Notas iniciais
Prontos pra mais um capítulo? Esse capítulo é sério. Tadinho do Justin.. Bom, leiam

- Julianna? Acorda. — Eu sentia uma mão mexendo em meu cabelo, o puxando para trás de minha orelha. A pessoa estava encostada em minhas costas, e eu sentia seu corpo tremendo, demonstrando que ela ria.

- Que foi? — Resmunguei me virando para a voz.

- Levanta antes que alguém chegue aqui pra limpar. Aqui eles limpam antes dos treinos. Vamos lá, encrenqueira.

- Encrenqueira é a senhora sua avó que não te ensinou a deixar os outros dormirem até mais tarde. — Me virei de costas pra ele de volta, puxando o cobertor mais pra cima.

Mas espera ai. Eu não vi cobertor algum aqui, noite passada. Abri os olhos devagar, olhando para a barra do cobertor em minhas mãos. Virei o rosto para ele, sentindo meu rosto esquentar.

- Você fez isso?

- Fiz.

- Quando você chegou?

- Ontem à noite.

- Como?

- Eu sou o artista, tenho a chave. — Ele me olhava com a expressão superior.

- Ah. E porque isso? — Indiquei o cobertor para ele enquanto sentava devagar.

- Eu não ia voltar pra casa. — Revirei os olhos e ele se apressou em continuar. — Eu imaginei que você estaria com frio, por isso eu trouxe isso pra você. — Ele baixou o olhar, olhando para o casaco que eu vestia. O seu casaco.

- Ah, desculpe. Eu estava com frio não sabia que você ia se importar... — Eu tirava o casaco, mas suas mãos se apressaram em segurar meus pulsos.

Chegando mais perto.

Seus olhos brilhavam enquanto ele arrumava o casaco em mim de novo. Nenhum dos dois queria desviar o olhar, até que, mais perfeito do que se fosse ensaiado, nossos olhares foram até nossas bocas. Suas mãos até minha cintura, e as minhas até seu peito. Seu celular começou a tocar o refrão de Baby, mas Justin parecia não notar. Nos aproximamos ainda mais, e ainda não parecia o bastante. Então ele aproximou o rosto do meu aos poucos, avaliando minha reação. Cansada de esperar pulei em cima dele, colando nossos lábios em um selinho até meio doloroso, devido ao choque. Justin, desequilibrado, caiu pra trás, entre o colchão e o piso, fazendo com que eu caísse junto, nos fazendo sair rolando.

Quando paramos, com ele por cima de mim, nos olhamos, com nossas bocas ainda coladas. Seus lábios, tão macios sorriam contra os meus. Senti sua língua pedir passagem, e então começamos a aprofundar nossas caricias, suas mãos – apressadas demais para um primeiro beijo -, saíram disparadas para minhas pernas, as apertando. Resmunguei entre o beijo, puxando suas mãos para minha cintura, e passei minhas mãos para suas costas, o arranhando por cima da camisa mesmo.

- Ei, você pode e eu não? — Ele resmungou, separando nossos lábios.

- Sim, eu posso. Agora cale a boca, vamos. — Sorrimos um para outro, juntando nossos lábios novamente.

Seus lábios eram macios, seu beijo era quente e tinha gosto de morango. Suas mãos me apertavam da maneira certa, seu corpo por cima do meu tinha a forma certa. Me perguntei o quão perfeito seria tudo isso em outra situação.

Mas tão rápido como começou, terminou. Minha mente me trouxe para a realidade, me lembrando que eu não era boa o bastante para ele. Espalmei minhas mãos em seu peito, e com dificuldade separei nossas bocas. Sentindo sua respiração acelerada batendo em meu rosto. Ele me olhou em dúvida, questionando porque eu havia parado. Ameaçou se aproximar, mas eu o impedi, fazendo ele rolar para meu lado.

