Steal Your Heart AU
6 Uma Primeira Má Impressão
Notas iniciais
Marinette
Bem, depois de me despedir das minhas amigas eu tive que correr para as escadas do prédio para ver se conseguiria chegar a tempo na minha sala. Não funcionou. No terceiro andar eu já estava toda esbaforida me apoiando no corrimão da escada de piso escuro. Ai você deve pensar: “Nossa, como você é sedentária Marinette!”. Não minha gente, se fosse isso eu até poderia concordar com vocês, mas eu não sou sedentária, não. Isso é uma das consequências de uma pessoa que praticava artes marciais durante todos os dias de aula do ensino médio durante três anos, e que passou apenas trinta dias de férias, mas que foi o suficiente para me tirar de forma totalmente.
— Jesus, ainda falta muito pra eu morrer? – resmunguei já ofegante e, assim, talvez, eu estivesse mesmo morrendo ali. Passei a mão pelo meu rosto e procurei alguma coisa que indicasse que eu já estava pelo menos um pouquinho perto da minha classe de Design de Moda. – Gente, se todo dia for assim para chegar na minha sala então eu vou ficar fitness rapidinho, não vou nem precisar mais de academia.
Pensei rápido: se eu já estava no terceiro andar e do lugar na escada que eu estava só dava pra olhar só mais um patamar, então a minha sala de aula só poderia estar lá. Respirei fundo e tentei me recompor, enquanto subia as escadas – que eu realmente queria que fossem as últimas. Logo algumas vozes se tornaram mais altas e eu percebi que deveria ser a minha sala mesmo. Quando cheguei lá encima tive mais que uma surpresa. Só tinha uma sala de Design de Moda e ela ocupava a maior parte do quarto e último andar daquele prédio. Mas o que me chamou mais a atenção foi ter encontrado ele ali.
O mesmo loiro que estava me olhando durante a competição de Just Dance na festa de ontem!
O que ele estava fazendo ali? Quero dizer, achava que não encontraria tão facilmente com ele dentro daquela universidade tão grande. Bem, não que eu não quisesse me encontrar com ele, eu não sou tão atirada como a Alya e como eu já disse eu não ligo pra esse tipo de coisa na vida, eu só...
— Hey, Marinette não é? – uma voz perguntou atrás de mim e eu quase dei um pulo. Ok, talvez eu meio que viajei um pouco e não vi aquele loiro magia se aproximando por trás. Afinal, de onde foi que ele brotou produção?
— Hã... Sim, até onde eu sei esse é o meu nome. – respondi um pouco sem jeito. Para me surpreender mais um pouco naquela linda manhã de primeiro dia de aula ele deu uma gargalhada. Jesus, que dentes perfeitos! Tive que dar um sorriso envergonhado e olhar para outro lado pra disfarçar o que eu estava pensando.
— É um belo nome. – o loiro continuou e eu arqueei as sobrancelhas em resposta. – Combina com a dona. – aquilo era um elogio ou eu deveria entender como algo a mais?...
Cruzei meus braços e encarei aqueles olhos verdes a minha frente. Provavelmente aquele cara devia achar que eu sou uma piriguete qualquer que ele consegue impressionar de primeira impressão e ficar com ela de primeira. Bem, se aquele raciocínio ridículo era a única arma dele para imaginar me conquistar eu iria provar que ele estaria bem enganado sobre mim.
— Acho que só o meu nome não diz muita coisa sobre mim. – comentei sem quebrar nossos olhares. Balancei a cabeça. – Se fosse assim então muita gente não leria muitos livros bons que são necessários e que tem um nome ruim. – ele deu sorriso de canto e enfiou as mãos nos bolsos.
— Como diz o ditado: “Não se pode julgar um livro pela capa”. – respondeu enquanto o observava a me medir de cima embaixo. – Então não posso julgar você pela sua aparência... Bem, você parece ser muito mais do que aparenta Marinette.
— Sei. – soltei e rapidamente acrescentei: — E o que te faz pensar isso, garoto? – indaguei fechando o rosto, aguardando mais algum comentário galanteador que aquele cara iria mandar.
Ele deu um sorriso largo e tirou uma das mãos do bolso, levando ao rosto pensativo.
