Still Got Time
3 Capítulo 3 - Casos de Família
Notas iniciais
Lily se sentou de frente para Alvo e entre James e Teddy, que tinha acabado de chegar, tentando assim ficar o mais longe de Scorpius que pudesse, não por um motivo concreto, mas ela apenas queria ficar longe dele. Já ele, se sentou ao lado de Alvo.
Scorpius jogava alguns olhares em Lily apenas para vê-la desconfortável. Estava achando graça na situação, afinal pelo que conheceu da Potter, ela nunca se deixava abalar por situação nenhuma, pelo menos não na frente dos outros, e nunca mostrava o quanto ficava incomodada com alguma situação. No mínimo esperava que ela estivesse lhe devolvendo um olhar sarcástico ou algo como “o que você quer? ” Que o faria parar. Mas não, Lily estava desconfortável, ela evitava olhar para ele e nem ao menos se dirigia palavras ao garoto. Scorpius queria soltar uma risada debochada, mas segurou. Sabia o efeito que causava na menina durante sua época de Hogwarts, porém nunca chegou a imaginar que depois de tanto tempo isso ainda ocorria. A realidade é que ele gostava, sempre gostou.
Se pudesse teria se aproximado mais da garota quando ainda estudavam na mesma escola, sempre a achou legal e interessante, mas o loiro achava que seu melhor amigo nunca aceitaria muito bem isso, então nunca tentou.
— E então Scorpius, como foram esses dois anos na Alemanha? – Harry Potter perguntou enquanto se servia de mais um pedaço de pastelão de rins.
— Ah foi muito bom, experiência incrível essa de morar um tempo sozinho em outro país cria uma certa independência. E o curso de medibruxo era realmente incrível, acrescentou muita coisa. – Assim que finalizou sua fala, Alvo começou a rir, mas rir muito.
— Não leve a sério o que ele diz. Esse aí mais cabulava aula do que qualquer outra coisa, digamos que tinha uma companhia e coisas mais interessantes para se fazer do que ir para alguma aula comigo. – E assim, Alvo gargalhou mais com o próprio comentário, James se juntou a ele, e os pais dos garotos soltaram apenas um risinho.
— Claro, afinal beijar é bem mais interessante do que qualquer aula. – Lily comentou debochada, inicialmente o comentário era apenas para si mesma, mas a mesa ficou em silêncio quando a menina começou a abrir a boca.
— E o que você entende sobre cabular aula para ficar com alguém? Pelo que sei a única pessoa que você já beijou foi aquele seu namorado lufano, o tal do William. Que pelo que Alvo me contava era certinho demais para perder qualquer classe. –
— O que te leva a pensar, James, que eu só tenha beijado um garoto na vida? – O rosto da menina já adquiria o mesmo tom de seus cabelos por conta da raiva que se apoderava dela.
— Você começou a namora-lo no quinto ano, e ficou com ele até o sétimo. É meio obvio, afinal antes disso era muito nova para sair beijando. – Ela revirou os olhos com o comentário do irmão.
—Claro, você pode beijar com a idade que bem entender, mas eu por ser uma garota tenho que beijar só com quinze anos. –
— Não é isso, é só que meninas beijam mais tarde. Pode ver a mamãe, beijou apenas no quinto ano quando começou a namorar o papai. – Gina tossiu com o guardanapo na da boca da mesma maneira que Harry fez. Eles só tinham contado a maneira como começaram a ficar juntos para os filhos e nunca entraram em detalhes de outros relacionamentos que já tiveram.
— Só para a sua informação James, a mamãe beijou antes do papai, e no caso beijou com treze anos, assim como eu. – Lançou um sorrisinho vitorioso para o irmão.
— Quem foi que você beijou? Que eu vou arrebentar esse garoto. – James disse risonho, obviamente ele estava brincando e queria irritar a mais nova.
Scorpius engasgou com o suco de abobora e começou a tossir. A ruiva olhou de soslaio para ele.
