Notas iniciais
Bom gente, espero que gostem. É o primeiro capítulo, eu queria ter escrito já todo o passado dela aí, mas não rolou! Bom, aproveitem C:

E lá estava eu, entrando no enorme prédio branco, envidraçado, no meio de um lindo bosque. Um silêncio total, apenas com o barulho de meus saltos e as rodinhas de minha mala no chão branco recém encerado. Andava com postura e nariz empinado, mesmo me sentindo um lixo por dentro por toda aquela situação. Minha mãe havia me largado na frente do local, pois estava atrasada para o serviço. Nem pra entrar comigo?!? Ela andava muito ocupada com o trabalho nos últimos tempos.

Mesmo dentro do prédio, ainda usava meus óculos escuros e finalmente aproximei-me do balcão, onde havia uma atendente muito bem vestida com uma blusinha branca e blazer cinza claro.

- Olá, posso te ajudar? -ela pergunta com um sorriso no rosto.

- Ahm... -comecei, um pouco tímida- Meu nome é Elizabeth. Elizabeth Collins.

- Oh, aqui está! -ela disse logo após digitar o que eu acho ter sido meu nome no computador a sua frente- Elizabeth Anne Collins. Que nome bonito! Deveria usa-lo inteiro.

É, mas havia um motivo para eu não fazê-lo, não é mesmo? Se eu quisesse ter dado meu nome inteiro, eu teria dado. Mas TINHAM que me cadastrar com todo ele...

- Obrigada... -disse envergonhada, sorrindo.

- Por nada, querida. -a mulher parecia muito querida, calma e paciente.- Bom, mas então, -ela disse ajeitando umas folhas- por que você está aqui?

- Bem... -comecei

Não, não contaria tudo... Ou contaria? Seria necessário? Sim, era. Fiquei um pouco nervosa, mas contei. Contei apenas o motivo, não toda a história por trás...


–Anos atrás-


- Isso não é justo! Não podem fazer isso comigo! -eu dizia aos berros, chorando.

- Calma filha... -meu pai dizia, atordoado.


Estávamos nós, eu, mamãe e papai na grandiosa mesa de jantar de minha casa. Minha irmãzinha, Adella, estava chorando em silêncio ao meu lado. Ela era mais assim, sabe? Sofria em silêncio. Já eu não. Não até este dia.

- Vai dar tudo certo. -minha mãe dizia, parecia meio triste.

- Não, não vai! Sabe por que?!? PORQUE VOCÊS VÃO SE SEPARAR! Isso não é justo, não podem fazer isso comigo, nem com a Ella! -era assim que eu a chamava. Não só eu, pois esse era seu apelido.

Neste momento, ela levantou-se, olhou bem para nossa cara e subiu para seu quarto, devagar.

Minha mãe pegou um copo d'água para mim, que bebi, me acalmando.

- Elizabeth, -meu pai comessara- isso é uma decisão que já foi tomada. Não tem como voltar atrás.

- Nós não estavamos conseguindo passar tempo juntos e não havia mais química. Então, essa foi a melhor decisão a tomar. -minha mãe disse

- Ele tem outra, não é?!? -eu disse, alto e indignadamente.

- Eliza... -pai

- É verdade, não é?!? -eu

- Eliza...

- NÃO É?!? -eu

Eles não disseram nada. Também, não tiveram tempo pois eu empurrei a mesa e subi correndo ao meu quarto.

Eu nem conseguia ver o chão, então caí. Logo, levantei-me e entrei em meu quarto, batendo a porta fortemente. Me joguei em minha cama e enfiei minha cara em meu travesseiro. Logo, adormeci.

Acordei com o barulho estridente de meu despertador. "Que ótimo, quarta-feira. " eu pensei, dando uma paulada nele.

Eu havia adormecido de roupa, sem banho, com a cara toda molhada com lágrimas e olhos inxados. Para completar, meu cabelo parecia um ninho de ratos.

Levantei-me rápidamente e corri para o banheiro. Tranquei a porta e entrei no chuveiro. A água quentinha fazia eu me relaxar um pouco, dentro do possível.

Terminei o mesmo e fui me vestir rápido, pois já estava atrasada. Não podia chegar atrasada pois era a melhor aluna da classe então precisva fazer jus ao nome.

Voltei ao banheiro para escovar meu cabelo e dentes. Quando peguei minha escova, ví um pequeno frasco com pílulas dentro. Encarei-as por um bom tempo, em minhas mãos. Deveria toma-las? Achei que sim, mas aquele não seria o momento. Para tirar-me de meus devaneios, veio Ella batendo na porta.

- Vamos Eliza! Você já está a muito tempo aí dentro...

- Já vou! -respondi

Terminei rápidamente e saí de casa. Peguei a minha bicicleta e pedalei rápido até a escola. Quando cheguei, já havia batido o sinal. "Que maravilha!" pensei, parando a bike e entrando.

