Steampunk: Do ferro ao sangue
12 C10 - A Batalha Dos Dois Deuses P2 - Final
“ Onde... Estou ? “
As palavras pareciam se tornar sólidas ao seu redor. Martha tinha a visão embaçada, mas sentia que o chão não era mais feito de madeira, era mais frio, úmido. Tentou se levantar, porém a dor em sua cabeça não permitiu movimentos como aquele.
A medida que os minutos passavam a visão ia se clareando e agora percebeu que ainda estava no castelo, em um amplo salão onde duas cadeiras tinha o destaque. Ambas estavam viradas, portanto não podia ver quem as estava usando. O conselho, ou pelo menos o que havia restado dele, estava do outro lado de uma espécie de bancada. Havia um homem que mexia constantemente com algo que estava disposto fora do seu alcance visual.
“ Devem ser as chaves... Mas não faz sentido... Por que eu estou vendo isso ? “
Quando se sentiu forte o bastante para se levantar começou a andar em volta dos dois pequenos tronos, e quando ficou de frente para elas o seu coração parou de bater por um segundo.
“JADE!”
Correu até a garota desfalecida, jogada na cadeira. Tentou reanima-la, para poder ver de novo os dois olhos verdes, mas era como se fosse um fantasma, não podia tocá-la...
“ Isso... Isso não é real... Não pode ser... Estão brincando comigo....”
Começou a andar para trás e quando estava fora do alcance da sombria luz que iluminava as duas cadeiras um barulho alto encheu a sala. Os fios conectados as duas cadeiras começaram a passar energia e algo na bancada onde o conselho se encontrava brilhou intensamente.
“ Não... Por favor... Não...”
Quando o som ensurdecedor cessou os olhos de Martha se encheram de lágrimas. Sua Jade estava totalmente desfigurada.
“ NÃO!”
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Val não sabia direito o que fazer. A Steampunk estava sendo atacada, Emília estava em perigo e ainda não tinham as chaves... O que faria primeiro...?
- Valentina! – a voz de Zachary lhe tirou de seus pensamentos. – Faremos o seguinte, eu voltarei até ao dirigível, você e Mei irão procurar as chaves e resgatar Emília.
Sempre gostou de Zach por ser um garoto com pensamento rápido. Sorriu de lado para ele e concordou com um aceno. Mei se levantou, deixando sua águia em cima da cama do quarto onde se encontrava, despedindo-se em silêncio do seu animal de estimação. Olhou para os dois companheiros e sorriu.
- Daremos o nosso melhor. Vamos conseguir! O Grande Sábio nos protegerá!
Val abraçou os dois e viu Zach sair correndo para o corredor escuro do Forte. Olhou para Mei a tempo de vê-la lançar um olhar para a ave morta. Obviamente estava triste... Mas não havia nada capaz de revogar a morte...
- Mei... Vamos?
A Garota pareceu um pouco surpresa, mas logo voltou a sorrir e tanto a veterana quanto a recruta saíram do aposento.
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Emília sentia frio e muita dor. O cheiro de mar circulava o local e podia ouvir o barulho das ondas se chocando contra as rochas. Sabia onde estavam, logo atrás do Forte Luna, no penhasco perto do mar. Arriscou abrir os olhos e viu Desmond logo mais a frente observando o precipício, sentado na neve.
- Dormiu bem, querida?
O ódio cresceu em seu interior, queria gritar, dizer o quanto odiava aquele ser que debochava da sua atual situação, se pelo menos tivesse escutado Val... Sem perceber lágrimas desceram pelos olhos verdes.
- Não adianta chorar agora, amor. Tarde de mais. – o loiro se levantou e andou até onde a ruiva se encontrava devidamente amarrada e amordaçada. – Devia ter escutado sua amiguinha... Se casar comigo assim, tão de repente, não foi a ideia mais inteligente que você teve, certo? Mas fico feliz que você acordou, estava me sentindo um tanto sozinho aqui, sabe... O conselho me trocou... Que tal conversarmos um pouco, hein, gracinha?
Em um movimento bruto, Desmond arrancou o pano que mantinha Emília calada. Sem nem pensar duas vezes a ruiva começou a gritar alto, se havia alguém naquele forte, com certeza a escutaria.
- Não, não, não, querida... Vou ter que te ensinar boas maneiras? – o loiro estapeou sonoramente o rosto de Emília, que cuspiu o sangue na neve branca. – Poderíamos ter evitado isso, certo?
