Still Alive

16 Achei que fosse uma cobra


O suor incomodava ao entrar em contato com o ar frio, mas ela gostava da dor nos músculos ao aguentar o golpe. Ela precisava disso, precisava da dor e do movimento. Talvez estivesse forçando demais o pobre James, uma parte de sua mente registrava as suas caretas ao receber as investidas, mas o raciocínio dela estava nos movimentos e nos pontos fracos do garoto, explorando-os.

Voltou a si quando o Potter caiu, sucubindo ao peso da espada e à força do golpe. Lis olhou o relógio, meia hora, e ela havia aumentado a dificuldade. Fez uma nota mental de nunca mais pegar leve com ele e o ajudou a levantar.

— Nossa, você não estava pra brincadeira hoje, hein? Aconteceu alguma coisa?

Bem, fazia quase duas semanas desde que enviara a carta para a França e ainda não havia notícias ou resposta. McGonagall e Maxime a cobravam o tempo todo, fazendo-a evitar os corredores principais, a sala da diretoria e o Salão Principal, o que a obrigava a se alimentar direto nas cozinhas. Nikolai nunca a pressionava, mas vê-lo a lembrava de todos os problemas, então evitava isso também. Apesar disso tudo, negou, sorrindo.

— Eu deveria ter parado de aliviar o seu lado há muito tempo, talvez comecemos com espadas de verdade logo, logo — começou a limpar uma mancha inexistente no aço — E como vai aquele lufana, amiga sua?

— Quem, a Sarah? Vai bem, mas porque a pergunta?

— Vi vocês na escada um dia desses, se divertiu? — as sobrancelhas dele se ergueram tanto que foram cobertas pelo cabelo, que estava bem precisando de um corte.

— Pensando que eu queria coisas indecentes, milady? Que feio — ele satirizava o Nikolai direto agora, e ela se obrigava a segurar o riso — Nunca rolou nada entre mim e ela. Sarah tem passado por problemas e não queria me contar, eu me preocupo. Faria o mesmo com você se não estivesse tão certo de que apanharia e te afastaria mais ainda — ela apenas o encarou, calada, e ele abriu um sorriso divertido — Mas por que isso? Ficou com ciúme?

— Até parece — foi sua vez de sorrir e recolher o equipamento, ambos saindo da sala Precisa.

— Então você está mesmo com aquele lorde engomadinho?

— O nome dele é Nikolai. E sim, estou; por quê não estaria? Você pode ter sua francesa na festa da Victoire, mas eu não posso ter o meu?

— Acho que escolhi a francesa errada naquela época — ela o olhou, estarrecida, mas ela olhava para a frente — Falando nisso, eu estava discutindo com o Alvo: onde você nasceu?

— Na França, Condado de Noir, me mudei para a Inglaterra aos dois anos.

— Então não é inglesa? Droga, estou devendo ao Alvo.

— Você tem que parar de fazer apostas que não pode ganhar, ele sempre soube que não nasci aqui. Estou em Hogwarts porque estudar em Beauxbatons significaria me mudar para França, pra casa do meu avô; fora que eu sempre soube que meu lugar era aqui, onde eu praticamente morei antes da minha mãe morrer. Meu pai trabalhava aqui, sabia? Era professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, na época; tínhamos uma casa em Hogsmead para não ficar muito longe dele durante a semana.

A porta do banheiro dos monitores surgiu na frente deles. Os dois haviam criado o costume de se banharem lá depois do treino, pelo menos nos dias em que estavam se falando. Ambos se divertiam testando os aromas e relaxando na água fresca.

— Então você cresceu em Hogwarts… — ele sacudiu o cabelo após o mergulho, parecendo tanto um cachorro que Lis apostaria que, se ele tentasse ser um animago, seria um canino — Quando descobriu a Câmara Secreta?