- Desculpe-me, Justin. Isso não pode acontecer. Não pode. — E eu me levantei, cambaleando, e sai do estúdio.

- Não entendo você. Não mesmo. — Ouvi sua voz sussurrar antes de eu entrar no banheiro.

- Eu não posso dançar com outra menina. Tem que ser com ela!

Criei coragem para entrar no estúdio depois de muitos minutos no banheiro. Eu só tinha voltado para o estúdio pra buscar minha mochila, pensando que ele não estava mais lá. E ele realmente não estava, tinha deixado outra mochila ao lado da minha, com uma toalha e alguns produtos pra que eu pudesse me arrumar. Junto ele deixou um bilhete, pedindo desculpas e dizendo que eu poderia ir até o banheiro do terceiro andar me arrumar, pois ninguém subia lá pela manhã.

Tomei banho, me arrumei com a outra peça de roupa que encontrei na minha mochila e fiquei sentada, pensando em como poderia olhar para Justin de novo.

- Justin, ela está machucada. Além disso, qual o problema em convidar Jasmine? Ela é linda e dança muito bem. A apresentação será incrível com ela.

Justin me viu entrar, pelo espelho. Ele suspirou e ficou meio rígido. Scooter virou para mim, pensando se falava algo ou não.

- Bom dia. — Murmurei meio paralisada. — Cheguei cedo demais? Estou atrapalhando? Ah, desculpe...

Eu já estava me virando para sair, mas ele correu em minha direção.

- Julianna. Por favor, você acha que pode dançar? É pra uma apresentação. Domingo. Sei que o tempo é curto e você tá machucada. Mas eu queria muito que você dançasse comigo.

- Justin. Ela está machucada, isso só iria atrapalhar a recuperação dela.

De fato isso ia atrapalhar. Mas quem ligava?

- Eu não me importo. Faço parte da equipe. Eu poderia tentar. Mas provavelmente eu vou atrapalhar, vou ficar caindo e você vai perder tempo ao invés de treinar com outra menina que saiba dançar melhor do que eu.

Abaixei a cabeça, percebendo que ele usava o casaco roxo que eu vesti pra dormir. Justin segurou minha mão, indicando que eu deveria olhar para seu rosto. Levantei o olhar devagar e ficamos um tempo nos olhando.

- Tudo bem. — Justin murmurou derrotado.

A porta atrás de mim se abriu rapidamente. E alguém com passos furiosos entrou parando ao nosso lado. Justin rapidamente soltou minha mão, dando um passo pra trás.

Era sua mãe. Pattie.

- Você quer me explicar o que fez a noite toda? Quer me explicar onde esteve? Eu acordei com Kenny desesperado perguntando onde meu filho estava! Sabe como é isso? — Pattie gritava com ele, que levou as mãos até a cabeça, se afastando de nós duas. Ela o seguiu ainda bufando. Então Kenny entrou no estúdio, parando ao meu lado. Sério.

Levantei minha cabeça, olhando pra ele. Ele abaixou a cabeça olhando pra mim também.

- Ele tá muito encrencado? — Sussurrei, fazendo Kenny assentir com a cabeça. Arregalei meus olhos, desviando o olhar até Pattie, que agora gritava com Justin porque ele não a respondia. Bom, ele não a respondeu até aquele instante. Porque do nada ele explodiu, gritando com a mãe.

- Me deixa! Eu to cansado! CANSADO! Não agüento mais todo mundo em cima de mim! Me deixa ter pelo menos uma noite normal. Pelo amor de Deus. Eu to cheio de você me dizer o que fazer, de me dizer onde eu posso ou não ir! Eu não quero um segurança grudado em mim até quando eu to no banho! Eu quero paz! PAZ, FÉRIAS! DE TODOS VOCÊS SE POSSÍVEL!