Apressada, consegui cair no chão do corredor e meus livros se espalharam pelo chão. Eu nunca estive tão atrapalhada. Para minha sorte, uma voz amiga veio em minha direção.

- Faxineira nova? -ele disse brincando

- Muito engraçado, Rick! Agora me ajuda aqui, por favor.

- Claro.

Esse era o Richard. Rick como nós chamávamos. Ele era um dos meus melhores amigos. Nós éramos em um grupo de cinco: eu, Monna, Payton, Alexia e Rick. Estávamos juntos desde o Jardim de Infância e éramos inseparáveis. Sempre juntos. A gente era daqueles tipo: "Sora, pode quarteto de cinco?" e quase sempre podia, o que era o melhor.

Rick era loiro de olhos azuius, uns oito centímetros maior que eu e era forte, pois era do time de Baseball. Eu e as meninas adorávamos ve-lo jogado, pois ele o fazia muito bem. Ele era super querido e cavalheiro também.

Monna tinha cabelo marrom, liso e em corte Channel, olhos castanhos. Era bem estudiosa e era ótima em teatro (artes cênicas). Os pais dela haviam se separado também, há uns quatro anos.

Payton tinha longos cabelos louros e completamente cacheados, olhos cor de mel. Ela fazia parte do time de líderes de torcida da escola e era bem inteligente.

Alexia já era mais extrovertida e largada. Tinha cabelos na altura do busto, pretos e lisos, olhos castanhos. Ela tocava guitarra mas, ao mesmo tempo, era campeã de xadrez.

- Obrigada. -eu disse levantando-me, já com os livros ajuntados.

- Não por isso. -Rick levava alguns de meus livros.- Eliza, eu... Eu fiquei sabendo.

- Do que?

- Dos seus pais. Eu sinto muito...

- Não sinta.

- Mas é que eles são muito gente boa e, poxa, ninguém nunca esperaria por isso.

- Rick, tá tudo bem, sério. Isso acontece com muitas pessoas.

- É, acho que sim...

Logo, chegamos na sala de aula. A professora sabia que Rick havia saído, pois ele iria ao "banheiro". Quando entramos na sala, todos fizeran um silêncio e com os olhos, me acompanharam até eu me sentar. Eu estava meio constrangida, pois isso nunca acontecera antes. Monna estava ao meu lado, Payton atrás de mim e Alexia a minha frente. Logo, a aula voltou ao normal.

- O que aconteceu Eliza? –Monna

- Não aconteceu nada, -comecei- apenas… Cheguei atrasada.

- Mas isso não é normal para você. –Payton

- É, você sempre chega cedinho... –Monna

- Tá tudo bem mesmo? –Alexia

- Sim. –eu

Eu percebia em seus olhares que elas já sabiam de meu pais, mas queriam “saber” por mim.

Aula de matmática. Eu era boa e até que gostava. Dois períodos seguidos, trabalho em dupla.

- Faz comigo? –Monna disse para mim

- Claro. –respondi

Começamos a fazer a atividade, enfim.

- Eliza... –Monna começa

- Monna, meus pais vão se separar. Mas acho que você já sabe disso. –eu

- É, sei sim... Meu pai me disse hoje no café da manhã.

- É, acho que muita gente já sabe... –eu disse, olhando para o caderno

- Pode ter certeza que não é muita gente.

Eu apenas dei um sorrisinho sem os dentes, para baixo, falsamente.

O sinal toca e saímos para o recreio. Peguei meu lanche e saímos da sala.

No pátio, sentamos embaixo de uma árvore. A nossa árvore. A gente sempre sentava-se ali no recreio e quando tinha trabalho ao ar livre.

- Gente, -comecei- aconteceu uma coisa.

Todos me olharam com concordância, então prossegui.

- Meus pais, eles... Eles vão se separar.

- Puxa, que chato môr! –Payton

- Mas a gente sempre vai estar aqui pra você, ok? –Alexia

- Brigada gente, vocês são demais. –eu

- Eu sei. –Rick

Nós rimos e eu dei um empurrãozinho nele, que quase caiu morro abaixo.

- Cuidado! –eu gritei, segurando-o

- Se você deixar, né... –Rick

Nós rimos novamente.

Eu adorava o carinho e apoio dos meus amigos, pois eles eram tudo o que eu tinha no momento. Não tinha mais meus pais, não os dois ao mesmo tempo.

Minha mãe trabalhava até às 22:00 e agora que papai havia se mudado, eu adormeceria sozinha. Minha irmã moraria por um tempo na casa de minha tia, Doty. Ela era realmente demais e talvez eu pasasse mais tempo com ela do que com a minha mãe.

Bateu o sinal e entramos na sala, novamente.

O resto da aula foi tranquilo e o pessoal tantou não tocar no assunto “família”.

Monna se ofereceu para me acompanhar até em casa mas eu disse que não preciasva. Então Rick foi que, mesmo eu dizendo para ele não ir, ele iria.

