com o coração.
A calma a toma por completo e, ela enfim consegue parar de tremer e, é neste momento que ela se dá conta de que está nos braços do Arthur. No mesmo instante, ela sente o sangue esquentar em suas veias e ruborizar a sua face, e, sem pensar duas vezes, ela se afasta de Arthur, sentindo-se totalmente envergonhada por ter estado nos braços do homem.
A vergonha que sente é tanta que, ela nem ao menos consegue encarar Arthur nos olhos e, esta é a primeira vez que isso acontece.
Arthur apenas encara Maria e, ao notar que o rosto dela está vermelho, não consegue deixar de sorrir. Quanto tempo faz que ele não vê uma mulher corar de vergonha? Certamente muito, pois, ele não é nem ao menos capaz de lembrar. Maria é realmente única e, ele tem sorte por ela ser a mãe de seu filho.
― É melhor nós irmos. – Arthur volta a dizer – Aquele meliante parece ter ido embora, mas, mesmo assim, eu não quero ficar por aqui e dar a ele a chance de voltar.
― Acha que ele pode voltar? – pergunta Maria, a voz totalmente assustada.
No mesmo instante, Arthur se arrepende por ter proferido tais palavras, pois, conhecendo Maria como ele conhece, era óbvio que ela iria se assustar com isso. Ele deveria ter tomado um pouco mais de cuidado com as suas palavras.
― Não, Maria, ele não vai voltar. – Arthur tenta concertar a burrada que ele disse – O que eu disse anteriormente foi apenas modo de dizer. O que eu quero dizer é que, não temos mais nada a fazer aqui e, por isso mesmo, é melhor nós irmos embora.
― Tem razão. – fala Maria, um pouco mais calma.
Os dois então deixam o cinema, seguindo diretamente para o estacionamento do shopping.
*****
Sebastian está dentro de seu carro, dirigindo de volta para seu apartamento com um sorriso de orelha a orelha estampado em seu rosto. A noite para ele fora muito mais proveitosa do que ele havia imaginado e, a verdade, é que ele se divertiu muito beijando a Florzinha Joaninha.
E, muito embora tenha levado um soco de Arthur, isso serviu para lhe mostrar uma coisa muito importante: que Danielly tem toda a razão ao querer se livrar daquela jovem, pois, Arthur Montenegro realmente está apaixonado por uma pobretona.
Nunca, em toda a sua vida, imaginou que alho assim pudesse acontecer, que um dos milionários mais importantes do país, um homem que pode ter qualquer mulher da alta sociedade que ele quiser, fosse se interessar por uma caipira nordestina. Pois, por mais que a Florzinha Marietinha seja bonitinha, a verdade é que ela não passa de uma caipira. Alguém que não sabe se arrumar, tampouco se maquiar. Se ela soubesse fazer essas duas coisas, certamente seria um mulherão, mas, ela não sabe, o que faz com que ela seja apenas uma caipira e isso faz com que Arthur tenha um gosto estranho.
Tudo bem brincar um pouco com a moça, transar com ela, afinal, ela tem bons atributos. Mas, daí a se apaixonar por ela como ele desconfia que Arthur está já é outra história.
Mas, no que depender dele, este romance dos dois irá durar muito pouco, pois, muito em breve, a Florzinha Bianquinha estará morta e, com isso, o caminho para Danielly estará livre novamente e, tudo o que ela precisará fazer será reconquistar o homem.
Talvez ela tenha que pintar o cabelo de ruivo, afinal, já ficou meio que provado que Arthur Montenegro tem uma queda por ruivas, mas, esta já é uma outra história. O que realmente importa é que muito em breve a nordestina será carta fora do baralho.
Enquanto dirige, um plano para conseguir o seu objetivo final começa a se formar em sua mente, e, isso faz com que um sorriso cruze os seus lábios, pois, se o que ele está pensando for um sucesso, tudo vai parecer um fatídico acidente, algo que poderia acontecer com qualquer um, afinal, a jovem é apenas uma retirante e não sabe dos perigos que as pessoas correm em uma cidade como o Rio de Janeiro. E, todos sabem como esta cidade é literalmente cheia de perigos, principalmente para mulheres.
O sorriso em sua face torna-se maléfico enquanto ele para o carro em um semáforo vermelho. Como hoje já está tarde, não irá mexer com isso, mas, assim que acordar amanhã, uma das primeiras coisas que irá fazer será começar a mexer os seus pauzinhos para que o plano que tem em mente possa ser executado com perfeição e, com isso, o assassinato da Florzinha Carlinha possa ser executado!