— Você me parece ser alguém inteligente, reservada e corajosa. – estreitei os olhos enquanto ele continuava a falar. – Além disso, é muito bonita, tem olhos que parecem um pedacinho do céu e um sorriso incrível. Sabe muito bem – ele disse se aproximando um pouco e fiquei de olho nas suas intenções. Ah gatinho, não vai ser tão fácil assim não. — como impressionar os homens.
Ah, então ele achou que era só chegar em mim com um papo desses que eu iria cair ali, me derretendo nos braços dele, que nem uma garota sem cérebro? Ah, palhaço! Ele veio pra cima de mim com todo aquele charme sedutor e eu logo afastei ele pra longe com apenas o meu dedo indicador. A cara dele foi tão confusa e surpresa pela minha atitude que me permiti sorrir também. Um sorriso provocador, só de raiva – vingativa? Só um poucão.
— Disse bem. – concordei com uma expressão sarcástica. – Eu impressiono, mas não sou tão fácil de conquistar como você pensa que sou.
Ahá trouxa, eu não sou dessas. Bem nessa hora a professora entrou na sala, então tratei de ir pra lá também. Mas foi o tempo de dar só alguns passos.
— Hum... Corajosa. – ele repetiu e voltei a encará-lo, atenta. – As últimas garotas que enfrentaram Jacqueline não queriam nem passar pela entrada da facul.
Ah, eu sabia que tinha alguma coisa por trás daquela carinha de príncipe perfeito.
— Não será uma garota mimada que vai me intimidar. – rebati fechando a cara e analisando aquele garoto melhor. – E pelo visto, um filhinho de papai e mulherengo que nem você também não.
Teria que compartilhar a mesma classe com aquele babaca que fica com todo mundo pelos próximos quatro anos da minha vida, mas pelo menos já tinha colocado ele no seu devido lugar: bem longe de mim.
***
Alex
Eu cheguei na faculdade bem cedo naquela manhã, porque fui arrastado por aquele idiota do Agreste e do Lahiffe. Bom, já que eu tô aqui então deixe-me apresentar o loiro de olhos castanhos mais lindo e invejável que você já viu em toda a sua vida: eu. A loira da Bourgeios me chama de Zuberg, e eu já mencionei o quanto eu gosto daquela garota mimada? Digamos que não temos nada sério – e eu também não quero nada me amarrando e deixando de ser feliz, vou confessar -, porém sempre que eu procuro por ela, nós temos uma noite incrível. Falando nela, enquanto eu atravessava o corredor indo pro meu armário acabei lhe encontrando mexendo nas coisas do armário dela.
Cheguei pelas suas costas e lhe abracei pela cintura, sorrindo quando percebi a sua surpresa.
— Sentiu saudades de mim, loira? – perguntei baixo enquanto lhe dava um pequeno beijo na bochecha. Ela balançou a cabeça e continuou a mexer nas suas coisas, me ignorando. Dei um passo para trás e me apoiei no armário ao lado, lhe encarando. – O que foi Bourgeios? O cabeleireiro desmarcou com você hoje cedo?
Quase levei um susto quando ela simplesmente bateu aquela portinha de metal com toda a força e me lançou um olhar raivoso. Tudo bem, eu admito que eu fiquei assustado com aquela cara tão linda me olhando daquele jeito.
— E-ei, porque tá me olhando desse jeito? – indaguei nervoso. Ela estava praticamente quase explodindo bem ali na minha frente.
— Onde é que você estava ontem que não podia vir até a festa da universidade? – Chloé perguntou e eu podia ver o esforço para não começar a gritar comigo. Suspirei.
— Eu estava em casa. – respondi, com um revirar de olhos. Não era óbvio?
— Você estava de ressaca. – ela me corrigiu e eu encostei minha cabeça no metal frio do armário que me encostara. Pronto. Ela iria continuar com aquele papo. – Porque será, não é Alex? Será que é porque você estava enchendo a sua cara numa boate qualquer de novo? Ou porque você estava se engraçando mais uma vez com umazinha qualquer que te seduziu dentro de uma casa noturna? – abaixei o olhar e continuei quieto. Ela bufou e cruzou os braços com alguns livros que provavelmente iria jogar para Sabrina carregar. – Olha aqui Alex, eu gosto de você e isso não é novidade. Mas se for para continuar desse jeito, se você continuar não se importando com a minha preocupação com essa sua vontade louca de beber e fazer o que te dá na telha então eu sinto muito. Nós dois sabemos que homem e mulher disponíveis não são um problema.
