Stay
8 Somebody's Me
Notas iniciais
POV (Carol)
Acordei com um barulho na cozinha, demorei um tempo para me lembrar que não era Ed quebrando a casa.
Desci as escadas com passos lentos e silenciosos, caminhei até a cozinha e encontrei Sophia pegando algumas panelas do chão.
– O que aconteceu? — Me encostei no batente da porta.
– Tava tentando pegar a ração da Mika. — Ela diz, vejo alguns cacos de vidro espalhados pelo o chão. — Acho que vou precisar de um curativo.
– Querida... — Caminho até ela e seguro sua mão. — Não foi muito grave, vamos. Deixe eu cuidar disso antes que infeccione.
– Mika está com fome. — Ela diz simplesmente e se levanta com o saco de ração
Estranhei aquele comportamento.
– Sophia. — A chamei. — Querida o que houve?
– Daryl está bravo comigo. — Ela diz com a voz chorosa.
– Por que acha isso? — Pergunto cruzando os braços.
– Ele não aparece a dois dias. — Ela diz. — Ele sempre vem pra ver eu e a Mika...
– Querida, ele não está bravo com você. — Solto um risinho. — Ele deve estar com alguns problemas e não pode vir... Vamos, deixe eu cuidar disso.
Depois de fazer um curativo na mão de Sophia, resolvi ir fazer o café. Ela esta certa sobre Daryl ter sumido, desde o quase incidente na cozinha...
Dou um longo suspiro assim que percebo a possibilidade de ele não aparecer mais, não posso me dar ao luxo de querê-lo por perto, mas eu quero... Sophia quer, ele tem nos feito bem e de alguma forma tem me... Me curado.
– Faz torradas? — Sophia me libera de meus pensamentos.
Sorrio para ela e faço suas torradas. Sophia come calada, seus pensamentos longe... minha pobre garotinha.
– Sophia... — Antes que eu fosse capaz de dizer algo, ouço uma buzina.
Sophia arregala os olhos e depois abre um sorriso de orelha a orelha, tudo que vejo em seguida é um vulto correndo até a porta.
POV (Daryl)
– Terminamos aqui? — Pergunto a Hershel.
– É... Por hoje sim. — Ele passa o braço na testa. — Tivemos trabalho esses dias.
– Sim... — Olho em volta. — Acho que se agente rodear aquela área com cercas, vai impedir que os bichos de fora entrem.
– Pode dar certo. — Ele diz. — Vá para a casa filho, já fez de mais.
– Ainda temos trabalho. — Falo pegando a pá.
– Daryl. — Ele me chama. — Vá para a casa... Vai filho, seu irmão deve estar apodrecendo.
Dou um risinho.
– E eu tenho que limpar a sujeira dele...
– Dar uma chance a ele. — Hershel coloca a mão no meu ombro. — Ele é sua família, não desistimos da família... Lembre-se disso. Agora vá, descanse.
Concordo com a cabeça.
Cheguei em casa e me arrependi no instante que coloquei os pés.
– Porra. — Coloquei o braço na frente do rosto. — Merle.
– Aqui. — Ouvi a voz dele vindo do fundo da casa.
– Que cheiro é esse Merle? — Pergunto assim que chego até ele.
– Encontrei isso hoje de manhã. — Ele aponta para um veado morto. Viro o rosto tentando me acostumar com o fedor. — O que? A garotinha não aguenta o mal cheiro?
– Cala a boca. — Falo. — Deus...
– Vamos irmãozinho... Me ajuda a tirar isso daqui. — ele diz.
– Aonde achou isso? — Pergunto enquanto tiramos o animal dali.
– Perto do poço. — Ele diz. — Outro animal deve ter comido.
– Não... — Falo olhando o veado. — Animais não usam facas Merle. Alguém deve ter jogado a carcaça pela a estrada e ele rolou até o poço.
– É... — Ele joga gasolina no animal morto. — Depois agente resolve isso... Eu cuido sozinho agora maninho.
Entrei e mais uma vez me arrependi... Deus, como Merle consegue fazer isso?
– Merda. — Sussurro e vou para o banheiro tomar um banho.
Deixei a água quente me relaxar, me permiti levar meus pensamentos para longe, para ela... Esses dias que estive trabalhando com Hershel ocuparam minha cabeça, mas agora, tudo que tem é ela... Dois dias sem ve-las e parece que enlouqueci.
– To saindo. — Grito.
– Vai pra cidade? — Merle pergunta jogando alguma coisa na casa. — Trás alguma coisa pra acabar com esse cheiro.
Saio de casa e subo na moto de Merle. Respiro fundo assim que coloco os pés fora de casa. Aquele cheiro estava me matando.
Parei a moto na frente da casa de Carol, desci e buzinei. Não demorou muito para ver Sophia abrir a porta e vir correndo até mim. Sophia praticamente pula no meu colo me apertando.
– Calma pirralha. — Falo. Demoro alguns segundos para retribuir seu abraço.
– Pensei que nunca mais ia voltar. — Ela fala baixo.
– Sophia... — Ela me olha. — Desce do meu colo. Você é gorda.
– Heeey. — Ela me dá uns tapinhas. Coloco ela no chão e mecho no cabelo dela. — Seu besta.
– Olha quem apareceu. — Carol sorri. — Oi.
– Oi. — Retribuo o sorriso.
– É sua? — Sophia aponta para a moto.
– Do Merle. — Falo. — Depois agente dá uma volta. Cade a Mika?
– Lá dentro. — Sophia me puxa pela a mão. — Vem.
Passei praticamente o dia todo com Carol e Sophia... Sei que pode parecer errado, mas tem vezes que desejo Ed morto, só por pensar no que ele faz pra elas, no quanto as machuca... Deus, isso está me matando.
– Vamos logo. — Subo Sophia na moto.
– Tchau mãe. — Ela acena.
– Segura pirralha. — Falo e ela me aperta.
Dou partida na moto e vou para o centro da cidade. É estranho a ligação que tenho com Sophia, é algo mais forte que amizade... Em tão pouco tempo, é incrível o que essa garotinha fez comigo.
Paro a moto em frente ao mercado.
– Olha a tia Lori. — Sophia fala. — Posso ir falar com ela?
Olho para Lori que acena pra gente.
– Vê se não sai de perto dela. Eu volto logo. — Falo e observo ela correndo até a Lori.
Entro no mercado e pego rapidamente o que Merle pediu. Pago e saio.
– Sophia. -Grito e ela olha na minha direção. Troca algumas palavras com Lori e corre de volta até mim.
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