— E se me dão licença eu não vou ficar aqui ouvindo o James especular sobre a minha vida particular. – Lily se levantou irritada da mesa, amava o irmão, mas ele sabia ser bem chato quando queria. E Alvo também conseguiu irrita-la, como assim ele mandava cartas para o mais velho contando sobre o namoro dela com William?
A última coisa que Lily ouviu enquanto saia foi Teddy tentando mudar o assunto e perguntando onde seria a especialização que Malfoy faria.
***
Jogada na cama, Lily folhava a última edição de Semanário dos Bruxos e como de costume ela não achou absolutamente nada interessante, talvez o anúncio de um novo perfume, mas só.
Umas batidas na porta foram ouvidas e logo a menina pediu para que entrassem.
— Trouxe uma taça de sorvete de chocolate e framboesa com nozes picadas. – Teddy fazia uma cara engraçada enquanto tentava lembrar o nome completo daquele sabor.
Sorrindo, ela pulou da cama e foi até Teddy pegando a taça de sua mão e se jogando novamente na cama.
— Como eu estava com saudades de você! – Ela comenta enquanto enche a boca com a sobremesa preferida.
— De mim ou do sorvete? – O garoto pergunta rindo enquanto fecha a porta do quarto dela e se senta em uma poltrona.
— Dos dois? – Ela solta uma risada. – De você né Ted! Óbvio. –
— Ah bom Lilyzinha. – Ele sorri com ternura para a menina.
— E o que foi aquilo tudo na mesa? –
— O James, sendo o chato de sempre, é claro. – Balança os ombros enquanto responde o irmão postiço.
— Ah sim. Aquilo já é quase que uma cena normal nos jantares da família Potter. Estou me referindo à sua maneira de agir. Parecia incomodada. – Ele levantou uma sobrancelha.
— Hum, estava cansada. Sabe como é né, viagem longa essa de Hogwarts. – Deu de ombros enquanto se servia de mais uma colher generosa da sobremesa gelada.
— Lily, você não me engana. Esqueceu que eu te vi nascer. –
— Eu e toda essa nossa geração né Ted! – A menina se referia a todos seus primos Weasley’s e seus irmão.
— Muito obrigado por me lembrar que estou ficando velho. – Ele faz uma careta e a ruiva começa a rir, como ela amava Teddy, queria que ele fosse seu irmão de verdade, não que isso mudasse algo, já que eles já se tratavam como um.
— Bom de qualquer maneira, quero que você saiba que pode contar comigo viu? Pode compartilhar o que quiser. Eu sei guardar segredo, diferente dos seus irmãos. – Ela sentiu que ele sabia de alguma coisa.
— Pode deixar! – E tratou de encher sua boca com mais sorvete.
— Ah Lily, Victorie pediu para avisar que domingo no almoço na Toca ela vai levar seu vestido para que você possa provar. – A Potter demorou um pouco para entender do que ele falava.
— Para o casamento sabe? – Mas é claro! Como ela poderia ter esquecido? O casamento dele com sua prima era dali exatamente uma semana, que por sinal cairia no mesmo dia que seu aniversário, dia cinco de junho.
— Sei! Claro que sei. Não teria como esquecer, afinal será realizado no melhor dia do ano. – Abriu um sorrisão para Ted, não queria que percebesse que ela realmente tinha esquecido que já estava tão próximo.
— Falando nisso, você realmente não ficou chateada com a data escolhida? – Quando o casamento foi marcado a data até gerou uma pequena discussão entre o casal, Victorie queria poder realizar a cerimonia o mais rápido possível então escolheu a primeira sexta-feira após o fim das aulas de Hogwarts, assim toda a família poderia comparecer, e Teddy não gostou da data por ser o aniversário de dezoito de Lily.