- Que você... Queime... Desgraçado...
- Ah, não me leve a mal. Acho que te devo certas explicações, certo? Sobre os planos do conselho e por que logo eu. Como já deve estar pensando, toda a minha entrada na Steampunk foi um plano, meu tio e eu queríamos manter a organização sobre vigilância, pelo próprio bem do Conselho. Todos caíram tão bem na armadilha, mandaram Joe pra fora, sozinho... Ah, não, não chore, boneca... Isso não vai adiantar nada agora... — A cabeça de Emília estava em caos, haviam culpado o homem errado... Haviam exilado Joe injustamente... Desmond riu da situação da garota – Hey, não fique tão triste ok? Já, já sua amiguinha chega aqui com as chaves, eu te solto e tudo vai ficar bem, certo?
- Val ? Por que você quer as chaves? Você não estava com o consel....
- Aqueles malditos... – a expressão do homem mudou de irônica para raivosa – Me trocaram, não me acharam confiável o bastante... Mas agora irão ver, eu mesmo vou criar minha própria Nixxa...
- Tro...caram ? Por quem...? – Emília olhou para o loiro com desespero, rezando para que estivesse errada.
- Exato, lindinha. Pietro agora pertence a eles.
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Encarava o chão. Não queria olhar para cima, sabia que ali sentada estava sua Jade, morta. O conselho parecia rir ao seu redor, não conseguia se mexer, a dúvida que pairava na sua mente lhe torturava.
“ Isso é... Real ? “
As risadas continuavam, pareciam mais altas agora, como se estivesse cercada por muitas pessoas. A sua cabeça doía, não conseguia segurar as lágrimas e a culpa por não ter chegado a tempo lhe corroía.
“ Martha ? Martha, se levante, olhe para a frente, LUTE!”
A última palavra ecoava, não era a voz de Jade, as risadas cessaram e apenas o eco reverberava o espaço. Um misto de duas vozes, masculina e feminina.
“ LUTE! Lute por nós, por todos, pela paz! Lute por nossa filha, lute pelas almas, pobres almas mortais! LUTE, MARTHA, COMANDANTE DA STEAMPUNK! LUTE PELA HUMANIDADE.”
• • •
Ouviram um grito feminino, agudo. Val ficou em alerta, empunhou sua arma, o som tinha vindo de fora do Forte.
- Estão no penhasco, Val. — Mei disse, soando preocupada.
- Precisamos cuidar da Steampunk... Mas... Emília... – Val estava dividida, precisava socorrer os companheiros, mas não podia deixar a ruiva sozinha.
- Val... – Zach se aproximou e olhou compassivo para a veterana. – Eu e a Mei vamos voltar para o dirigível, controlar a situação e pedir ajuda, você resgata Emília. Será melhor assim já que não conseguimos achar a comandante...
Valentina concordou e em poucos minutos começou a correr para fora do castelo, precisava achar a ruiva e Desmond, fazer com que ele pagasse pela traição e por todo o sofrimento que causou. Era uma questão de honra.
Apesar do frio e de toda a neve a veterana da organização sentia o seu sangue ferver, não podia acreditar que aquele cretino pudera fazer com que tudo desmoronasse, não só na Steampunk como em sua vida pessoal.
“ Você vai pagar, maldito.”
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Martha sentia frio, em algum lugar uma janela aberta deixava o ar gélido de inverno entrar. Ouvia uma voz feminina cantar uma canção de ninar que havia ouvido a muito tempo, quando sua mãe ainda vivia e quando o tempo era calmo e guerras não existiam.
“ Ascenda sua lanterna. Tire o sal de sua ferida.
Naveguemos meus amigos. Por entre a luz da Lua.
Tantos reis em seus tronos altos.
E o povo pouco importa, continuam a chorar.
É um tempo traiçoeiro. Que nos leva ao céu azul.
Ascenda a sua lanterna...”
Abriu os olhos, conseguia ver Liam e Jaafar estirados no chão, todos com expressões de dor. Parece que estavam enfrentando a mesma coisa pelo que passou, memórias. Mexeu a cabeça com cuidado para não fazer barulho, Alexei havia caído. Por sorte acertou um dos tiros.
Martha se levantou devagar enquanto a música ainda continuava a ser cantada. Nixxa parecia distraída, talvez por isso não percebeu que perdeu o controle da mente da comandante. A mulher olhou para a varanda aberta de onde o vento gélido entrava, lá estava ela sentada a um empurrão do vão.
