Steps
7 Machucado- Tudo Errado
Notas iniciais
20/10/2013
No outro dia, toda a família já sabia que Jason tinha recuperado a memória. Nós decidimos não contar toda a história do loiro. Ele apenas disse que havia recuperado as lembranças e que voltaria para casa.
O que eu achei hilário, foi o fato dele morar duas ruas da nossa casa. E isso o ajudou a recuperar a memória, por que foi a visão da casa a três dias, que o fez lembrar de tudo.
Jason Grace morava a duas ruas da minha casa. Trabalhava como professor de sociologia em uma escola da cidade vizinha e agora tudo ia se encaixar.
Depois de tudo se resolver, eu fui dormir e só acordei hoje mesmo. Porém, como fui me deitar cedo, acordei cedo.
Desci, fiz um café e olhei pela janela, por que estava muito frio. Percebi que havia neve cobrindo tudo lá fora.
Olhei o meu celular e percebi que havia mais de 15 chamadas não atendidas, todas de Thalia. Isso iria continuar assim!
Subi novamente para o quarto e me deitei. Fiquei observando o teto e ouvi batidas na porta. Logo depois, ouvi a voz de Jason.
– Você quer brincar na neve? Um boneco quer fazer?
– Jason, eu não sou a maldita da Elsa! – Falei gargalhando.
Ele abriu a porta e adentrou o meu quarto.
– Obrigada pela privacidade. -murmurei
Mal olhou para mim... só andou até a cômoda e jogou roupas em minha direção.
– Se vista! Estamos esperando.
Me vesti e desci as escadas. Não havia ninguém na casa... Andei até o lado de fora, e fui atingido por algo gerado, no meio da testa.
Escutei risos vindos de vários pontos.
–CLARISSE! – Protestei.
–Não é só ela não, hem...
Chris falou, enquanto saia de trás do arbusto onde estava escondido. Fazia uns dias que eles estavam namorando. Chris era da equipe de natação do colégio, e quando Jason foi embora, ele simplesmente falou que não podia continuar com a Clary. Ele explicou que adorava ela, porém não podia continuar, já que se lembrava de tudo.
Enquanto estava parado, pensando em como as coisas haviam se encaminhado nesses últimos meses, fui atingido por três boladas de neve.
– O que é isso? ‘Associação dos contra Nico’?
– Mais ou menos isso.- Respondeu Jason.
–Três contra um Nico sozinho?- falei fazendo um biquinho falso.
Em resposta, levei outra bola na boca do estômago, vindo da Clarisse.
–Ahhhhhh, volta aqui!!!
Gritei enquanto corria para acabar com ela. Como se isso fosse possível, em algum Planeta. Quando pulei em cima dela, ela se virou rapidamente e antes de eu piscar, já estava no chão com Clarisse acertando bolas em mim.
Ouvimos uma campainha e Jason assoviou.
–E o príncipe chegou!
– Shiu!!!- o adverti
Sai de baixo da minha irmã e corri para a porta. A abri e pulei nos braços de Leo.
– Boo
– Oi Nico.
– Aconteceu alguma coisa? – sai de seus braços e o olhei.
Só agora eu percebi... Leo estava com um olho roxo.
– O que houve? O que aconteceu? – perguntei meio desesperado
Ele desviou o olho e eu puxei seus rosto de volta, o obrigando a me olhar.
– Leo, que diabos aconteceu?
–Vamos entrar.
Eu abri caminho e o deixei passar. Ele se sentou no sofá e deu dois tapinhas em seu lado. Eu caminhei até ele e sentei em seu colo. Amanhã ia ser nosso aniversário de um mês, e ele me aparece na véspera com um olho roxo?!
–Nico, eu estava no treino de futebol. Eu entrei no vestiário e Percy estava me esperando. Ele estava com meu celular em mãos. – ele suspirou rapidamente- Ele falou algo estranho, sobre ouvir boatos de que estávamos juntos. E então mostrou o meu telefone e disse “Agora eu tenho certeza”. Bom, acho que ele olhou minhas mensagens.