- Eu não acredito que você está falando isso pra mim! Não pra mim garoto! Olha tudo o que eu sempre faço por você. Pra você me tratar assim? É esse o tipo de amor que você sente? É essa a educação que você recebeu? Todos! Todos que trabalham com você fazem de tudo pra te fazer feliz. Pra fazer algo que você goste. Que te deixe bem. E é isso que você sente?

Os dois estavam gritando um com o outro, e a platéia assistindo aumentava a cada segundo. Até que Justin se calou, olhando todos observarem ele.

- É disso que eu to cansado! De todo mundo me tratando como se eu fosse o centro das atenções! — Ele começou a falar baixo, aumentando o tom de voz conforme andava pelo estúdio. — Eu quero ser alguém normal! Quero ser um garoto idiota sem ninguém dizendo que merda ele tem que fazer! Eu to cheio! — Justin se aproximou rapidamente do grande aparelho de som. O tomando nas mãos e o jogando no chão, o chutando. Ele virou a pequena estante onde havia muitas pilhas de cds. Ele jogava os cds nos espelhos. Em todas as direções, enquanto gritava. — EU NÃO QUERO QUE ESPEREM COISAS BOAS DE MIM. NÃO QUERO SER MOTIVO DE ORGULHO, DE SONHOS. NÃO QUERO QUE O EMPREGO DE NINGUÉM DEPENDA DE MIM. NÃO QUE VOCÊ ESPERE QUE EU SEJA O FILHO PERFEITO. PORQUE EU NÃO SOU. EU NÃO SEI MAIS SE QUERO SER.

Ele parou, com a respiração acelerada, deixando os outros cds caírem de suas mãos. Ele estava chorando.

- Justin você devia-

- Não Kenny! Não se aproxima! — Ele deu mais um chute, contra a estante e então Kenny o puxou pela cintura, tirando seus pés do chão. Fazendo que Justin lutasse para se libertar, chutando o ar.

- Deixa ele, Kenny. — Pattie sussurrou, deixando as lágrimas descerem por seu rosto. Justin ajeitou a roupa, nervoso enquanto todo mundo o olhava.

- Eu quero meu pai. Eu posso ter tudo o que eu quero, não é? — Ele olhava para Scooter e sua mãe. — Tragam meu pai, me levem até ele. Tanto faz. Eu quero ele. Eu quero o meu pai. — Ele disse a ultima parte olhando fixamente para a mãe. Saindo em seguida do estúdio. Todos permaneciam em silêncio, enquanto Pattie chorava ainda mais desesperada, perguntando como tudo tinha chegado naquele ponto sem que ninguém percebesse.

- Alguém tem que falar com ele, antes que ele faça alguma besteira. — A velha de ontem se pronunciou olhando para todos.

- Eu posso tentar. — Chaz, amigo de Justin, deu um passo a frente observando o estrago da sala.

- Não. Tem que ser você. — Scooter apontou para mim, fazendo com que todos me olhassem. — Ele gosta de você. Tente conversar com ele. Por favor.

Como assim, eu conversar com ele? Era Chaz, um de seus melhores amigos. Como eu poderia fazer alguma coisa?

Respirei fundo, assentindo.

- Tudo bem. Eu vou... Tentar.

Sai devagar, pensando sobre onde ele estaria. Do nada, suas palavras "no terceiro andar tem banheiro, ninguém sobe lá de manhã" piscaram em minha mente, me fazendo subir cambaleando pela escada. No andar de cima, procurei pelo boneco azul, que indicava o banheiro masculino nas portas. Era a porta mais distante, no outro lado do corredor. Entrei no banheiro aos poucos, cuidando para não ver nada que não devesse. Por fim, vasculhei o banheiro e não o encontrei lá. Respirei fundo, entrando então, no banheiro feminino. Parei em frente ao espelho, me observando, até as lagrimas começarem a despencar de meus olhos. Me perguntava porque eu tinha que seguir o caminho mais difícil. Amando meu ídolo. Me perguntava porque ele tinha de sofrer tanto, se tudo o que ele merecia era uma vida boa e feliz, calma. Os soluços apareceram, me fazendo tremer e começar a perder o equilíbrio. Levantei meu olhar, buscando me observar no espelho, murmurando como eu era fraca.