Se aproximou aos poucos da androide, silenciosa. E quando chegou perto o bastante ela parou de cantar. Ainda estava de costas para Martha, mas parecia saber que ela estava lá.
- Me surpreende que você ainda se lembre dessa música... – a comandante engoliu em seco, deu mais dois passos – Adeus, Jade...
Sem muito esforço empurrou Nixxa que caiu do Forte, não se ouviu sequer um grito, apenas o barulho do impacto da androide com o solo.
Estava feito.
Não olhou para o rosto dela. Tinha medo de encontrar qualquer semelhança com sua Jade.
Havia matado Alexei, portanto Nixxa devia ter morrido com o impacto.
“Acabou.“
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- MARCO! FORAM DIZIMADOS! PELO GRANDE SÁBIO...FORAM DIZIMADOS.
O garoto olhava fixamente para o vidro que mostrava a cena mais absurda que já havia visto em toda sua vida. Havia dezenas de corpos ao chão e agora os grupos que haviam lutado juntos matavam uns aos outros. Era insano.
- Luna... Me ajude...
Levou as duas mãos a cabeça, tentando pensar em uma situação. Foi quando sua irmã entrou.
- Marco, Marco...Olhe...Eles estão...
Levantou o olhar novamente. Parecia que aquela onda de insanidade havia passado e os membros restantes de todo o massacre haviam voltado a si, mas isso resultou em um caos pior ainda. Estavam vendo o que haviam provocado.
- Vamos descer! Parece que voltaram ao normal...VAMOS! Contem os corpos, vejam quem ainda vive e... Prendam o grupo que atacou... Não podemos mais correr... Riscos...
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Valentina se encolheu atrás de uma das várias rochas do penhasco. Podia visualizar Demond e Emília perto do precipício e Mattia jogado de bruços na neve próximo de onde estava. Não sabia se o jovem respirava.
O ódio que nutria pelo loiro só aumentou.
Passou de pedra em pedra se aproximando mais do recruta e percebeu que ainda estava vivo. Depois de um tempo pareceu ter uma ideia sobre o que fazer para resgatar Emília mesmo não tendo as chaves. Agarrou a bolsa marrom que carregava consigo contendo papéis de carta, tinta e curativos e se ajoelhou escondida perto do corpo do jovem.
- Mattia... – chamou sussurrando, rezando a ambos os Deuses para que ele conseguisse lhe ouvir. – Mattia... Preciso de sua ajuda!
Os olhos verde musgo se abriram, estremeceu um pouco com frio fazendo com que os cabelos loiro esbranquiçados se mexessem.
- As ordens, Val.
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- Desmond!
O loiro se virou e sorriu. Finalmente ela havia chegado. Valentina esboçava uma expressão de puro ódio.
- Trouce as chaves, presumo. Sabia que viria, Emília é preciosa de mais para se perder, certo?
- Venha pegar as chaves e deixe ela em paz.
- Ah, por favor... – o loiro riu em desdém. – Eu que dou as ordens, Valentina. Ande até aqui e me entregue o que eu quero!
Val começou a andar até o loiro, deu uma olhada para onde Mattia deveria estar deitado e percebeu o lugar vazio. Diminui o passo, o plano estava sendo posto em prática. Em poucos minutos Emília estaria livre.
- ANDE! Ou se não ela pagará! – Desmond apontou a arma que segurava para o lugar onde a ruiva estava. Não se virou e Val agradeceu mentalmente aos Deuses por isso.
Mattia desamarrava as cordas com pressa, mas mesmo assim parecia demorar um século para desatar cada nó. Seus movimentos estavam comprometidos devido a ferida que Desmond havia lhe feito. Val estava tentando retardar a entrega dos objetos falsos dentro da bolsa, mas parecia impossível, a distância era muito curta.
Os olhos azuis do loiro brilharam em pensar o que poderia fazer quando tivesse as chaves em mão. A ganancia lhe consumia. Finalmente a veterana da organização lhe entregou a bolsa e quando a pegou não hesitou em abri-la.
- Mas o que... ? O QUE É ISSO?
Desmond despejou os tinteiros, papéis e penas na neve, manchando tudo com nanquim preto. Quando se voltou para trás viu Emília livre e ajudando Mattia a se levantar.
- ACABOU, DESMOND!