Arthur Montenegro irá perder a namoradinha muito mais cedo do que ele sequer poderia imaginar!
*****
Arthur e Maria acabam de chegar a cobertura de Arthur e, a primeira coisa que Andrea nota é o rosto perturbado dos dois. Pelo visto, a saída não foi tão proveitosa como pensou que poderia ser.
― O que aconteceu? – Andrea simplesmente não consegue deixar de perguntar – Não gostaram do filme?
― O filme foi ótimo, mãe. – Arthur responde sem rodeios – E, tanto eu quanto Maria gostamos muito dele. O problema foi o que veio depois, algo para literalmente acabar com a nossa noite.
― E o que aconteceu? – Andrea não consegue conter o tom de curiosidade em sua voz.
― Estávamos saindo do cinema quando no nada um meliante apareceu e agarrou a Maria. – enquanto narra tais acontecimentos, Arthur simplesmente não consegue conter o tom de raiva em sua voz – Mas, felizmente foi só o susto mesmo, pois eu tratei de colocá-lo em seu devido lugar.
Andrea simplesmente não precisa perguntar ao filho o que ele fez, pois o conhece bem demais e, por isso mesmo, ela sabe a resposta para esta pergunta sem que ela precise fazê-la. Ao invés disso, ela simplesmente volta a sua atenção para Maria Flor, que, tem o rosto completamente transtornado, como se ela ainda não estivesse acreditando no que acabou de acontecer. E, sem mais perder tempo, ela aproxima-se de Maria, para então dizer:
― Venha, querida. Você precisa de um pouco de água com açúcar para se acalmar. Deve ter sido uma experiência horrível para você. Mas, não se preocupe, já passou.
Maria Flor se deixa conduzir por Andrea até a cozinha, onde, a mulher não perde tempo e faz um copo de água com açúcar, o qual ela aceita e o bebe em goles rápidos, colocando o copo vazio na pia em seguida.
― Está melhor? – pergunta Andrea, genuinamente preocupada com a jovem.
― Acho que sim. – Maria Flor responde com sinceridade – Onde está o Sadrak? Ele está bem?
― Meu netinho se comportou muitíssimo bem. Agora ele está dormindo. Você e Arthur precisam sair mais vezes, assim eu posso aproveitar e curti-lo bastante.
Maria Flor sorri com as palavras de Andrea, pois, ela vê uma grande sinceridade nelas. Ela sabe que a mulher tem uma afeição por ela e por Sadrak genuínas, e, isso faz com que ela se sinta bem e acolhida, e, menos um peixe fora d’água.
Viver sob o mesmo teto que Arthur, estar com ele o tempo todo e ter a seus pés todo o tipo de luxo não tem sido algo fácil de se acostumar. Muitas pessoas dizem que é fácil se acostumar com o luxo e com a riqueza, mas, a verdade é que para ela, não tem sido nada fácil se acostumar a tudo isso. Muito pelo contrário, tem sido demasiado difícil se acostumar a esta vida que Arthur está proporcionando a ela.
A verdade é que, por mais que ele, nos últimos dias, venha se esforçando para ser menos implicante e fazer com que ela se sinta em cada, a verdade é que ainda sente muita falta do seu cantinho, das suas coisas. Às vezes, ela se sente uma completa estranha dentro da casa de Arthur.
― Você precisa de um banho, Maria. – Andrea fala com carinho, tirando-a de seus pensamentos.
― Acho que a senhora tem razão. – Maria se vê respondendo – Se a senhora me der licença, vou seguir o seu conselho e me banhar.
― Vá sim, querida. Vai lhe fazer bem.
As duas deixam a cozinha e, enquanto Maria Flor segue para o quarto de hóspedes a fim de tomar um banho, Andrea segue até a sala, onde Arthur está na adega se servindo de uma dose de conhaque.
― Achei a Maria bem abalada. – comenta Andrea, como quem não quer nada.
― E isso é porque a senhora não a viu no momento em que aquele meliante maldito a agarrou! Olha mãe, confesso para a senhora que naquele momento eu me deixei ser tomado pela raiva. Fazia muito tempo que a fúria não me tomava quando aconteceu naquele momento.
Ao ouvir as palavras de seu filho, Andrea simplesmente não deixa de notar a forma como ele profere cada uma delas. As emoções que ali estão contidas. E, se o momento fosse outro, certamente ela iria sorrir, pois, já percebeu o que o pamonha de seu filho ainda não conseguiu se dar conta, e, só não falará o que acaba de descobrir em voz alta pois, o conhece bem demais para saber que, no momento em que ela proferir tais palavras, ele irá negá-las quase que de imediato e, no momento, isso não é bom.
