Stay Strong
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu estava mais uma vez trancada em meu quarto chorando enquanto ouvia outra briga de meus pais sem poder fazer nada. Era sempre assim, ele chegava bêbado em casa e começavam a discutir por isso, na maioria das vezes resultava em mamãe machucada, ele batia em nós duas por isso mamãe costumava me mandar para o quarto quando ele estava chegando, eu não aguento mais.
Tentei me distrair conversando com Andrezza, minha amiga virtual. Eu não tenho amigos aqui em São Paulo, apenas em outras regiões do Brasil, como no Rio Grande do Sul, porque as pessoas do colégio não gostam de mim, eles me chamam de cada coisa que você não pode nem imaginar, eu sofro bullying desde os meus dez anos e até hoje ainda não acabou, a única sorte é que tenho Dezza e as outras garotas do grupo de autoajuda, elas são as únicas que me entendem e não me deixam desistir, a única razão para eu ainda estar aqui são elas e minha mãe.
Continuo ouvindo os gritos apesar de tentar ignorar, só espero que ele não bata em mamãe.
- CADÊ AQUELA VAGABUNDA? EU QUERO FALAR COM ELA. – Meu pai gritou, eu sabia que ele se referia a mim.
- Não te interessa Carlos, e não fale da minha filha assim. – Mamãe o repreendeu.
- ELA É MINHA FILHA TAMBÉM, APESAR DE QUE EU PREFERIA QUE NÃO FOSSE.
- NÃO DIGA ISSO, VOCÊ QUE NÃO MERECE TER UMA FILHA COMO ELA.
- NÃO MEREÇO MESMO, UMA PORCA GORDA QUE NÃO FAZ NADA DA VIDA, SÓ SERVE PARA ME DAR GASTOS.
- GASTOS? OS ÚNICOS GASTOS QUE TEMOS É COM AS SUAS BEBIDAS!
- NÃO DIGA ISSO, SUA PIRANHA! – Um barulho ecoou e tive certeza que ele estava batendo em minha mãe, eu queria fazer alguma coisa, mas não podia, se eu descesse ele bateria em mim também e eu já havia apanhado demais na escola.
- ME LARGUE CARLOS, NÃO ENCOSTE EM MIM! – Outro barulho foi ouvido e passos rápidos se aproximaram de meu quarto, as lágrimas desciam descontroladamente por meu rosto e eu já não respondia Andrezza.
Eu queria poder ajudar mamãe, ou ao menos queria poder dizer que papai estava errado, mas não, ele estava certo, eu não passava de uma porca gorda, uma imprestável que não devia ter nascido, como todos no colégio diziam, eu poderia ter descido e deixado ele me bater, talvez assim eu morresse, ou pelo menos amenizaria a dor que estou sentindo por dentro.
- Querida, abra a porta. – A voz de mamãe soou do lado de fora e me levantei da cama, enxuguei o rosto e abri a porta como ela havia pedido, em seguida ela entrou e a fechou novamente.
- Mãe, você está bem? – Perguntei, analisando-a.
- Estou, meu amor, não chore. – Ela acariciou meus cabelos castanhos.
- Não estou chorando, mamãe.
- Está sim querida, eu sei que estava. – Me abraçou e continuou a afagar meus cabelos.
- Ele te bateu?
- Não, estava bêbado demais para controlar seus movimentos, não conseguiu.
- E aonde ele está agora?
- Não sei, estava caído na sala quando subi.
- Não aguento mais isso mamãe, você não merece isso.
- Eu sei querida, vamos dar um jeito ok? – Assenti e ela desfez o abraço. – Vou fazer uma ligação, espere aqui.
- Cuidado mãe, não sai daqui. – Segurei a mão dela.
- Não se preocupe amor, eu já volto. – Ela saiu do quarto e fechou a porta, não ouvi nada por algum tempo, talvez papai tivesse ido dormir ou saído de novo.
Minutos depois a porta se abriu e mamãe entrou novamente no quarto.
- Tenho uma notícia meu amor. – Ela disse.
- É boa, mãe? Por que se não for nem diga.
- Acho que é boa sim.
- O que é?
- Nós vamos morar com a sua avó! – Ela exclamou sorridente, nem parecia a mesma mulher que entrou em meu quarto pouco tempo antes. Vovó mora no Rio Grande do Sul, que maravilha, eu poderia conhecer Andrezza! Mal sabia que a partir daí as coisas só piorariam.
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