Steal Your Heart AU
35 A Verdade
Notas iniciais
Há muito, muito tempo, a antiga China sofria com ataques constantes de seus inimigos poderosos. Por conta da longa extensão do seu território, vários vilarejos foram saqueados, queimados e dizimados ao longo de décadas infindáveis conhecidas como a Era da Escuridão. Havia destruição para todos os lados, onde a perdição e o caos se espalhavam livremente pelo resto do continente asiático sem ninguém para impedir o seu avanço. Milhares de mortos se acumulavam pelas vilas e o cheiro do sangue podia ser sentido por muitos quilômetros de distância.
Porém, quando tudo parecia perdido, surgia uma nova esperança.
Três vilarejos que ainda não tinham sido atacados resolveram se unir para contra-atacar principalmente o povo hindu e tentar impedir que a China continuasse a ser invadida continuamente por seu exército. Nisso, os três clãs fizeram um juramento perante Buda, a Aliança, prometendo continuarem aliados até que todo o mal fosse exterminado da China ou até que o último homem caísse lutando por isso. Para firmar esse acordo ofereceram três vasos valiosos para o seu deus, feitos cada um de materiais específicos ditos por ele em uma visão, em troca de sua benção para vencer a batalha. O primeiro vaso era feito de cerâmica banhado a rubis e a ametistas. O segundo, a ônix e a jades. Por último, o terceiro era composto principalmente por esmeraldas e citrinas amarelas.
Naquela época os chineses que haviam participado da batalha contra o mal acreditavam que aqueles três vasos juntos possuíam o poder divino de Buda e que escondiam um segredo em seus desenhos capaz de guiar os dignos de coração a algo maior e precioso. Com as tensões da pós-guerra, os líderes dos vilarejos decidiram que era melhor esconderem aqueles artefatos antes que outro conflito eclodisse e dedicarem seus esforços na Muralha que começava a ser contruída ao redor da China. Entretanto, eles não sabiam que o maior inimigo estava dentro das barreiras.
Um traidor. Um estrangeiro. Uma ameaça não levada a sério. Foi aí onde toda a caçada começou.
— A caçada? – repito, procurando acompanhar meu avô. Ele assente, se levantando do sofá onde estamos e indo até uma das prateleiras de livros, próximo de onde Tuggi estava com os outros.
— Existem heranças que são passadas de geração em geração Louis. – ele começa, parecendo procurar por algo. – Seja característica, caráter, dinheiro, sempre existe algo que é passado adiante. Porém, isso não quer dizer que isso seja algo exatamente bom em algumas circunstâncias. – diz, voltando até mim com dois livros debaixo de seu braço.
— Faz bastante tempo que não vejo o senhor com o nosso álbum de família. – comento, ao reconhecer a capa que minha mãe fizera junto comigo há muitos anos atrás. Ele vira algumas páginas e para em uma fotografia onde todos nós estávamos: ele e sua esposa, eu e os meus pais. – Na verdade, o senhor nunca falou sobre isso comigo.
— Você sabe que nunca fui muito bom com as palavras. – rebate, com um sorriso triste. – Marianne foi a única e melhor esposa que eu tive. Sua avó era uma das mulheres mais corajosas que eu já vi em toda a minha vida, e olha que já vivi muito. Mas não é esse o ponto da nossa conversa, não a de agora. – balanço a cabeça quando ele aponta uma gravura no outro livro grosso e antigo que colocara em minhas mãos. – Reconhece isto?
Analiso aquela gravura com mais atenção e não consigo não arregalar os olhos. Era o desenho de um vaso pequeno com dois tons diferentes visíveis. Quando olho para meu avô ele indica com a cabeça para nossa fotografia de família e quando a encaro dessa vez o enxergo ali. Atrás do meu pai, numa mesinha encostada na antiga vitrola. Não podia ser só uma coincidência, podia?
— É um dos três vasos. – constato, incrédulo. – Então... Isso quer dizer que não é apenas uma lenda.
— Não, assim como a ameaça de séculos ainda vive hoje em dia e também não é uma lenda. – conta, fechando nosso álbum de família. – Há gerações que esses vasos são transportados para a posteoridade com o intuito de proteger o juramento que fora feito a Buda, de saqueadores e caçadores de relíquias. É um dever constante e interminável que não envolve apenas uma pessoa, mas várias delas. – ele solta um suspiro, fazendo uma pausa. – Eu e sua avó falhamos nessa missão quando fomos roubados há alguns anos e... O resto você já sabe meu neto.
