Stay High

1 Capítulo único


As luzes circulavam o ambiente negro em danças sincronizadas, brilho e escuridão estavam em harmonia. A batida envolvente retumbava dentro do peito de Shouto Todoroki que escapava pela multidão até chegar ao bar.

Pediu uma, duas, três doses de Mojito. Não era acostumado a beber, mas aquele drinque descia com suavidade pela garganta, foi fácil ficar bêbado. O meio ruivo raramente saía para festas e sorvia de álcool, mas estava num dia ruim e precisava de uma rápida distração.

Algumas pessoas paravam na sua frente, puxavam assuntos aleatórios e por educação Shouto apenas escutava e concordava mesmo que não estivesse afim de trocar uma conversa. O mais chato era desviar dos abraços rápidos, das puxadas de mão e de bocas que deslizavam pela bochecha em busca de seus lábios. Aquilo tudo era tão estranho, que só bêbado para aturar os insistentes flertes.

A noite apenas foi salva por um par de olhos carmesins que reluziam com a dança dos refletores. A cada raio de luz que passava pelo o rosto do loiro, causava um estranho sentimento de aproximação em Shouto.

E ele foi, na cara e na coragem.

— Oi. — Todoroki escorou as costas na parede e ficou ao lado do homem que parecia tão aborrecido quanto ele naquela festa. O loiro olhou para ele com estranheza, por segundos Shouto havia arrependido-se amargamente por ter iniciado o papo, mas felizmente foi respondido.

— Oi. — Ele girou para o bicolor e sorveu um pouco da cerveja que estava na longneck que segurava em uma das mãos. O clima realmente havia ficado estranho, apenas ficaram se encarando e a frustração de Shouto crescendo a cada olhar explosivo do rapaz. Ele sorveu com rapidez o Mojito pelo canudinho, talvez ter um “pt” no meio da festa e ser levado para um hospital longe de todos, principalmente, de sua família, fosse mais fácil do que aguentar outra situação ruim para completar aquele dia de merda. Porém, para a sua surpresa, o homem aproximou de forma íntima e Todoroki quase derrubou o copo no chão.

— Me chamo Katsuki Bakugou… — Foi a única coisa que Shouto entendeu entre uma batida e outra da música que circulava pela casa de festas. Um arrepio percorreu o pescoço perto de onde ele falou, o pouco que ouviu, concluiu que a voz do rapaz era grave e intensa.

— Shouto — Agora foi a vez do meio ruivo chegar próximo ao ouvido de Katsuki, sentir o perfume amadeirado e o cheiro da jaqueta de couro que ele vestia. — S-shouto Todoroki. — O bicolor quase riu das próprias palavras que saíram enroladas da boca. O álcool realmente havia pegado, mas sóbrio ou não, ele queria saber um pouco mais daquele rapaz que parecia tão entediado quando ele naquela festa.

Shouto afastou-se do loiro, mas não o suficiente, pois queria manter a proximidade enquanto a troca de olhares era regrada por Mojito e cerveja. Não demorou muito para que Katsuki deixasse a longneck sobre um suporte para bebidas e partisse para os lábios salgados pelo drinque de Shouto.

Foi tão rápido e lascivo que o bicolor deixou o copo cair enquanto era embalado para um canto misterioso da pista de dança. Era estranho pensar que aquela era a primeira vez que ele ia para a balada sozinho e que estivesse bêbado nos braços de um estranho que, inclusive, beijava incrivelmente bem.

Por alguns momentos a consciência tentava trazer-lhe a razão, mas Katsuki era envolvente com a língua, com as mãos e com o corpo por um todo. Pelo gosto de álcool no beijo, o loiro parecia tão bêbado quanto ele.

As mãos de Shouto seguraram com urgência as abas da jaqueta de couro e por ser um pouquinho mais alto podia prender-se aquele corpo com facilidade. O loiro subiu as mãos até o rosto do bicolor e os olhos identificaram uma curiosa cicatriz sobre o olho esquerdo. E invés de causar estranheza, ele adorou aquele detalhe tão único sobre aquele olhar azul profundo que parecia querer compartilhar vários sentimentos secretos.

Katsuki fechou os olhos e deixou aquela pegada ganhar intimidade, enquanto as mãos se deliciavam na pele macia, nos cabelos sedosos ou no perfume requintado do rapaz. Ele prensou o corpo na parede, o joelho seguiu entre as pernas, o que tirou um suspiro pesado de Shouto.

