Stay
37 This I Love
Notas iniciais
Daryl
O rosto pálido do xerife indicava o desespero que minhas palavras causaram. Tenho plena certeza de que havia um misto de desespero e alegria em seu olhar preocupado e, ao mesmo tempo, assustado.
Pude ver suas pernas vacilarem, quando sua mente conseguiu assimilar a situação. O homem caiu sobre a cadeira atrás de si, quase derrubando os objetos que estavam em cima da mesa. Pude observar os olhos atentos de Shane, o sorriso alegre brilhava no rosto do outro policial, enquanto o mesmo tava tapas no ombro de Rick, o parabenizando... Ele seria pai.
– Eu... Preciso ver a Lori... Onde está a Lori? — Rick pergunta, quase desesperado.
– Ela entrou em trabalho de parto há quase meia hora atrás... — Expliquei, quase lançando um sorriso para o xerife. — Ela precisa de você, Rick.
Ele não esperou que eu dissesse mais alguma coisa, o homem pulou da cadeira e correu em direção a porta. Em direção á sua esposa e sua filha.
Não fui atrás dele, ainda estava me perguntando porque o nome de Carol fora mencionado, antes que eu desse a notícia de que Lori iria ter o bebê. Sem falar da grande pasta de capa azul, exposta em cima da mesa. Shane me olhou, levantando uma das sobrancelhas.
– Você sabe que não vou sair daqui. — Falei, e ele pareceu entender sobre o queeu estava falando.
O homem suspirou pesadamente, me explicando que poderia perder o emprego e, até mesmo ser preso, apenas por me mostrar aqueles arquivos.
O incômodo em meu peito se intensificou, assim que disse o que ele e Rick iriam fazer antes de eu chegar aqui.
Não sei explicar ao certo, mas a imagem de Carol morta, ocupava cada pedaço da minha mente.
Me senti vulnerável, ao imaginar o que Ed estaria fazendo á ela... Minha doce e frágil, Carol.
Posso dizer que sou um doente mental, completamente e loucamente apaixonado por uma unica mulher, tão apaixonado, á ponto de desistir de qualquer coisa que considero ser importante, só pela simples oportunidade de ver aquele sorriso brotar em seus lábios. Tão apaixonado, que seria capaz de enfrentar o inferno por ela... Apaixonado ao ponto de desejar morrer, á ter que vê-la derramar uma única lágrima. E eu prefiro morrer agora, nesse momento, ao ter que viver o resto dos meus dias sem ela.
Minha cabeça gira, em torno de todos os acontecimentos dessa semana. Meu irmão... Carol. Tudo o que eu considerava bom estava sendo arrancado de mim, minha família, minha esperança... Todas as coisas que passei a acreditar.
– Aonde ela esta? — Pergunto, tentando normalizar minha respiração.
– É difícil dizer... Mas... — O homem coça a garganta, parecendo escolher as palavras certas. — Recebemos uma ligação anônima, falando sobre um veiculo suspeito, parado no meio da estrada, perto dos trilhos antigos.
– Os trilhos? — Pergunto, o olhando com confusão. — O que estamos esperando então? Por que ainda está aqui?
– Porque não temos certeza, Daryl. — Ele diz, apoiando uma das mãos na mesa. — Estamos tentando localizar o dono do carro...
– Você pode fazer isso enquanto dirige. — Me levanto, jogando a chave de sua viatura para ele. Pego minha jaqueta e saio, sendo seguido por um Shane quase sem paciência.
Ele não discutiu. Não exitou e também não questionou do porque de eu estar indo em uma missão suicida.
Apenas ligou o carro e seguiu para os trilhos.
Por alguns segundos, senti a dor do aperto da mão de Lori, quando a mesma agarrou a minha mão e implorou-me para trazer seu marido.
Sorri por breves segundos, pensando na imagem de uma pequena figura, com grandes olhos azuis e bochechas rosadas, com as mãos e pés agitados e um sorriso banguelo. A mais nova Grimes, que mesmo antes de nascer, já era tão inquieta quanto o pai... Me lembro de apelida-la de bravinha, pelos os fortes chutes que dava na barriga da mãe. Bravinha...
Assim que Judith saiu de meus pensamentos, deu lugar a minha preocupação com Carol... Gosto de imaginar que nós sentimos quando coisas ruins acontecem com quem amamos, eu deveria ter sentido que tinha algo errado com Carol... Ainda mantenho um resto de esperanças, localizado em um buraco profundo aonde costumava estar meu coração, de que ela esteja bem e de que isso não passa de um mal entendido. Mas vamos ser realistas, quando algo esteve realmente bem em minha vida?
Eu deveria estar cuidando de Carol, era minha obrigação. Mas eu não fiz nada... E agora, se algo acontecer a ela, eu não vou poder dizer que eu tentei, porque eu simplesmente não fiz nada. Ela deve ter pedido por socorro, e eu não ouvi.
Deus, eu não ouvi minha mulher gritar por socorro... Não a ouvi implorar por minha ajuda. Como eu pude não ouvi-la?
Será que é esse o grau de egoísmo que existe em mim? Talvez ele esteja transbordando de mim, e eu não o veja, porque eu estou tragicamente cego de ódio.
Esteja bem. Esteja viva.
Me lembro da primeira vez que vi Carol, assim que levei sua garotinha de volta para a casa... E na primeira vez que toquei sua mão tremula e fria, a primeira vez que olhei seus olhos assustados e de quando toquei em seu corpo ferido. Eu já a perdi uma vez, e eu devo ter morrido umas mil vezes nesse período de tempo.
Droga, eu sou completamente louco por essa mulher... O que será de mim se eu perde-la? Como vou dizer a Sophia que não consegui salvar sua mãe? Como vou cuidar daquela menina?
– Hei. — Shane segurou meu braço, pouco antes de colocar uma arma em minha mão. O olhei confuso, para depois acenar com a cabeça. — Não sabemos o que vamos encontrar... E por favor, mantenha isso entre nós, não quero ficar sem emprego.
Antes que fosse capaz de responder, o som agudo de uma arma disparando, ocupou minha linha de raciocínio... O único nome presente em minha mente era o dela... Minha Carol.
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