Stay With Me
20 Capítulo 20 - Mulheres.
Gwen Stacy
Já era noite e eu me distraía lendo um livro ao lado da janela do meu quarto quando ela foi batucada de repente.
— Hey! — exclamei com um sorriso. — Que susto!
Peter sorriu de volta. Ele estava sem uniforme, e apesar de eu me preocupar com ele voando por aí sem máscara, era exatamente daquele jeito que eu gostava quando ele aparecia. Ele podia ser meu Homem Aranha, mas ele era o meu Peter Parker primeiro.
— Você é tão distraída.
— Você que é silencioso.
Ele entrou em meu quarto e me encarou.
— O que? O que é? — seu sorriso sumiu e eu me preocupei. — Peter?
— Eu... — ele abaixou a cabeça e eu me aproximei.
— Peter?
— Sou oficialmente um Vingador! — me surpreendeu com um abraço de urso, praticamente me tirando do chão.
Soltei uma risada, alegre.
— Idiota! Me assustou!
Ele apenas riu e eu me apoiei em seus ombros.
— Mas e aí? Conheceu todos eles?
— Menos o Thor e o Hulk, mas... o Capitão América. — o olhar de Peter brilhava como uma criança, e eu tive que rir. — Ele é incrível, nem parece real! Não acredito que vou poder trabalhar lado a lado dele.
— Como está se sentindo sr. Vingador?
— Bem mais maduro. — ele riu me pondo no chão. — E em clima de comemoração...
Seus dedos adentraram meus cabelos e eu me arrepiei quando nosso lábios se tocaram. Podia sentir sua respiração acelerar a cada segundo e eu me afastei com alguns selinhos. Peter me segurou de volta.
— Tão impaciente. — eu murmurei e o senti sorrir.
Voltou a me beijar, dessa vez com mais urgência. Suas mãos descendo por minhas costas e apertando minha cintura.
— Peter. — eu sorri com seus beijos em meu pescoço, tropeçando em nossos próprios pés, seus músculos me prendendo contra a parede.
Senti o clima esquentar e parecia loucura mas era como se minha pele ficasse realmente mais quente! E de repente, eu paralisei.
Podia sentir o som do meu próprio coração batendo contra os meus ouvidos e o meu sangue, antes quente, parecia ter gelado em meu corpo.
Alguns segundos e Peter notou o que acontecia comigo, se afastando.
— O que foi?
Senti meu rosto vermelho em vergonha e fiquei em silêncio.
— Gwen?
Abaixei os olhos. Eu não estava preparada para isso, de alguma forma, não parecia certo. Não assim e definitivamente não agora.
Suspirei, sentindo seu olhar sobre mim.
— Desculpa, eu... a-acho melhor a gente... ir... parando...
Estava com medo de olhar para ele e encontrar rejeição. No colégio era tudo tão simples, um toque de mão ou um olhar era o suficiente pelo resto do dia. Mas agora... agora Peter era um homem. Eu, uma mulher.
Era hora de crescer, aparentemente. Mas eu não conseguia.
— Desculpa. — repeti, me afastando. — Você merece bem ma-
— Gwendy, hey... — ele me puxou pelo braço de novo, fazendo eu ficar de frente a ele. — 'Tá tudo bem.
Torci meus lábios.
— Eu prometo. Eu entendo. Se tem alguém que deveria pedir desculpas, sou eu. — Ele segurou minha mão e beijou os nós de meus dedos. — Eu nunca iria te pressionar dessa forma. Eu posso esperar.
— Peter.
— Eu esperaria até mesmo depois do casamento se necessário.
— Peter! — arregalei os olhos e ele riu.
— Viu? Aí está o sorriso. — ele apertou minhas bochechas e eu o estapeei. — Eu te amo, Gwen.
Suspirei.
— Eu também te amo, Peter.
Nos sentamos, com uma boa distância dessa vez, mas confortável. Peter passou a me contar sobre os Vingadores que conheceu, sobre como ele não precisou contar muito sobre sua vida pessoal e como eles entenderam isso e até mesmo o aconselharam em algumas coisas. (Apesar de que os conselhos do sr. Stark foram bem duvidosos pra mim.)
Passado uma hora, ele se preparou para ir embora e eu beijei seu rosto.
— Cuidado. Não quero ver o mais novo membro dos Vingadores machucado.
Peter sorriu ironicamente, com aquele sorriso que eu havia aprendido a amar.
— Você devia falar isso pros bandidos, não pra mim.
Peter Parker
Mais uma noite com pensamentos inquietos. Definitivamente não era bom estar trabalhando como Homem Aranha assim tão distraído, mas eu não podia evitar. A cidade precisava de mim e- Droga, eu precisava da Gwen.
Eu a amo.
Eu a quero.
