Still Alive [Hiatus]

39 What Is This?!


Notas iniciais
Não me matem pela demora T_T Motivos: Faculdade... e blá blá. ~ le desviando das pedradas ~
Enfim, juro que vou tentar postar mais um cap hoje pra compensar. À noite eu respondo os reviews passados, agora preciso ir cortar o cabelo sjasijaoij
Bjks ♥

— POV SARAH —

Acordei-me cedo naquela manhã, estava me sentindo um pouco indisposta, porém estava inquieta demais para ficar na cama.

Parecia que desde que descobri que estava grávida, minhas oscilações de humor estavam se intensificando. Levantei-me pé por pé para não acordar Merle e Daryl que ainda dormiam.

Fui em direção ao balcão, abrindo uma das portas tentando fazer o menor barulho possível. Encontrei uma panela ali dentro, e ela serviria muito bem para o que eu queria.

Abri a porta e fui em direção à pequena ponte e lavei meu rosto com a água do lago, em seguida enchi a panela e retornei para a cabana. Os irmãos dormiam tranquilamente, e não faziam a menor menção de que iriam acordar tão logo.

Liguei o pequeno fogareiro e coloquei a panela sobre ele, esperando que a água fervesse. Assim que ela havia fervido, peguei um dos lençóis no armário e com o auxílio dele levei a panela para a varanda.

Caminhei em direção ao banheiro, e para minha sorte, encontrei uma barra de sabão de glicerina.

Sentei-me no chão em frente à panela e tentei dar um jeito nos meus machucados. Remanguei minha blusa branca, que desde aquela noite na cidade estava completamente manchada de vermelho. Rasguei um pedaço do lençol e molhei-o na água quente, passando um pouco de sabão em seguida, então comecei a limpar meus cortes.

Não queria que Daryl visse aquilo, sabia que no fundo ele se sentia culpado por ter me deixado ir com Maggie e Glenn, já que esse tipo de coisa nunca acontecia, era sempre ele que estava ao meu lado.

Suspirei olhando para aqueles cortes, eles estavam feios pra caramba e também ardiam de uma forma inacreditável, mas eu não ia ficar me lamentando, pelo menos estávamos todos bem.

Estava completamente perdida em meus pensamentos quando Daryl abriu a porta e me encontrou sentada no chão. Ele veio até mim, me olhando com uma expressão torturada ao ver meus machucados.

Sem dizer nenhuma palavra, ele sentou-se ao meu lado e gentilmente pegou o lençol da minha mão, passando a limpar meus ferimentos.

Ele encara meus olhos, e eu via dor no fundo daquela imensidão azul.

— Daryl... — sussurrei simplesmente, colando meus lábios aos seus.

— Eu... eu sinto muito Sarah...Eu não... eu não devia ter te deixado ir. Eu sinto muito... — ele repetia com a voz embargada, ainda sem afastar seu rosto do meu.

Daryl estava muito angustiado, nunca havia o visto daquela forma.

— Shhh... Está tudo bem agora, Daryl — murmurei acariciando seu rosto. Ele fecha os olhos com meu toque.

Realmente ele estava muito vulnerável, não costumava ser assim.

— Agora está Sarah, mas podia ter sido muito pior! Se não tivéssemos ido atrás de vocês, você poderia estar morta agora! Você e o meu filho, e me dói imaginar uma coisa dessas. Eu nunca me apeguei a ninguém, e era justamente por medo de passar por essa situação que estou passando agora! Me preocupar muito mais com a sobrevivência de outra pessoa do que com a minha... — perdeu-se em meio às palavras, sem saber como continuar. Uma lágrima correu por meu rosto, sem permissão. Eu jamais desejei que ele sofresse por minha causa. — Não Sarah... Eu não me incomodo por pensar assim agora, eu realmente daria minha vida por você e esse bebê — estreitei os olhos, tentando digerir tudo aquilo. Aquelas palavras... elas não pareciam ter saído mesmo pela boca dele.

O que havia mudado tanto desde que o conheci? Isso tudo se devia à mim?

— Olha só! Que ceninha mais linda... — zombou Merle, interrompendo o único momento que eu tive a sós com Daryl. — E então pessoal, que tal catarmos as trouxas e nós mandarmos embora?