No momento, o que ela tem de fazer é ficar calada e deixar que Arthur perceba sozinho que, Maria está começando a adentrar em seu coração.
Desde o seu primeiro contato com Maria Flor, ela simplesmente amou a jovem e, sentiu, no mais fundo de seu ser, que talvez fosse ela a mudar o cavalo de seu filho, e, seu instinto de mãe vem mostrando-se muito mais do que verdadeiro pois, desde que os dois começaram a morar juntos, ela vem sentindo mudanças sutis em seu filho.
Maria Flor é, sem a menor sombra de dúvidas, a pessoa perfeita para Arthur, assim como seu filho é a pessoa certa para Maria Flor. Os dois só precisam se dar conta disso para se acertarem de uma vez por todas, pelo bem deles e também pelo bem de Sadrak.
― A senhora não vai dizer nada? – questiona Arthur, tirando Andrea de seus pensamentos.
― Desculpe, filho. – responde Andrea – Apenas me distraí. Mas, sinceramente, não tenho muito o que dizer, a não ser que você cuide bem da Maria, especialmente agora que ela está tão abalada e precisa de um ombro amigo. Ela não tem ninguém, Arthur. E, você tem obrigação de ser o que ela precisar agora. Ela não é como as mulheres com as quais você está acostumado. Ela é especial, única. Cuide bem dela, filho.
― Cuidarei. – garante Arthur.
― Eu sei que sim. Agora eu vou indo. Amanhã dou uma passadinha aqui para saber como estão as coisas.
E, após dizer estas palavras, Andrea começa a se dirigir até a porta e, Arthur a acompanha. Ele se despede da mãe e, quando Andrea deixa a cobertura, ele fecha a porta e vai até o quarto de hóspedes, apenas para ver se maria já saiu do banho e se ela está precisando de algo.
Mas, o que ele vê ali faz com que o seu coração se encha de pena, pois, vê Maria encostada na porta do banheiro, com a toalha de banho em mãos e chorando de forma copiosa.
No mesmo instante, Arthur sente o seu coração totalmente cortado de pena por ela, pois, ele percebe que por trás daquela nordestina arretada, com a qual ele ama implicar, há uma garota sensível que, no momento, precisa de proteção e de cuidados, e, ele é o único que pode dar isso a ela.
Sem mais perder tempo, Arthur se aproxima dela e a abraça.
― Calma, maria. – ele diz, com a voz carregada de carinho – Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui e vou cuidar de você. Ninguém jamais irá lhe fazer mal, eu prometo! Prometo que não deixarei que meliante nenhum coloque as garras em você novamente! Agora vamos, você precisa de um banho.
E, após dizer estas palavras, Arthur a conduz até a sua suíte, a fim de que ela tome um banho de banheira, pois, ele tem certeza de que será bem mais relaxante do que se ela tomar um banho no chuveiro do quarto de hóspedes.
Chegando ao banheiro de sua suíte, ele não perde tempo e liga a torneira da banheira, em seguida, enquanto ela enche, despeja ali alguns sais de banho.
― A banheira é toda sua, estarei no quarto se precisar de qualquer coisa.
Ante as palavras de Arthur, Maria nada responde, apenas faz um sinal afirmativo com a cabeça. O homem então deixa o banheiro e segue para o quarto, onde se senta na cama e apenas espera que Maria tome o seu banho.
Ela demora cerca de uns vinte minutos e, quando deixa o banheiro, trajando um simples pijama, ele já arrumou a sua cama e, se aproxima dela, para então dizer:
― Eu já arrumei a minha cama para você.
E, ante as palavras de Arthur, ela o encara confusa, incapaz de dizer qualquer coisa.
― Não se preocupe, eu vou dormir no sofá, na sala. Pode ficar aqui, minha cama é mais confortável do que a do quarto de hóspedes e ficarei de olho em Sadrak. Apenas descanse essa noite, está bem?
Maria quer protestar, dizer que não vê problemas em dormir no quarto de hóspedes. Mas, Arthur está sendo tão gentil com ela e, além do mais, ela está se sentindo tão mal que tudo o que consegue fazer é um aceno afirmativo com a cabeça.
Arthur então observa ela se deitar, e, quando ela o faz, ele apaga a luz, fecha a porta e segue com um edredom até a sala, onde ele se deita no sofá e não demora nada a pegar no sono.
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