E ela não está preparada para dar um próximo passo.
Meu amor é maior do que meu desejo. Eu posso conviver com isso certo? Não tem porquê ter pressa. Quando a hora certa chegar... mas quando é a hora certa? Depois do casamento? Poderia ser um pensamento antiquado, somos tão jovens e... há quanto tempo estamos juntos? Três anos contando com todas as vezes indo e vindo, provavelmente... mas era um pensamento antiquado que falando a verdade, não me desagradava não.
Eu amo Gwendolyn Stacy e quero passar o resto da minha vida com ela. Em algum momento o casamento vai ter que vir, certo?
Casamento... eu sou um Vingador agora, eu sou maduro o suficiente mesmo com 19 anos e-
Droga, o que estou pensando?! Estou sonhando demais?!
Homem Aranha. Concentre-se, você é o Homem Aranha agora.
Suspirei, pousando em cima de um prédio. Talvez fosse melhor ir pra casa, as ruas estavam bem escuras e silenciosas nessa parte da cidade. Será que tia May estava preocupada com meu atraso? Vou ter que inventar um motivo bem sério dessa vez se ela perguntar.
Subitamente, vejo uma sombra preta vestindo um sobretudo percorrendo a calçada em frente à uma joalheria. Hummmm. Suspeito. Me estiquei pela parede e vi que ele carregava uma maleta branca, possivelmente cheia de jóias.
Agilmente, eu me cheguei até um poste, bem quando o cara ia passar.
— Olá, amigo. — cumprimentei, e durante um segundo, suspeitei que talvez eu estivesse errado. — Tá vindo de onde?
O cara se virou, correndo.
— Eu não sei porquê ainda pergunto. — resmunguei.
Ele era bom, usava a escuridão ao seu favor, pulando uma cerca e correndo entre os becos de Nova York.
Minhas teias o alcançaram e eu saltei bem na frente do ladrão.
— Seu pai não te ensinou que é feio roubar?
O magrelo partiu com tudo pra cima de mim e eu mal consegui desviar, de tão escuro que estava. Ótimo! Uma briga pra ajudar a me distrair. Uma pena que acabaria cedo demais já que- Wow! O cara era bom mesmo! Jogar teias nele era difícil, já que ele se mantinha bem próximo de mim, me fazendo ter que usar meus punhos para atacar de volta.
Em algum ponto, a maleta que ele carregava caiu. Ele me chutou na barriga correndo para buscar seu prêmio, mas eu finalmente consegui acertar uma teia em seu braço, o puxando de volta.
— Pra que tanta pressa? É nosso primeiro encontro!
Tentei acertar um soco em seu rosto, mas ele também foi rápido e deu uma estrelinha, ficando suas pernas em minha cabeça me fazendo girar pro chão com ele.
Cai de costas no chão, sufocado.
— Qual o problema, querido? É nosso primeiro encontro! — ele me ecoou, o cachecol que dava a volta em seu rosto fazendo sua voz sair tão abafada que eu mal entendi o que ele havia dito, mas soava sarcástico.
Suas cochas prendiam meu pescoço e eu podia me sentir ficando roxo. Céus, um ladrão não deveria ser tão bom assim! Desesperado por ar, decidi rolar pelo chão até conseguir fazê-lo afrouxar um pouco o aperto.
Ele fez exatamente como eu havia previsto e me soltou, levantando-se de novo para me atacar. Usei das minhas para segura-lo contra a parede. Me ergui com dificuldade, aproveitando os bons segundos que o ar adentrou meus pulmões de volta e com surpresa, vi a sombra voltar em minha direção com rapidez.
— Ah, fala sério. — resmunguei, desviando do que parecia ser uma... agulha? farpa? que ele segurava para me acertar. O que quer que seja, fiz com que ele soltasse, segurando seu pulso fortemente.
O arremessei pra longe, e ele arrastou-se surpreso contra um poste de luz.
Corri, jogando-me por cima dele, segurando seus braços contra o chão. Foi tudo tão rápido que eu nem percebi que o cachecol e a touca que ele usava haviam caído e que-
Uau.
Seus cabelos eram platinados. Os olhos brilhavam verdes, contornados por uma fina máscara preta. E o batom vermelho realçava uma boca perfeitamente desenhada.
— Mas você... é uma garota? — constatei chocado.
Ela sorriu, mostrando os dentes.
— Mulher. — corrigiu arfante, e o que veio em seguida me surpreendeu ainda mais.
Ela me acertou no golpe de "cabeça com cabeça" e se aproveitou, jogando-me pro lado e subindo em cima de mim.
— De todas as descrições que os outros me deram sobre você, não imaginava que seria tão selvagem, Aranha.
— Quem é você?
— Seu pior pesadelo... sou a Gata Negra.
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