Mas algo chamou minha atenção, no canto do espelho. Pelo reflexo de uma das cabines, Justin, com os olhos vermelhos, me observava. Quieto. A sua porta estava entreaberta, só seu rosto aparecia. Seu olhar estava fixo no meu. Ele estava tão paralisado que eu nem notava seu corpo se movendo com a respiração. Seus olhos não piscavam, ele estava tentando manter uma conversa comigo. E essa profundidade toda entre nossos sentimentos estava me dando medo.

Me afastei, ainda em silêncio, sentando no chão, longe do espelho e das cabines. Justin saiu de lá, com a cabeça baixa e as mãos nos bolsos, caminhando devagar em minha direção.

Eu o puxei pela mão, fazendo com que ele se deitasse no chão, deitando a cabeça em minhas pernas. Eu sentia seu corpo tremer, suas lagrimas molhando aos poucos minha calça jeans. Ficamos por um longo tempo assim, chorando em silêncio, pensando em tudo, até que eu tentei conversar com ele. Afinal eu estava ali pra isso.

- Justin...

- Não estraga Julianna.

- Justin é sério eu-

- Não, Julianna. — Ele me interrompeu, respirando fundo.

- Você precisa de ajuda, Justin.

- NÃO! — Ele se sentou, me olhando. — Eu não preciso de conselhos. Ainda mais de uma gorda que tropeça nos próprios pés.

Senti meu mundo desabar ao ouvir suas palavras. Meus olhos estavam cheios d'água de novo. Me levantei rapidamente, tentando sair dali antes que o choro tomasse conta de mim. Infelizmente não consegui o segurar nem até o espelho, onde havia largado minha mochila.

Me abaixei para pega-la, e tentei caminhar o mais rápido que minha perna permitia, até a porta. Mas Justin foi mais rápido e correu até minha frente, me segurando pelos ombros.

- Desculpa! Desculpa, por favor! Sabe que eu não penso assim. Você é linda e eu só estou atrapalhado, confuso. Me perdoa. Não me deixa aqui, por favor, Juu! — Ele também voltou a chorar, olhando em meus olhos.

- Justin? — Chaz apareceu na porta, por trás de Justin, observando nós dois. Desviei o olhar até meus pés, respirando fundo.

- Melhor eu ir. Desculpe por tudo. Fique bem, Justin.

Contornei Justin, tentando sair, mas ele me puxou pelo braço.

- Volta à tarde. Por favor, Juu.

Fiz com que ele me soltasse. Alternando o olhar entre ele e Chaz.

- Tudo bem eu vou voltar pra resolver algumas coisas. Tchau meninos.

E reunindo todas as minhas forças, sai do banheiro, descendo os andares e por conseqüência, saindo do prédio. Parei na calçada, me virando para o prédio atrás de mim, considerando a idéia de voltar ali ou não. Considerando a idéia de que esquecê-lo poderia ser o melhor pra mim. Ou pelo menos, mais fácil.

Mas quando prendi meu olhar em uma das janelas, do terceiro andar a do banheiro masculino, ele estava lá, me observando. Seus lábios se moveram, parecera um pedido de desculpas. Então eu só dei um sorriso fraco, o devolvendo um "eu vou voltar, me espere".

Mesmo sem saber se seria o melhor pra mim.

Mesmo sem saber se eu realmente o faria.

Notas finais
Eai? Quem aqui já não imaginou algo assim? Eu passo maior parte do tempo preocupada com o Justin, o que tá fazendo, passando, pensando... Sei la, precisei colocar isso na fic. Reviews são bem vindas e garantem mais um capítulo. A gente se vê, beijos. :*