Steal Your Heart AU

18 Festa de Aniversário - Part III


Notas iniciais
OI GENTI :V QUANTO TEMPO NÉ? 2° trimestre. Semana passada de provas. Eu preciso de nota. Muita loucura que me impediu de estar com vocês antes. Tempo corrido como sempre. Compromissos que nunca tinham fim. Peço desculpas. Em breve atualização de "O Outro Lado da História". A enquete para a 3° temporada de "Miraculous Para Sempre" ainda está valendo. Tamo junto e vamo que vamo :v Capítulo postado dia 21/08/2018, ás 23:43.

Tuggi

Eu não me lembro onde estava o meu juízo naquela noite, mas uma coisa eu posso afirmar pra vocês: aquele concurso de bebedeira que a gente havia organizado tinha sido a melhor coisa que já fizemos há muito tempo. Podia reconhecer todos os meus tios cachaceiros apagados pela mesa da casa do Dieguito, todos um bando de perdedores que não tinham conseguido acompanhar eu e aquele idiota do namorado da minha irmã. Tava todo mundo — e quando falo "todo mundo" era TODO MUNDO mesmo — já meio porre de tanta coisa que todo mundo ali já tinha bebido e só restava eu e o Plagg naquela disputa estúpida. Vi alguns parentes do México vomitando que nem uns loucos em baldes espalhados por ai e segurei a ânsia que subia garganta acima para evitar me juntar a eles e deixar aquele gato de rua ganhar de mim. O povo que restava gritava pra todo lado, esperando pra ver quem é que iria ganhar — lógico que seria eu. Observo o moreno de olhos verdes, que, além de álcool, também estava cheirando a queijo agora por algum motivo, misturando vinho italiano com tequila e uísque pra completar. Como se já não fosse desafiador o suficiente ele ainda jogou toda essa mistura louca numa taça de quase meio litro. Minha vista já estava tão embaçada que nem conseguia focar no Plagg direito. Sentia meu corpo pedindo arrego e o meu bafo de álcool cheirava tão mal que poderia ser facilmente confundida com aqueles piratas que enchiam a cara de rum. Sério, eu não estou brincando.

Ele dá um gole e eu visivelmente percebo que ele está quase caindo, em nocaute. Ele faz uma cara do tipo "Inferno, eu morro hoje" e caiu duro no chão, apagado e chapadão (?) de tanto álcool. A festa inteira grita de emoção e todos olham na minha direção, em mim quase morrendo com a cabeça deitada na mesa, quase indo pro beleléu (?). Encaro Tikki enchendo uma taça igualzinha a do seu namorado e colocando em frente a minha cara. Sinto meu estômago se revirar, já pedindo arrego, antes mesmo que dar um gole sequer naquela bebida esquisita. A ânsia volta a subir pelo meu esôfago e preciso respirar fundo para não colocar meus bofes pra fora.

— Vamos mana, você consegue! — ouço minha irmã me incentivar, com a voz mais arrastada que do nosso tio Rico. Tio Rico era o mais bebunço de São Angel, de onde nossos pais vieram, lá do México. — Só dois golinhos e ai... "Puf", tu ganha essa competição!

— Minha cor... Favorita, é o sete. — respondo, e mesmo sem fazer sentido me vejo rindo como uma doida, cada gargalhada saindo rasgando minha garganta.

Ai o povo começou a gritar o meu nome que nem uns verdadeiros retardados. Levanto minha cara da mesa como se pesasse uns vinte quilos e aquela torcida bizarra acaba é me deixando mais incentivada. Eu? Sóbria ao ponto de não fazer aquela loucura? Infelizmente não tenho toda essa responsabilidade ainda, sinto muito mesmo, desculpa desapontar todos vocês que tinham alguma esperança que eu não faria uma coisa dessas.

Seguro a taça e viro tudo na guela (?) de uma vez só, do mesmo jeito que vejo Diego virando uma xícara cheia de café todos os dias logo cedo pela manhã. Bato o vidro com força na mesa e todo mundo vai ao delírio — se não alcoolizados, comemorando minha vitória daquela temporada.

— Ela CONSEGUIU! — Tikki berra, agarrando meu braço e sacudindo o mais equilibrada que conseguimos.

