Stay Alive

31 Treinamento - Dia 3


Notas iniciais
Demorei mais que dez dias para postar porque estou tendo muitas provas, e passei dias sem nem ao menos ligar o notebook. Esse período de encerramento de ano é sempre muito chato... Pelo menos, espero entrar em férias em menos de três semanas, agora. Espero. Bem, espero que gostem do capítulo!

Anna Borgin – Distrito 12

“A liberdade é o maior tesouro do homem” havia se tornado o mantra de Anna naquele tempo que se passara, e ela não se cansava de repeti-lo.

Repetia ao acordar, ao ir dormir e, principalmente, ao treinar. Era algo que lhe dava forças, e isso seria muito necessário naquele momento.

As flechas que ela lançava nos bonecos de treinamento os atingia com bastante precisão. Ela já sabia atirar flechas antes de ir para lá, mas estava se aperfeiçoando, e seus resultados estavam sendo satisfatórios. Anna se movia rapidamente, atirando as flechas nos alvos e repetindo, de novo e de novo, a sua frase.

Era isso tudo o que importava. Podia ser isso que garantiria uma vitória.

Algum tributo, provavelmente Carreirista, passou por perto e, ao vê-la treinando, gritou:

– Belas flechadas, Doze! Aproveite para se divertir um pouco antes de morrer no Banho de Sangue!

Anna parou por algum segundo, incomodada com o comentário. A liberdade é o maior tesouro do homem, repetiu novamente para si mesma, e aquilo a aliviou. Ela não tinha liberdade, isso era fato, mas aquelas palavras já tinham se tornado para ela um sinônimo de perseverança, de maneira que ela não se perturbaria com aquele comentário.

Ignorando totalmente o tributo que estava tentando provocá-la, Anna preparou mais uma flecha.

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Ryan Ferdinand – Distrito 1

Os últimos dias haviam passado voando.

Parecia que a Colheita tinha acontecido no dia anterior, e, embora ainda faltasse três dias para ir para a arena, Ryan sabia que aquilo também pareceria chegar em um minuto.

E, mais rápido ainda, seria a apresentação aos Idealizadores dos Jogos, naquela mesma tarde.

Ryan estava seguro e bem preparado, mas pelo que ele observava dos outros tributos, muitos ainda não sabiam sequer segurar uma faca propriamente. E isso fazia, na verdade, com que ele se sentisse melhor – embora ele nunca tivesse sido o melhor na academia de seu distrito e não fosse exatamente forte, estava muito bem comparado a muitos tributos.

Sua maior preocupação, é claro, seriam os outros Carreiristas, que naquele mesmo momento exibiam suas habilidades com toda a confiança do mundo. Mas não só eles.

Ele já havia reparado que, além dos Carreiristas, havia alguns tributos promissores naquela edição. De aparência forte, ou com alguns talentos bem desenvolvidos. Visivelmente, treinamento específico para os Jogos Vorazes não era o único modo de se adquirir prática ou experiência.

Mas será que esses tributos já tinham uma ideia do que mostrar durante as sessões individuais? Porque as notas eram o que garantiam os patrocinadores, e se não conseguissem chamar a atenção dos Idealizadores, eles estariam com grandes problemas.

Ryan, pelo menos, já sabia o que faria.

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Hazel Davis – Distrito 6

O corredor polonês era um desafio complicado e cruel – e exatamente por isso, era um excelente treinamento para os Jogos.

Hazel já tentava o percurso pela terceira vez naquele dia. Não havia conseguido concluí-lo nas duas primeiras vezes, mas até que estava conseguindo chegar longe – estava surpresa com a própria agilidade. E, também, com a própria força, pois por mais de uma vez um treinador tinha tentado derrubá-la com um bastão acolchoado enquanto ela pulava de uma plataforma para outra e Hazel se equilibrara.

E seu aliado Benjamin, que também praticava no corredor polonês, também estava se saindo muito bem. Inclusive, ele já havia terminado com sucesso uma vez, e Hazel acreditava que agora era a vez dela – estava quase lá...