Os sons da festa pareciam ter se silenciado, os ouvidos apenas concentravam-se no som das respirações, nos estalos de um beijo e outro, ou nos suspiros que deixavam os dois excitados. Todoroki nunca pensou que encontraria alguém como o tal Bakugou dando mole na festa, pronto para ele.

Shouto sempre julgou deselegantes os casais que saiam aos amassos nas festas, e agora quem fazia aquele tipo de coisa era ele. O mundo dá voltas, não é mesmo? Ele queria tocar, ele queria se sentir vivo aquela noite.

As mãos do bicolor seguiram da jaqueta até o peito do rapaz, apreciou com o toque os detalhes das clavículas e do pingente de metal que caia no meio do peito. Perigoso e envolvente, era tudo que pensava a cada toque de Katsuki sobre sua pele que queimava feito fogo.

Os pulmões de Bakugou clamaram por oxigênio e ele afastou-se com as mãos apoiadas em torno do maxilar de Todoroki. Os polegares tocaram com lentidão os lábios do meio ruivo, Bakugou deslizou o dedo com uma leve pressão apenas para sentir toda aquela maciez.

— Você é um burguês filho da puta de gostoso. — A voz arrastada com notas eróticas fizeram Shouto fraquejar sobre as pernas, apenas para sentir aquela pressão da perna do loiro entre as dele. Katsuki riu inebriado pelo álcool e por todas as sensações que o corpo revelava naquele canto escuro da boate.

Shouto ergueu o pescoço e apoiou a cabeça na parede, liberando passagem para que Katsuki distribuísse algumas carícias com a boca. A respiração quente e a língua molhada circulando na pele arrepiada, o ar que escapava quase num apelo para ser consumido ali mesmo por todo aquele tesão marginal. Todoroki estava inebriado com a presença de Bakugou.

Naquela noite, o pai de Shouto havia descoberto sobre a homossexualidade do filho e com ela agressões verbais, tapas afiados e uma declaração de ódio. O meio ruivo foi expulso de casa, fadado de aberração, que não era homem o bastante para pertencer àquela família. Uma lágrima solitária escapou de seus olhos fechados, mas aqueles beijos secavam tudo e se perdiam em sua boca quase numa cura para toda aquela dor.

Seria possível se apaixonar por um estranho? Seria carência ou baixa auto estima? Vingança contra o pai? Shouto queria ser fodido, queria provar tudo que Bakugou oferecia para ele naquela noite.

— Katsuki… — O meio ruivo girou com ele entre os braços e foi a vez de pressionar o loiro na parede. As mãos seguraram a bunda farta e durinha de Bakugou e as intimidades se roçam sobre as calças jeans. Os dois arfaram entre o novo beijo que se iniciou, mas dessa vez comandado por Shouto.

Os corpos se moldavam um no outro, os quadris se moviam numa doce ilusão de sexo. E por mais que tudo aquilo fosse quase desesperador, era muito gostoso os loops de êxtase provenientes do álcool e da excitação.

Naquela noite, Shouto passou mal por conta do Mojito e Katsuki teve que pegar o celular de seu ficante e ligar para algum amigo próximo o levar para casa. Inasa apareceu pouco tempo depois com lanches, chocolates, água e um Engov. O kit para ressuscitar bêbados estava pronto, exatamente como Shouto deitado no banco de trás do carro.

Pela tarde, Todoroki acordou com dor de cabeça e a boca salgada pelo álcool. Ele girou o corpo na cama e reconheceu o quarto de seu amigo e sobre o bidê estava o celular. A primeira coisa que veio na mente foi o par de olhos vermelhos e a boca lasciva o devorando como se fosse a coisa mais preciosa e saborosa do mundo.

Puta merda.

Aos poucos as lembranças da noite passada tornavam-se nítidas, Shouto sentiu a pele latejar onde Katsuki havia tocado com a boca. Aflito, pegou o celular, iria colocar o nome de Katsuki Bakugou no Facebook, mas um sorriso bobo surgiu assim que desbloqueou a tela do aparelho.

“Burguês safado, você passou mal, mas fiz questão de trocarmos os nossos contatos. Assim que acordar, manda um oi aqui (whatsapp).

P.s: espero que esteja vivo, pois vou te matar.

P.s (2): você vomitou em mim.”

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