Uma verdadeira muvuca (?) se ajuntou ao meu redor, me levantando de um jeito igualzinho daquelas torcidas de futebol americano quando ganham um daqueles troféus super importantes para a história dos jogadores e do diretor, e toda aquela história. Do nada comecei a ouvir aquela música do filme daquele cara que corre que nem um louco em um montão de escadas e quando finalmente chegava no topo caíra no chão, morto de cansaço. Acho que o nome era Um Maluco na Parada, ou algo desse gênero. Encaro minha irmã de esguelha e ela balança a cabeça com um sorriso maroto.

— Adrien! Adrieeeeeeeeeeen! — grito o mais alto que consigo, chamando a atenção de todo mundo daquele apartamento. Respiro mais fundo e grito mais uma vez só pra completar o barraco. — Adrien!

Avisto o loiro meio embaçado sair de um verdadeiro cafundó do Judas (?) perto da mesa de comes e bebes e vir na minha direção, encarando todo mundo com aquela cara de "Mas o que é que tá havendo aqui, hein?". Me largo do povo rapidamente e agarro o loiro num abraço de urso, me segurando pra não rir da cara de quem não tá entendendo nada que muito provavelmente ele estaria fazendo naquele exato momento. A música rolava solta e quando levantei a cabeça enxerguei Dieguito batendo com força na própria cara — na certa que com vergonha da prima maluca que só faz ele passar micos como esse — eu vi também que Marinette fez uma cara de poucos amigos pra mim. Rá! Eu sabia que tinha caroço naquele angû (?)! Me desvincilhei da galera que ainda tava comemorando e dançando como se não houvesse amanhã e arrastei o Agreste pra dentro do closet mais próximo — o único, na verdade — do corredor dos nossos quartos.

— Mas o que é que... — ele começou antes de um último empurrão maroto e de eu trancar a porta atrás de mim. Dou uma risadinha com os palavrões desesperados que ele solta e cambaleio calmamente de volta pra sala.

— Um já foi, agora só falta a outra. — comemoro acenando pra Tikki e nós duas quase caímos bêbadas no chão. Rimos do nada, até o Diego aparecer das profundezas e agarrar nossos braços com cara de quem chupou limão azedo (?).

— Agora já chega, vocês duas já estão passando de todos os limites possíveis e permitidos para a "Fusão Safira". — o escutamos dizer e me aborreço com tamanha chatice do nosso primo.

— Ei, me solta seu macho escroto! — escuto Tikki protestar, olhando para trás e acenando para alguém. — Polícia!

— Escuta aqui, se a polícia vir vai ser pra prender vocês. Têm noção do tumulto que vocês causaram? — o mexicano indaga, parecendo... Não, parecendo não, muito P* da vida com nós duas. Reviro os olhos e bufo.

— Se não for pra causar, eu nem vou! — esclareço lá com certo orgulho.

— Mas isso aqui é a minha casa! — meu primo rebate me encarando indignado.

— É a nossa casa Dieguito! — retruco lhe mostrando a língua, irritada com o senhor-estraga-prazeres-Dieguito-blablabla (?).

— Ah, Madre de Dios... — ele resmunga já avistando nossos quartos.

— Chega de bagunça Tuggi, agora já deu.

Aquele besta do Diego! Vocês acreditam que ele trancou eu e a minha irmã nos nossos quartos e nos impediu de continuar nosso plano? Ah, mas se ele pensa que vai ficar assim ele está muito, mas muuuito enganado! Afinal de contas as chaves para realmente nos trancar estão bem guardadas com a tia Camille, e eu duvido que o Dieguito saiba onde elas estão. Abro lentamente a porta após o mexicano nervosinho sair e encaro Tikki do outro lado do corredor com um sorriso maldoso.

Nunca irrite gêmeas, ainda mais se elas estão bêbadas e sabem onde fica o seu quarto.