– ELE. O. QUE?
– É, isso. Mas aí foi que começou a ficar estranho, por que surgiram dois caras, cada qual segurando cada braço meu, e Jackson me bateu. Me bateu muito!
– Leo.. eu VOU MATAR AQUELE DESGRAÇADO! –Gritei e levantei do sofá, impossibilitado de permanecer ali, sentado olhando o desfecho da briga.
Jason apareceu na porta.
–Nico, tudo bem?- ele perguntou parecendo muito preocupado- Ouvi um grito.
Fiz eles se sentarem e expliquei o que havia acontecido.
–Isso não pode terminar assim!- falei desabando no sofá, ao lado de Chris.
– Bom, podíamos dar uma lição em Perseu. — Clarisse murmurou.
–Não! Eu não quero que vocês façam nada. Percy falou que aquilo era só para eu ver o que aconteceria comigo, se eu magoasse o Nico. Eu...eu tenho certeza que foi só ciúmes.
Nos encaramos por alguns minutos e resolvemos deixar as coisas como estavam.
XXXX
A campainha tocou de repente e caminhei até a porta quando a abri dei de cara com Zoe.
–ZO...ZOE!
Eu gritei e me atirei em cima dela. Eu não a via a eons e eu precisava abraçá-la mais do que qualquer coisa.
–Nico... meu amor. Eu só passei aqui par....
Ela se interrompeu e olhou para dentro da casa. Ela parou e me olhou.
–Eu sinto muito, mas eu não vou poder falar nada. Nico, perdão eu... eu preciso ir!
–Zoe, você acabou de chegar. Zoe!
Ela já estava na metade da rua e eu corri para encontrá-la.
–Nico, escute-me bem: Você tem que ter cuidado com as pessoas ao seu redor.
–Eu sei, Percy.- e bufei.
–Nico, fica quieto e ouça bem. Eu fiz...fiz coisas que não me orgulho, mas na época era necessário. Porém, eu parei! Há pessoas a sua volta que não pararam, Nico. Você... você tem que me prometer que terá mais cuidado.
Ela beijou a minha testa, como se nunca mais pudéssemos nos ver.
–Eu te amo. Muito!
Antes de eu consegui protestar, ela já havia desaparecido. Eu olhei ao meu redor, tentando processar o que ela havia me dito.
XXXX
Leo estava melhor, então decidimos não nos envolver... mas que eu estava bravo com Jackson, isso não era segredo. A menção ao nome dele me dava enjoo. Hoje eu ia a sua casa, e não bateria nele nem nada. Eu só precisava saber o porquê.
Arrumei-me, disposto a fugir das entocadas que alguém lá de casa com certeza faria. E nesse mesmo momento minha mãe caminhou até mim.
– Nico, seu pai e eu queremos conversar com você.
– Precisa ser agora, mãe?
Meu pai surgiu quase magicamente, atrás dela e me olhou sério.
–Ei, o que está acontecendo aqui?- Perguntei.
– Filho, é que o Jackson me ligou e perguntou se podia vir aqui... e eu sei o que aconteceu com Leo. Então eu fiquei... preocupado!
Eu ainda não conseguia acreditar na facilidade que meu pai teve de entender que eu era gay. E agora ali estava ele, conversando comigo sobre meu ex-namorado batendo no meu atual. Aquilo parecia história em quadrinho.
– Ele pode vim! Vocês podem deixar, sim. Eu queria mesmo ter uma conversa com ele.
Ele não me parecia seguro em deixar que um cara louco entrasse em sua casa, porém assentiu e disse que ligaria para Percy mais tarde.
Com isso eu ficaria com a manhã livre, o que me levou a brilhante ideia de fazer Nutella caseira.
Fui para cozinha e peguei todos os ingredientes que o vídeo no youtube disse que seria necessário.
Preparei-me para uma verdadeira batalha. Troquei minhas roupas por umas mais usadas e perdi reforço para minha querida- ou nem tanto- irmã.