— Então foi assim que a vovó morreu? – pergunto, sentindo um vazio no peito. – Tentando impedir que levassem esse vaso?
— Era o meu dever proteger, não dela, mas Marianne sempre foi uma mulher de caráter muito forte. Não tenho que dizer que ela não quis nem mesmo me ouvir, preciso? – ele murmura, distante. Alguns minutos se passam e quando estava prestes a lhe dar um abraço, ele se endireita novamente. – Desde então eu trabalho com pessoas que tentam evitar a apreensão desses artefatos tanto quanto eu. Pessoas que conviveram comigo há anos e que me conhecem como ninguém. – estreito os olhos para as duas figuras paradas do outro lado da sala de estar da casa. – Louis, quero que conheça Annabeth e August. Eles trabalham para o governo, num programa específico de recuperação de artefatos históricos internacional. Anna, August, meu neto.
— Como vai, rapaz? – o homem que parecia muito com o pai do Adrien me pergunta, me estendendo a mão. A aperto com um aceno. – Pedimos desculpas por tantas informações repentinas, mas é necessário saber a verdade depois de tudo o que aconteceu com você e seus amigos.
— Nós trabalhamos para o programa Miraculous. – a mulher de cabelos castanhos e olhos verdes intensos começa a contar, me dando um aceno distante. – Ele incorpora jovens de todos os países do mundo em missões diferentes em situações diferentes. Temos sedes em todos os países, onde a juventude “escolhida e apta para issoChamamos pessoas como a Trixx, Plagg, Wayze e todos desta sala de “kwamis”, um codinome para “jovens infiltrados em situações de risco”, que agora se encaixa muito bem na sua vida e de seu primo Adrien Agreste.
— Então quer dizer que agora eles vão vigiar a gente o tempo todo? – questiono, procurando o olhar de Wayzz. Ele coça a nuca, desconcertado.
— Tecnicamente, sim. – ele responde, dando ombros. – Mas eu diria que nesse “tempo todo” não está incluído as idas ao banheiro, e esse tipo de coisa.
— Que horror. – Lily reclama, revirando os olhos e se ajeitando no sofá. – Escuta aqui garoto, o negócio é o seguinte: cada um de nós vai estar por perto para ajudar em caso de perigo, somente nisso. Não quer dizer que agora viramos babás de vocês.
— Não vamos interferir a vida pessoal de nenhum do grupo de vocês. – Tuggi argumenta, gesticulando. – É apenas... Uma precaução.
— Precaução contra o quê, exatamente? – indago, olhando novamente para a tal de Annabeth. Ela respira fundo, parecendo incomodada com algo.
— Louis, há muita gente perigosa envolvida na história desses vasos. Gente perigosa mesmo. — diz, me encarando seriamente. – A partir de agora a prioridade da Miraculous aqui em Paris é a proteção de Marinette Dupain-Cheng e Adrien Agreste, os mais envolvidos na situação de Calanque. Era pra ser algo “secreto” – ela faz aspas com dois dedos e dá um pequeno sorriso — mas já que você também sabe dessa história toda que nós e seu avô estamos envolvidos não é mais tão confidencial.
— É agora que vocês apagam a minha memória? – solto, fazendo risadas soarem no ar.
— Sabe, até que não é má ideia. – Plagg pondera, pensativo.
— Sorte sua que nosso apagador de mentes está sem bateria. – Tikki brinca, balançando a cabeça. – Usamos tudo o que tínhamos para apagar da mente do Dussu a visão do Wayzz e Nooroo dançando semi-nus na piscina da casa da Lily, totalmente embriagados.
— Não me lembra daquela visão do inferno Tikki! – o mesmo reclama, bagunçando o cabelo azul e me fazendo rir.
— É, não é legal ficar contando os podres dos outros Tikki. – Nooroo, que até agora estava quieto protesta, um pouco vermelho de vergonha. – Ainda mais de fatos que nós não lembramos.
— Na verdade não foi lá uma visão do inferno inferno, só... – Lily comenta, gesticulando para Trixx com um sorriso cúmplice.
Rio quando eles começam a discutir entre si do tal acontecimento e pela primeira vez – até então inédito – vejo um Wayzze envergonhado. É, até mesmo pessoas-exemplos como ele tinham lá os seus deslizes.
