Still Alive [Hiatus]
11 Hope
Notas iniciais
— POV SARAH —
— Sophia... — sussurrei entre soluços aquilo que estava me afligindo.
— Onde está Sophia? — Carol apareceu em meu campo de visão. Ela tinha uma expressão visivelmente torturada.
— Ela fugiu, não consegui segurá-la... Eu caí, e não pude impedir que ela corresse... — murmurei entre soluços.
— Imagine só se a queridinha iria deixar escapar a oportunidade de ferrar com tudo! — disse Andrea, metendo-se na conversa sem a mínima delicadeza. Nesse momento ouço um tapa alto estalando no rosto dela. Inclino-me sobre o ombro de Daryl e vejo Lori a encarando.
— Chega Andrea! Já chega! Nenhum de nós tem culpa do seu sofrimento, muito menos Sarah. Ela já cooperou muito mais para esse grupo do que você. Se não fosse por ela todos nós teríamos morrido no CCD! Ela não abandonou Sophia. Você acha que é fácil para ela enfrentar tudo isso sozinha nas condições em que está? Enquanto todos nós estávamos com medo de virmos para a floresta mesmo armados, ela continuou aqui a procurando. Ela poderia muito bem ter deixado Sophia sozinha, mas não, ela a seguiu, tentou ajudar. Tenho certeza de que se fosse você naquela floresta, não estaria viva pra contar história — acusou Lori, de forma firme.
Sorri fraco em meio às lágrimas. Alguém havia intercedido por mim.
— Lori tem razão Andrea. Sarah tem sido muito boa com Sophia enquanto eu não podia lhe dar atenção. Se tem alguém aqui que pode nos ajudar a encontra-la é ela — disse Carol, estendendo-me a mão para que eu pudesse levantar.
Andrea saiu bufando dali sem dizer uma palavra.
— Sarah, você acha que pode nos dizer em que ponto da floresta a Sophia fugiu? — questionou Rick.
— Eu não me lembro de onde vim, mas sei que passamos por um lago raso, e depois disso eu caí. Não sei se isso ajuda muito, entretanto, se eu puder ir junto acho que sei dizer para que lado ela foi — disse honestamente.
— Não seja louca Sarah! Você vai voltar para a estrada junto com os outros. Você está machucada e cansada, não pode nos acompanhar — Daryl esbravejou.
— Ouça o que ele diz Sarah. Volte para a estrada, os outros precisam saber que você está bem. — Rick interveio. —Shane, Daryl e eu podemos procura-la sozinhos.
— Não Rick, eu não vou! Nada do que vocês disserem vai me impedir. Eu preciso encontrá-la, preciso! Prometi que não deixaria nada machucá-la, ela é como a irmã mais nova que não tive — implorei.
— Tudo bem Sarah. Pedirei a Shane que leve os outros de volta. — Rick disse, após ponderar por alguns segundos.
— Você está maluco Rick?! Não podemos levá-la conosco, ela não está bem! — Daryl apontou impaciente.
— A decisão está tomada Daryl. Ela pode ser útil, e duvido que alguém a convença a ficar — Rick disse por fim, saindo em direção aos demais.
Após um tempo, Carol entrou na igreja e me deu um forte abraço.
— Obrigada por tudo o que está fazendo pela minha garotinha Sarah, jamais conseguirei lhe agradecer — ela não pode conter as lágrimas que surgiram em seus olhos.
— Me agradeça quando eu trouxer a nossa pequena de volta — respondi-lhe, sorrindo fracamente.
Eu tinha algo a fazer antes de sair e não podia deixar para depois. Daryl me seguiu como se fosse meu guarda costas, não desgrudando os olhos de mim, como se eu fosse desmaiar a qualquer momento.
— Lori — chamei-a baixo, para que apenas ela escutasse.
— Sim? — ela respondeu, chegando mais perto.
— Obrigada por antes, dentro da igreja.
— Imagina Sarah, sei como você gosta das crianças e tenho certeza de que se fosse o Carl no lugar da Sophia, você também estaria o protegendo. Você não merece ser alvo do veneno da Andrea o tempo todo. Ela é uma pessoa legal, mas não está lidando bem com o fato de Amy ter morrido e Dale ter a impedido de se matar — Lori sorriu e me deu um beijo na testa. — Boa sorte lá fora, traga Sophia de volta para nós.