— Eu tinha uns quatro anos, já sabia que era ofidioglota. Aparentemente, Salazar Slytherin enfeitiçou cada cobra do castelo para reagir quando alguém fala sua língua, então eu tentava cada vez que via uma. Foi assim que abri e entrei, mas não consegui sair. Meu pai me procurou por horas, até que o Barão Sangrento abriu a passagem e me ajudou a sair. Não foi a última vez que fiquei presa em passagens secretas, então os fantasmas se acostumaram a me seguir para mostrar a saída. Minha infância até que foi divertida… — ela olhou para longe, como se enxergasse o passado, então saiu da grande banheira pra terminar de lavar o cabelo e se trocar.

Lis e James voltaram pelo corredor de braços dados, rindo. Ela se sentia culpada de esconder os problemas dele, mas havia decidido contar apenas quando recebesse notícias, e esperava que fossem boas. Como se tivesse sido invocado por seu pensamento, NIkolai apareceu no final do corredor. A ruiva o cumprimentou, alegre, mas os rapazes nem se olharam. Nikolai olhou para os cabelos molhados de ambos e para os braços entrelaçados, mas apenas colocou a mão na mochila que trazia, tirando um gato dela.

— Encontrei na porta da Sonserina, acho que estava esperando que alguém a abrisse. Sabe de quem é?

— Na verdade, é meu, mas pode soltá-lo, ele se vira — o gato quase correu ao ser posto no chão — Ele estava sumido há uma semana, muito obrigada — Lis beijou a bochecha dele.

— Não estava, não — Potter interrompeu o casal — passou a semana na Grifinória, no meu dormitório. Achei que Alvo tivesse te contado.

— Ele não fala comigo há uma semana, na verdade.

— Se você não estivesse tão ocupada evitando todos nós — ele interrompeu a fala, olhando para o francês — Vou deixá-los a sós — virou para Lis — Nos vemos mais tarde? — ela apenas assentiu, e ele foi embora.

— Vai fazer o qué com ele mais tarrde? — o único indício de que realmente se importava com a resposta era o leve sotaque que nunca aparecera antes.

— Pegar suprimentos para a festa na Grifinória amanhã, mas como é contra as normas, não vou dizer como fazemos isso.

— E o que estávon fazendo agorra? — os olhos dele estavam nos cabelos ainda úmidos da menina.

— Treinando. Fazemos exercícios juntos. Pra facilitar e eu não voltar suada para a Sonserina, ele me deu a senha do banheiro dos monitores, mas as alas são separadas, não precisa se preocupar.

— Certo, e quando vamos parar de falar de outro garoto e conversar sobre nós?

— Tem certeza de que quer conversar? — ela ergueu uma sobrancelha.

— Quando vocês vão sair?

— Depois do toque de recolher.

— Ah, então temos tempo — o sorriso dele era faminto e seu coração perdeu o compasso. Em menos de dois segundos, ela estava contra a parede, sentindo cada parte daquele corpo definido e musculoso pressionado no seu. Os dentes dele estavam enterrados no espaço macio entre o ombro e o pescoço, como uma fera que capturara a presa, saboreando sua pele. As unhas dela fizeram o mesmo nas costas dele, deixando marca, e ele, ardentemente, a beijou.

***

Fazia apenas um minuto que o sinal tocara e que Nikolai fora embora. Lis ainda tentava normalizar a respiração enquanto esperava James no local combinado. Enquanto isso, ela não pensava nos últimos minutos, em como o toque de Nikolai fazia sua pele formigar e a incendiava nos lugares certos; não, isso não ocupava sua mente, e sim a posse com que ele a tomara, o ciúme explicitado em seus olhos ao vê-la com o Potter. Ele parecia estar apaixonado, mas… Ela balançou a cabeça para afastar o pensamento e somente percebeu James quando ele estava ao seu lado.

— Muitos Zonzóbulos na cabeça? — ela sorriu com a menção à criatura fantasiosa que a mãe dos gêmeos os fazia acreditar.

— É, acho que sim, não param de me atormentar.

