Still Into You - Pausada (voltamos ainda em 2021)
8 Só me apaixonei uma vez
Notas iniciais
Suas mãos deslizam por meu tórax e eu prendo a respiração quando sua boca se aproxima do meu pescoço. Sem dizer nada, tiro as mãos da porta e puxo seu corpo para cima e ela fica pendurada no meu pescoço e ao meu quadril.
É como estar em casa.
— Não vai. De novo não.
Eu criei altas expectativas?
Era errado pensar antes de agir. Pelo menos nesse caso. Mas eu não poderia agir assim, não com ela. Vivi parte da vida pensando que jamais sentiria esse...calor de novo.
Ela desliza contra mim depois que a afasto um pouco.
— Você não precisa...não precisa me dar satisfações do que fez.
— Mas eu quero contar, Edward. Eu vivi muito tempo longe pensando nesse dia, em como eu...eu cheguei a pensar que não veria mais você, que não daria tempo. — Ela se sentou na cama e me encarou séria. — Você já percebeu que eu...mudei. — Era uma pergunta? Não. Ela afirmava.
— Sim. Mas eu não me importo. — Digo rápido.
— Não. Não me envergonho de estar assim. Trabalhei nisso depois...depois de dois anos lutando...
— Lutando? — Interrompo.
— Eu descobri que tinha leucemia antes da última temporada. — Arregalando os olhos, ela percebe que não fiz nenhuma conta — Da nossa última temporada.
Por um segundo pensei que ela estivesse doente agora. Mas não estava? Meu Deus, não. Eu acabei de encontrá-la.
— Então... você estava se despedindo de mim? Naquele dia? — Ela assentiu. Fecho os olhos sentindo a memória que nunca aconteceu na minha cabeça. Ela morta. Era demais para mim. Estúpido egoísta.
— Minha mãe morreu a muito tempo, você sabe. Mas eu nunca te contei do quê. Você foi muito gentil em não perguntar e eu não me sentia bem em falar dela. — Ela apertou as mãos. — Ela teve câncer de pele. E desde que eu me entendo por gente, entendia que era mais provável que eu também tivesse. As probabilidades são maiores quando se tem casos na família.
— Quando...como descobriu?
— Hum... então, eu já fazia exames regulares, mas não é como se eu pudesse evitar o câncer. Percebi que dormia demais e estava tendo uns desmaios. Lembra que eu faltei um encontro no Fort?
— Você disse que estava com cólica. Até me ofereci para cuidar de você, mas...
— Emmett estava em casa e inventei para você que ele não ia gostar muito de ser deixado de lado. — Ela riu. O irmão dela estava em alto mar agora. O conheci quando passei uma tarde na casa dela, eles o receberam com um almoço, presentes e saudades. Fiquei um pouco de lado, mas logo ganhei um encontro com ela, no dia seguinte. Para logo depois a dispensar para que ela curtisse o pouco tempo que tinha com o irmão, já que ele logo voltaria.
— Era mentira? — Eu sorri um pouco, não estava chateado, apesar dela mentir muito mal, eu caí naquela mentira. Estar com o irmão a deixava mais feliz, e eu a tinha por muito mais tempo que ele.
— Em parte. Mas ele cuidou de mim no início e eu já fazia as estripulias radicais antes, as do último ano eu fiz pois pensava que estaria morta no ano seguinte. — Ela finalmente voltou a me encarar.
— Então não foi à toa que você inventou de ser arqueira no último ano. — Sentei ao seu lado.
— Eu tinha que aprender. — Ela riu. — E era uma coisa que não daria marcas mais tarde. E eu me cansava demais.
— As marcas... — lembrei do dia em que bebi demais e acabei desgraçando a minha vida.
— Entendeu agora? A culpa não foi sua, nem minha. — Ela riu.
— Bella. Vai me perdoar um dia?
— Vai se perdoar um dia? — Ela segurou meu rosto entre as mãos. Acaricio seus braços.
— Você sofreu. Me viu na televisão? — Ela assentiu. — Eu sou muito feliz sendo pai.
Estava triste, feliz e confuso. Parecendo um menino emburrado e encolhido perto da cabeceira da cama. Ela sorri e acaricia meu cabelo.
— Sei que é pai. Mesmo que não tenha seu sangue. — Abro os olhos e o que vejo nos seus me deixa mais calmo. Ela não me acusa.
— Vai me perdoar tão fácil?
— Perdoar o quê?
— Eu te deixei.
— Me deixou pois sabia que o término seria menos doloroso que... é realmente uma pena você ter se atormentado todo esse tempo.
— Eu ainda amo você, Bella Swan.
— E eu a você, Edward. Eu sinto uma conexão forte, mesmo que o tempo tenha a enfraquecido um pouco. — Nossos rostos agora mais próximos antes que ela enterrasse a cabeça em meu pescoço. — E seu amor me salvou.
— Salvou? — Não deixo de sorrir com essa informação.
— Cada vez que a quimioterapia parecia me matar, eu estava pronta para ataca-la. Furiosa com a dor, com o fato de não ter uma vida nova e eu estava me sentindo injustiçada. Eu tinha você e eu tive que deixar livre. Você abalou meu mundo e me deixou. E se você amasse outro alguém? Mais bonita, mais saudável?
— Não me importa beleza nenhuma. Só me importa você. Eu tentei te esquecer..., mas é impossível. Impossível, Bella. — Levantei a cabeça e encarei seus olhos. — Você teve outra pessoa?
— Eu queria te tirar de mim. — Ela sussurrou ao confessar.
— Quem era?
— Isso realmente importa? Eu não quero saber com quem você ficou nesse meio tempo. — Ela fez uma careta. Depois balançou a cabeça. — Ele morreu. Não quero que pense nele desse jeito. Foi um grande amigo. Mas nada do que fizemos foi capaz de tirar você da minha cabeça ou do meu coração.
— Eu não posso te culpar de nada. Nem faria. Mesmo que eu tenha ficado na seca. O que não é verdade. — Ela se aproxima para deitar a cabeça no meu peito. — Eu estive com algumas mulheres, mas não pude... eu não poderia trair o que eu sentia, o que eu sinto.
— Você não se apaixonou de novo?
— Só me apaixonei uma vez. — A olhei nos olhos. Ela tinha que ver que era ela. Sempre foi ela.
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