— Achei que fossemos ficar mais um pouco... — comentei chateada. Eu realmente precisava de um pouco de sossego.

— Com os Dixons é assim boneca: O negócio é cair na estrada — levantei-me com o auxílio de Daryl e os acompanhei até a cabana, os ajudando a pegar as coisas.

Seguimos em direção à floresta, mas pelo que eu entendi da conversa deles, iríamos para estrada agora.

Eles discutiam algumas coisas sobre pontos cardeais e sobre para que lado estávamos seguindo, contudo, minha orientação se limitava a esquerda e direita, e olhe lá. Preferi guardar os comentários para mim. De repente ouço um barulho estranho, e parece que não fui só eu que ouvi.

— Ouviu isso? — perguntou Daryl para Merle.

— É... Animais selvagens na selvageria — limitei-me a rir. De onde ele tirava aquelas coisas?

— Não. É um bebê — afirmou Daryl.

Pensando bem, realmente parecia um, entretanto, eu não acreditava que existiam muitos por aí.

— Isso é um casal de guaxinins fazendo um amor gostoso, isso sim — respondeu Merle fazendo um gesto obsceno.

Juro que se não fosse pelo fato de eu realmente achar que o som podia ser de um bebê, eu teria caído na gargalhada.

Daryl simplesmente ignorou o comentário de Merle e correu a frente, em direção ao som.

Olhei para a mesma direção que ele e vi uma ponte. Havia dois homens em cima dela se esquivando de alguns walkers. Sem pensar duas vezes, fui em direção a eles. Daryl me seguiu.

— Hey! Onde vocês pensam que vão? — questionou Merle indignado. — Não vou gastar minhas balas com estranhos que nunca deram nada pra mim. É minha política, seria sábio se vocês a adotassem.

Nós simplesmente o ignoramos como de costume, e seguimos em frente.

— Não, você não — bradou Daryl empurrando-me. Não tive tempo nem de protestar, pois logo Merle me segurava pelo braço. — Fica de olho nela — ordenou, indo em direção aos outros.

— Mas... — comecei, porém logo fui interrompida.

— Sem “mas” boneca. Ele que se vire. Foi ele que quis se meter nessa — Merle mantinha seu aperto firme em meu braço ferido. Doía muito, mas tentei não demonstrar fraqueza.

Desisti de tentar me soltar e fiquei apenas observando angustiada enquanto ele se livrava de alguns walkers.

Quando a coisa realmente ficou feia, até Merle resolveu ajudar, então apenas fiquei assistindo tudo de fora, já que estava sem armas.

Eu estava começando a ficar desesperada. O bebê que estava dentro do carro não parava de chorar, e eu não conseguia ver se havia mais alguém junto com ele.

Graças a Deus eles conseguiram se livrar de todos os walkers. Merle foi em direção ao carro abrindo sua porta. Achei que ele estivesse tentando tirar o bebê ali de dentro, mas eu estava extremamente enganada.

Um dos homens que estava ali avançou em direção à ele, falando algumas coisas em espanhol, que não consegui compreender.

— Calminha muchacho — zombou Merle, apontando a arma para ele. — Não é assim que se agradece.

O homem falava algumas coisas difíceis de entender, todavia, basicamente ele estava dizendo que não tinha nada que pudéssemos roubar. Ele estava assustado.

— Deixa eles irem Merle — pedi a ele, mas simplesmente fui ignorada.

— Não. O mínimo que eles podem fazer é me deixar dar uma trepada com essa aqui, hm? — continuou, entrando no carro.

Infelizmente havia uma mulher ali.

Eu estava a ponto de pular sobre ele, mas com certeza eu levaria a pior.

— Daryl, faz alguma coisa, por favor! — implorei aproximando-me, enquanto os homens observavam-me chocados.

Nenhum dos homens ali reagia enquanto a mulher gritava assustada. Olhei para Daryl praticamente implorando por uma atitude. Ele parecia em dúvida sobre o que fazer então ele mirou sua besta para Merle.

— Sai do carro agora — ele rosna.

— Eu realmente espero que você não esteja dizendo isso pra mim cara — disse Merle sem virar-se.

