Stay
3 O Presente de Luiza
Notas iniciais
Clara abriu espaço para que a irmã, a mãe e a sobrinha entrasse.
– Tia vamos fazer tudo que uma noiva tem direito, as festas e claro a despedida de solteira! – Falou Luiza retirando uma garrafa de vinho de dentro de uma das bolsas.
Clara olhou para as mulheres a sua frente e não deixou de rir. Cada mulher sentou-se no sofá e Helena tentou ligar a televisão.
– O Clara? Qual o problema dessa televisão? Queria colocar Jorge e Mateus pra ouvirmos enquanto te mostramos os presentes. – Perguntou Helena com o controle remoto em mãos.
– Ah irmã, você esta segurando o controle do lado errado! – Falou Clara tentando conter a expressão sem graça que a irmã continha.
– Ai mãe como assim Jorge e Mateus em uma despedida de solteira! Coisa do passado! Vamos ouvir Valesca Popozuda! – Gritou Luiza tomando o controle das mãos de Helena.
– Não né Luiza! Pelo amor de Deus! Somos mulheres recatadas e por isso vamos ouvir Roberto Carlos! – Mandou Chica pegando o controle remoto.
– Gente! Alguém já perguntou o que eu quero ouvir na minha despedida de solteira? – Questionou Clara cruzando os braços.
As quatro mulheres continuaram brigando pela trilha sonora da despedida de solteira quando Marina entrou na sala com uma caixa de leite condensado e enrolada em uma toalha.
– Amor! Quando vamos fazer o nosso pré-nupcial? – Perguntou Marina, logo se calando quando viu Chica, Helena e Luiza.
– Bom dia Marina! – Cumprimentou Chica sem graça.
Marina apenas acenou para as três mulheres sentadas no sofá, e o clima só não ficou mais tenso, pois Luiza quebrou todo aquele silencio.
– E ae Marina isso na sua mão é leite condensado? – Questionou Luiza levantando uma sobrancelha rindo da situação.
– Ah é.. bom vou para o quarto, tenho que selecionar umas fotos que estão na minha câmera e depois nos falamos pode ser? – Questionou Marina envergonhada.
Clara ria da expressão envergonhada da noiva e não pode negar que tudo aquilo atiçou sua imaginação que desde que começou a se relacionar com Marina estava a cada dia mais fértil. A dona de casa nunca foi uma mulher de desejar fazer amor a cada cinco minutos, mas não conseguia se afastar de Marina, talvez fosse o fato da fotografa matá-la de tanto prazer e fazer o que Cadu jamais tenha feito.
– Gente vamos pular essa historia de trilha sonora para solteiras e vamos ver os presentes! – Falou Chica puxando a atenção de todas.
A matriarca da família pegou seu presente e entregou para Clara que já imaginou usando a fantasia de enfermeira na próxima briga entre Marina e Vanessa. Helena como sempre entregou um colar de perolas.
– Colar de perolas Helena? – Falou Clara ainda surpresa com a cafonice da irmã.
Luiza foi a ultima a entregar o presente e já estava animada antes mesmo de Clara abrir o tão esperado presente.
– Nossa Lu, não precisava comprar... Um pênis de borracha? – Falou Clara segurando o objeto como se nunca tivesse segurado um brinquedo daquele.
– Luiza! Perdeu o juízo! A despedida de solteira é de sua tia e não de uma amiga sua pervertida! – Brigou Helena.
– Não tudo bem irmã, tenho certeza que a Lu não quis ofender, vou guardar para quando só dedos e a língua da Marina não estiverem mais funcionando! – Sugeriu Clara guardando o presente em uma caixa.
– Mais e ai, já que você tocou no assunto, me diz como é fazer sexo com outra mulher! – Questionou Chica animada.
– mãe! Pelo amor de Deus! – Advertiu Helena.
– Nossa nunca imaginei que iria ter uma filha tão chata, parece ate que é mais velha que eu! Mais vai Clarinha me conta... Como que você pode sentir prazer com a Marina, porque ela tem aqueles dedos tão fininhos! – Questionou Chica animada.
Clara contou em detalhes sobre as noites que tinha com Marina e de como a fotografa sabia fazer cada noite era inesquecível. Luiza já se abanava ouvindo as historias, Chica se animava cada vez mais e Helena fingia que não mais estava amando a conversa.
– Nossa filha então você esta no paraíso né! Vou ate pedir para o Ricardo aprender algumas técnicas infalíveis com a Marina porque olha que esta precisando! – Comentou Chica.
Clara continuou contando sobre algumas posições que estava experimentando com a noiva. A conversa seguiu por um bom tempo, ate que Marina finalmente desceu do quarto para a sala, arrumada e perfumada do jeito que a dona de casa adorava.
– Amor vou à padaria, vou comprar um bolo gelado, quer algo de lá? – Questionou Marina.
– Não amor! Quero é outra coisa isso sim! – Falou Clara se levantando do sofá e agarrando à noiva trocando um beijo intenso.
Luiza olhou tudo aquilo com um certo desejo que não sobe explicar, Chica achava lindo ver a felicidade da filha enquanto Helena ainda achava aquilo muito estranho.
– Eu posso ir com você Marina? – Pediu Luiza.
– Claro se a sua mãe não se importar! – Falou Marina.
Helena consentiu e Luiza correu junto com Marina para a padaria. Clara sentiu um ciúme a consumir ao ver a animação da sobrinha para com a fotografa e deu um jeitinho de expulsar Chica e Helena de casa e foi atrás da amada. A dona de casa seguiu a noiva ate a padaria onde pararam para Luiza comprar um sorvete.
– Amor? – Questionou Marina sorrindo ao ver a noiva tentando se esconder atrás de um orelhão.
– Maldito orelhão nem pra isso serve! — Resmungou Clara se xingando mentalmente por ter batido a mão no orelhão.
– Tia? – Gritou Luiza.
Clara apareceu completamente sem graça e se aproximou de Marina, a puxando-a para um beijo.
– Nossa amor! Assim fica dificil resistir a você! Principalmente quando você passa esse hidratante cheiroso! – Comentou Clara.
– Eu que não consigo resistir a você me agarrando desse jeito! – Respondeu Marina.
– Vamos fazer amor aqui! – Sugeriu Clara.
– Aqui? Enfrente a essa igreja? Quer morrer? – Questionou Marina já vendo o padre olhando-as beijando a cruz.
– Daqui a pouco ele e metade da família brasileira acendem tochas e seremos mais caçadas que o Shrek no primeiro filme! – Riu Clara.
Luiza riu da cena e Clara entendeu que Luiza não queria o corpo nu de sua noiva e sim duvidas, afinal a jovem só teve dois homens na vida e convenhamos nem André e muito menos Larte devem conhecer apenas uma posição. A dona de casa se divertiu com a sobrinha e a noiva naquele reto de dia e durante a noite teve seu momento único com Marina. O dia seguinte foi repleto de momentos únicos, e Clara não podia conter a felicidade ao finalmente casar com Marina. A festa foi feita às pressas no galpão, mas as noivas não estavam preocupadas. Ricardo entregou as passagens para a fotografa que agradeceu imensamente ao presente.
– Amor! Vamos nos despedir do pessoal, afinal temos uma longa viagem ate a nossa lua de mel! – Falou Marina puxando Clara para um beijo doce.
– Um brinde a nossa nova vida! – Brindou Clara.
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