—Já disse que não, afinal aniversário acontecem todo ano, e casamentos é apenas uma vez na vida. Bom, para algumas pessoas. Mas como eu sei que para vocês será, então não, não fiquei chateada. – Ela sorriu. Não se importava mesmo, sabia que sua família não iria esquecer mesmo que tivesse um casamento acontecendo, e era isso que importava para Lily. E caso se esquecessem ela poderia utilizar uma das azarações que aprendera naquele ano, mas nunca tivera a chance de treinar.
— Fico feliz então. Bom, já vou indo Lilyzinha. Até domingo. – O garoto deu um beijo na testa da menina e saiu do quarto para se despedir do resto da família.
Desceu para deixar a taça na cozinha e aproveitou para passar no banheiro no caminho. Voltando para o quarto ela colocou seu pijama preferido, um que ela usava apenas em casa por conta da estampa um tanto quanto infantil, tanto a calça quanto a regata eram repletas de vassouras e pomos de ouro, e depois se enfiou embaixo das cobertas.
Até poderia sair para dar boa noite para todo mundo, mas a preguiça era bem maior e ela sabia que antes dos seus pais irem se deitar eles sempre passavam para dar um beijinho na menina.
***
Lily sentiu a luz invadir seu quarto e ir de encontro com seus olhos, soltou um muxoxo, havia esquecido de fechar as persianas na noite anterior e uma vez desperta ela não iria conseguir voltar a dormir. Sentiu seu estomago contorcer de fome, mal tinha jantando ontem e provavelmente a esse horário em Hogwarts já teria tomado seu café da manhã.
Como provavelmente ninguém estava acordado naquele momento em pleno sábado, Lily resolveu permanecer de pijama, apenas escovou os dentes e deu um jeito no cabelo antes de descer para a cozinha.
Encontrou seu pai sentado na ponta da mesa, comendo torrada com ovos mexidos e tomando uma xícara de café enquanto lia o Profeta Diário.
— Bom dia papis. – A garota deu beijo estalado na bochecha de Harry, o mesmo sorriu e afagou os cabelos de sua mais nova.
— Bom dia meu amor. – Ele sorriu para filha e balançou a cabeça negativamente enquanto a ruiva roubava uma mordida de sua torrada.
— Acordou cedo, o resto da casa toda está dormindo. – Fechando o jornal e o colocando em cima da mesa, aquele era um típico ato do pai quando ele queria ter algum tipo de conversa com os filhos.
— Esqueci de fechar as persianas. – Ela deu de ombros enquanto buscava uma tigela nos armários para poder se servir de cereal.
— Lily, gostaria de te perguntar uma coisa. – Harry arrumou os óculos.
— Pode perguntar pai. – Respondeu enchendo a boca com uma colherada de cereal.
— Você não me mandou nenhuma carta nesses últimos meses dizendo o que pretende fazer agora que Hogwarts acabou. – A não, ela não queria ter aquela conversa mas sabia que uma hora seu pai iria questiona-la.
— Não mandei carta por não saber ainda o que eu quero fazer. – Deu de ombros.
— Entendo, acho esse sistema um tanto quanto falho sabe? Francamente, escolher sua profissão aos dezessete anos é muita pressão. – Sorriu com ternura para filha, ele decidiu muito cedo o que queria fazer, nem chegou a completar seu último ano em Hogwarts por conta de fatores externos, mas Harry Potter foi um adolescente que viveu sob muita pressão e não queria que nenhum de seus filhos chegassem a se sentir pressionados.
— Então eu e sua mãe estivermos pensando, você poderia ficar um ano morando fora, em um país a sua escolha, pode fazer aulas se quiser ou arranjar um trabalho só para divertimento assim pode usar esse ano para amadurecer e pensar no que deseja fazer mais para frente. – A garota olhou surpresa para o pai, lembrava que quando criança Harry tentou convencer Teddy de fazer exatamente o que ele estava lhe propondo, o mesmo ponderou muito e no fim acabou recusando por conta de Victorie, o que na época Lily achou uma idiotice, era uma oportunidade única! Já James e Alvo saíram de Hogwarts sabendo o que queriam fazer, logo Harry apenas deu forças e pagou os treinamentos e cursos necessários.