Um bastão veio em sua direção, e ela pulou para a plataforma seguinte antes que a acertasse. As plataformas se moviam, mas só faltavam duas, e ela acreditava que conseguiria.

E de repente, tinha finalizado o percurso com sucesso. Isso fez um sorriso incrédulo surgir em sua face enquanto ela lançava um olhar para Benjamin, que também o terminava de novo e descia ao seu lado.

– Eu consegui! – Ela disse, e ele pôs a mão gentilmente sobre sua cabeça.

– É isso aí – Disse.

Hazel já gostava tanto de Benjamin, mas aquilo era tão confuso. Hazel sabia que Ben a considerava como uma irmã mais nova, e ela também estava começando a vê-lo como irmão mais velho.

Mas quando se estava caminhando para a morte, até que ponto esse amor poderia ir?

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Tobias Lapworth – Distrito 5

O ódio de Tobias por Pacificadores era enorme desde que Angie, sua irmã, fora estuprada e morta por eles em seu distrito, com apenas treze anos de idade, e ter um deles observando enquanto ele destruía um boneco de treino com uma lança beirava ao insuportável.

Mas também funcionava como incentivo. Era mais fácil ser agressivo quando se tinha algo que detestava bem ao seu lado.

E ele pensava. Pensava no quanto tinha sido doloroso receber a notícia da morte de sua irmã, ainda mais dadas às circunstâncias, assim como tinha sido péssimo quando a Capital tirara seus pais quando ele tinha doze anos.

Com tudo isso, as pessoas diziam, ele deveria ter um profundo ódio da Capital e de tudo que ela representava. Não ser um “louco que admirava os Jogos Vorazes e tinha pedido quarenta e seis tésseras sem necessidade apenas para fazer certeza de que seria sorteado”.

Mas as pessoas não entendiam. Elas não viam que ganhar os Jogos talvez fosse sua única chance de aparecer, poder finalmente denunciar o que havia acontecido com sua irmã e ser ouvido.

Seria um caminho árduo até lá, claro. Mas Tobias já estava nos Jogos, afinal de contas. Agora tudo apenas dependia de esforço, e ele sabia bem o que queria.

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Rebekah VonRison – Distrito 4

O topo do circuito das cordas era um bom lugar para se observar tudo.

Era difícil fazer a escalada, mas, no momento em que Rebekah conseguiu terminá-la e alcançou o teto, viu que a recompensa era maior do que o simples prazer de se ter concluído um desafio – de lá, ela podia olhar todos os outros tributos treinando.

E ficou observando. Dentro de poucas horas, começariam as sessões individuais, e os tributos não podiam assistir uns aos outros, mas vendo de lá, ela já podia ter uma boa ideia sobre como eles se sairiam. E ela mesma começou a lhes dar notas baseadas no que via.

Por vários minutos, ficou lá. A ideia que os Carreiristas tinham tido no primeiro dia, de se dividir em duplas para andar pelas seções, já não estava muito mais firme, de modo que Rebekah andara sozinha a manhã inteira. Finalmente, um tempo para si.

Ela não estava dando notas muito altas para os tributos que avaliava, mas mesmo assim, temia que os Idealizadores não pensassem da mesma forma que ela. Se eles dessem notas altas para eles...

Bem, pensou, se esses tributos receberem notas altas, a minha tem de ser maior ainda.

Imaginando então que seria melhor não perder mais tempo, Rebekah começou a descer as cordas com agilidade.

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Sanderson Cutner – Distrito 10

Embora houvesse treinado bastante nos últimos dois dias, Sanderson não tinha se esforçado tanto até aquele momento.

Ele mal pensava – apenas ia em seção seguida de seção, quebrava, rasgava, destruía, e logo já estava mudando novamente. Sua pele estava coberta de suor, mesmo que não estivesse calor, e por vezes os tributos pelos quais ele passava lhe lançavam um olhar apreensivo ou se afastavam.

Ninguém o parava ou falava algo, nem mesmo os treinadores. Sanderson era alto, forte e não parecia estar muito aberto a comentários. As pessoas não se arriscavam.