— O encontro foi bom, hein? — ela corou e desviou o olhar, mas o amigo apenas arrumou os cabelos alaranjados e a gola de sua camisa, fazendo-a sorrir. James levantou seu rosto com um toque suave no queixo.

— É a última vez que vou perguntar, ruiva: aconteceu alguma coisa? — ela desistiu de guardar aquilo para si.

— Na verdade, Jay, aconteceu. Mas aqui não é hora e nem lugar para isso. Amanhã, com todo mundo junto, eu conto. Imagino que estaremos cheios demais para ir jantar com os outros.

— Certo — talvez tenha sido o suspiro, ou a dor nos olhos azuis, mas James a envolveu como se quisesse protegê-la de tudo, o que a desmanchou, derrubando suas defesas e fazendo-a chorar — Você tem que parar de me esconder as coisas, Lizy — ele a afastou para enxugar as lágrimas — Mas me diga se ele é o culpado que eu saio agora e o deixo com um olho roxo — ela riu e negou, então ele a pegou pelo pulso e ambos foram para o corredor do quarto andar, abrindo a porta encantada para ser minúscula que dava para o túnel que os levaria para o porão da Dedos de Mel.

Durante a noite, o lugar não tinha a magia e cor costumeiras, mas em compensação, era silencioso e se tornava fácil de se locomover sem esbarrar nas vitrines. Rapidamente, os dois selecionaram doces (para comer ou para testar os efeitos), bolos de diferentes sabores, bebidas gasosas e coloridas, cerveja amanteigada e outras coisas que já sabiam onde estariam na loja. Deixaram o dinheiro referente aos lanches no balcão e levaram os lanches para o alçapão. Lis já quase entrava para o túnel quando James a segurou.

— Nós estamos em Hogsmead, no meio da noite, num fim de semana, e você já quer voltar?

— E o que você sugere?

— Eu sugiro ir no Cabeça de Javali, onde nunca reparam em nós, e tomar alguma coisa, o que você acha?

— Acho uma boa ideia.

Hogwarts era encantada para amenizar as temperaturas, a fim de que os alunos não sofressem tanto com o choque das estações, e se lá já estava frio, Hogsmead estava mais ainda. O ar estava gelado, e uma fina garoa caía, molhando a dupla aos poucos, mesmo com a capa e as luvas de couro de dragão, Lis tremia a cada lufada do vento, e James apressou o passo para que chegassem mais rápido em um abrigo.

O Cabeça de Javali era um pub sujo e mal frequentado, lembrava Lis das tavernas que o tio a levava com a intenção de conhecer os vilarejos, fingia que estava bêbado, dançava com umas dez moças e saía andando reto no fim da noite; certamente, a música lasciva era muito parecida, e a menina riu internamente. Ela tirou as luvas e assoprou nas mãos, esfregando-as; quando reparou, James já havia tirado seu suéter Weasley (com um dragão enorme no centro) e a oferecia.

— Vai um Whiskey de Fogo?

— Nah… Prefiro um vinho quente e doce.

— Está certo, milady — ele levantou antes que ela pudesse batê-lo e fugiu para o balcão. Voltou com duas canecas, e ela bebeu um gole, se deliciando com o calor fornecido, e os dois começaram a conversar, comentar e tentar adivinhar quem eram as pessoas no bar e quais eram suas vidas. Estavam tentando adivinhar como seria a próxima pessoa a entrar quando a porta abriu, e para a surpresa deles, um homem de cabelos longos e meio acinzentados com uma capa preta e pesada entrou, franzindo a testa quando os viu.

— É melhor me dizerem o que vieram fazer aqui, pois minha mente é muito fértil.

— Viemos comprar coisas para a festa de amanhã e resolvemos parar para beber algo.

— Vou relevar porque é sexta e porque você vai pegar um drink pra mim — ela sorriu e levantou fluidamente em direção ao balcão, enquanto o pai ocupava seu lugar — Então ela está mesmo com aquele francês, não é? — Era estranho conversar com o Severo enquanto ele bebericava um pouco do vinho casualmente, mas James respondeu.