— A questão – aquele tal de August ressalta em voz alta e cala todos os outros jovens rapidamente. Lhe encaro de novo em silêncio. – é que agora você também sabe do programa do governo, ou seja, também faz parte da Miraculous, portanto, ninguém, absolutamente mais ninguém, deve saber que você tá envolvido com a gente. Se deixar qualquer coisa escapar por aí, a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor vão estar em perigo. – explica, trocando um olhar com a morena de olhos verdes. Um olhar significativo que eu já conhecia de outro lugar.
— Então não posso contar pro Adrien que vai ter gente vigiando ele aonde quer que ele vá? – indago, fazendo uma careta. – Não sabia que de repente a vida do meu primo ficaria tão interessante assim. – ouço uma gargalhada vinda de Tuggi e estreito os olhos. – Vocês sabem quem fez isso?
— O atentado, você diz? – meu avô me questiona. Afirmo com a cabeça. – Não. A Miraculous tem muitos inimigos, é difícil saber instantaneamente quem foi o responsável por isso.
— Até lá, a investigação está sobre total sigilo, entenderam garotos? – a mulher de olhos verdes diz, esfregando as têmporas. – Wayzz e Duusu. Procurem por informações. Trixx, Lily e Nooroo. Arrumem informações sobre Calanque, tudo que puderem encontrar sobre aquele barco, como ele ultrapassou as fronteiras da marinha e como desapareceu sem deixar vestígios. Tikki, Tuggi e Plagg. A missão de vocês é proteger. Já sabem o que fazer, fiquem por perto. – manda, olhando para cada e observando-os assentir com a cabeça. Quando se vira engulo em seco. — Você jura manter isso em segredo absoluto até tudo estar em planos limpos, Louis Ruppert Yaosaka? – a tal de Annabeth me questiona, com um olhar firme.
— Eu... Juro, já disse. – digo, cruzando os braços e abaixando minha cabeça quando um bocejo sai, espontaneamente. – Será que agora estou liberado para ir dormir? Eu realmente preciso descansar depois de tudo o que aconteceu nas últimas 72 horas.
— Claro. – meu avô responde, encarando os dois adultos com firmeza. – Esta reunião está encerrada. Todos já deveriam estar descansando a esta altura da noite. — Quando se vira na minha direção novamente seu olhar é um pouco mais suave, exatamente como me olha depois de me dar uma bronca. – Pode ir Louis.
— Boa noite a todos. – digo, me levantando e saindo da sala de estar onde todos estavam, na direção do corredor por onde havia entrado.
Sinto o olhar de todos nas minhas costas até que fecho a porta atrás de mim. Sigo o corredor até meu quarto sem olhar pra trás, ainda com os braços cruzados. Assim que entro e sento em minha cama encaro meus dedos cruzados. Estava errado em prometer falsamente que não iria falar nada do que ouvira ali? Talvez, mas o motivo dessa ação gritara mais alto nos meus ouvidos. “Se alguma coisa acontecer, mesmo você não dizendo nada, a culpa será totalmente sua.”. Agora que sabia de tais fatos eu precisava ir até o fundo. Encaro meu computador e rapidamente o ligo, parando na tela de busca do Google por um momento.
Hesito. Empurrando minha cadeira de rodinhas até a porta do meu quarto a tranco, sentindo o coração aos pulos. Respiro fundo.
Eu sei que é errado quebrar um juramento, mas dessa vez eu não tive escolhas. Se isso for o suficiente para me chamarem de traidor mais tarde, poderão fazer isso a vontade. Não vou facilitar o apocalipse acontecer na mão dessa Miraculous.
Procuro me lembrar dos detalhes mais importantes do que acontecera em Calanque e forço meu cérebro para recordar o momento que estávamos no barco. Tudo parecia normal, nós estávamos conversando e rindo, nada parecia anormal até ali. De repente o Iate começa a acelerar e Marinette se junta a nós, trocando de lugar com Bridgette indo para a cabine. O outro barco surge no horizonte cada vez mais perto. Agarro a mão da ruiva ao meu lado e a aperto com força, estranhando o símbolo na proa daquele barco desconhecido. Arregalo os olhos.
O símbolo do triângulo inacabado.