— É uma ideia interessante. – Um sorrisinho de abriu no rosto da menina com a ideia de viver um ano sabático, poderia morar no país que escolhesse, trabalhar em um café por um tempo – A garota sempre teve esse desejo por conta de uma série trouxa que assistiu quando mais nova, era um trabalho que tinha curiosidade, mas não vontade de exercer pelo resto da vida. – e aproveitar esse tempo para amadurecer tanto sua personalidade como suas ideias, pesquisaria diferentes profissões e quando voltasse para Inglaterra seguiria com sua vida profissional. Ótimo, perfeito! Agradeceu mentalmente por ter um pai compreensivo, imagina se ela fosse filha de tio Percy? Provavelmente ele já teria arrastado a menina para o ministério e teria lhe obrigado a escolher um departamento para atuar.
— Pense com carinho, minha filha. – Ele disse se levantando.
— Vai sair? – A menina perguntou vendo o pai arrumado.
— Preciso entregar um relatório no ministério e em seguida já estarei de volta em casa. – Ela assentiu para o pai. Com certeza não queria ser auror, seu pai sempre tinha coisas para fazer ou entregar em seus dias de folga, ok que ele era o chefe do departamento, mas mesmo assim.
— E Lily, leve essas revistas e deixe na porta de cada um dos seus irmãos, por favor. – Harry apontou para uma pilha em cima da mesa antes de sair da casa para que pudesse aparatar.
Acabando seu café da manhã a caçula dos Potter’s pegou a pilha de revista, sua família assinava todos os meios de comunicação mágica da Inglaterra. O Profeta Diário e o Pasquim eram lido por seus pais, deixou o jornal e a revista da sala, Já “Qual Vassoura?” Era de interesse de James, deixou na porta do quarto do irmão, e na porta de Alvo deixou “Transfiguração Hoje. ” Lily achava essa particularmente chata. Seguiu para seu aposento com uma nova edição de Semanário dos Bruxos.
***
Um pouco antes de almoço Gina bateu na porta do quarto da filha.
— Olá querida, posso entrar? – A ruiva mais velha colocou a cabeça para dentro do quarto da menina.
— Claro, mamis. – Ela sorriu para a mãe, sentiu saudades dela.
— Seu pai me contou que te fez aquela proposta hoje de manhã. – Ela se sentou na cama da filha.
— Quando vocês tiveram essa ideia? – Perguntou enquanto deitava a cabeça no colo da mãe.
— A ideia foi totalmente dele, mas eu concordei, achei que você iria gostar. Ele já havia comentando de uns tempos para cá, mas ontem depois que Scorpius disse o quanto morar fora e sozinho lhe agregou experiências e independência, decidimos te propor isso. – A menina deu uma pequena remexida quando a mãe tocou no nome do garoto, o gesto não passou despercebido por Gina, que começou a acariciar os cabelos da filha.
— E como está um tanto quanto óbvio que você vai aceitar eu vim te dar uma pequena dica. –
— Hum? – Lily se virou olhando interessada para a mãe.
— Não sei quais países você vai ponderar essa ideia, mas acho que deveria considerar a Irlanda. – Ela deu um sorriso cúmplice para a filha.
— Por que a Irlanda? – Quando seu pai conversou com ela naquela manhã, a menina pensou em países como a França, Itália, Grécia e até mesmo os Estados Unidos, mas não chegou a pensar na Irlanda que estava ali tão pertinho.
— Pressentimento de mãe, sabe? Acho que você vai gostar. – Ela sorriu para filha.
— De uma pesquisada, vê o que acha e se optar por esse país, não conte para ninguém que fui que sugeri. – Gina deu um beijo na bochecha da filha. Lily sentiu que a mãe sabia de algo, e tinha certeza que a mesma não iria compartilhar com ele o que era.
Fale com o autor