Viram como é a nossa “relação”? Não temos nada e temos tudo ao mesmo tempo. Eu estava errado e por mais que não quisesse dar o braço a torcer, a Bourgeios estava certa. Pode não parecer, mas eu me importava muito com ela. Era a loira que mais mexia comigo e eu não gostava nem um pouco de magoá-la com as minhas atitudes... Um pouco impulsivas às vezes.
Ela já havia se afastado bastante de mim, mas decidi deixar o meu orgulho de lado e fui atrás dela. Como imaginava Sabrina estava do lado dela enquanto a loira falava com alguém no telefone. Pensei que poderia ser Jacqueline, mas preferi não perguntar. Ela estava chateada e visivelmente irritada, porém eu já tinha visto coisa muito pior desde que a conheci no ano passado, quando nós dois entramos na faculdade. Ela cursava economia e eu estava no segundo ano de engenharia civil. Até nisso nós combinávamos.
— Eu estou atrasada e você sabe como meu professor é um idiota com os horários. – ela reclamou com a cara fechada e eu dei uma gargalhada.
— Você mais do que ninguém não deveria se preocupar com essa coisa de horários. – apontei andando de seu lado e encarando o corredor por onde passávamos. – Você é a Rainha da Escola, Bourgeios. Se você dissesse que comer um pedaço da parede é gostoso, todo mundo iria comer.
Ela revirou os olhos e continuou me ignorando. Eu precisaria apelar mais um pouco.
— Ok, desculpa, tá legal? – disse balançando as mãos e parando á sua frente. – Eu tô errado. Eu fiz muita merda e eu fui um completo idiota em ter enchido a cara anteontem. Me desculpa. – finalizei contra a minha vontade.
Acho que ela percebeu e começou a fazer drama. Aquela loira folgada simplesmente virou o rosto com o famoso biquinho de birra que fazia. Ela estava me provocando e achava que eu iria desistir.
Ah, como ela estava errada.
— Ah, agora ela vai ficar fazendo biquinho pra mim. – zombei com a voz de criança. Ela estava se segurando para não rir. – Se ela soubesse como ela fica linda com esse biquinho ela não iria ficar tão brabinha comigo. Dá um sorriso pra mim vai loirinha. – pedi encarando aquele rosto que sempre iluminava o meu dia. Ela deu um sorrisinho de canto e me encarou menos irritada do que antes. – Ah, meu Deus que perfeição da natureza. – brinquei arrancando um beijo dela com uma grande satisfação.
Ficamos ali uns cinco minutos até ouvirmos o sinal tocando, nos avisando do horário de entrada. Precisávamos ir logo para a sala ou então levaríamos uma advertência por estar fora da classe.
— Você é um idiota Zuberg. – a ouvi reclamar enquanto caminhávamos em direção a sala de aula no final do corredor. Sorri.
— O seu idiota Bourgeios. – rebati e lhe beijei uma última vez antes de cada um ir para a sua sala. – Te vejo mais tarde. Quem sabe... A gente não dá uma volta no seu apartamento?
Ela piscou e encarei a classe de engenharia a minha frente.
Hoje o meu dia seria ótimo.
***
Adrien
A primeira aula daquele ano já estava praticamente começando quando eu a encontrei. Era a mesma garota que eu estava observando no auditório no dia anterior e eu simplesmente não podia imaginar a tamanha sorte que tivera quando descobri que uma tal de Marinette estava na mesma sala do que eu. Nunca pensei que diria isso, mas foi até bom Jacqueline ter arrumado uma briga com aquela garota. Eu havia descoberto duas coisas de uma vez só. A primeira era aquele nome tão diferente e, bom, a segunda era que aquela garota tinha muita ousadia. Pelo visto era uma caloura e ainda não conhecia o estilo de mandona arrogante da melhor amiga da Chloé. E pelo visto ela tinha se tornado amiga do Diego, já que tudo tinha começado por causa dele na competição de Just Dance.
Nada que uma boa aproximação sua para conquistar aquela garota rebelde num rosto de anjo.
