Still Alive [Hiatus]
50 Zero
Notas iniciais
— POV SARAH —
Daryl abraçava-me com força, e era evidente que havia algo muito errado. Eu o conhecia o suficiente para saber que ele tentava esconder alguma coisa, mas não sabia se eu realmente gostaria de saber o que era.
Com o tratado que Rick havia feito com o Governador, mesmo que significando justamente o contrário, era como se estivéssemos em uma corda bamba. A prisão era como uma dinamite acesa, e o barbante estava queimando. O problema era justamente o fato de não sabermos quanto tempo demoraria até que ela explodisse.
— Eu devo perguntar o que está acontecendo? — questionei em um tom baixo. Daryl levantou seu rosto, fitando-me seriamente.
— Se dependesse apenas de mim... — ele começou, escolhendo as palavras. Eu estava certa.
— Então talvez eu não deva — respondi em um sussurro.
Estava cansada de tudo o que estava acontecendo ao nosso redor, e por mais doloroso que fosse, eu só queria que tudo acabasse, de uma forma ou de outra. Com todas as minhas forças desejei que fosse da melhor forma para nós.
Estar parada ali naquela cela, sabendo que a qualquer momento poderíamos ser atacados era desolador. Eu queria estar preparada, queria que todos estivéssemos, mas era simplesmente impossível. Conhecendo as artimanhas do Governador, o maldito ataque poderia ser daqui a um dia, ou até mesmo um ano, a única certeza que eu tinha é que seríamos pegos de surpresa.
Daryl estava ainda mais silencioso do que de costume, e eu sabia muito bem o que isso significava: ele estava morrendo de medo. Talvez esse fosse o detalhe mais peculiar de Daryl, pois, quanto mais assustado estava, mais ele se fechava em sua carranca, em sua máscara de frieza, de alguém que está extremamente seguro de si, mas ele já não era capaz de esconder tudo de mim.
Lembrei-me do treino que tive com Michonne no dia anterior e encarei a enorme espada abandonada em um dos cantos do recinto. Daryl pareceu acompanhar meu olhar, e aquele simples gesto fez com que ele se remexesse estranhamente ao meu lado.
— Preciso ver Michonne — comentei ao me levantar com cuidado.
— Não — Daryl resmungou em um tom particularmente estranho.
Aquilo soou como uma sirene em minha cabeça. Algo estava muito errado.
Não esperei que Daryl me desse explicações, estava muito mais do que claro que ele não daria, então caminhei até alguém que me diria a verdade nua e crua.
Ao chegar a cela de Merle tudo o que encontrei foi uma maldita bagunça, o que fez um calafrio percorrer minha espinha.
O que diabos estava acontecendo naquele lugar?! Minhas pernas instintivamente me levaram até o pátio, onde encontrei Rick transtornado a procura de algo ou alguém.
— Sarah? — chamou em um tom nervoso. — Sabe onde Daryl ou Merle estão?
— Daryl está na cela. Merle sumiu — respondi dando de ombros. — Esperava que você pudesse me dizer alguma coisa.
Rick olhou para o céu como se esperasse que algo mágico viesse de lá, e então disparou para dentro da prisão.
— E Michonne? — gritei as suas costas.
Quando minha voz chegou até ele percebi que suas pernas o congelaram no lugar. Os olhos que me encararam depois disso eram o retrato perfeito da dor. Então ele voltou a correr.
As outras pessoas pareciam seguir suas tarefas como de costume, com exceção de Hershel, que parecia estranhamente perturbado.
Decidi que era hora de arrancar informações de alguém, e como se lesse meus pensamentos, um Rick exausto surgiu em meu campo de visão.
— Rick, por favor, alguém precisa me dizer o que está acontecendo nesse lugar.
— Daryl saiu para consertar um erro — ele me respondeu simplesmente, voltando aos seus afazeres.
Hershel trocou um olhar pesaroso comigo e retornou para sua leitura.
O maldito suspense estava simplesmente acabando comigo, e o fato de Michonne, Merle e Daryl terem saído definitivamente não melhorava as coisas.
Eu simplesmente não podia ficar ali parada.
Subi em direção ao quarto e troquei de roupa, vestindo algo mais apropriado do que a regata fina que eu usava. Vesti o poncho de Daryl e calcei meus coturnos apressadamente.
Levantei o colchão com facilidade, arrancando meu cinto de facas dali. Daryl havia deixado sua arma e levado apenas sua besta. Isso definitivamente não me deixou mais tranquila.
Chequei as balas da arma e a ajeitei no coldre, partindo em direção ao pátio.
Eu me sentia entorpecida, e algo em meu estado de letargia me lembrou o dia em que eu imprudentemente fugi para a cidade.
Carol estava de guarda no portão e assustou-se ao ouvir o motor do carro sendo ligado.
— Não posso permitir que você saia sozinha, Sarah — Carol disse.
— Não pode me impedir — rebati prontamente. Minha voz saiu muito mais suplicante do que desafiadora.
Ela pensou por um momento, e logo os portões pesados se abriram, permitindo que eu partisse.
Mil e uma coisas se passaram pela minha cabeça, mas todas elas terminavam com o sobrenome Dixon envolvido.
Sabia que Michonne e Merle se odiavam; sabia que Daryl faria qualquer coisa por Merle, e no fim, sabia que se o Governador os pegasse perambulando por ali, a morte seria o último dos nossos problemas.
Era difícil dirigir sem ter certeza de para onde estava indo, mas talvez a sorte estivesse a meu favor. Avistei Michonne ao longe.
— Merle e Daryl? — gritei para ela ao abaixar o vidro.
Ela vacilou por um momento antes de responder.
— Merle deve estar longe. Daryl foi atrás dele — disse simplesmente ao apontar uma direção com o seu dedo.
Agradeci com um aceno de cabeça. Sabia que ela podia muito bem se cuidar no caminho de volta a prisão.
Era muito mais do que claro que eu não poderia seguir de carro por aquela direção, o que explicava porque a moto de Daryl estava intocada na prisão.
Com um lamento baixo desliguei o motor e desci do carro, seguindo pelo alto e sinuoso gramado que se estendia a minha frente.
Longos minutos se passaram e torci internamente para estar seguindo a direção correta.
Meus olhos não foram capazes de assimilar o que surgiu a minha frente.
Daryl caminhava em minha direção. Os ombros caídos e os passos trôpegos, como alguém que carregava um pesado fardo em suas costas. Ele parecia me olhar, mas eu não podia afirmar com certeza se de fato ele estava me vendo. Seu rosto estava lavado de lágrimas e nada no mundo parecia tão desolador quanto aquilo.
Encurtei a distância entre nós e o segurei com força em meus braços, ao passo que ele simplesmente parecia que ia desabar bem ali na minha frente. Meu coração se cobriu de gelo no mesmo instante em que ele balbuciou bobamente.
— Ele não... Não agora... Não de novo...
Eu não precisava que ele dissesse mais nada.
— Merle — solucei inutilmente.
O corpo de Daryl balançou ritimadamente e eu soube que naquele momento tudo o que eu havia me esforçado por Daryl tinha escorregado por minhas mãos. Nos seus olhos havia escuridão, dor e ódio. Ódio que queimava naquele azul que até mesmo já fora doce para mim.
Algo havia o obscurecido, e eu sabia que aquele momento definitivamente era o marco zero de um novo conflito.
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