Still Alive [Hiatus]
8 Going Crazy
Notas iniciais
Obrigada à Fernanda Dixon,Looh Saantoz e Andressa, que são as únicas que tem comentado ultimamente. Esse capítulo é pra vocês.
— POV DARYL —
O jantar estava correndo de forma realmente animada, eu poderia dizer. Todos estavam rindo e comendo como se aquela fosse a ultima refeição de suas vidas, e talvez realmente fosse. Do jeito que as coisas andavam ultimamente, não podíamos prever sequer o minuto seguinte.
Glenn estava bebendo um pouco além da conta. Ria como um louco e estava muito vermelho. O mesmo parecia se aplicar nos demais, o que os fazia agir como um bando de idiotas. Eu não estava muito entrosado naquela algazarra toda, o que não queria dizer que não estava bebendo também, apenas estava um tanto quando preocupado.
Desde a hora em que quase beijei Sarah, algo dentro de mim despertou, e estava se tornando realmente incomodo. O calor do seu corpo sobre o meu quase me deixou louco. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, definitivamente ela não fazia o tipo de mulher com a qual eu me envolveria. Eu preferia mulheres de corpo escultural, que falassem palavrões, bebessem, fumassem e que tivessem personalidades fortes. Gostava de mulheres que pudessem me proporcionar uma boa noite de sexo, sem apego, e aquela garota era absolutamente o contrário de tudo isso. Sarah tinha um corpo bonito, porém suas curvas eram delicadas, nada era grande demais — e nem pequeno —, seu corpo era perfeitamente simétrico. Ela parecia tão frágil, que creio que se qualquer um a segurasse com força demais ela quebraria. Sua pele era muito branca e contrastava perfeitamente com seus cabelos escuros e olhos verdes, e aquela boca tinha um tom de rosa tão chamativo que era difícil tirar os olhos dela. Não sei de onde tirei forças quando me afastei daquele beijo.
Será que ela recusaria me beijar, ou será que aceitaria? Eu não podia me deixar enganar. Ela não olharia para mim... não depois de tudo o que a fiz passar.
Tirando esses pensamentos da cabeça, separei um pouco de comida para levar até ela. Droga! Eu estava virando um frouxo! Não deveria estar fazendo isso, agradando-a! Deveria deixar que ela se virasse, já que ela deixou bem claro que não precisava de minha ajuda, chegando a ser rude comigo. Bem, desse fato eu não poderia reclamar, ela estava apenas espelhando minhas atitudes... Sim, eu estava agindo como um frouxo molenga, mas eu me preocupava com ela, por mais difícil que fosse admitir, até para mim mesmo.
Quando cheguei ao quarto, as luzes já estavam todas apagadas. Com a pouca iluminação que entrava pela porta recém-aberta, posso vê-la deitada no chão sobre alguns edredons. Na verdade era até um pouco difícil de vê-la, pois estava praticamente escondida, rodeada de tantas almofadas e cobertores. Resolvo não acordá-la, ela ficava estranhamente perfeita enquanto dormia, além do mais, ela deveria estar muito cansada e sonolenta, depois de todos os remédios que havia tomado. Aproximo-me dela e ajoelho-me ao seu lado, tocando de leve sua testa, constatando que a maldita febre ainda estava presente. Amanhã pela manhã ela deverá tomar seus remédios novamente.
Antes de afastar minha mão acaricio levemente sua bochecha, em um ato impulsivo. Em seguida olho para minha mão tão áspera e calejada, imaginando que jamais ela gostaria de meu toque tão rústico em sua pele.
Há tantas coisas que me impedem de me envolver com alguém. O mundo não é mais seguro, ter sentimentos por outra pessoa só te faz mais inútil e vulnerável, mas penso que agora era tarde para voltar atrás. Na verdade, nunca pensei em me envolver com ninguém, nem mesmo quando o mundo estava normal, por que estava pensando nisso justo agora?
O fato era que, eu não poderia me afastar dessa pequena garota que estava a minha frente. Sabia que não poderia suportar essa perda. Perder Merle, a única família que tinha, foi horrível, mas sinto que se a perdesse tudo ficaria ainda pior. Não há lugar para amar em meio a tanta morte e sofrimento, e nem me sinto digno de ter um sentimento desses nesse meu coração que há tempo está vazio.
Ao certo, eu sabia que deveria me afastar, a ignorar e voltar para o meu lugar, que é sozinho e afastado dos outros, mas por que eu não conseguia? Por que algo me obrigava a ficar ali e a cuidar daquela menina como se minha vida dependesse disso?
Algo dentro de mim estava mudando, e eu sabia que isso não resultaria em boa coisa.
Afastei-me sutilmente dela, e me direcionei ao sofá. Ele estava impecavelmente arrumado, como se fosse uma cama, e parecia muito confortável. Fui até ao banheiro e tomei um banho novamente, tentando fazer com que a água levasse embora todos aqueles sentimentos com os quais eu não podia lidar.