Digito rapidamente aquilo na barra de pesquisa. Quando clico em “Imagens” encontro o mesmo desenho que vira mais cedo, antes dos nossos perseguidores começarem a atirar em nós.
— Delta. Aquilo era um delta. – sussurro para mim mesmo. Entro em um site de tatuagens que explicava os significados daquele símbolo. – “Triângulo: é a letra grega delta, que representa mudança e fluidez, ou um circuito que volta ao princípio. Também representa coisas que acontecem em três, como pensar, falar e dizer a coisa certa.”. – suspiro, empurrando minha cadeira para trás. – Grande coisa. Não me ajudou em nada.
Esfrego meu rosto, realmente precisava dormir um pouco. Porém, minha curiosidade e teimosia em deixar os “Kwamis” assumirem aquele caso me impediam de relaxar. Suspiro, tentando pensar em outro ponto possível para procurar respostas. Me aproximo um pouco do computador novamente e volto aos resultados encontrados no Google. Vou descendo a tela e estava quase desistindo quando vi algo que me chamou a atenção.
— “Um símbolo Cristão que incorpora o triângulo é o “olho da providência” ou o olho que tudo vê. O projeto é de um olho dentro de um triângulo e é frequentemente rodeados por raios de luz. Geralmente dentro de um triângulo esse símbolo representa conhecimento espiritual ou onisciência. Compõe a simbologia dos Illuminati, bem como da Maçonaria e do Cristianismo.”. – leio para mim mesmo, estreitando os olhos. – Maçonaria.
E se esse delta inacabado significar alguma coisa a ver com esse símbolo?
— Será que... – solto, voltando ao Google e digitando uma vaga ideia. – “Simbologia das facções criminosas de Paris e do Mundo.”. Vamos ver o que podemos achar aqui.
“Atualmente existem diversas facções criminosas no continente europeu que continuam dando um baile na polícia federal de tais países. Algumas das mais conhecidas são Tradire Capo, da Itália; Dit is de hel Death, da Holanda e Surveillance, da França. Até hoje não existe nenhuma pista sobre o paradeiro de seus líderes ou se a Polícia Federal de tais países já conseguiu rastreá-los; enquanto isso o mundo continua em perigo pelas sombras à espreita.”
Desço a tela novamente e ali encontro alguns símbolos estranhos como uma metade do rosto de um palhaço rindo sombriamente enquanto o outro lado sangrava e uma caveira com um machado enterrado no meio do crânio – confesso, BEM perturbadoras e quase desisti de continuar procurando alguma coisa. Foi quando finalmente achei. Estava lá, o mesmo desenho que estava gravado no barco que nos atacou em Calanque!
Antes que pudesse ver direito o nome da tal facção e finalmente saber quem havia direcionado aquele ataque ouço vozes no corredor. Meu avô estava vindo na minha direção. Rapidamente desligo o monitor do meu computador, apago as luzes e me jogo debaixo das cobertas, no exato segundo que ele abre a porta com mais alguém atrás. Reconheço suas vozes sussurrando. Wayzz ainda estava em casa e discutia sobre alguma coisa com o velho chinês que cuidava de mim. Alguns minutos se passam e eles vão embora com um clique da porta se fechando. Viro meu corpo para cima e dou um suspiro de alívio.
Essa foi quase.
Caminho em passos silenciosos até a mesa do computador e ligo o monitor de novo. Estreito os olhos com a mensagem escrita na tela e atualizo a página cinco vezes – todas em vão.
Página não encontrada.
— Mas que merda é essa? – murmuro, esfregando o rosto com raiva. – Eu acabei de entrar nesse site, como agora ele não existe? – bufo, girando minha cadeira na direção da janela. A rua estava deserta, mas eu ainda conseguia enxergar o letreiro luminoso do Le' Vent Souffle aceso.
Pego meu celular. Era quase meia-noite. Provavelmente Kattie já estaria dormindo nessa altura. Suspiro, pensando que talvez fosse realmente melhor ir dormir como meu avô pensava que eu estava fazendo. Me deito, tentando gravar na minha mente aquele desenho do delta inacabado. Me forço a fechar os olhos e logo o cansaço me vence.