A verdade era que ele estava muito apreensivo. O tempo de treino que terminava era uma grande pressão, e era difícil manter a calma nessa situação. Treinar daquele jeito era apenas o modo de Sanderson de lidar com tudo aquilo.

Não mudava em nada aquele ser o aniversário de dezesseis anos dele.

Ele não avisara ninguém daquele fato e, de qualquer forma, naquele momento nem importava. Tudo o que interessava era aquele treinamento incansável.

E Sanderson de fato já tinha tido outros aniversários bem ruins. Não era um hábito no Distrito 10 fazer comemorações, e ele tinha passado grande parte daquelas datas supostamente especiais trabalhando.

Mas aquele aniversário definitivamente tinha superado todos os outros.

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Soyalia Harvester – Distrito 9

Já fazia alguns minutos que aqueles dois Idealizadores estavam parados observando Soyalia e Cornelio e fazendo anotações em blocos de nota.

Eles tinham certeza de que eles estavam fazendo críticas positivas, e se sentiam completamente à vontade com a presença deles ali. Estavam confiantes como sempre enquanto Cornelio mostrava à Soyalia as propriedades de algumas plantas venenosas.

Mais cedo, ela tinha o ajudado com algumas estratégias de combate, e agora era a vez dele. E ela estava se saindo bem, apesar de sobrevivência certamente ser mais a habilidade do irmão.

– Quanto tempo falta para encerrarmos? – Perguntou ela uma hora.

– Menos de uma hora – Ele respondeu desinteressadamente, e eles prosseguiram, sob os olhares avaliativos dos Idealizadores dos Jogos.

Mas os Idealizadores não ficaram ali por muito tempo antes de saírem para ver outros tributos, deixando-os mais uma vez a sós. Soyalia ouviu um comentar com o outro, enquanto eles se afastavam:

– Ambos são muito promissores...

Os gêmeos se entreolharam, com um sorrisinho, e não precisaram dizer mais nada. Estavam despreocupados e confiantes, e os minutos que lhes restavam pareciam suficientes.

Depois que terminassem com os venenos, ainda pretendiam passar em outra seção, que logo mais decidiriam qual seria. Para todos os efeitos, não tinham pressa.

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Daryl Dixon – Distrito 2

Havia acabado de dar o horário do almoço.

As atividades estavam sendo encerradas, e todos os tributos largavam as armas e equipamentos com que estavam trabalhando para se colocarem a caminho do refeitório, alguns conversando uns com os outros, outros caminhando sozinhos e encarando os próprios pés.

Vendo assim, Daryl conseguia reconhecer vencedores e perdedores em potencial, mas ele também sabia que era impossível saber com certeza. Teriam uma melhor ideia das chances de cada um após a divulgação das notas naquela noite.

Ele tinha terminado de treinar poucos minutos antes de todos. Como já tinha treinado por muitos anos, achou que faria mais proveito de algum tempo extra de descanso do que de treino. Agora, ele estava esperando seus aliados se juntarem a ele, encostado a uma parede de braços cruzados.

E não demorou para isso acontecer. Logo os outros Carreiristas se aproximaram, conversando e rindo, e Reyna Mackenzie perguntou a ele:

– Você não estava treinando?

– Treinei o suficiente, garanto. – Daryl respondeu, desencostando-se e passando a acompanhá-los no caminho para o refeitório.

Nessa aliança, pensou ele, todos tinham posturas de campeões, assim como alguns outros tributos de fora também tinham. Ele então pensou no que deviam pensar sobre a imagem dele. Será que seu jeito condizia com sua tremenda determinação em vencer?

Porque Daryl nunca antes estivera tão decidido a alguma coisa.

Com toda sua família e seus amigos esperando, perder não era uma opção.

Notas finais
Oi! Bem, se estiverem interessados a ler outra história de minha autoria, postei esta no Halloween, e pretendo continuá-la em breve: https://fanfiction.com.br/historia/656579/NoitedeHalloween/ Obrigada pela atenção e até o próximo capítulo! ;D