Stay Alive
3 Colheita - Distrito 2
Notas iniciais
Também queria dizer que agradeço muito pelos comentários no último capítulo. Vejo muitas interativas em que o primeiro capítulo é super comentado, e os outros só recebem um ou dois comentários. Obrigada mesmo a todos que comentaram! E espero que gostem deste capítulo também!
Louise Clewater
O livro “Plantas Venenosas e suas Aplicações” tinha cheiro de novo, e Louise Clewater se deliciava ao ler as primeiras páginas. Adorava ler e estudar plantas, e não podia imaginar uma maneira melhor de passar a manhã, salvo por treinando.
Foi bem frustrante que sua mãe a tenha interrompido em dado momento para perguntar se Sarah, a melhor e única amiga de Louise, ia passar lá para elas irem juntas para a colheita.
- Não, a Sarah vai com a família dela. – Respondeu, sem erguer os olhos da página, e sem dizer mais nada a mãe dela saiu, deixando-a mais uma vez sozinha no escritório que pertencia ao pai de Louise, Jared, que agora estava em outro distrito servindo de pacificador. Ela adorava ficar lá, por se sentir mais próxima dele.
Leu mais ou menos mais sete páginas até perceber que já tinha lido o mesmo parágrafo pelo menos quatro vezes, sem ter absorvido nenhuma palavra. E isso se deveu, naturalmente, à interrupção de sua mãe. Ou, justiça seja feita, a algo que ela mencionou: A colheita.
Louise, sinceramente, não temia os Jogos nem um pouco, mas não tinha a mínima vontade de ser sorteada. Gostava do Distrito 2. Queria ficar em casa.
De repente, o escritório pareceu abafado. Ela se levantou, deixando o livro aberto em cima da poltrona, foi até a janela e a abriu.
Observou a rua. Nada estava acontecendo lá fora, com exceção de um cachorro estar latindo insistentemente perto dali. A rua estava calma como em todos os dias de colheita – as pessoas que por lá passavam, provavelmente, estavam em suas casas se arrumando para o evento.
Louise permaneceu diante à janela. Os raios de sol queimavam sua pele e faziam seus cabelos castanhos parecerem loiros, mas de certa forma eram muito reconfortantes.
Mas, se visse da outra forma, eles eram o oposto disso: Eram um inferno que deixava o escritório sufocante.
Não deixavam o ar fresco entrar.
*********
Daryl Dixon
A moeda parecia ter simplesmente desaparecido.
Daryl Dixon sorriu, sem graça, para a dona do mercado.
- Eu tenho certeza de que eu saí de casa com a quantidade certa de dinheiro. Mas eu posso ir pegar na minha casa e voltar depois, ou...
- Está tudo bem. – A mulher respondeu, mas seu tom ríspido não sugeria que tudo estava verdadeiramente bem. – É só uma moeda. – E entregou ao garoto de dezesseis anos a sacola de papel com a cartela de ovos e o saco de farinha que ele queria comprar e achava que não ia conseguir por estar com uma moeda a menos, que devia ter deixado cair pelo caminho entre sua casa e o mercado.
- Obrigado. – Ele disse, aliviado.
- Tudo bem. – Repetiu ela. – Sei como vocês, jovens, ficam abobalhados no dia de colheita.
Daryl resolveu não levar isso para o lado pessoal, já que a mulher havia acabado de quebrar um galho para ele, então sorriu novamente para ela. Despediu-se, e apressou-se a sair do mercado.
Voltou para casa rápido, como a mãe dele o instruíra a fazer. Ela tinha dito que faria um bolo se Daryl comprasse estes ingredientes que faltavam, mas que ele tinha de se apressar para comprá-los, senão não daria tempo de ele ficar pronto antes dos Dixon saírem para a colheita. E se desse tempo, o bolo poderia ir esfriando enquanto eles estivessem fora, e estaria bom para comer quando voltassem.
Ele entrou em sua casa, e logo ouviu o som de uma televisão ligada. Seguiu-o, e encontrou seus pais assistindo a algum programa na sala. Stephanie, sua mãe, sorriu ao ver o pacote nas mãos do filho. Levantou-se do sofá onde estava sentada e pegou-o de suas mãos.
- Não quebrou os ovos no caminho? – Perguntou, divertida.
- Creio que não. – Daryl deu de ombros, no mesmo tom.
Stephanie foi para a cozinha, onde tirou a farinha e os ovos do saco e pegou os outros ingredientes do armário. Daryl se sentou no sofá com o pai, onde começou a assistir à televisão com ele, e em questão de minutos ficou com água na boca com o cheiro de bolo assando proveniente da cozinha, tão doce que só de aspirá-lo Daryl sentia um pouco da amargura em sua boca ser diminuída.
Se é que algo podia adocicar um dia de colheita.
*********
- Bem-vindos à colheita da 58ª Edição dos Jogos Vorazes. – Disse Yor, com a voz arrastada. O representante do Distrito 2 parecia estar em seu humor mais sério naquele ano.
Claro que um humor assim em alguém da Capital era motivo de conversa, e um grupinho de garotas de quinze anos imediatamente começou a trocar sussurros entre elas, dar risadinhas. Yor as fuzilou com o olhar.
- Silêncio! – Sua ordem foi obedecida, e todas elas pararam e ficaram, também, muito sérias. Ele continuou olhando para elas por mais algum tempo, e então se dirigiu à bola com o nome das garotas e tirou um de lá dentro. Ninguém teve coragem de enfrentá-lo com um voluntariado, e ele anunciou: — Louise Clewater! Hm, acho que já ouvi este nome antes.
Sim, Yor tinha ouvido. Dois anos antes, a mesma garota tinha sido sorteada, mas outra, de dezoito anos, se voluntariara depois. Na época, Louise tinha treze anos, e agora, aos quinze, e ninguém se voluntariou em seu lugar.
“Parece que o raio caiu duas vezes sobre a mesma árvore”, pensou ela, conseguindo abrir um sorrisinho com a comparação de sua situação com esta, e caminhou calmamente até o palco. Não estava nervosa por ter sido sorteada. Mas não queria, de jeito algum, que isso houvesse acontecido.
- Bela mecha. – Comentou Yor quando ela passou por ele, o que fez Louise bufar e prender a mecha rosa que tinha nos cabelos atrás da orelha.
O representante seguiu para a bola com o nome dos garotos. E o nome da vez foi “Daryl Dixon”.
Na plateia, o garoto mal olhou para o palco depois de ter o nome anunciado, e sim para os seus pais, que estavam na seção dos que não participavam da colheita. Longe demais para Daryl alcançá-los, abraçá-los e dizer para eles que tudo ficaria bem. Então, procurou cada um de seus cinco melhores amigos à sua volta. Respirou fundo. Seus pais estavam chorando. Seus amigos tinham uma expressão estranha no rosto.
Alguém tinha de ser forte, e, no caso, sobrou para ele.
Daryl, fingindo não estar tão amedrontado quanto realmente estava – era um dos poucos jovens do Distrito 2 que não tinham interesse em ir para uma arena onde iria, provavelmente, morrer –, foi para o palco.
Lá, Louise o fuzilou com o olhar, como se a reação da família dele estivesse envergonhando o distrito – a mãe dela não tinha reagido de uma forma tão exagerada – mas Daryl a ignorou. Era um garoto legal demais para se preocupar muito com isso.
Mas, é claro, era melhor Louise não querer brigar com ele. Daryl não era daquele jeito o tempo inteiro.
Notas finais
Até o próximo capítulo!
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