— Pode deixar — disse me distanciando e indo de encontro a Rick.
— Ok, é o seguinte: iremos até o lago onde Sarah diz ter caído e visto Sophia fugir. De lá, Sarah pode nos apontar a direção para onde ela foi, e assim Daryl nos ajudará a seguir seu rastro — instruiu Rick, direcionando-se a nós.
— Entendido — concordei.
Daryl apenas balançou a cabeça em sinal afirmativo.
Ele confirmou com a cabeça e seguimos até o lago.
Assim que chegamos lá, eu lembrei que caí de frente para uma grande árvore que tinha um buraco no tronco.
— Ela foi por ali. Eu tenho certeza! — apontei na direção da qual me lembrava muito bem.
— Ok. Sarah fique atrás de mim o tempo todo e tente não fazer muito barulho. Leve isso com você me deixará mais tranquilo. — ele entregou-me uma espécie de machado pequeno. Eu não pretendia usá-lo, mas se isso o fizesse parar de se preocupar, eu levaria.
Seguimos um pouco mais adentro na trilha que eu indiquei, e não demorou muito para que eu achasse algo que me deixou ao mesmo tempo esperançosa e angustiada: o ursinho que Sophia tinha recolhido dos carros.
Ele estava cheio de sangue, mal parecia que era branco.
— Será que ela foi mordida? — perguntou Rick, lendo meus pensamentos.
— Não, ela não foi! Não pode ser! — gemi a contragosto.
— Fique calma Sarah, esse sangue pode não ser dela. Vamos continuar — disse Daryl tocando meu ombro, tentando me tranquilizar.
Seguimos cada vez mais adentro na floresta, e eu já estava ficando cada vez mais preocupada. Estava começando a escurecer.
— Está escurecendo — Daryl comentou, interrompendo meus pensamentos. — Precisamos encontrar um local seguro para montarmos acampamento.
— Tem razão, vamos procurar alguma caverna ou casa vazia — concordou Rick.
Enfim achamos uma caverna que parecia completamente segura. Rick ficaria de vigia naquela noite. Daryl tinha uma barraca em sua mochila, e a montou ali dentro mesmo.
— Coma isso Sarah, você precisa estar saudável se quiser continuar nos ajudando — Daryl estendeu-me algumas barras de cereal, que imediatamente devorei. Nós estávamos dentro da barraca com uma iluminação tão fraca que eu mal podia lhe ver.
— Obrigada — respondi, corando imediatamente. Será que ele iria dormir comigo?
— Precisamos descansar. Amanhã bem cedo continuaremos nossas buscas — ele disse tranquilamente, enquanto deitava-se usando sua mochila como travesseiro.
Eu tentei me deitar de um jeito confortável, porém estava muito difícil com um braço quebrado e sem nenhum travesseiro. Eu me virava de um lado para o outro incansavelmente, buscando uma posição confortável.
Sem dizer uma palavra, Daryl puxou-me para seu peito, fazendo com que eu me aconchegasse ali. Parei de respirar por alguns segundos, totalmente surpresa. Estava completamente nervosa com a proximidade de nossos corpos, contudo, me sentia extremamente bem. Era como se aquele fosse o meu lugar, deitada em seu peito sentindo aquele cheiro só dele.
Aconcheguei-me melhor e tentei dormir. Eu estava realmente cansada e o sono não demorou a chegar.
Fui acordada por Daryl chamando meu nome. Espreguicei-me levemente e percebi que estava deitada com a cabeça sobre sua mochila. Notei que era muito cedo, pois os primeiro raios de sol começavam a entrar pela abertura caverna.
— Bom dia — disse-lhe assim que notei que ele estava me encarando.
Ele apenas concordou com a cabeça.
— Precisamos sair para procurar Sophia enquanto ainda é cedo. —aquele nome me libertou de todo e qualquer cansaço que poderia estar tomando conta do meu corpo.
Logo recolhemos nossas coisas e voltamos a seguir a trilha, que segundo Daryl, poderia ser aquela que nos levaria a Sophia.
Rodamos até o meio da tarde e nada de a encontrarmos. Daryl e Rick queriam voltar ao acampamento, mas eu não desistiria fácil.