— É, eles estão juntos.

— Não gosto dele… — Snape balançou a caneca, fitando a bebida, contemplativo — E o engraçado é que eu sempre pensei… Bem, não importa mais, não é? Já que ela gosta dele — O homem levantou e deu dois tapas nas costas do rapaz — Cuida dela, ok? Não posso estar com ela para sempre, então, cuide dela por mim.

James assentiu e ele foi em direção da filha, que retornava com outra caneca e um pacote em mãos. Ele viu Severo beijá-la na testa, em um gesto raro de carinho, e então o senhor tomou um lugar no fundo do pub, na penumbra, e a menina sentou ao lado de James, se aninhando em seu abraço, parecendo uma gata ruiva.

— Como ele já sabe que saí, vou dormir no quarto dele; até porque se me pegarem entrando no dormitório a essa hora, posso pegar detenção. As garotas da Sonserina não gostam muito de mim.

— Claro, você é linda, filha do professor, queridinha da diretora… E agora tá saindo com o Campeão da escola estrangeira.

— Sim, e também tenho o Campeão de Hogwarts aos meus pés.

— Oi?

— Nem tente esconder, James. Todo mundo sabe que você me ama — ela disse, rindo logo após, mas ele apenas deu um sorriso sem graça.

— Que pacote é esse?

— É para nós. Já sei que não acordaremos a tempo para o café da manhã.

De fato, o relógio apontava dez horas quando ela levantou, e o desjejum era retirado às nove. Ainda vestia o casaco de James, o tecido macio contra sua pele nua, e demorou alguns minutos para lembrar que deveria ir para a Sonserina se trocar. O dormitório estava em alvoroço, as garotas se arrumando para não perderem a carruagem. Lis percebeu, com desgosto, um vulto loiro se aproximando.

— Que casaco é esse? Quer se camuflar para entrar na Grifinória? — Emílie Nott: loira, chata, nojenta e não merecia mais da sua atenção do que uma olhada rápida — Se bem que você nem precisa, não é? Anda tanto com eles que já cheira à ralé.

Lis respondeu com algumas palavras bem escolhidas e se virou a tempo de vê-la, desesperada, arrancando a mão das serpentes do dossel que se enroscaram nela após a ordem de Lis. Para sua sorte, a chata morria de medo de serpentes vivas e ofidioglotas e, por acaso, estava na casa com mais desses animais do castelo.

— Oh, desculpa. Vi tanto veneno escorrendo que pensei estar falando com uma cobra — ela pegou suas roupas e foi para o banheiro.

— Vai para a vila?

— Não.

— Achei que ia com aquele gatinho francês.

— Ele vai, eu não — Lis nem ao menos sabia porque estava respondendo às perguntas.

— Ótimo — ela trazia um sorriso malicioso, e por algum motivo, Lis não se importava nem um pouco.

A biblioteca estava vazia. Somente Escórpio era louco o suficiente para estar lá em plena manhã de sábado, ou era o que era pensava, já que fora surpreendida ao encontrar a caçula Pelletier com ele na mesa.

— Olá — ambos a olharam; Scorp acenou, mas Kaleen fixou o olhar.

— Esse casaco não é seu.

— Não, não é — ela inclinou a cabeça. Nunca Kaleen havia lhe dado tamanha atenção.

— Garotas costumam usar roupas dos garotos de quem gostam — seu tom não era acusativo, como se apenas constatasse um fato científico.

— Gostar é algo relativo.

Ela pareceu satisfeita e voltou ao que estava fazendo. Lis riu internamente; quando aquilo tudo acabasse, a apresentaria ao seu tio, ele gostava de pessoas diferentes, iria se divertir com a morena. Escórpio se despediu da francesa, mas ela nem parecia ouvi-lo.

— Ainda estou entendendo como lidar com ela, mas é uma garota legal.

— Tem passado muito tempo com ela?

