Stay Alive
15 Partida - Distrito 1
Notas iniciais
Boa leitura ;) Eu espero que gostem.
P.S. Gente, eu não vou colocar o trajeto de trem inteiro, porque ficaria gigantesco. Vou fazer uma parte da viagem para cada distrito
Ryan Ferdinand
Ryan andava de um lado para o outro na sala do Edifício da Justiça que lhe fora designada para se despedir de sua família. Sua expressão era dura. Como podia, nenhum outro garoto do Distrito 1 ter se voluntariado? Ele não queria ir para os Jogos, mas como não tinha querer, estava determinado que ia ganhar, então. Não estava se desesperando.
- Você vai se cansar antes dos Jogos se não parar de andar assim. – Ele ouviu a voz de seu pai, e se virou para a porta. Ele e sua mãe estavam lá, olhando-o. Não estavam chorando, nem nada do tipo, mas pareciam um tanto abalados quando entraram. Seu pai foi o primeiro a abraçá-lo, e disse eu seu ouvido, para que a esposa não ouvisse:
- Você se lembra da nossa conversa de antes da colheita, não é, Ryan? Não é porque você não é o garoto mais forte do mundo que você não possa vencer os Jogos Vorazes.
- Eu lembro. E eu tenho várias outras qualidades, como ser rápido. – Ele repetiu as palavras que o pai lhe dissera. Este se afastou e deu um tapinha no seu ombro.
- Isso aí.
- O quê? – Perguntou a mãe, mas não parecia realmente interessada. Foi abraçar Ryan também. – O Justin ia ficar orgulhoso de você. – Ela quase nunca citava o falecido irmão mais velho de Ryan. Aquilo era uma anormalidade.
- Nós estamos orgulhosos de você. – Jonah, o pai, completou. – É uma honra ter um filho tributo.
- É uma honra para nós sermos seus pais, sendo você tributo ou não, Ryan.
- Obrigado pelo apoio. Vou me lembrar disso.
- E você já pensou em qual pode ser a sua estratégia para vencer os Jogos? – Jonah perguntou.
Ryan parou para pensar por um momento, mas então um pacificador bateu na porta, indicando que o tempo havia acabado, e ele deu de ombros.
- Acho que vocês verão em breve.
*********
Reyna Mackenzie
Reyna tinha tirado o colar que a irmã dela, Taylor, lhe dera de presente antes da colheita, e acariciava o pingente distraidamente enquanto esperava sua família para vir se despedir dela, sentada em um sofá.
Ela não estava preocupada e nem nervosa por estar indo para os Jogos. Tinha dezessete anos e treinamento adequado, afinal. Mas isso a deixara com muita coisa na cabeça. Ser um tributo era algo que mudava sua vida, e Reyna não podia permitir que essa mudança fosse para pior.
A porta da sala se abriu. Ela apertou o colar com força quando seus pais e Taylor entraram, foram até Reyna e pararam a sua frente, olhando-a em um silêncio que ela logo quebrou:
- Taylor. Acho que, agora, você vai querer o seu colar de volta, não é?
- Não, Reyna. Eu te dei. É seu. – Insistiu a garota. Houve uma pausa. – Obrigada por se voluntariar em meu lugar. Bem, não que eu não fosse vencer se eu fosse para os Jogos.
- Eu sei que você iria. Mas é melhor você esperar ser mais velha para isso.
- É, pode ser. – Taylor deu de ombros e sorriu.
Reyna voltou a colocar o colar, e se levantou para abraçar a irmã. Depois, abraçou os pais também.
- Você é a mais bonita e forte de todos os tributos. Eles não terão nem chance. – Assegurou-lhe a mãe.
- Também sei disso.
A família inteira lhe sorriu e ela sorriu de volta, sem deixar transparecer que ela, no fundo, estava se perguntando até que ponto beleza e força garantiriam a sua vitória.
- Minha irmã mais velha vai ser uma vitoriosa! – Taylor falou, enquanto saía com os pais, antes do final do tempo. Eles eram práticos. Se já tinham se despedido, não havia motivos para continuarem lá prolongando aquilo. Reyna voltaria dentro de algumas semanas, mesmo.
Ela se sentou no sofá. “Sim, Tay, ela vai”, pensou.
*********
- É melhor vocês irem dormir, “uns”. Amanhã será um dia cheio. – Disse Evus naquela noite, quando ele, os tributos e a mentora do Distrito 1 estavam sentados confortavelmente nos sofás e poltronas do vagão de televisão, após terminarem de assistir às reprises das colheitas.
- Pare de nos chamar de “uns”, Evus. Você sabe os nossos nomes. – Pediu Ryan. Evus realmente ficara repetindo “Reyna e Ryan” o tempo inteiro desde que eles entraram no trem, como se fosse um trava-língua, mas na hora de se referir diretamente a eles, era apenas “uns”.
- Se eu quiser chamá-los de “uns”, eu chamo. Posso chamá-los até de “cortina”, se eu quiser.
Reyna riu com frieza.
- Isso é ridículo.
- Evus, eles têm razão. – Interveio a mentora, se levantando de sua poltrona. – Maneire. Mas ele tem razão em um ponto, Ryan e Reyna: Vocês dois deviam mesmo ir dormir agora.
Ela saiu do aposento, e Evus foi logo atrás, resmungando qualquer coisa.
- Que cara mais chato... – Ryan falou, logo que se viu sozinho com Reyna, embora, na verdade, não fizesse a mínima questão de ter assunto com ela.
- Esse trem é muito chato. – A garota bufou. Também não parecia muito interessada em conversar. – Daqui a pouco uma tartaruga passa a gente.
- Bem, temos de chegar à Capital mais ou menos junto dos outros tributos. Inclusive os que vêm do outro lado do país.
- Nesse caso, não seria melhor se a nossa colheita fosse a última?
Ryan deu de ombros. O que Reyna disse até parecia lógico, mas o Um como o último não era algo aceitável.
Reyna se levantou.
- Eu vou para a cama. – Avisou.
Ryan, no entanto, permaneceu onde estava.
- Acho que vou ficar por aqui durante mais algum tempo. Não estou com sono.
- Você é quem sabe. – Ela continuava falando friamente. – Mas, nesse caso, torça para conseguir manter os olhos abertos amanhã, enquanto estiverem te arrumando para o desfile. – Reyna andou decididamente até a porta. Também não estava com muito sono, na verdade, mas se esforçaria para dormir, para não ficar cansada no dia seguinte. Saiu do vagão, deixando Ryan só.
Ele pegou o controle remoto da televisão.
- Boa noite para você também.
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