Notas iniciais
Oláááááaáááá, tudo bem com vocês? Capítulo novo baseado em uma fanfic de um amigo que "emprestou" em um possível AU pra mim. Link nas notas finais. Boa leitura. Capítulo postado dia 14/04/2018, ás 22:38.

Diego

Era uma quarta-feira de manhã e a aula de medicina de hoje estava acabando. Estávamos num dos módulos mais complicados – e que particularmente eu odiava – do curso: fisiologia. Sei que muitos não vão entender o meu nervosismo e alguns também nem tem ideia do quão complicado isso é, portanto suponho que no mínimo vocês já ouviram falar de alguma coisa sobre genética, não? Vamos partir desse conceito então: a genética é parte da ciência que estuda todas as características hereditárias através das gerações, ou seja, as nossas características que temos em comum com nossos pais ou, até mesmo de parentes da nossa família. Agora imagine isso em nível do próprio capeta em pessoa, onde os professores botaram um montão de informações soltas importantes em slides que você nem faz ideia se vai cair nas provas ou não, e que, por crueldade do destino, precisa copiar tudo no seu caderno desde as sete e meia da manhã. Bem, agora vocês devem entender como eu estou louco pra sair dessa sala e ir embora pra casa.

“Mas fazer o que Diego?”

Dormir é claro! Imagine quantos neurônios eu não queimei só no primeiro dos slides? Eu mereço um descanso.

O sinal de algum lugar da universidade tocou e eu deixei um suspiro de alívio sair.

— Estão dispensados alunos. – meu professor disse, começando a desligar a lousa digital e a recolher suas coisas, sem dar muita importância pros outros que faziam o mesmo e corriam da classe.

Olhei pro relógio prata em meu pulso esquerdo. Quinze pras seis horas da tarde. Jacques deveria estar saindo da sala também. Ele fazia curso de Educação Física e passava mais tempo na quadra de esportes que dentro de uma sala com o resto da turma e a gente sempre se encontrava pra ir embora junto porque ele morava perto da minha casa. Joguei minha mochila sob minhas costas e fui em direção do campo de futebol, do outro lado da universidade. No meio do caminho eu avistei Marinette e dei um pequeno aceno. Ela acenou de volta com um sorriso e foi embora, junto com suas melhores amigas. Balancei a cabeça e continuei minha caminhada. Desde que conhecera aquelas garotas minha vida tinha virado de cabeça pra baixo. Num bom sentido, é claro.

Tipo, eu nunca iria imaginar que algum dia eu poderia enfrentar a Chloé. E cara, eu enfrentei! Vocês sabem o quão imprevisível eu fui fazendo isso? Não que eu me glorie por isso, pelo contrário. Eu odeio violência. Prefiro mil vezes resolver as coisas numa conversa amigável do que simplesmente partir pra briga como aquela louca da Marinette fez.

Ah, mas também não é pra tanto. Aquela treta tava muito mais emocionante do que uma boa partida de Undertale.

O que é que eu estou dizendo?! É claro que foi péssimo para uma garota bacana como a Mari. E lógico, nada se compara a uma boa partida de Undertale. Melhor jogo que eu já joguei na minha vida e eu dizendo isso? Que heresia!

Se bem que a Jacqueline merecia por ter começado a briga. É isso ai, ela tava precisando mesmo de uns bons tapas por toda aquela arrogância mesquinha.

Bem, realmente aquela megera patricinha e mimada merecia uma boa dose de realidade. Como se o mundo girasse ao redor dela! Bufo me lembrando de todas as brincadeirinhas e principalmente tudo o que aquela infeliz me fez passar. Apesar de não querer admitir em voz alta fico feliz de ter interferido aquela palhaçada toda que a Jacqueline obrigou a Chloé a fazer. Mesmo sabendo que em algum momento não vou poder fazer isso de novo é muito bom saborear a “imunidade” que possuo. Minha mãe é uma das mais conhecidas e renomadas médicas da atualidade, Camille Rodríguez Broussard. Ela também dá aulas em universidades, mas agradeço a Deus por não conviver meu dia-a-dia com ela durante sete dias por semana. Não me leve a mal, eu amo a minha mãe, mas o problema é que às vezes ela quer que eu seja perfeito em tudo. Tudo mesmo. Mas enfim, graças a ela o trio riquinho e mimado da universidade não pode chegar tão perto de mim.

