Stay
33 Home
Notas iniciais
Um suspiro escapou pelos os lábios do caipira. Parecia que tinha se passado uma eternidade, desde que esteve naquela cabana. Nunca pensou que se sentiria tão aliviado por sentir o familiar cheiro de cigarros e bebidas que era sua casa. Havia roupas espalhadas por toda a sala, restos de comida ocupavam o sofá e a pequena mesa que ficava no centro da sala, em frente ao sofá velho e acabado dos Dixon. Não se incomodou pelo o cheiro de podridão que, provavelmente, vinha da parte de trás da cabana. Provavelmente mais algum animal morto.
Daryl olhou a sua volta, sua boca se contorcendo em um misto de alegria e alivio. Os olhos varreram todo aquele comodo, para se certificar de que não era mais alguma ilusão.
Ele estava em casa.
Ele finalmente estava em casa.
Os olhos azuis de Beth dominavam seu pensamento, Rick sabia o quanto aquilo era errado da parte dele. Era casado, tinha um filho e uma esposa grávida e Beth... Bem, Beth era quase uma criança.
Se isso era tão errado... Por que ele não podia simplesmente ignorar a forma como ela o atraía? Ou apenas se convencer de que aquilo não era nada a mais que uma tração física. Afinal, Beth era bonita, na verdade, bonita era um termo vago para descrevê-la. Beth era linda. Quase perfeita. E Rick sabia disso. Assim como sabia que não deixaria de pensar nela, enquanto não soubesse o sabor de seus lábios.
O Xerife se assustou com o rumo que sua mente estava tomando. Balançou a cabeça algumas vezes, tentando expulsar aqueles pensamentos.
Fracassou novamente.
Tentou pensar em Lori. Ele a amava. E amava sua família.
Mas havia algo diferente nele.
Nela.
Novamente se surpreendeu quando lembrou-se do sorriso tímido da jovem garota. Dos fios loiros, que caíam feito cascatas sobre suas costas. Os olhos... Ele realmente gostava de seus olhos.
Não era algo físico.
Ele não a via apenas como uma garota jovem e com um belo corpo. Ele a via como Beth Greene. A garota jovem, dona de um dos sorrisos mais belos que já havia visto.
Quando isso começou?
Quando passou a pensar em Beth daquela forma?
O que mudou em tão pouco tempo?
Ele não poderia se imaginar em algum tipo de relação com ela, aquilo tinha um milhão de razões para dar errado. Ele era mais velho. Era o Xerife de sua cidade e por Deus... Era um homem casado.
Precisava deixar de pensar em Beth.
Precisava colocar um fim naquilo.
As pessoas já estavam comentando. Algumas assustadas, outras felizes. Daryl tinha se tornado alguém importante depois de algum tempo. Ninguém, nunca pensou que uma mulher seria capaz de transformar um Dixon. Mas ele sempre foi diferente dos outros homens da sua família, o que contribuiu muito para o jeito como o pai o "educava". Daryl não gostava de fazer as coisas que eles eram acostumados a fazer, sendo assim, um motivo de vergonha para o pai.
Nunca conheceu ninguém de sua família.
Eram apenas ele, Merle e Will.
Mas a verdade é que Daryl sempre teve que se virar sozinho. Nunca pode contar com o pai ou o irmão. Ele sempre foi visto apenas como mais um Dixon, sujo e ignorante.
Isso era diferente agora.
Ele era diferente agora, e ninguém, nem mesmo Merle, poderia negar.
Nesse momento as pessoas andavam agitadas de um lado para o outro, sempre comentando sobre a volta do caipira.
Carol encarava seu próprio reflexo na frente do espelho. Estava sorrindo, apesar de estar com uma raiva inumana de si mesma. Gostaria de não ter passado tanto tempo sem dormir, assim as marcas abaixo de seus olhos não seriam tão horríveis. Estava mais magra do que o normal, também estava pálida e parecia cansada. E realmente estava. Não havia tido uma boa noite de sono desde que Daryl fora levado para Atlanta.
E agora, depois de meses, ela o veria novamente. O abraçaria. O sentiria. Como fizeram há algum tempo atrás.
Carol sabia que o amava.
Ela nunca duvidou disso, um só segundo.
Porque não existiam outros olhos, que poderiam vê-la por dentro. E não existiam outras mãos, que poderia mantê-la tão segura.
Daryl era o único capaz de fazê-la feliz.
Isso nunca mudaria.
– Você está linda. — Lori sorri para a amiga, enquanto passa a própria mão por sua barriga.
Carol sorriu quando encontrou os olhos da mulher. Lori sempre a fazia se sentir melhor.
– Como está? — Lori se aproxima de Carol.
– Não sei exatamente... Meu coração está a ponto de pular do peito. — Ela sorri nervosa.
– Tenho certeza que ele não deve estar muito diferente. — Lori passa as mãos no cabelo e suspira.
Carol estava pronta para perguntar o que a incomodava, quando foi interrompida pelo o som da campainha.
A mulher travou.
Seus olhos estavam mais abertos do que o normal e suas mãos suavam. Pôde jurar que estava mais pálida do que antes.
Era ele. Tinha certeza.
Puxou o ar para seus pulmões algumas vezes, antes de olhar mais uma vez para Lori, que balançou a cabeça, encorajando-a a ir atender a porta.
Daryl mantinha uma das mãos no bolso. Os olhos atentos nas crianças que brincavam na rua, um meio sorriso se abriu no canto de seus lábios, quando finalmente encontrou a figura loira que corria de um lado para o outro, atrás de outras crianças.
A garota não tinha ideia do que estava acontecendo. E Daryl estava adorando vê-la daquela forma. Tão despreocupada, como uma criança de apenas dez anos.
Era daquela forma que ele gostaria que Sophia permanecesse. O sorriso no rosto da garota fazia-o se esquecer das ultimas semanas que passou naquele lugar. Ele a amava. Mais do que imaginou um dia ser capaz de amar alguém.
Carol não pode evitar as lágrimas quando o viu. Ele pareceu não notar sua presença, estava vidrado em Sophia.
– Está longe de casa, caipira. — Se perguntou de onde tirou forças para conseguir pronunciar qualquer palavra.
O sorriso de Daryl se alargou. O homem se virou para a mulher, olhando-a, como se ela fosse algum tipo de luz no fim do túnel.
Caminhou até Carol, os passos lentos e cautelosos. Sua mão tocou a pele do rosto da mulher, fazendo com que as lágrimas acumuladas em seus olhos escorregassem pela a bochecha rosada de Carol.
– Eu estou exatamente aonde deveria. — O momento que esperou tanto, os lábios dela. Seu perfume e sua pele, tão macia quanto seda.
Era sua mulher.
Sua doce e incorrigível Carol.
Ouviu a voz de Sophia, se afastou de Carol a tempo de conseguir segura-la enquanto a mesma saltava para seu colo.
Palavras não eram necessárias naquele momento.
Ele estava com sua família.
Estava com sua mulher e sua garotinha.
Daryl estava feliz, e ele tinha certeza de que nada mudaria isso.
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