— Entre no carro e suma daqui! — gritou Daryl para o homem que estava mais perto. — Anda logo! Entra na porra do carro e some daqui!

Merle desce do carro e eu temo pelo que virá em seguida. Daryl continua mirando sua besta para ele até que o carro finalmente sai.

Assim que ele abaixa a arma os dois ficam se encarando por um tempo e Daryl sai na frente, sem se importar de me deixar para trás.

A situação estava mais séria do que eu imaginava. Merle vai atrás dele e eu os sigo, que outra escolha eu tinha?

— Por que apontou essa merda pra mim cara? — acusou Merle nervoso.

— Eles estavam com medo, cara — Daryl falou sem olhar para trás.

— Foram uns idiotas! Nós os ajudamos e eles foram idiotas! Qual é? Está ajudando os outros por ter um bom coração? — Merle ironizou. — Seu xerife Rick te ensinou isso?

— Eles tinham um bebê! — Daryl berrou, finalmente parando e o encarando.

— Ah, e se não fosse por isso teria os abandonado para os mordedores? — nesse momento Daryl me encara. Eu sabia por que ele havia salvado aquele bebê, eu estava carregando um comigo, e ele estava se sentindo responsável.

— Cara, eu voltei por você, mas você já tinha ido! — senti que o assunto estava ficando familiar agora, então me afastei um pouco. — Também não cortei sua mão, você fez isso. Bem antes de ficar preso lá, você pediu por isso.

Eu não sabia como as coisas eram antes, mas pelo que Rick e Glenn me contaram ele não era uma boa pessoa pra conviver no grupo.

— Sabe o que é engraçado? Você e o policial bonzinho são assim ó — ele dizia esfregando um dedo no outro. — Aposto um violino de ouro que você não contou nosso plano de roubar o acampamento quando chegamos lá, não é? — isso era novidade para mim... Encolhi-me um pouco, chocada.

Eu não conseguia acreditar que Daryl seria capaz disso.

— Não roubamos! — gritou em resposta.

Eu estava estática. Era incapaz de me mover... Estava em choque, paralisada com todas aquelas revelações.

— Claro! Por que eu não estava lá para ajudá-lo — eram coisas demais para minha cabeça, estava ficando tonta com tudo aquilo.

— Como quando éramos crianças e você nunca estava lá? — disse Daryl encarando-o. — Quem abandonou quem?

— O que? Foi por isso que perdi minha mão?

— Você perdeu por ser um merda!

— Você não sabe de porra nenhuma!

Daryl saiu sem dar mais conversa, mas Merle puxou forte sua camisa, rasgando-a completamente e derrubando-o no chão.

Pela primeira vez eu reparei atentamente nas diversas cicatrizes que cobrem as costas de Daryl. Céus, nunca havia visto aquilo... Algumas vezes pude sentir, porém nunca foi algo que realmente me chamasse tanta atenção quanto agora.

Merle parecia atônito. Seus olhos estavam arregalados e ele parecia surpreso.

— Ele fez o mesmo com você — soltou Daryl, e não pude entender sobre o que ele estava falando. — Por isso foi embora.

Eu estava paralisada, meu corpo não me obedecia. Queria me meter entre eles e fazer com que parassem com aquilo, mas eu não conseguia mexer um músculo sequer.

— Eu precisei ir, se não ele teria te matado... — Merle sussurrou e Daryl se levantou, caminhando em direção à floresta.

— Vamos, Sarah — chamou-me e finalmente saí de meu estado de dormência.

— Aonde vocês vão? — indagou Merle.

— Para o lugar ao qual pertencemos — ele segurou meu braço e praticamente me rebocou dali.

— Não posso ir com vocês. Eu tentei matar a vadia negra e espanquei o chinês!

— Coreano — Daryl o corrigiu.

— Tanto faz, não importa! Eu só não posso ir com vocês — ele estava começando a ficar nervoso.

— Sabe, posso ser eu quem está indo embora, mas é você que está partindo, de novo... — murmurou Daryl, me puxando para longe.

Alguns minutos depois olhei para trás e vi que Merle estava nos seguindo ao longe. Isso não iria ter um bom final.