- Não, minha querida, ainda não.
O homem empunhou sua arma de fogo e se virou novamente para Val, esta também lhe ameaçava com uma arma, aquela feita por Emília especialmente para ela.
Ouviram-se passos e logo alguns membros da Steampunk surgiram de trás do castelo. Entre eles Zach e Mei. Val se virou e sorriu, mas antes que pudesse se voltar de novo para encarar os olhos azuis de Desmond este a agarrou por trás e puxou para si, apontando a arma para sua cabeça.
- Nunca dê as costas para seu inimigo, Val. Não importa o quão fodido ele esteja. — O loiro segurou com força a veterana e puxou-a até o precipício do penhasco. – EU QUERO AS CHAVES! SE NÃO, ELA MORRE!
Emília gritou e Mattia segurou o seu braço evitando que a ruiva corresse para Val. A veterana da Steampunk olhou de canto e viu as lágrimas correrem pelo rosto da amada. Sorriu. Sabia que eles não tinham outra escolha. Não entregariam as chaves, até por que não sabiam onde estavam. Ouviu o barulho das ondas que batiam na encosta ficar mais alto à medida que Desmond ia se aproximando do desfiladeiro.
- Você tem razão Desmond... – disse Val, ainda sorrindo, já empunhando sua arma novamente – Nunca... Jamais... Em nenhuma hipótese... Dê as costas para seu inimigo. Vocês podem acabar... – Apontou a arma para trás, mirando a cabeça do loiro – Morrendo juntos.
O disparo foi fatal, um onda de luz se fez presente. Desmond caiu do desfiladeiro para o mar ainda segurando Val. Gritos foram ouvidos, passos apressados, um rosto familiar se aproximando do penhasco.
Tudo em vão.
Enquanto Val caía sentia o cheiro salgado do mar lhe envolvendo. Havia feito certo, tinha valido a pena. Emília sentia por ela, e isso lhe bastava para sorrir.
Fechou os olhos e o impacto com a água aconteceu. Era frio e violento. As ondas pareciam frustrar qualquer chance de subir e obter algum ar. Em poucos minutos estava se afogando, ardia... Mas estava bem.
Havia terminado ali sua aventura.
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Passaram-se várias horas desde aquele deplorável acontecimento. Emília continuava ali. Olhando fixamente para as ondas batendo nas rochas. Via a Steampunk vasculhando o local com barcos, mas sabia, não a encontrariam.
- Emília...
Ouviu a voz de Jaafar e se virou. O Moreno estava bem mesmo após o que havia passado. Ele andou até a ruiva e se sentou ao seu lado.
- Não vão acha-la.
- É... Eu sei...
- Crê que esteja viva?
- Bem... – Jaafar demorou um tempo para responder, olhou para o mar que se estendia a frente. Logo após sorriu. – ‘Tá brincando ? A Val não ia morrer tão fácil assim...
Emília olhou para ele, tinha razão. Valentina, a encantadora, nunca morreria em uma cena tão dramática como essa. Não nas mãos de alguém tão desprezível. E em segundos estava chorando. Jaafar não se mexeu, não a confortou, a ruiva precisava encarar sua própria culpa, assim como ele tinha feito.
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“ Nixxa... Já chega... Acorde!”
Abriu os olhos. Se encontrou cercada de neve, não sentia frio, não sentia dor. Fez certa força para se levantar. Olhou para seu braço que jazia imóvel a alguns metros de distância, quando chegasse ao local indicado por sua mãe, consertariam aquilo. Pôs-se de pé e bateu em seu vestido com sua mão restante para tirar a neve. Arrumou seus cabelos e olhou em volta.
Agora a paisagem que havia visto pela janela lhe cercava.
Pegou seu braço e se encaminhou para a floresta, andando normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Em seus pensamentos, uma velha cantiga continuava a ser cantada.
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Notas finais
Bem, agora é aguardar a segunda temporada né pessoal ? Foi quase um ano inteiro escrevendo essa fic xD Mas na minha opinião valeu muito a pena!
Eu particularmente acho a SEASON2 bem melhor que a 1. Vamos ter zilhões de personagens novos e um foco maior em Acaiah e Joe ♥
Enfim, agora que a SEASON1 acabou, deixem review falando sobre suas expectativas, personagens que mais gostaram, ships ( hu3 ).... o importante é que me mandem a opinião de vocês
Espero que tenham gostado e até a próxima temporada ♥
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