***

Diego

Depois de muito revirar as gavetas do meu banheiro — onde geralmente todas as chaves dessa casa estão muito bem escondidas por sinal — eu consegui achar as chaves das portas daquelas duas bêbadas malucas. Voltei até a porta do quarto das ruivas e as tranquei rapidamente. Ok, aquela festa realmente saiu de todos os trilhos possíveis. Esfreguei meu rosto e voltei pra festa, aproveitando que alguns familiares estavam indo embora, uma música animada ainda tocava, e tinha algumas cadeiras sobrando num canto da sala. Por coincidência do destino vi Alya indo pro mesmo lugar que eu estava indo e... Sozinha?

— Ei Alya, você não estava com a Marinette? — pergunto, estranhando o fato das duas terem se desgrudado. Ela balança os ombros com um meio sorriso e percebo que devia ter participado daquela competição ridícula de bebunços anônimos.

— Estava, mas ela acabou sumindo faz tempo. Não sei onde ela está. — a morena responde balançando a cabeça pensativa.

— Aposto que ela foi embora depois do circo que minhas primas armaram. — resmungo, me lamentando de tal vexame que passara.

— E bota circo nisso. — Alya comenta com um largo sorriso, cutucando minhas costelas com seu cotovelo. — Elas sempre são assim?

— São piores! É da Fusão Safira que estamos falando! — exclamo, revirando os olhos irritado. — Um apelido injusto, já que safiras são serenas e comportadas, mas acabou pegando.

— Desculpe... safiras são o quê? — ela me indaga com a voz meio confusa e então percebo a gafe que cometi.

— Você sabe: doces, meigas, comportadas, usam vestidinhos fofos e uma franjinha cobrindo o único olhinho que elas usam para ver o futuro e... — explico, gesticulando com as mãos.

Quando volto a encará-la vejo nitidamente aquela típica expressão “Garoto, você tá sóbrio?”. Me interrompo suspirando e decido mudar de assunto.

— Enfim, vamos esquecer aquelas duas. — digo, ansioso para que mais uma menina não me achasse louco de pedra o suficiente para me ignorar também. Olho ao redor, procurando pela italiana dos meus sonhos e não a vejo. — Você viu a Lila?

— Quem? — Alya me questiona estreitando os olhos. Sinto minhas mãos suarem um pouco, cerro meus punhos e reviro meus olhos por todo o apartamento, tudo menos pra encarar a morena e dizer que estou afim de outra garota.

— Você sabe, a Lila... — tento justificar sem dar bandeira — isso é, mesmo que a Alya nem se lembre de nada que aconteceu hoje e provavelmente do que eu deixaria escapar, é melhor não arriscar. — Uma morena de olhos verdes, alta... Bonita...

— Hum, sua namorada ou sua paquera ainda não correspondida? — Ay pergunta com um sorriso divertido no rosto e sinto o suor se acumulando na minha testa.

— E-ela não é m-minha namorada, por Dios... — gaguejo, nervoso e isso só piora a minha posição. Ela apenas continua me encarando com aquela típica cara de "Aham, sei..." que todas as meninas sempre fazem. Porque vocês são assim hein? Não sabem que isso só apavora ainda mais um garoto? — Você viu ou não viu ela?

— Bom, ela está junto com aquele pessoal amontoado lá. — depois de uns dois minutos de suspense ela diz, querendo entender a situação e me apontando algo nas minhas costas. — Sabe o que está acontecendo?

Franzi a testa e olhei por cima do meu ombro. Tinha uma verdadeira multidão em frente a uma porta aberta e parecia que alguma coisa muito incrível estava acontecendo lá dentro porque a barulheira e bagunça eram enormes. Alguma coisa me dizia que aquilo não estava cheirando nada bem. Foi quando eu reconheci de onde vinha toda aquela algazarra toda: o MEU quarto.

Aquela multidão estava na porta do meu quarto!

Eu sai correndo o mais rápido que consegui e empurrando a turma que se amontoava perto do meu quarto. Para o meu pavor, a primeira coisa que eu vi foi a Tuggi e a Tikki brincando com uns soldadinhos de plástico que eu demorei uma verdadeira eternidade para montar a maquete de um forte.

— Oh não, cuidado sargento Oliver! Aí vem um ataque de artilharia! CABUUUUM!!! — Tikki, completamente bêbada praticamente grita bagunando todas as pecinhas do forte General Barton. — O que vamos fazer? Força, yesilianos! Vamos mostrar para esses mosquitos de porcelana quem é que manda!