Já pensou manchar a reputação de um grande empresário de cosméticos como o pai de Jacqueline? Ou um dono de hotelaria que corre no mundo? Imagina o bafão que acabaria com o império de Gabriel Agreste se o filhinho caçula e favorito dele?

— Ei cara! – ouvi Jacques me chamar no fim da arquibancada do campo de futebol da universidade. Ele estava agasalhado e provavelmente tinha acabado de sair dos chuveiros. – Você não vai acreditar!

— Você quase arrancou um olho do time adversário quando ele ia fazer um gol de novo? – questionei com uma sobrancelha arqueada. Ele gargalhou apertando minha mão com o nosso costumeiro toque e seguindo o caminho de onde eu viera.

— Não, é melhor ainda. – ele respondeu rapidamente. – Fiquei sabendo que uma garota do intercâmbio vai parar lá em casa por um tempo. – arqueei uma sobrancelha e ele deu ombros. – Nem me pergunte como porque eu só fiquei sabendo hoje. Digamos que minha mãe se preocupa demais com a segurança de Paris e de menos com a minha, e simplesmente colocando uma estranha de outro país dentro da nossa casa.

— Bom, contando que ela não seja de nenhum país que mate ou exploda pessoas por diversão, cara você vai ficar bem. – brinquei sem segurar o riso desengonçado. Ele revirou os olhos rindo junto comigo. – De onde ela vem?

— Minha mãe me disse que vem do Brasil. Alguma vez você já chegou a procurar imagens de mulheres brasileiras? – Jacques me perguntou e eu balancei a cabeça. Só faltava ele começar a babar andando. – Elas sabem mexer cara! O quadril, as pernas, os braços... Sério, acho que nunca fiquei tão feliz de ver alguém estranho do intercâmbio no lugar onde eu moro.

— Eu ouvi falar de que ninguém supera o povo brasileiro no... Qual era o nome mesmo? – ah, eu não acredito que me esqueci! – Samfa.

— Samba Diego, samba. – Jacques corrigiu e eu estalei a língua.

— Tanto faz, você me entendeu seu gnomo de jardim. – reclamei e apertei meu passo. Já estávamos chegando na porta da universidade.

— Ai, o Dieguito tá nervosinho! – ele me provocou imitando a voz de Jacqueline.

Quando estava prestes a mandar aquele idiota praquele lugar por me chamar do apelido que eu mais detestava no mundo eu congelei. Lá estava ela. Indo embora assim como eu e meu melhor amigo. Lila. Lila Rossi, a italiana mais cobiçada e mais odiada de todo o François Dupont. Por quê? Bem, vou explicar... Há muitos boatos envolvendo ela. Alguns dizem que é porque espalhava que conhecia famosos do exterior. Outros dizem que é porque ela tentou ficar com o Adrien e como não conseguiu saiu espalhando que eram namorados a muito tempo e ela não queria mais. Outros ainda que dissera ser a melhor amiga de Chloé e conhecê-la antes mesmo de Jacqueline ou Adrien. Entre outros bem mais cabeludos que não vou citar por causa do horário. Ainda sim, com tudo isso, eu não posso negar que essa garota é linda. Um corpo verdadeiramente escultural; um cabelo maravilhosamente castanho e esvoaçante; olhos verdes tão vívidos que lembram a grama mais verde e bem cuidada que se possa imaginar e de quebra ainda possui uma beleza digna de uma sereia. Pegue a Ariel de a Pequena Sereia e multiplique por dez. Essa é a Lila. Sério, vocês nunca vão entender como ela é bela! Imagine que mãe ela poderia ser, como seria nossa família? Poderíamos ter três filhos, uma casa grande com piscina, dois cachorros e até mesmo um gato...