Ela estava meio distraída então aproveitei aquela oportunidade para chegar nela e iniciar uma conversa.
— Hey, Marinette não é? – perguntei, acho que a assustando um pouco. É, realmente ela estava distraída. Ela deu um sorriso envergonhado e balançou um pouco a cabeça.
— Hã... Sim, até onde eu sei esse é o meu nome. – ela respondeu, e eu notei que ela estava um pouco sem jeito. Quis quebrar aquele gelo e acabei dando uma gargalhada para diminuir um pouco a vergonha que ela estava sentindo. Ela desviou o olhar e decidi continuar com aquele assunto.
— É um belo nome. – disse e a observei arquear as sobrancelhas levemente. – Combina com a dona. – elogiei com um sorriso sem mostrar os dentes.
Acho que disse alguma coisa que deixou ela desconfortável. Ela simplesmente cruzou os braços e me encarou fixamente com aqueles olhos azuis hipnotizantes e... O que eu estava falando mesmo?
— Acho que só o meu nome não diz muita coisa sobre mim. – comentou sem quebrar nossos olhares, balançando a cabeça. – Se fosse assim então muita gente não leria muitos livros bons que são necessários e que tem um nome ruim. – dei sorriso de canto e enfiei as mãos nos bolsos.
— Como diz o ditado: “Não se pode julgar um livro pela capa”. – respondi enquanto deixava meus olhos admirarem aquela obra de arte a poucos centímetros de distância de mim. – Então não posso julgar você pela sua aparência... Bem, você parece ser muito mais do que aparenta Marinette.
— Sei. – ela soltou e rapidamente acrescentou: — E o que te faz pensar isso, garoto? – ela indagou fechando o rosto.
Meu Deus, ela ficou ainda mais bonita séria. Será que estava tão na cara assim que aquela garota tinha me chamado a atenção? Acho que acabei dando um sorriso largo demais para uma primeira impressão então enfiei as mãos nos bolsos da calça jeans que estava usando. Ela estava no papo. Mais um pouquinho de charme e enfim eu conseguiria saber se aquela boca era tão gostosa de beijar quanto a dona era linda e perfumada.
— Você me parece ser alguém inteligente, reservada e corajosa. – disse analisando o cabelo curto que estava, ao mesmo tempo, perfeitamente arrumado e despenteado até a altura dos ombros. – Além disso, é muito bonita, tem olhos que parecem um pedacinho do céu e um sorriso incrível. Sabe muito bem como impressionar os homens. – arrisquei minhas fichas e me aproximei da morena devagar.
Por mais incrível que pareceu para mim, eu não senti nenhum beijo apaixonado e que eu queria ter achado. Pelo contrário: eu senti uma grande distância me separando daquela tal de Marinette e fiquei confuso quando percebi que foi ela mesma que me afastou, empurrando meu rosto com um dos dedos. Para a minha surpresa agora ela é que estava sorrindo. Um sorriso provocante que me irritou profundamente.
— Disse bem. – ela concordou com uma expressão sarcástica. – Eu impressiono, mas não sou tão fácil de conquistar como você pensa que sou.
Ela podia ser bonita, mas agora eu não sentia nada menos do que raiva. Bem nessa hora a professora entrou na sala, então ela tratou de ir pra lá também. Mas foi o tempo de dar só alguns passos.
— Hum... Corajosa. – repeti com a voz distante e rapidamente ela voltou a me encarar, atenta. – As últimas garotas que enfrentaram Jacqueline não queriam nem passar pela entrada da facul.
Ela pensou que seria fácil assim me negar e sair andando normalmente?
— Não será uma garota mimada que vai me intimidar. – ela rebateu me medindo de cima a baixo, como tinha feito antes. – E pelo visto, um filhinho de papai e mulherengo que nem você também não.
Ok, “Marinette” você acaba de arrumar um inimigo que não vai desistir até que você esteja nos meus braços. Acha que é apenas um não que vai me impedir de insistir em você? Pois bem, você passou longe.
Enquanto entrava na sala já pude perceber que aquele ano estava sendo bom demais comigo: o único lugar vago para que eu pudesse me sentar estava do lado da mestiça.
Coincidência? Eu acho que não.
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