Tuggi, por outro lado — mais humilhante na minha opinião -, brincava com algumas das minhas bonecas, digo, figuras de ação que eu colecionava: Uma era uma mulher de vestido branco e longos cabelos rosas, outro era um príncipe egípcio armado com uma espada da época.

— Cuidado, filhinho! As gigantes roxas vão querer machucar você! Não se afaste de mim! — a ruiva gritou fingindo que sua voz era dos MEUS BONECOS DE AÇÃO — Não se preocupe, mamãe, eu dou conta delas! Pshhhh!!! — simulando um impacto de soco, ela simplesmente arremessou uma figura de ação, bem cara por sinal, na minha cama, não antes dela se espatifar na parede.

— TESOURO!!! Mwahahahaha, eu sou a terrível Tigresa Branca, a campeã da Diamante Rosa! Eu vou destruir você sua traidora!

O caos estava formado: não apenas Tuggi e Tikki haviam levado METADE DOS CONVIDADOS para dentro do meu santuário, como um monte de gente estava fotografando tudo o que tinha lá: uma maquete que me deu uma canseira enorme de um forte feita para alguns soldadinhos de plástico, uma prateleira cheia de miniaturas de aviões antigos. Um criado mudo onde eu guardava os meus jogos para seu PlayStation 4. Tiraram foto até da minha cama! Tudo bem, eu já passei da fase dos lençóis temáticos, ainda mais de um famoso ouriço azul, bem como uma figura de ação do mesmo em cima da cama, confrontando o vilão, que pilotava um robô de Lego, mas isso não é problema nem motivos de graça deles! É o meu gosto, MEU! Esse povo não tem familiares que passam por esse mesmo problema pra rir da cara deles ao invés da minha não?! E dai que nas minhas paredes tinham alguns pôsteres de umas bandas? Cara, quem não gosta de Crush 40 e Sabaton? Eu não posso colocar pôsteres de animes, jogos e filmes no MEU quarto agora? Só as menininhas podem fazer isso?

Pelo visto não, porque esses infelizes mexeram até no meu armário! No meu armário!

O lugar que eu guardava várias figuras de ação e miniaturas colecionáveis de diversos personagens. Perto deles estava um livro de tamanho mediano com uma arte de capa deslumbrante: Aparecia um faraó brandindo uma khopesh e um escudo contra uma gigante de pele amarela com marcas vermelhas e longos cabelos brancos, além de usar um elmo-marreta e ter uma joia no lugar do nariz. Com letras que refletiam a luz, lia-se “Sangue, Suor, Lágrimas e Estilhaços – Guia de raças para Mestres de RPG”. Na parte inferior do livro, estava um desenho de um pistoleiro com um revólver numa mão e várias joias na outra, acompanhada da legenda: “Acompanha a expansão ‘Por um Punhado de Joias’, para RPGs em cenários Velho Oeste”.

Por favor né gente, eu não sou obrigado a ver o todo mundo rindo da minha vida e ainda por cima fuçarem em tudo, bagunçando tudinho e revirando meus livros de RPG. Que absurdo! Eu nem preciso dizer que já estava rosnando de tanta raiva que estava daquela idiota das minhas primas preciso?

— Não, não, NÃO!!! O DIAMANTE VERDE QUER LEVAR MINHA GENERAL REBELDE!!! — Tuggi berrou quando arranquei meus bonecos das suas mãos e das de Tikki, mas eu estava tão irritado que nem mesmo me importei quando ela começou a espernear. Na verdade — e eu odeio quando isso acontece — eu explodi.

Não aguentei mais toda aquela palhaçada e fui até onde guardava minha espada quase real e o escudo que tinha feito de papel machê e que naquela altura do campeonato parecia tão duro quanto um porrete que o pai do Jacques usa. Eu havia dado o maior duro desenhando uma bigorna nele e escrevendo "Platinum" nele em homenagem ao livro de RPG, mas eu já estava tão cego que meus óculos nem me faziam enxergar direito — e na boa, tava parecendo um touro solto nas ruas da Espanha.

— Fora daqui agora suas pestes imprestáveis!! — berrei pra que todo mundo que estivesse ali por acaso do destino se mandasse.