Ao entardecer, avistamos uma cabana abandonada no meio do nada, e não havia sinal de zumbis ao redor. Minhas esperanças se acenderam ao ver aquela pequena casa.
— Vamos entrar, Sophia pode estar ali — disse, me sentindo renovada de esperanças.
Rick e Daryl estavam esgotados, mas a minha fé me fazia continuar.
— Deixe que eu vá à frente — disse Daryl, já abrindo a porta sem esperar uma resposta.
Não demoraram dois minutos e ele já estava de volta.
— Está tudo limpo, sem sinal de que algum zumbi passou por aqui.
Passei praticamente correndo para dentro da casa. Era muito parecida com aquela em que eu estava quando fui encontrada por eles. Algo me dizia que eu sabia onde encontra-la, afinal, eu já passei pela mesma situação.
Subi sem hesitar para o segundo andar e entrei no quarto onde havia um grande armário.
— Sophie querida, é a Sarah. Nós viemos te buscar — disse calmamente.
Mais de um minuto se passou e eu comecei a ficar angustiada, me sentindo um pouco boba por ter falado sozinha, enquanto Rick e Daryl me observavam com as expressões vazias.
De repente ouço um clique, e a porta se abre lentamente. Daryl me empurra para que eu fique atrás dele e aponta sua besta para o armário. Entretanto, só eu sabia o que estava acontecendo. Eu não estava errada, ela era muito parecida comigo.
Sophia sai meio receosa de dentro do armário e Daryl baixa sua arma. Corro em sua direção a abraçando forte.
— Sarah, você não me abandonou! — ela diz, com lágrimas nos olhos, envolvendo seus bracinhos em torno de mim.
— Nunca meu anjo. Nunca vou deixar nada te machucar — prometi a ela, lhe dando um estalado beijo na bochecha.
— Como você sabia que ela estaria ali? — Rick perguntou surpreso.
— É onde eu estaria se estivesse no lugar dela. Era ali que eu estava quando vocês chegaram a casa onde me encontraram.
Notei que ela tinha um corte consideravelmente fundo no braço, provavelmente foi dali que o sangue que estava no ursinho veio.
— Você se cortou querida? — perguntei preocupada.
— Eu me enrosquei na cerca — ela respondeu, me deixando ver o corte. Com um pouco de água que eu tinha em uma garrafa, consegui limpar um pouco seu braço. Rasguei uma tira da minha blusa e enfaixei-o.
Sophia não saia de perto de mim e segurava minha mão o tempo todo.
— Está escurecendo, acho melhor passarmos a noite aqui — disse Daryl, e todos concordaram.
Arrastamos alguns móveis para frente da porta e deixamos alguns colchões no chão para que pudéssemos dormir.
— Posso dormir do seu lado, Sarah? — perguntou Sophia, esfregando os olhos. Com certeza ela teve noites muito difíceis.
— Claro que pode, meu anjo — dei-lhe um beijo na testa lhe desejando boa noite, e deixei que ela se aconchegasse ao meu lado.
Na manhã que se seguiu, voltamos para onde todos estavam na estrada. Rick e Daryl seguiram na frente, seguidos por mim, e Sophia mais atrás, agarrada à minha blusa.
Assim que chegamos Carol correu ao encontro de Rick e Daryl.
— Todos pensaram que vocês estivessem mortos! — disse ela dirigindo-se a eles.
— Sarah não queria desisti — falou Daryl, com uma expressão cansada.
— Vocês... vocês não conseguiram encontrar Sophia? — ela indagou, já com lágrimas nos olhos.
— Hey, Carol! — chamei-a e abri meu melhor sorriso, enquanto Sophia saía de trás de mim e corria em direção à mãe.
Carol lhe encheu de beijos, abraços e disse mil vezes que a amava. Depois se dirigiu a mim e me deu um abraço apertado.
— Obrigada por não desistir Sarah. Obrigada por manter a esperança viva. Devo-lhe a minha vida por ter trazido Sophia de volta para mim! — Carol disse, ainda sem me soltar.
— Não me agradeça Carol. Agradeça ao Daryl por não ter desistido de mim quando me achou naquela cabana. Se não fosse por ele eu nem estaria aqui.
A nossa aura de felicidade foi quebrada quando Rick veio até nós e perguntou desesperado para Carol:
— O que aconteceu com Carl e Lori?
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