–Você tem certeza disso? – Ela perguntou, enquanto ria da minha expressão.
–Não. Mas nós vamos fazer!
Colocamos mãos a obra, e tudo estava indo bem – bem até demais-, até que a tampa do liquidificar se soltou; fazendo voar chocolate por todo lado.
Clarisse só gritava e eu pensava o quanto minha mãe iria me torturar.
Sim, por que ela não iria somente me matar.
Clary conseguiu tirar a tomada do monstro da tomada e me olhou confusa com um claro ‘ o que vamos fazer?’ estampado na testa.
Eu caminhei lentamente até ela e lambi sua bochecha.
–Clarisse, estamos cobertos de chocolate. Vamos... nos comer!
Ela riu e depois lambeu seu próprio braço.
–Nico, quase conseguimos. Pelo menos está com gosto de Nutella.
– Ao menos uma vitória!
XXXX
Depois de limpar tudo aquilo, Jackson finalmente chegou.
Ele me parecia sério, como se estivesse disposto a matar qualquer um, a qualquer hora.
– Percy... Por quê?
Ele se sentou e me encarou.
– Bom, temos muito com que conversar.
XXXX
–Então, Percy. O que tem para me dizer?
Ele ainda me olhava com aquela expressão de ‘aconteceu algo ruim’, e isso estava me preocupando por demais.
– Nico, eu sei que vai parecer tolice, mas você tem que estar de mente aberta.
– Estou ouvindo...
Ele continuou.
–Eu estava desconfiado que você e Leo estivessem namorando. E sim, eu estava com ciúmes! Depois daquele dia você não me ligou e nem atendeu minhas ligações. Eu fiquei sem entender. Então eu peguei o celular do Valdez, para ter um tipo de prova, e parar de bancar o idiota.
– Aí você decidiu passar de idiota para ladrão. Legal! É quase uma digievolução.
Ele revirou os olhos e me encarou.
–Estamos sozinhos aqui?
–Sim, Percy. Tem como ir direto ao ponto?
Eu já estava ficando farto de olhar para seu rosto.
–Nico, o que eu encontrei no celular dele, vai muito além de algo que vocês dois podiam ter. Por isso eu o bati. Por que não acreditei quando vi.
Ele estava me assustando, mas não me convencendo. Leo não era uma má pessoa, e nada que pudesse ser encontrado em seu aparelho, poderia desfazer essa ideia.
– Eu.. eu encontrei conversas com um tal de Octavian. Não eram conversas boas, Nico. Quase todas se tratavam de crimes ou contrabando.
Ele me encarou por um momento, e eu cai na gargalhada.
Ele só podia estar drogado, se queria realmente que eu acreditasse que Leonardo Valdez fosse algum tipo de criminoso.
–Você realmente está tão desesperado assim?
–Nico, isso não tem nada a ver com nós dois. É algo mais que isso. Em diversas conversas, eles falam de algo ou alguém. Eles dizem que o plano para tirar isso ‘do ar’ estava quase concluído. ELES DISSERAM QUE A ISCA ESTAVA PRONTA, NICO. E se... e se você fosse a isca?
Eu o encarava e tentava entender as coisas absurdas que saiam pela sua boca.
Valdez junto com alguém me usando como isca. Isso era o cúmulo do ciúme que Percy poderia sentir por mim. E isso era inadmissível. Eu não sabia como ele podia usar alguém para vantagem própria desde modo.
–Percy, então você realmente espera que eu caia nessa? Que tudo que aconteceu se resume a Leo ser... ser um bandido. E eu a isca para ele pegar alguém?
– Nico, pare de ser tão narcisista! Isso não tem nada a ver especificamente com você. Você claramente está sendo usado... mas não é tão importante.
Eu não acreditava naquilo! Ali estava Percy Jackson mais uma vez, falando aos quatro ventos que eu não era importante.
–Percy, saia agora da minha casa!
–Nico, eu estou tentando te ajudar.
–SAIA!
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