Sai empurrando todo mundo com aquele escudo e tranquei a porta atrás de mim rápido, antes que mais alguém voltasse a se enfiar dentro do meu quarto. Respirei fundo e contei até dez pra ver se conseguia me acalmar. Tipo, umas vinte vezes.

Eu sabia que isso ia ser uma furada.

***

Laura

Ok, aquela festa realmente saiu do controle quando as primas do Diego viram que a porta estava aberta e chamaram meia festa pra conhecer o quarto do amigo do Jacques. Depois de toda a gritaria que eu ouvi, das pessoas saindo de lá de dentro rindo e a maioria com o celular nas mãos eu sabia que precisava tomar alguma atitude. Tudo bem, eu nunca fui lá muito boa pra brigas, ou pra ser esnobe, ou até mesmo pra dar minha cara a tapa pra defender todo mundo, mas eu realmente vi que o Diego era muito gente boa e o Jacques comentou que o mexicano não era lá muito fã que entrassem no quarto dele. Então eu fiz o que qualquer amiga faria: mandei o loiro ir pegar alguma coisa para comer e fui tentar conversar com o garoto.

Cheguei até lá como quem não quer nada e dei duas batidinhas na porta. Silêncio. Bati mais duas vezes e então encostei meu ouvido na porta. O cômodo estava mais silencioso do que velório de gente rica e importante.

— Diego? Tá tudo bem aí dentro? — pergunto num tom que ele escute mesmo com a conversa escandalosa do resto da festa. — Sou eu, a Laura.

— Eu sei, por isso não quero abrir. — ele responde baixo, me fazendo revirar os olhos com tanta frescura.

— Ô garoto, deixa de drama e abre aí. Eu quero ver como é o seu quarto. — peço tentando aliviar toda aquela situação com a minhas graças. — Eu não tive oportunidade, a multidão foi mais rápida que eu.

— Então espera até sair nas redes sociais. — ele rebate irritado e ao mesmo tempo chateado com toda aquela situação. Dou um leve suspiro. — Aproveita e me zoa também quando eu virar piada nacional, perder todas as minhas chances com a Lila e depois ser chamado de "Dieguinho das Bonecas Terráqueas Desbotadas da Corte da Diamante Rosa" até o final da minha faculdade.

Não consigo segurar minhas risadas e isso parece frustrar ainda mais o pobre garoto amargurado.

— Isso não tem graça! — ele reclama em voz alta, para que pudesse ouvir sua raiva.

— Não é disso que eu estou rindo. — respondo tentando me justificar. — É que há pouco tempo você tava parecendo a Jasper depois de ver uma fusão, agora tá agindo que nem a Pérola. É engraçado como você muda de uma personalidade para outra tão rapidamente.

— Eu não pareço com a... — o Diego começa a reclamar e do nada ele mesmo se interrompe. — Peraí, o que você disse?

— Que você parece uma pérola fazendo drama? Ou a parte da Jasper enchedora de saco quando vê uma fusão? — questiono com um sorriso no rosto. Rá, ótima tática Laura.

Após alguns segundos vejo uma fresta da porta do Diego se entreabrir, mas ele ainda não deixava eu ver como ele estava.

— Você acabou de entender uma referência minha? — ele me pergunta meio... Inseguro, acho. Dou uma gargalhada.

— Entendi sim. — afirmo, conseguindo conquistar o meu objetivo: amenizar a situação. — Apesar de achar seu apelido um pouco preconceituoso com a Diamante Rosa. Ela não tem toda a experiência que a Amarelo e a Azul tem, cara.

Finalmente aquele doido resolve colocar a cara na porta e percebo ele me encarar meio intrigado pra mim antes de olhar para os lados e evitar ser chamado de "Dieguinho das Bonecas Desbotadas da Corte da Diamante Rosa" mais uma vez. Na verdade, acho que ele estava averiguando se mais alguém estava de olho na gente, porque continuou baixinho:

— "Vou distribuir presentes caros para amigos que estejam a fim.".

— "Só quero deixar algo bem claro: não vão comer nada sem mim.". — completo com um pequeno sorriso.

