Stay Alive
22 Partida - Distrito 8
Notas iniciais
Logan Morgan
Logan estava vendo toda a sua vida passar diante de seus olhos, embora ainda não estivesse morrendo. Uma vida inteira desejando que a mãe não tivesse morrido quando ele nascera, que seu pai não fosse cruel com ele e que pudesse ter passado muito mais tempo com Sophie, sua melhor amiga e paixão secreta.
Mas, se ele ia mesmo morrer, porque continuar mantendo aquilo em segredo? Logan olhou para o teto. Precisava tomar uma decisão.
Não conseguiu tomá-la, entretanto, antes de Sophie entrar na sala chorando. E naquele momento, só aquilo importou, e ele foi abraçá-la.
– Calma. Eu estou aqui. Estou aqui.
– Por que logo você, Logan...?
Ele passou os dedos pelos cabelos dela, e ela apoiou a cabeça no ombro dele. Logan sentiu que não conseguiria mais falar algo por muito tempo, e só quando a hora em que ele teria de se separar dela se aproximou, disse:
– Sophie! Eu... Eu...
– O quê?
Um pacificador bateu na porta e anunciou que o tempo havia terminado.
Ela se separou dele, com um sorriso fraco em meio às lágrimas.
– Você me conta quando voltar, certo? – E se dirigiu à porta. Logan a assistiu indo, abrindo a porta, quase saindo... E então, as palavras dispararam para fora de sua boca:
– Eu gosto de você!
Sophie parou e se virou. Seu rosto estava vermelho.
– Eu também.
– Anda logo! – Grunhiu o pacificador. Eles se olharam por mais um tempo, e Logan sentiu o coração disparando. Mesmo quando ela teve de ir embora, ele continuou olhando para o ponto onde ela estava, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.
Se ele tivesse se declarado pelo menos alguns dias antes, talvez eles pudessem realmente debater aquilo. Logan amaldiçoou sua covardia, e se sentiu ainda mais infeliz por estar indo para os Jogos Vorazes.
*********
Lyre Crosswell
Lyre estava, na medida do possível, tentando transformar o desespero de estar indo para os Jogos em concentração.
Ela se concentrava em respirar fundo – enchia os pulmões o máximo que podia e soltava o ar devagar, repetidas vezes. Se concentrava, também, em pensar no que ia dizer para sua família quando esta viesse. E, absolutamente, tentava não se concentrar no fato de que estava na mesma sala em que, dois anos antes, fora com a família se despedir do irmão Theron.
Apesar de não se sentir bem, ela pelo menos se sentia sob controle – situação que não mudou quando seus pais e seus três irmãozinhos entraram na sala, com os caçulas Seth e Ember correndo na frente, sentando cada um de um lado dela no sofá onde ela estava e a abraçando simultaneamente.
Tudo bem. Você já pensou no que tem de dizer, agora apenas fale., Lyre pensou, tentando engolir o choro, e começou:
– Crianças. – Ela beijou cada um no topo da cabeça. – Saibam que eu amo vocês. Sejam sempre essas pessoas maravilhosas, e não se esqueçam que eu vou sempre olhar vocês.
Eles assentiram, mas não responderam. Lyre não queria se desvencilhar deles, mas sabia que o tempo de despedidas era limitado e que precisava ser breve, por isso o fez. Então, foi abraçar o pai e a mãe.
– Mamãe. Papai. – Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas ela conseguiu reprimir o resto do choro. – Eu gostaria de ter podido passar mais tempo com vocês, mas vocês sempre foram tão ocupados... Mesmo assim, foram os melhores pais do mundo para mim.
– Você que é uma filha ótima, Lyre. Sempre cuidou dos seus irmãos... – A mãe tentou dizer, mas começou a chorar e não conseguiu terminar.
Ela foi, então, abraçar o membro restante de sua família: Seu irmão Tyler, de onze anos. A pessoa com quem ela era mais próxima.
– Você vai ser o irmão mais velho, agora. – Ela disse, antes que ele pudesse fazer-lhe uma vã tentativa de animá-la. – Você tem de cuidar do Seth e da Ember, Tyler, mas saiba que...
– Não aja como se você estivesse morta, Lyre. – Pediu ele. Então, abaixou bastante a voz: — E você vai vencer. Eu meio que descobri que você treina no porão de madrugada desde que Theron morreu, na verdade. Você é boa com facas.
Aquilo deixou Lyre chocada. Ela realmente fazia aquilo, mas não fazia ideia de que Tyler havia descoberto. Poderia ele, também, ter contado aos pais?
O pacificador que bateu na porta a seguir tirou qualquer chance que ela tinha de descobrir.
*********
Jadora, desde o momento em que conversara com os tributos pela primeira vez, no carro, ficara totalmente encantada com eles e não parara de falar isso durante toda a noite e, mesmo enquanto eles tomavam o café da manhã, no dia seguinte, continuava com exclamações de “Vocês são tão educados!”, como se o simples fato de eles não estarem com os cotovelos apoiados na mesa ou comendo com a boca aberta fosse incrível.
– Todos vão amar tanto vocês! – Dizia.
– Menos os outros tributos. – Em determinado momento, Logan respondeu. Era algo muito sério, mas Jadora riu.
– Como se os outros tributos contassem!
– Hm, Jadora. – Disse Lyre. – Eu estava me perguntando se você não poderia nos contar de novo sobre as filmagens do filme que fizeram sobre sua vida.
Na realidade, ela só queria poder ter um momento de paz, e sabia que quando a representante começasse a tagarelar mais uma vez sobre a época em que era atriz, não se dirigiria diretamente a ela por alguns minutos. Com a Capital ficando cada vez mais próxima, ela não podia lidar com aquele tipo de assunto fútil, por mais paciente que fosse.
E Logan também ficou satisfeito com o pedido da colega. Formou a palavra “obrigado” para Lyre, com um mínimo movimento de lábios, que Jadora não percebeu de tão entretida que estava na própria história. Lyre assentiu e soprou sua xícara de chá, esperando que a bebida esfriasse para poder beber. Aquele tinha sido o primeiro momento, desde o dia anterior, em que os dois tinham se falado, o que evitavam por saberem muito bem que não valia a pena conversar com alguém que depois eles poderiam ter de matar.
Eles trataram de balançar a cabeça e dar risada nos momentos certos da história, mas até mesmo Jadora pareceu um pouco desanimada ao acabar de contá-la, comentando:
– Vocês são adoráveis, mas bem que poderiam ser mais falantes.
Logan, logo vendo que aquele comentário poderia evoluir para Jadora tentando forçar os dois tributos a serem amigos, fez uma imediata tentativa de distrai-la:
– Minha nossa! Já disse que estou adorando essa comida? Jadora, por favor, me passe a geleia de morango.
Dessa vez foi Lyre quem lançou um rápido olhar de agradecimento para ele. E depois, os dois juraram para eles mesmos que não iam mais passar disso.
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