Step Over The Edge

10 Despair, Despair... Suicide


Notas iniciais
Música de capítulo: Nothing Left To Lose (The Pretty Reckless)
x~
"Despair, Despair... Suicide/Desespero, Desespero... Suicídio"
... Mas aquela fagulha não havia sido suficiente.

Meu vício, meu caos, meu desespero.

Três passos.

Escuridão.

Um grito.

Morte.


A infinidade de emoções que me atingiam enquanto eu sonhava era simplesmente inacreditável. Os sonhos pareciam a realidade... E a escuridão me pareceu eterna.

Abri os olhos e olhei para o teto. Com as luzes desligadas e a cortina fechada, viam-se estrelas que brilhavam no escuro e que faziam com que eu me sentisse lá fora, na noite descoberta por nuvens. Límpida, pura, mágica. Era uma sensação que eu precisava sentir em minhas veias de novo. E então lembranças fortes me atingiram novamente.


Um brilho prateado.

Movimento preciso.

Leve cansaço.

Sangue.

Numb.


Me encolhi, ainda deitada, e respirei fundo enquanto tentava esquecer as memórias desses momentos. Ironicamente, eram as memórias mais claras que minha mente havia preservado. Me levantei e abri as cortinas e a janela. O ar fresco da noite gélida me envolveu e me fez sentir saudades de casa. Não com Amélia, mas dos poucos anos no meu país de origem. Ri

Amélia tinha tendências e tomar decisões baseadas em seus impulsos e, por incrível que pareça, nenhum de seus impulsos nunca a levou para caminhos errados. Até que decidiu se mudar para os Estados Unidos. Então ela conheceu Michael. Tudo se perdeu.

Uma súbita vontade de me apoiar no parapeito da janela e saltar me absorveu, mas eu me conhecia bem o suficiente que o que meu corpo e minha mente queriam não era um inocente pulo, era o descanso eterno. Mas que descanso? Eu vivia presa em uma alma atormentada pelos fantasmas do meu passado, sem salvação.

O destino ria de minha desgraça, irônico, jogava em minha cara que eu nunca seria boa... Para ninguém.

Música. Lembrei-me da primeira vez que ouvi aquela voz de anjo pelo rádio. Juro, pensei que decididamente eu me casaria com ele. Ri. Desde aquele dia em diante, as vozes, os acordes, as batidas... A música dele me acompanhava. Agradeci silenciosamente a Deus por Jared ter interpretado erroneamente a minha surpresa quando finalmente o reconheci, quando ele mencionou o Echelon.

Honestamente, o Echelon havia sido minha única família por um longo tempo. Meu irmãos e irmãs nunca haviam me abandonado. Mas eu havia me perdido em meus sonhos e meu desespero.

Decidi. Ele não saberia. Nem que ele havia me salvado do suicídio tantas vezes (praticamente incontáveis, o número era espantoso) e nem que era ele que me manteve viva todos esses anos de desespero. Também não saberia da admiração, do amor... Da emoção, da vida que ele me trazia mesmo quando eu apenas ouvia sua voz no rádio ou via fotos suas em revistas, jornais, sites... Não saberia.

Eu me esconderia em mim mesma como sempre fiz. Era uma promessa.


–Se você não levantar logo eu vou pular na cama. — um voz sussurrou ameaçadoramente em meu ouvido,mas obviamente estava brincando. Um arrepio me subiu as costas, desta vez não de medo. Meu Deus, ele era imensamente sexy e nem percebia.

–Me. Obrigue. -sussurrei de volta, pausadamente. Senti pés ameaçadoramente perto da minhas mãos e, subitamente, a cama começou a se mexer. Meu anjo pulava na cama enquanto eu me encolhia embaixo da grossa coberta que me envolvia.

–Hoje tem ensaio! Entrevista também! Você. Intimada. Vamos. — ele dizia animadamente enquanto pulava. Ele sentou perto de mim e riu animadamente.

–Parece que hoje alguém acordou ligado na tomada. — murmurei, preguiçosamente me levantando. Então me lembrei das roupas com as quais eu havia dormido. Corei e puxei a coberta de volta, esperando que ele não houvesse visto a camisola branca rendada que eu usava quase completamente transparente.

–Não adianta, já vi. — ele gargalhou e sorriu pra mim. -Você é linda. -ele sussurrou antes de sair do quarto. Inevitavelmente senti os cantos de minha boca se repuxarem em um sorriso e corei mais ainda, meu coração se apertando levemente.


Me arrumei de um modo bem simples. Vesti uma calça jeans qualquer, uma camiseta branca com símbolos pretos na frente e vesti um par de tênis Converse All Star preto de cano médio. Saí do quarto e desci as escadas, bocejando.

–Jared, você está enlouquecendo. Não pode ficar obcecado por ela por causa de um sonho aleatório. — Shannon sussurrou.

–Você sabe muito bem que esse não foi o primeiro sonho. — me anjo respondeu em um sussurro. Então me ouviram a medida de que eu me aproximava.

–Bom dia, Moon. — Shannon me cumprimentou, sorrindo. Acenei para ele, meio tímida. Jared se virou para mim.

–Prefiro a camisola. — comentou. Mostrei a língua.

–Seu tarado. — respondi, brincando e abraçando-o. -Bom dia, meu anjo. — sussurrei.

–Também quero um abraço. — Shannon fez biquinho. Abracei-o também e Jared me acompanhou, amassando-nos todos. Comecei a rir.

–Vamos, tome café da manhã que sairemos logo. — Shannon me disse, com um sorriso, enquanto Tomo e Victoria entravam na cozinha.

Notas finais
Ahn.. Sei lá. Capítulo meio estranho/depressivo... Ainda tem muuuuuita coisa pra acontecer.
Conseguiram achar a frase? O que acharam do cap? O que acham que vai acontecer no final da história? ^.^
Keepers of the gate...
Enjoy!
(And please stay out of room 6277)