***
Narradora
Montmartre sempre foi um bairro histórico. Tanto por sua história, quanto por ser um local onde no passado milhares de cristãos foram executados e torturados ou mesmo por ter sido um dos bairros de Paris imortalizado pelo filme de Amélie Poulain por sua bela vista da cidade mais conhecida do mundo. Desde de antigos cabarés até luxuosos hotéis, Montmartre sempre chamou a atenção de muitos, porém ninguém que por ali residia desconfiava que uma das facções criminosas de todo o mundo. Na base da colina havia uma das filiais do hotel Le Grand Paris onde a direção da Surveillance havia se instalado. Ao mesmo tempo que ninguém desconfiava ninguém permanecia muito tempo por ali que não estivesse associado a máfia, portanto aquele hotel funcionava apenas para o Comando, como assim era chamada a liderança. Ele era formado por Drygut, Peu Tressages e Presque Rien, o trio mais perigoso de Paris, juntamente da Rainha do Estilo, a mulher mais procurada da cidade. Como eles haviam concordado em trabalhar juntos?
Bem, inicialmente a Surveillance estava em crise e prestes a ser descoberta pela polícia. O trio estava com a polícia em sua cola após terem financiado a produção e venda de drogas ilícitas em um ponto de comércio do tráfico local, denunciando a “boca de fumo” e suas posições. Enquanto isso a Rainha do Estilo nascia. Traída pelo marido e logo em seguida pelo seu namorado, Stella Bourgeios conhecera o ódio e o deixara consumí-la. Após isso, ela começou a se associar secretamente com diversos traficantes para lhes fornecer armas e financiar suas ações contando que sempre tivesse uma parte em seu bolso. O caminho do mal uniu o caminho de todos em uma única proposta: a procura por uma fortuna inestimável e antiga. Unidos por um líder misterioso e em comum, os quatro começaram a agir juntos para conseguirem subordinados dispostos a conseguirem o que precisavam: os três vasos feitos de jóias preciosas da China ancestral. O plano era simples: a Rainha do Estilo convencia os candidatos a trabalharem para a Surveillance e para o chefe deles enquanto Preu Tressages se encarregava de colocar seus soldados em ação.
Um dia, Bridgette apareceu. A Rainha do Estilo conseguira fisgá-la com o pretexto que aquilo poderia ajudar sua família. Afinal, ela precisava da Dupain-Cheng tanto quanto precisava de Félix Agreste por ordem do seu chefe. Pelo pouco que ela sabia sobre as lendas dos vasos ela conseguira entender o raciocínio do mesmo: o que pode ser melhor do que fazer um aliado roubar de outro aliado? Quando finalmente ambos os garotos chegaram de sua missão junto dos capangas da Surveillance ela não conteve sua admiração pelo plano ter dado certo.
“- Senhores, quero ter o prazer em apresentar os bem-sucedidos enviados da missão de recuperar a primeira etapa do nosso plano. — a Rainha do Estilo anunciara, se levantando da cadeira confortável de veludo vermelho no meio da sala e acenando na nossa direção. — Bridgette e Félix, os herdeiros da destruição.”.
Mas é claro que ela não contava que sua dupla perfeita pediria as contas tão rápido como haviam feito.
“- Primeiro a nossa parte. – a Dupain-Cheng diz, afastando tal objeto antes que aquele brutamontes chegasse perto demais de onde estava. — Ou então deixo esse maldito vaso cair no chão na frente de todos vocês.
— Você não ousaria. — Drygut murmura sem desviar os olhos de Bridgette. Ela arqueia as sobrancelhas e estica o braço ocupado.
— Não? — desafia, levantando um dos dedos que segurava o vaso negro.
— Já chega. — a voz da Rainha do Estilo ecoou autoritária por todo o escritório. Um pigarreio vem da mesma chama a atenção de Félix. — Será que podemos conversar como pessoas civilizadas?
— Assim que a senhorita acalmar os ânimos de seus conhecidos poderemos conversar civilizadamente. — o loiro responde pela garota enquanto estreitava os olhos.
— A única coisa que exigimos antes de entregar essa... coisa — Bridgette, com repulsa de todo o esforço vão que fizera — é que nos deixem em paz. Não queremos mais nenhum envolvimento com vocês e nem com seus assuntos obscuros. Apenas queremos nossas familias em paz e em segurança.