— "Nós nascemos livres, e ninguém tem o direito de tirar isso de nós..." — Diego começa outra vez e meu sorriso se alarga. Isso foi mais fácil do que eu imaginei.

— "... não importa o quanto sejam grandes ou fortes!". — complemento mais uma vez e percebo seus olhos brilharem um pouco.

— "Posso pressentir o perigo e o caos!". — diz escancarando a boca.

— "E ninguém agora vai me amedrontar". — termino a frase e dou uma gargalhada quando a face de Diego fica da cor da parede. Ele parecia assombrado, assustado, impressionado... Sei lá, tudo isso e um pouco mais.

— Você é uma garota e tá fazendo referências nerds? Tipo, sem problematizar nada, sem querer lacrar? Não, isso é lenda urbana, você não é nerd. — ele pondera, surpreso e ao mesmo tempo voltando pra defensiva. Reviro os olhos e dou um suspiro frustrado.

— A sua falta de fé é perturbadora. — retruco, séria — algo quase impossível de acontecer em um momento como aquele, mas tento me manter firme.

— Mas o que raios você é, menina? — ele me questiona, surpreso.

— Eu sou exatamente o que você está vendo: apenas alguém que adora aventuras. — respondo, dando ombros como quem não quer nada.

Como vejo que ele ainda estava estático com aquele bombardeio de referências decido apelar pra ele me deixar no quarto dele. Aquela seria a gota d'água, duvido que ele resistiria a ela.

Brilha linda flor

Teu poder venceu

Traz de volta já

O que uma vez foi meu

O Diego só faltou morrer asfixiado. Sério gente, ele tava ficando roxo de tanto segurar o inevitável e orgulhoso demais pra admitir que eu também era nerd, mesmo que fosse difícil de ver em primeira mão. Me encostei na beirada da porta e lhe encarei com uma sobrancelha arqueada.

— Não tente negar, eu sei que você também entende essa referência. Deixe sair que é mais fácil. — digo com calma, mas adorando ver o desespero na cara do mexicano.

— Eu não sei do que você está falando. — o escuto dizer, forçando a fala e faço uma cara debochada.

— Anda Diego, eu não vou te julgar. Eu sei que você não resiste ao poder da referência. — afirmo, mexendo meus dedos como se estivesse lhe lançando um feitiço enquanto rio de sua resistência.

Num movimento rápido que eu nem mesmo imaginava aquele doido me puxou pelo braço pra dentro do quarto dele. Nem tive tempo de matar a minha curiosidade e olhar pros lados, porque ele simplesmente cuspiu as palavras na minha cara.

Cura o que se feriu

Salva o que se perdeu

Traz de volta já

O que uma vez foi meu.

Juntos rimos de toda aquela maluquice. Apesar de não ser lá muito boa com pessoas admito que tenho certa facilidade pra começar uma nova amizade — com uma conversa cheia de referências, mais tá valendo. Depois disso a gente sentou no tapete dele e decidimos esperar aquela poeira baixar, todo mundo ir embora e só então descontar a nossa raiva e vergonha na Fusão Safira. Meia hora depois o Jacques quase arrombou a porta, nada discreto esse gênio. É claro que assim que vi a comida na mão dele eu o perdoei, mas isso não tem a mínima importância já que combinamos de descontar a raiva mais tarde. Eu nem sei que horas eram quando fomos embora, só que já era madrugada e éramos as últimas pessoas saindo do condomínio que o Diego morava. Porém, na primeira esquina que viramos e eu dei de cara com uma Land Rover MA-RA foi que me lembrei de duas coisas.

A primeira era que Jacques me dissera que apesar de ser nerd — o que eu falei pra ele que era muito injusto chamá-lo assim — e gostar de uma menina que era muita areia pro caminhão dele, o Diego era um cara super gente boa mesmo. Eu preciso ajudar ele de alguma forma quanto a essas coisas. Principalmente quanto a relação a essa tal garota que se não me falha a memória... Tinha um nome com a letra "L" também. Preciso perguntar pro Jac depois.

A segunda foi quando eu vi um chaveiro da marca Gabriel Agreste pendurado no retrovisor dentro do carro. Afinal, o que tinha acontecido com aquele tal de Adrien depois daquela muvuca (?) toda?