— Sim, ela me convenceu a falar com a Rose, até. Para ela tudo é tão simples.

Os dois foram para a Grifinória, e a festa começou. A sala estava vazia, pois praticamente haviam expulsado os primeiro e segundanistas. Todos tinham medo do Monitor Chefe Potter.

O dia passou e eles se divertiram, e Lis ficava apreensiva a cada minuto mais próximo do jantar. O olhar de James dizia que ele não havia esquecido sua palavra. O jantar chegou e a sala se encheu apenas para esvaziar de novo quando a maioria foi para o Salão. Lis convocou os amigos para o tapete em frente à lareira.

Ela os olhou: James, Alvo, Escórpio, Lorcan, Lysander, Rose, Lily e Hugo. Ela os encarou um momento antes de arrancar a sensação de segurança que seus pais os haviam envolvido, a sensação que lhe fora tirada quase dez anos antes, e então contou-lhes tudo.

Hugo ficou estático, Lily chorava chocada, Rose levantou murmurando algo sobre sua mãe, os gêmeos discutiam possibilidades diversas, Escórpio a olhava com um misto de compreensão e compaixão, mas James se aproximou e a abraçou como havia feito no dia anterior, sussurrando:

— Pronto, Lis. Agora você não está mais sozinha.

E um peso que Lis não percebera carregar deixou os seus ombros.

***

Faltavam apenas quatro dias para a primeira tarefa do torneio, e a escola era só alvoroço, embora a semana de Lis tivesse sido tranquila, já que os amigos tinham conhecimento de suas angústias. Dedicara seu tempo a estudar, ora com Scorp e Kaleen, ora com Alvo e Maia; nas horas vagas, treinava com James ou se trancava com Nikolai em uma salinha vazia ou, às vezes, no dormitório dele, quando ninguém estava.

Enquanto a bolha de ansiedade crescia nos alunos em relação ao Torneio, a de Lis estava prestes a estourar. Todos os dias olhava e acompanhava o correio matinal, o que acabava, invariavelmente, em decepção.

E naquela manhã particularmente fria para o outono, as corujas entraram pelas janelas do Salão Principal; uma pequena fagulha de esperança a fez olhar para cima, desanimada, e ver uma ave acinzentada largar um pequeno pacote na sua frente, claramente na intenção de ser discreta.

Na caixinha achatada, ramos e pétalas de lavanda, comum no Sul da França, entregava o remetente e de onde fora mandada. O aroma flutuou até seu nariz, carregando-a para os campos de sua infância, em Provence, e ela abriu a carta que vinha junto. Seus olhos brilharam ao ler as tão esperadas boas notícias e ao olhar ao redor, percebeu que não tinha com quem compartilhá-las, pois acordara cedo demais.

Precisava contar a Maxime, só que não fazia ideia de onde a diretora estava, no entanto… Nikolai havia pedido que o encontrasse do lado de fora após o café, não faria mal chegar mais cedo.

O vento fazia o cabelo chicotear seu rosto, mas ela não diminuiu o passo até avistar os cabelos castanho claro acompanhados do uniforme de seda azul. Ela queria gritar seu nome e correr na direção dos braços em que acostumara estar envolvida, e faria isso se os anos de treino exaustivo não a tivessem alarmado.

Ele se escondia em um dos arbustos, furtivo. Sua audição aguçada captou uma risada de onde o rapaz olhava atento. Hagrid. As sobrancelhas dela se franziram e, antes que ele pudesse percebê-la, Lis tirou a capa da Invisibilidade do sobretudo, onde sempre guardava depois que o James a emprestara, com o argumento de que não desconfiariam se fosse ele a ser visto nos seus passeios noturnos.

Coberta e invisível, o seguiu com cuidado, sem fazer barulho, mas ,por precaução, parou longe do arbusto em que ele estava. Espiou o que chamara atenção do garoto, e quase derrubou a capa e a carta que ainda trazia em mãos, e não conseguia se mover, pois não queria e não conseguia acreditar no que estava vendo.