- Você não precisa fazer isso. –eu

- Lógico que preciso. –Rick disse abraçando-me por cima do meu ombro, o que eu não pude retribuir pois estava lotada de livros.

Peguei minha bike e ele seu skate e assim, fomos para minha casa.

Cheguei, Rick foi embora (na verdade, ele nem entrou), subi para meu quarto e lá fiquei ouvindo música, chorando um pouco, vendo TV, mechendo no computador, tocando violão e escrevendo músicas completamente depressivas sobre como minha vida era uma droga.

Lembrei-me então das pílulas no banheiro. Talvez elas ajudassem. Mal não fariam, certo?

Sequei minhas lágrimas e larguei o violão no pedestal e abri lentamente a porta de meu quarto. Olhei para os dois lados para checar que não havia ninguém ali e segui silenciosamente para o banheiro. Cheguei ali, peguei o frasco alaranjado que me encarava. Olhei-o e vi meu reflexo no vidro.

- O que ta fazendo? –disse minha irmã a porta do banheiro, assustando-me tanto que deixei o frasco cair no chão. Ainda bem que ele não quebrou.

- Mas que cagasso menina! Quer me matar do coração? –eu disse

- Não sou eu que quero me matar. –ela disse referindo-se ao frasco- O que tem aí?

- Tilenol, nunca viu não?

- Não em frascos.

- Tá, que bom. Agora me deixa que eu to com dor de cabeça. –eu disse batendo a porta em sua cara.

“Finalmente a sós.” Pensei comigo mesma. Peguei um copo ali presente e enchi ele de água. Abri o frasco e peguei duas pílulas e meia. Olhei no espelho pela última vez e tomei-as.

De repente, me senti mais leve, porém meio tonta e comecei a sorrir muito, tanto que minhas bochechas doíam quando tudo ficou preto e eu caí. Acho que eu dormi e aquela sensação foi muito boa. Eu me sentia livre, sem preocupações e tive um sonho maravilhoso.

Acordei sentindo água gelada em minhas costas. Abri meus olhos e via tudo meio embaçado, mas consegui reconhecer mamãe, que me dava leves tapinhas na cara para eu acordar, papai e Ella, e percebi que estava dentro de uma banheira cheia d’água.

Finalmente retomei a conciência e comecei a tossir, muito forte.

- Elizabeth, o que você fez, menina?! –mamãe

- Ela disse que era tilenol. –Adella

Eu tossi tanto que começou a sair um pouco de sangue de minha garganta. Ella ficou muito assustada, então papai levou-a para seu quarto e lá eles viram alguns desenhos animados na TV.

Eu olhei para a água, parando de tossir, e vi que ela estava avermelhada. Mamãe apavorada trouxe-me um copo d’água.

- O que você fez, minha filha?

- Nada, mãe. Só estava cansada e acabei adormecendo aqui.

Para minha sorte, havia guardado o frasco antes de tomar as pílulas. Tudo aquilo havia acontecido, mas eu estava me sentindo melhor, sabe? As pílulas faziam-me sentir bem em meio a toda aquela situação.

- Elizabeth Anne Collins, não minta para mim! Isso pode ser perigoso, filha.

- É verdade mãe. –menti- Sério. Só cansada, vou dormir.

Minha mãe saiu do banheiro para que eu pudesse tomar um banho, que foi o que eu fiz.

Depois, aprontei-me e fui para a cama. Antes de sair do banheiro, peguei o frasco e pus embaixo de meu travesseiro.

No dia seguinte, acordei muito bem: relaxada e feliz. Aprontei-me e segui para a escola com minha bike, como sempre.

Desta vez eu não cheguei atrasada como no outro dia. Estacionei minha bike a andei calmamente pelos corredores, até chegar em meu armário e pegar o material que eu precisava. Logo, segui para a porta da minha sala, onde o pessoal estava.

- Oi gente! –eu

- Oi! –disseram em coro

- Hoje não chegou atrasada, ehm? –Rick

- Aham! –eu disse, rindo

- Estudou pra prova? –Payton

- Hã...? –eu

- É, de matemática. Por isso revisamos ontem, lembra? –Monna

- Eu não estudei, gente! –eu

- Sério? –Alexia

- Sim... –eu

Antes de qualquer manifestação, o sinal tocou e fomos obrigados a entrar na aula. Fiz o teste e agora, tenho que esperar.

Acabou a aula, fui pra casa. Ninguém lá, como sempre. Comecei a ficar chateada e a pensar demais nas coisas, então desolvi tomar mais daquelas pílulas. Logo, senti-me leve novamente e atirei-me na cama. Dessa vez, não fiquei tonta e tudo não ficou preto. Apenas via tudo meio embaçado e logo adormeci.


Notas finais
E aí, gostaram?? Deixem reviews, ODEIO leitores fantasmas C;
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.