Para de viajar na maionese seu babaca! Já se esqueceu do que sua mãe sempre te disse? “Primeiro os estudos, depois namoricos que não vão te levar a lugar nenhum”.

Uma cotovelada nas minhas costelas me trouxe de volta a realidade. Me virei para devolver o gesto quando fui prensado num abraço de urso por uma garota. Me assustei, porém logo me lembrei que só tinha uma que seria louca o suficiente pra fazer isso e brotar das profundezas.

— Tuggi, você tá me asfixiando... – grunhi tentando inutilmente respirar entre os braços firmes e animados da minha prima.

— Implore por misericórdia ou morra escória Jedi. – lhe ouvi apenas alguns centímetros mais baixo do meu ouvido.

— Jamais me entregarei a um Sith! Só por cima do meu cadáver! – exclamo respirando o máximo que posso e segurando minha risada. O que no caso ela não hesita em soltar. Seus risos são mil vezes mais engraçados que os meus, parecem uma foca engasgando com leite.

— Nesse caso, quais são suas palavras finais? – Tuggi pergunta e posso sentir o sorriso em seu rosto. Penso rápido.

— Se não me soltar hoje a noite não tem paleta mexicana de sobremesa. – ameaço e rapidamente dou de cara com o chão, respirando o mais fundo que consigo. Encaro Jacques que comia um saquinho de pipoca doce com empolgação a cena que acabara.

— Ah, já acabou? – reclama fechando o rosto e mastigando com a boca cheia. – Vocês são muito chatos. Agora que a bagunça tava ficando boa.

Olhei para minha prima enquanto me levantava e revirei os olhos. Era fácil fazê-la parar. Ela simplesmente adorava paletas mexicanas por conta do meu pai e tipo, quando eu digo adorava, é porque é realmente assustador e assombroso como ela se transforma se alguém rouba a paleta dela. Ela mordeu a minha mão uma vez, só de encostar na sobremesa dela. Por ai vocês tiram suas próprias conclusões.

— E ai Diego, tudo na boa? Ia pra casa sem mim é? Tu tá doidão? – ela me questionou enquanto caminhávamos para fora das propriedades da universidade.

— Claro que não. Você sabe onde eu moro criatura. – retruquei com um meio sorriso. – Afinal, onde é que tu tava? Não te vi o dia inteirinho.

— Eu estava com a Tikki. – minha prima respondeu gesticulando com as mãos. – Sabe como é... Gêmeas juntas valem por quatro.

Vou explicar a situação para vocês – quem é que não se perde em toda essa confusão, né não? – portanto prestem atenção: Tuggi é o apelido que eu dei para minha prima, mas o nome dela mesmo é Priscilla. Priscilla Turquesa. Logo, “Tuggi” vem de “Turquesa”, o segundo nome dela. Já “Tikki” significa “alegria” ou “sorte” no dialeto oriental, sendo que o pai das duas deu esse apelido para Patrícia por ela ser a primogênita. Algo a ver com superstições, eu sei lá. O segundo nome dela também é Turquesa. Já enchi muito a paciência das duas lhes chamando de “Fusão Safira”, já que tem a coloração azul também. Elas tem a mesma cara de figurinha repetida: ambas são pardas – embora Tuggi seja mais morena do que Tikki -; as duas possuem o mesmo cabelo pintado de ruivo escuro e a silhueta de costas das duas são idênticas. A única diferença é que Patrícia tem olhos azuis do pai delas e Priscilla tem os olhos castanhos da irmã da minha mãe. O resto é praticamente o mesmo, incluindo a voz e o sorriso das duas.