Deitei-me na minha cama improvisada e tentei dormir. Tinha certeza que as coisas aqui no CCD estavam boas demais para ser verdade. Algo me dizia que alguma coisa estava errada, muito errada pra falar a verdade.
Cansando-me de tantas preocupações, fechei os olhos para descansar e enfrentar um novo dia.
Acordo-me pela manhã. Não sei dizer precisamente o horário, pois não podia ver a luz do sol aqui onde estava. Levanto-me tentando fazer o mínimo barulho possível e vou ao banheiro, lavar meu rosto e fazer minhas necessidades.
Assim que eu retorno ao quarto, vejo que a luz está acesa, porém não vejo Sarah. Aproximo-me um pouco mais e encontro-a sentada no chão, com as costas apoiadas no sofá.
— Bom dia — ela sussurra, sem ao menos olhar para mim. Isso de certa forma deixou-me um pouco incomodado.
Sem importar-me com o que ela poderia pensar, abaixo-me ficando a sua altura e toco a sua testa para verificar sua temperatura.
— Você não tem mais febre, mas tem que continuar a tomar seus antibióticos — pigarreei ao fim da frase, tentando disfarçar o desconforto causado por aquilo. Não tinha o costume de expor minhas preocupações em voz alta, então não sabia ao certo como fazê-lo.
Ela afasta minha mão e cruza os braços, em uma atitude praticamente infantil.
— Vou busca-los para você — saio bufando do quarto, a passos largos. Bato a porta e vou em direção à cozinha, onde estão seus remédios. Pego também um copo d’água.
Eu queria ajudá-la, mas por que ela tinha que ser tão teimosa? Não a conhecia o suficiente, mas sabia muito bem que ela não agiria daquela forma sem nenhum motivo.
Sei que errei que a machuquei e lhe insultei na primeira vez em que nos vimos, mas o que ela esperava? Um pedido de desculpas? Isso já era demais para mim! Eu estava fazendo a minha parte, e minha paciência não era a maior do mundo para continuar sendo tratado daquela forma.
Era por isso que me mantinha afastado das outras pessoas! Elas eram tão difíceis de entender.
Por que eu estava tão incomodado com a forma que ela estava me tratando? E por que eu estava aqui cuidando dela? Seria mesmo pena? Não, creio que não. Era outra coisa que estava além da minha capacidade compreender, então, tentaria outra vez, mesmo que minha paciência estivesse se esgotando.
Volto ao quarto e lhe entrego os remédios juntamente com a água. Fico de pé, parado a sua frente com os braços cruzados, esperando que ela os tome.
— Eu não preciso de babá. Não quero que você fique aqui fazendo tudo por mim, simplesmente porque sente pena. Não preciso que tenha dó de mim, e nem que se sinta culpado por eu ser tão azarada! — ela despejou aquilo tudo sobre mim, encarando o chão fixamente. As suas palavras me queimaram de uma forma absurda, nunca tinha me sentido tão mal.
Sem pensar duas vezes me ajoelho a sua frente e seguro seu rosto com as duas mãos, obrigando-a a olhar pra mim.
— Por que você está dizendo isso garota?! Como pode pensar que estou aqui apenas por pena e culpa? Nunca ouse repetir uma coisa como essa, ouviu? Você não sabe nada sobre mim, sobre quem eu sou e sobre os meus motivos, então não me julgue! — rosnei para ela, tentando não parecer desesperado. Não queria que ela pensasse aquilo de mim, porém não sabia mais o que fazer.
— Então me diz o porquê Daryl! Diz-me o porquê de tudo isso! — ela indagou determinada, tentando tirar de mim uma resposta que eu não podia lhe dar.
— Eu não sei o porquê Sarah... eu... eu simplesmente preciso — disse a única verdade, tentando ser o mais sincero que podia. Droga de palavras! Por que era tão difícil usá-las da forma certa?!
Ela preparou-se para me encher de mais perguntas, porém eu estava pronto para silenciá-la com ou beijo. Foda-se essa merda toda! Pensei comigo mesmo. Não queria mais lutar contra o que eu queria, não queria mais fugir. Sinceramente, não me importaria com o que os outros estavam pensando. Nunca me importei, porque agora quando se tratava de algo tão importante eu pensaria neles?
Meu rosto estava a centímetros do seu, porém ela não recuou em nenhum momento. Seus olhos estavam cheios de dúvida e... desejo? Sim, era desejo! Eu podia reconhecer aquilo, pois era o total reflexo de meu próprio olhar.
Um milésimo antes de meus lábios chegarem ao seu destino, um alarme soou, ecoando alto pelo prédio. Sarah sobressaltou-se, afastando-se imediatamente de mim.
Que porra era essa agora?!
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