— E é claro, a parte do dinheiro que foi prometida a Bridgette. — Félix complementa, apertando a mão da mesma com força. “
O caos se instaurou depois que a denúncia sobre o lugar onde supostamente a Surveillance estava foi levada à tona. É claro que não deixariam tal traição em vão. Stella jamais se esqueceria que mais aquela vez tinha sido traída. Jurara a si mesma que aquela tinha sido a última vez e jurou vingança a todos eles. A Bridgette, a Félix, e principalmente aos malditos Annabeth e August que mais uma vez havia cruzado seu caminho. Já não bastasse tê-la trocado por aquela mulher, agora também iria perseguí-la onde fosse? Todos pagariam com suas vidas. Seria apenas uma questão de tempo.
Subindo as escadas apressadamente estava um dos aspirantes a cargos importantes da Surveillance, Salah Berger. Este era um dos poucos que realmente sabia mexer com aparelhos eletrônicos e que desde que o havia recrutado se mostrava cada vez mais útil para o Comando. Sua primeira e última missão havia sido trabalhar numa maneira de vigiar todas as ações dos próximos de August, Annabeth e Niakamo-Fu, bem como o círculo de amizades de Marinnete Dupain-Cheng e Adrien Agreste. Dono de cabelos negros despenteados e belos olhos amendoados era o favorito do chefe da operação que mandava nos outros integrantes dentro daquele hotel. Salah bate levemente na porta do mesmo, aguardando ansiosamente sua permissão para entrar.
— Entre. – a voz ordena, porém sem o modificador de voz que costumava usar quando falava com o trio e a Rainha do Estilo. Uma voz feminina, porém autoritária do mesmo modo.
Salah abaixa levemente a cabeça e entra nos aposentos da cobertura, fechando a porta firmemente atrás de si antes de se virar para a cadeira de veludo vermelho onde se via pouco da silhueta de quem quer que fosse o comandante da máfia agora. O silêncio se instaura entre ambos. Se tinha algo que sabia era falar apenas quando necessário.
— Relatório Salah. – a mesma diz, fazendo o jovem dar um sorriso para si mesmo.
— Louis tentou encontrar informações nossas na rede, porém eu consegui desativar o site antes que ele tivesse êxito. – conta, parecendo satisfeito. – Marinette e Bridgette Dupain-Cheng estão na casa de seus pais, assim como Adrien e Félix Agreste. Ambos sobre a proteção de seus pais e alguns seguranças, respectivamente. Já Chloé Bourgeios e Alex Zuberg... Não consegui localizá-los por enquanto, chefe.
— Achei que tivesse lhe mandado ficar de olho nos dois. – pondera, pensativa. O mesmo respira fundo.
— Sim, essa foi a ordem. – ele confirma, abaixando os olhos quando vê a silhueta sentada começando a se levantar. – Acontece que desde que chegou de Calanque não encontramos sinais dos dois. Provavelmente o prefeito viajou com sua filha e quanto a Alex...
— Alex Zuberg deve ser encontrado o mais rápido possível para o início da parte dois do nosso progresso. – a voz lhe interrompe, parecendo irritada.
Salah não pôde evitar se sentir nervoso quando viu o par de sapatos caríssimos na direção que olhava. Um par de saltos vermelhos lustrados e quase lhe mostrava seu reflexo. A mão de seu chefe segura seu queixo e o obriga a encarar seu rosto. Os olhares de ambos se travam: autoridade e seriedade. Um desafio silencioso acontece, onde a malícia e a ironia rapidamente se impregnam no ar. O jovem Salah não era o favorito pelo chefe por apenas ser competente e prático: também era um ótimo passatempo nos dias de tédio.
— Eu fui clara senhor Berger? – indaga, sem desviar os olhos do moreno de olhos amêndoas. Um sorriso se forma nos lábios do outro.
— Sim senhora. – responde, sem quebrar aquele contato visual.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa ambos se envolvem em um beijo desesperado e intenso como muitos que já haviam tido muitas vezes antes. Nunca se gabara por ser um caso de alguém, porém com ela era diferente. Ela era quente, dominadora. Sua chefe sempre conseguia o que queria – ele não era diferente.
Foram empurrando os móveis até a parede mais próxima, onde ela o pressionou e começou a tirar sua camisa social. Estavam sozinhos no prédio: todos já haviam se recolhido ou saído do hotel. Salah sabia que podia ser apenas mais um instrumento de prazer em suas mãos – quem disse que se importava com tal?
O plano logo chegaria ao segundo nível, assim como aquela noite.
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