O problema é que Tuggi, apesar de ser alguns anos mais velha do que eu, é mais infantil que uma garotinha de marias-chiquinhas com um pirulito na mão. Quando nós dois nos juntamos parecemos duas crianças brincando de lutinha, de narrar as nossas melhores referências e criar nossas próprias falas e bordões de luta, e o pior de tudo: quando a gente se joga no chão do quarto pra jogar nossos jogos de tabuleiro favoritos por horas a fio. Tikki não é assim. Ela é mais séria do que a irmã gêmea e consequentemente é ela quem nos salva de possíveis enrascadas familiares dentro do meu apartamento – no qual ela também mora. Acho que isso também influencia no jeito de se vestirem. Enquanto Tuggi adora colocar roupas com corações amarelos espalhados pelo corpo, calça jeans folgada e rasgada, tênis pretos e cabelo ruivo despenteado, Tikki prefere se arrumar mais um pouco. Ela geralmente deixa o cabelo preso pra cima e dois coques bem presos, a costumeira mania de bolinhas pretas em roupas vermelhas que usa – talvez seja mania de gêmea, não sei – e sapatos confortáveis. Estilos diferentes tanto quanto uma desleixada sem futuro e uma garota romântica são.

— Ei, é verdade que gêmeos tem poderes especiais Tuggi? – ouvi Jacques perguntar ainda comendo aquelas pipocas doces de sabe-se lá de onde ele arranjou aquilo. Ouvi minha prima gargalhar e cruzar os braços. – O que você e sua irmã fazem? Sentem quando uma está em perigo? Ou então vocês completam a frase uma da outra?

— Acho que o máximo que fazemos e que você pode chamar de “dom” é sentirmos quando alguma coisa ruim vai acontecer. – ela respondeu fazendo aspas com os dedos. Balancei a cabeça. – O Dieguito aqui acha que tudo isso não passa de uma baboseira, mas a verdade é que ele tem inveja de não ter um irmão gêmeo do mal que queira matar ele a noite.

— Como se isso realmente fosse verdade. – resmunguei arqueando uma sobrancelha. Mas acho que meu melhor amigo já havia sido contaminado.

— Você já tentou matar a sua irmã a noite?! – ele questionou com os olhos brilhando quando minha prima assentiu com a cabeça. Revirei os olhos. – Como é que você não morreu garota?

— Todos os meus movimentos são friamente calculados jovem gafanhoto. – Tuggi respondeu com uma calma oriental que eu jamais teria em toda a minha vida. Porém, assim que peguei a referência me afoguei em risadas. – Não ligue você para esta criatura nefasta, ela esquisita e antissocial ser.

Começamos a nos aproximar da casa de Jacques e de longe pude ver as janelas abertas com a iluminação acesa. Estava anoitecendo e provavelmente a mãe já estava em casa. Nos despedimos e logo estávamos apenas eu e minha prima caminhando na calçada rumo ao condomínio que minha família morava. Digamos que nós não éramos ricos como os Agreste, mas também possuíamos um certo conforto. Enquanto subíamos o elevador não pude deixar de pensar em Adrien. Há muito tempo nós já havíamos sido muito amigos, bem antes de eu conhecer o Jacques e antes dele conhecer o Nino e o Alex. Nós jogávamos altos videogames na casa dele e na minha. Éramos bem próximos, pra não dizer melhores amigos daquela época.

É, disse bem Diego, naquela época. Você acha que se ele se importasse com a sua amizade ele não viria atrás de você? Ou melhor, agora, cercado por todo o mundo, você acha que ele precisa de você?

— Não, ele não precisa. – murmuro para mim mesmo, respondendo minha consciência e sem querer chamando a atenção de Priscilla.

— Falando sozinho de novo Dieguito? – ela indaga com aquele típico sorrisinho maroto. Reviro os olhos enquanto a porta do elevador se abre no nosso andar.

— Só pensando alto. – minto, tentando não parecer tão envergonhado por ter ouvido meus murmúrios mais uma vez. – Espero que tenha uma carta na manga para vencer uma partida apropriada de UNO depois de um dia estressante como esse foi pra mim.

Ela sorri, parecendo aliviada subitamente.

— Veremos se o típico mais quatro não destrói a nossa amizade como faz com muitas pessoas por ai. – ela retruca e eu sorrio dessa vez.

Nunca perdi uma partida de UNO em toda a minha vida. Não seria agora que isso iria mudar.

Notas finais
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